Ator Chad Kimball diz que foi demitido por opinião religiosa.
Ator Chad Kimball diz que foi demitido por opinião religiosa.

O ator Chad Kimball afirma ter sido demitido do musical da Broadway “Come From Away” devido às suas crenças cristãs. Por causa disso, ele está processando a produção do show pelo “desprezo” aos cristãos no teatro.

“Jesus nunca nos ordenou a não nos defender”, disse ele ao New York Post. “Como cristãos, devemos buscar a justiça, a verdade e a restauração. A lei nos dá oportunidades de fazer todas essas coisas”.

Em novembro de 2020, Kimball publicou no Twitter uma crítica às restrições da Covid-19 em seu estado natal, Washington, que limitava os cultos presenciais e proibia os fiéis de cantarem na igreja. No entanto, o post causou polêmica.

“Respeitosamente, nunca permitirei que um governador, ou qualquer outra pessoa, me impeça de cantar, muito menos cantar em adoração ao meu Deus. Gente, o poder absoluto corrompe absolutamente. Não se trata de segurança. É sobre poder. Eu respeitosamente vou desobedecer essas ordens ilegais”, disse o ator na época.

Isso fez com que Kimball fosse “rescindido ilegalmente”, porque suas crenças religiosas deixavam os produtores do musical “desconfortáveis”, de acordo com a ação movida pelo advogado do ator, Lawrence Spasojevich.

Agora, o ator processa a produtora do musical, Kiss The Cod Broadway, e sua empresa de gerenciamento, Alchemy Production Group, por discriminação no local de trabalho.

Kimball é um ator experiente e tem uma longa carreira na Broadway. Em 2010, ele chegou a ser indicado ao Tony Award — o maior prêmio do teatro dos EUA, equivalente ao Oscar no cinema.

Em entrevista ao New York Post, ele afirma que sua religião pode ser uma desvantagem na Broadway: “Os cristãos às vezes podem ser desprezados no mundo do teatro. Olhando para a história, a comunidade teatral é composta em grande parte por pessoas marginalizadas da sociedade. Infelizmente, tem havido atrito entre eles e a igreja”.

Post no Twitter e seu contexto

O drama fora do palco começou em 15 de novembro do ano passado, em um período em que as produções da Broadway estavam temporariamente pausadas devido à pandemia.

Kimball e sua esposa, Emily, estavam com a família em sua cidade natal, Seattle. “Eu cresci em uma família cristã lá”, disse o ator. “Eu ia à escola dominical e à igreja todos os domingos. Meus pais praticam o que pregam e somos todos pessoas íntegras.”

Mas com o aumento da Covid em Washington, o governador Jay Inslee determinou que os templos fossem limitados a 25% da capacidade e que os fiéis não tivessem permissão para cantar.

“Eu senti que estava invadindo meu espírito e invadindo nossa consciência coletiva”, disse o ator. “Como cristão e uma pessoa de oração, parecia que havia alguém fora de mim tentando tirar uma parte de dentro de mim. Não é fácil para mim não cantar. Eu fui ordenado a cantar. Eu quero cantar. É minha fé.”

Kimball então usou o Twitter para expressar sua opinião. “Normalmente, 10 pessoas veem meus posts. Eu tuíto com cuidado. Não faz sentido deixar as pessoas irritadas”, observa.

Uma hora depois de postar, ele foi alertado por seus amigos sobre o que estava acontecendo em sua página. De repente, sua declaração passou a ser vista por muitos. Alguns desejaram sua morte, outros esperavam que ele pegasse Covid, outros ainda sugeriram que ele cantasse em particular.

“Eu estava no ‘ratio’”, disse Kimball. “Eu nunca tinha ouvido o termo antes. Mas é onde você recebe mais comentários negativos do que curtidas.”

O ator disse que logo foi rotulado como negacionista, mas lembra que nunca foi contra o uso de máscaras ou distanciamento social nas igrejas. “Eu só queria poder cantar na igreja usando uma máscara e estando socialmente distanciado”, explicou.

Mais tarde, naquele mesmo dia, ele postou: “Para ser claro: ninguém deve ficar sem máscara. O exagero – na minha opinião! – é não poder cantar, mesmo com a máscara. Todos continuarão usando máscaras. Com respeito, esperança e cuidado.”

Isso não ajudou. Ainda assim, o pior ainda estava por vir.

Dias depois, ele entrou em contato com a produtora de “Come From Away”, Susan Frost, por e-mail. “Eu disse a Sue que tuitei algo que causou polêmica”, disse Kimball, acreditando que teria seu apoio. Quando não recebeu, “comecei a me perguntar se eu estava em perigo”.

Em janeiro, Kimball foi contatado por Frost com “preocupações” de que “os acontecimentos no Capitólio, [o discurso encabeçado pelo senador] Josh Hawley e o movimento cristão conservador estavam unidos e implicam uma conexão entre Kimball, em virtude de sua fé, às ideias e ações dos eventos de 6 de janeiro de 2021 no Capitólio dos EUA”.

De acordo com o documento do tribunal, Kimball conversou com o diretor do show, Christopher Ashley. “Eu perguntei a ele se a demissão foi por causa dos sentimentos dentro do elenco ou por causa das minhas crenças religiosas. Ele disse que era tudo.”

“Come From Away” reabriu na Broadway sem Kimball em 21 de setembro, mas ele não carrega mágoas em relação ao elenco e à equipe.

“Oro para que eles não tenham nada além do melhor”, disse Kimball. “O musical tem uma mensagem importante de aceitar todos que vêm à sua porta, independentemente do que eles acreditam. O problema é que não se aplicou a mim”.

Por fim, o ator faz uma reflexão: “Essa situação que aconteceu comigo mudou minha vida. Eu perdi meu propósito, eu perdi meu emprego, eu perdi meu caminho. Tem sido difícil e deprimente, mas não me destruiu. Eu me voltei para Deus para buscar sua misericórdia e sabedoria.”

Fonte: Guia-me com informações de The Christian Post