O suposto missionário evangélico João Alves Barbosa foi preso ontem pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), em Tangará da Serra, por atentado violento ao pudor contra adolescentes. Barbosa possuiria um projeto teatral chamado Ganhando Almas para Jesus, que funcionava nas férias e nos feriados prolongados. Ele viajava por cidades do Brasil e do Chile com meninas na faixa de 13 a 17 anos.

“Ele se intitulava como missionário evangélico e adentrava nas igrejas com um projeto religioso teatral. Temos registros que ele viajou com cerca de 15 adolescentes pelo Brasil e até para o Chile. Ele ganhava a confiança das pessoas das igrejas e escolhia as meninas que iriam participar do grupo. Na viagem, ele escolhia a menina que sentaria ao lado dele. Essa era abusada”, contou o promotor de Justiça e Juventude de Cuiabá, José Antônio Borges Pereira.

Segundo Pereira, o suspeito era investigado pelo Gaeco há cerca de 90 dias e, ao perceber que era vigiado, se mudou para Tangará da Serra. A denúncia partiu de pais e de adolescentes.

“Temos registro que ele vivia dessas viagens que fazia com as igrejas, além dos folders com propaganda do projeto religioso. João Alves Barbosa possui antecedentes criminais em São Paulo por estelionato. Além disso, possuímos registro que ele pegou vários cheques emprestados de uma mulher evangélica e soltou na praça”, comentou o promotor de Justiça José Antonio Borges.

Na Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica), o delegado Marcio Antonio Dias Cambahuba informou que o suspeito atua nessa atividade há 18 anos, mas as denúncias de atentado violento ao pudor ocorreram em 2007 e no início de 2008.

“Temos registro que ele freqüentou as igrejas evangélicas Batista, Presbiteriana e Assembléia de Deus. Três garotas das cidades de Cuiabá e Sinop denunciaram terem sido molestadas pelo missionário. Ele falava em nome de Deus, em algumas igreja se dizia pastor, em outras missionário, e as pessoas não desconfiavam”, comentou Cambahuba.

O advogado do missionário, Lélio Coelho, declarou que seu cliente é inocente e que ele trabalha no setor de turismo e que eventualmente é contratado por igrejas para fazer viagens. “Ele não é pastor e não é de igreja nenhuma. Não temos nenhuma prova que o incrimine, estamos solicitando acesso ao inquérito policial e ao material que foi apreendido na casa dele”, destacou o advogado.

A polícia apreendeu, na residência do suposto missionário, computadores, CDs e materiais do projeto, entre outros. Ele será encaminhado para um presídio e responderá por ato violento ao pudor. A pena é de 6 a 10 anos por cada vítima.

Fonte: 24 Horas News

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