Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (Foto: Reprodução/Instagram/ipuoficial)
Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (Foto: Reprodução/Instagram/ipuoficial)

A Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU) deu um passo significativo em direção à inclusão ao aprovar a aceitação de pessoas LGBT+ como membros e pastores em suas congregações. A decisão histórica ocorreu durante a Assembleia Geral da denominação, realizada entre 17 e 19 de julho em Salvador, Bahia. A medida, que não altera a doutrina fundamental da igreja, estabelece a possibilidade de homossexuais serem acolhidos tanto na membresia quanto na liderança pastoral.

Além da inclusão, a assembleia definiu um conjunto de princípios a serem seguidos pelas sete congregações (presbitérios) da IPU. Entre as diretrizes estabelecidas estão a proibição de discursos de ódio e discriminação, bem como de qualquer forma de violência simbólica, espiritual ou psicológica direcionada a pessoas homoafetivas. A prática conhecida como “cura gay” também foi explicitamente proibida.

Essa decisão surge após a criação, em 2023, de uma Comissão Especial para Assuntos de Gênero pela IPU. Essa comissão dedicou-se à discussão do tema, reunindo integrantes da comunidade LGBT+, representantes de congregações e pastores que já realizavam casamentos homoafetivos. As discussões, que se estenderam por três anos, evidenciaram a diversidade de posições dentro da igreja, com perspectivas que variam do conservador ao progressista.

Com a nova diretriz, a Igreja Presbiteriana Unida do Brasil se alinha a um movimento de teologia progressista, espelhando a postura de denominações como a Igreja Presbiteriana dos EUA (PCUSA), que já aceita a homossexualidade e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A IPU soma-se assim à Igreja Episcopal Anglicana do Brasil como denominações históricas inclusivas no país.

A IPU tem um histórico de se posicionar de forma distinta da teologia conservadora predominante em outras denominações presbiterianas brasileiras, como a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPI) e a Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil (IPRB). Fundada em 10 de setembro de 1978 como Federação Nacional de Igrejas Presbiterianas, a IPU nasceu a partir de um movimento de pastores e líderes afastados da IPB por defenderem uma visão ecumênica e o ministério feminino. Em sua plataforma, a IPU se descreve como uma igreja reformada ecumênica que valoriza o diálogo interreligioso como caminho para a paz e a harmonia da humanidade.

Folha Gospel com informações de Metrópoles e O Globo

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