Thalles Roberto
Thalles Roberto

João Neto
Guia-me

Emoção, vontade de rir, de chorar e até de gritar. Segundo o cantor e compositor Thalles Roberto, esses foram apenas alguns dos sentimentos que envolveram o processo de produção de seu novo DVD “Saudade”.

Produzido em um formato inovador, no qual o próprio cantor visita pessoas que compartilham testemunhos impactantes, que de alguma forma têm relação com as canções do músico, o novo projeto traz faixas gravadas ao vivo em diversos locais, na varanda da casa de algumas dessas pessoas ou nas igrejas nas quais elas congregam em suas respectivas cidades.

Em uma entrevista exclusiva para o Guiame, Thalles abriu o coração e falou sobre a nova fase de sua carreira, o novo DVD, que segundo ele, marca uma fase de maturidade espiritual e frutos de muito aprendizado junto a Deus,

Confira a entrevista na íntegra, logo abaixo:

Guiame: A produção do DVD “Saudade” envolveu histórias impactantes de pessoas que de alguma forma foram tocadas pelo seu ministério. Quais foram os sentimentos e sensações que você teve enquanto ouvia essas histórias?

Thalles Roberto: O mais especial de todo esse projeto é que eu não fiz parte da seleção de nenhuma história. Então, eu não sabia quem eram essas pessoas, não sabia quais eram os testemunhos, não sabia em qual cidade seria… não sabia nada. A única coisa que eu sabia era que eu iria ouvir histórias de pessoas que tinham sido através do meu ministério.

A produção (o Alex, principalmente) cuidou muito para que eu não ficasse sabendo de nada, nem eu, nem as pessoas. Então, as pessoas achavam que chegaria lá só o pessoal da equipe para fazer uma entrevista com eles, para ver se a história deles seria selecionada para eu simplesmente assistir na minha casa. Quando nós nos encontrávamos era uma mistura de… não sei nem o quê. Dava uma vontade de rir, de chorar, de gritar ao mesmo tempo. Principalmente por saber que você está ali, na casa de de alguém que foi transformado através da sua vida…

Antes estava só a minha música ali, agora eu estava ali presente. Isso é muito emocionante. Na chegada, quando eu ouvia as histórias, me sentia pequeno, como que pensando: “Uau! Eu não sou nada. É pela misericórdia de Deus que isto aqui está acontecendo”. Ao mesmo tempo [o sentimento] era de gratidão: “Obrigado, Deus, porque o Senhor me usou para fazer coisas tão significativas nas vidas dessas pessoas aqui”. Esses eram os meus sentimentos.

Guiame: Até que ponto esses testemunhos influenciaram você e a banda nas gravações das faixas do DVD (que também aconteceram em locais bem inusitados)?

Thalles: Eu acredito que a sonoridade desse projeto carrega muita vida junto, porque os meninos todos sabiam que nós iríamos ministrar aquelas canções que impactavam as pessoas de longe, mas eles sabiam que nós íamos ministrar de perto.

Talvez nós nunca tivéssemos estado tão perto assim das pessoas. A gente estava no mesmo piso das pessoas, às vezes a uma distância de um metro ou dois. Todos estavam olhando nos nossos olhos. É diferente quando você está em um palco grande e fica onde você quer, se move para os lados, mas ali não tinha como se mexer e a gente ficava bem perto da energia das pessoas, do olhar de cada um, da lágrima de cada um. Acredito que é completamente audível na sonoridade de cada canção gravada a presença das pessoas, dos corações das pessoas.

Eu gosto de falar que cada um de nós carrega um pouco da presença de Deus. Então, quando a gente se junta e fica bem pertinho, se forma uma atmosfera de muita presença de Deus. É isso que está nessa sonoridade. O jeito de cantar é diferente quando a gente está muito pertinho assim, o jeito de tocar é diferente. É como se a gente estivesse na sala de casa, simplesmente adorando a Deus. Então, a influência foi total.

Guiame: O DVD “Saudade” chega depois de um bom tempo sem você lançar um trabalho nacional como cantor (até mesmo porque você também estava ocupado com outras produções). Como você se sente gravando novamente músicas em português e voltando a divulgar um novo DVD nacional?

Thalles: Por muitas e muitas vezes, muitas pessoas me disseram: “Poxa, você está com a sua carreira estruturada fora do Brasil. Por que você quer insistir no Brasil? Por que você quer gravar de novo no Brasil?”. Eu dizia simplesmente: “Não sei o porquê, mas algo dentro de mim diz que Deus ainda tem muitas coisas para eu fazer no Brasil. Deus ainda quer me usar muito lá”. Eu também dizia: “Não é o tempo ainda e eu não sei quando vai ser, mas eu vou continuar orando, esperando e buscando, porque eu sei que em algum momento essa porta vai se abrir”.

Então, eu me sinto extremamente feliz, honrado por estar cantando para o meu povo, na minha língua. Me sinto extremamente abraçado pelas pessoas. Fazia muito tempo que eu não me dedicava tanto à divulgação de um projeto, não me envolvia tanto na divulgação de um projeto e que eu não sentia tanto amor por um projeto, como eu por esse projeto.

Eu estava conversando com o Alex ontem, dizendo que não se pode escolher qual projeto, porque o “Saudade” é a continuação de todos, mas sabe quando você tem um bebezinho novo? Não é que os outros filhos deixem de ter importância, mas o cuidado é todo dedicado a ele. É assim que eu estou me sentindo: com todo carinho do mundo pelo meu país, pelas pessoas que me ouvem e são abençoadas através da minha música.

Guiame: Você sente que há dificuldade da Igreja perdoar um cristão conhecido (assim como você), que deu alguma declaração equivocada, mesmo após ele ter pedido perdão, ter se retratado?

Thalles: Eu não acho que seja uma dificuldade de perdoar. Acho que é uma chateação. As pessoas ficam chateadas. O que eu aprendi com tudo isso é que a quem muito é dado, muito será cobrado. Nós temos uma grande responsabilidade diante daquilo que Deus colocou em nossas mãos. Com certeza, eu aprendi muito com tudo isso.

Sou um homem muito mais maduro, mais capaz, mais contido e me sinto preparado para continuar realizando o meu ministério, desenvolvendo aquilo que Deus colocou no meu coração. Este projeto “Saudade” vem justamente para startar a volta do meu ministério ao Brasil, para reconciliar todas as coisas. Estou muito feliz.

Fonte: Guia-me