Após confirmar o fechamento do Seminário Cristo Redentor por causa da falta de seminaristas, o bispo da província de Coclé, Uriah Ashley, admitiu: “Estamos no tempo das vacas magras”.

Há cada vez menos aspirantes para trabalhar no grande conglomerado da Igreja Católica. No ano passado, somente 72 pessoas procuraram seguir a carreira do sacerdócio nos três seminários do país.

O mais importante Seminário Maior panamenho, situado em San José, tem apenas 45 seminaristas matriculados, um número irrisório em comparação com outras épocas. Nos anos 80 do século passado, quando foi lançada a grande missão nacional, o seminário chegou a abrigar 120 aspirantes a sacerdote.

Em 27 anos de serviço, o Seminário Cristo Redentor ordenou 137 sacerdotes. O reitor do Seminário, Carlos Mejía, disse que na vida da Igreja é normal que isto ocorra. “Quando o papa veio as vocações floresceram e naquele ano foi realizado um grande trabalho missionário em todo o país e isso criou nos rapazes o interesse de servir a Deus”, explicou.

No Sínodo de Bispos, reunido no Vaticano em 2005, os religiosos admitiram que a escassez de sacerdotes corresponde a uma das principais preocupações da Igreja Católica. Contudo, a questão foi analisada sob a ótica de um sintoma e não de um problema.

Para o sociólogo panamenho Raúl Leis, o fato de dos jovens se interessarem cada vez menos pela vida religiosa obedece a vários motivos, dentre os quais mencionou a secularização (falta de manifestação religiosa) e os escândalos envolvendo segmentos da Igreja católica.

“Vivemos numa sociedade cada vez mais urbana, na qual se faz pouca referência ao religioso. Isso, somado aos questionamentos feitos à Igreja Católica nos últimos anos, diminuíram as vocações”.

A falta de sacerdotes deve-se, também, ao abandono do sacerdócio. Dados do Vaticano indicam que 100 mil “trabalhadores de Deus” abandonaram a batina em todo o mundo.

Na década de 1980, os especialistas falavam de um êxodo em massa de católicos latino-americanos para outras denominações religiosas, chegando a calcular o abandono em 400 crentes por hora. Duas décadas depois, o fenômeno não parou. Não existe somente um êxodo para as diferentes propostas gnósticas e esotéricas, cultos afro-americanos e seitas. Também há uma tendência para a indiferença religiosa, produto da avançada secularização, explica o sociólogo Raúl Leis.

“A globalização fez que com as famílias de hoje deixem de lado o tradicional para voltar-se mais às tendências da época”, disse.

Fonte: ALC