Regime iraniano lista redes de TV cristãs como organizações hostis e intensifica medidas contra dissidentes e minorias religiosas
O regime islâmico do Irã adicionou emissoras de TV cristãs à sua lista de organizações e indivíduos considerados hostis. A medida, divulgada recentemente pelo Ministério de Inteligência, inclui redes evangélicas como Sat-7, Nejat, Seven e Mohabat TV, além de jornais em língua persa, sites, canais de mídia social e figuras proeminentes da oposição.
A inclusão na lista de hostis, que abrange mais de 300 entidades e pessoas, implica que qualquer cooperação com os citados, incluindo o envio de fotos ou vídeos, pode resultar em processo judicial. A lei de espionagem, reforçada após conflitos anteriores, já levou à condenação de pelo menos cinco cristãos a penas que somam mais de 40 anos de prisão. Estes foram acusados de serem “mercenários do Mossad” treinados no exterior por igrejas nos EUA e em Israel, atuando sob o disfarce do “sionismo cristão de evangelização”, de acordo com o Ministério da Inteligência.
Fred Petrossian, do Article 18, explicou que, na visão oficial da República Islâmica, “hostil” designa indivíduos ou instituições que se opõem ou combatem o sistema. “O escopo desse conceito nas leis e procedimentos judiciais da República Islâmica é muito vago e amplo e pode incluir desde críticas e atividades midiáticas até o que é considerado ‘propaganda contra o sistema’. Na prática, não tem limites”, afirmou.
Com a proibição de atividades missionárias e o fechamento de igrejas nos últimos 40 anos, as emissoras cristãs passaram a ocupar um espaço importante na disseminação de estudos bíblicos e programas evangelísticos. Fred Petrossian destacou que “redes [de mídia] cristãs em língua persa baseadas fora do Irã preencheram parte do vazio causado pelas restrições às atividades de igrejas e instituições cristãs dentro do país”.
A emissora SAT-7, por exemplo, transmite programas cristãos, incluindo a série “The Chosen”, via satélite para o Irã, contornando a censura estatal. O Irã, país predominantemente muçulmano, tem um histórico de perseguição a cristãos, com a proibição de igrejas e materiais religiosos. Convertidos do islamismo enfrentam acusações de apostasia, puníveis pela Sharia, podendo resultar em prisão e tortura. Apesar da repressão, a igreja clandestina no país continua a crescer, com o Irã figurando na 10ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas.







