Bandeira da China acenando em um mastro em um céu azul (Foto: Canva Pro)
Bandeira da China acenando em um mastro em um céu azul (Foto: Canva Pro)

Detido na China, o pastor Liu Zhenbin revela pressão de promotores que usaram seus filhos pequenos para obter confissão, conforme relata a ChinaAid

O pastor chinês Liu Zhenbin, detido durante uma operação contra sua congregação não registrada, denunciou que um promotor usou a segurança de seus filhos pequenos em uma tentativa de forçar uma confissão de culpa. A revelação consta em uma correspondência enviada pelo próprio líder religioso de dentro do centro de detenção na cidade de Beihai, na região de Guangxi, e foi divulgada pela associação de direitos humanos ChinaAid.

Pessoas próximas ao processo relataram que o promotor responsável pelo caso advertiu o pastor para que pensasse no futuro de sua família caso não colaborasse com a investigação.

“Seus filhos ainda são muito jovens. Você precisa pensar neles.”

O líder religioso admitiu ter ficado profundamente abalado com a declaração, ressaltando o forte desejo de acompanhar o crescimento de suas crianças. Liu Zhenbin e a esposa cuidam de três filhos menores de idade.

As acusações formais impostas pelas autoridades, originalmente ligadas ao uso ilegal de redes de informação, foram posteriormente agravadas para os crimes de operações comerciais ilegais e fraude. O pastor argumenta que o processo judicial visa unicamente intimidar o movimento de igrejas domésticas em território chinês, desestimulando novos líderes por meio do medo de perseguição penal.

Histórico de repressão contra a comunidade religiosa

A congregação liderada por ele, a Igreja Zion de Pequim, optou por não se filiar ao Movimento Patriótico das Três Autonomias, órgão estatal que supervisiona os grupos protestantes autorizados pelo governo. Os dirigentes da comunidade afirmam que o registro oficial comprometeria a independência religiosa. Após ter suas atividades presenciais suspensas à força pelas autoridades em 2018, a igreja migrou para transmissões virtuais durante a pandemia, expandindo o número de membros.

Uma ação policial de alcance nacional contra a Igreja Zion foi deflagrada em 9 de outubro de 2025, resultando no interrogatório e detenção de cerca de 30 pastores e fiéis. Liu Zhenbin foi levado de sua residência em Qingdao dois dias depois, tendo seus bens confiscados. Atualmente, oito representantes da igreja continuam encarcerados, incluindo os líderes Wang Lin, Gao Yingjia, Yin Huibin, Lin Shucheng, Wang Cong, Wang Zhong e Wu Qiuyu.

O pastor sênior da instituição, Ezra Jin Mingri, de 56 anos, foi libertado recentemente após passar 266 dias sob custódia, em decorrência de negociações diplomáticas entre funcionários dos governos chinês e norte-americano. O caso havia sido discutido diretamente pelo presidente Donald Trump com o líder da China, Xi Jinping, durante um encontro em Pequim. Após chegar aos Estados Unidos em 4 de julho, Jin Mingri declarou que continuará lutando pela libertação dos demais companheiros, descrevendo que os detidos enfrentam celas superlotadas e dormem no chão sob forte calor.

A campanha de sinicização e restrições legais

A campanha de sinicização, iniciada em 2015, exige lealdade prioritária ao Partido Comunista em detrimento de crenças religiosas. Um plano de cinco anos direcionado a cristãos impôs a censura de sermões, o monitoramento de doações e a inclusão da ideologia de Xi Jinping nos seminários. A estimativa da ChinaAid indica que mais de 10 mil pessoas foram presas na última década, enquanto templos autorizados somam 44 milhões de membros e as igrejas não registradas concentram cerca de 115 milhões de fiéis.

Advogados de direitos humanos que assumem esses casos também enfrentam a cassação de suas licenças profissionais. A organização irlandesa Frontline Defenders aponta que pelo menos 30 advogados perderam o direito de exercer a profissão entre 2017 e 2023, incluindo Zhang Kai, defensor de membros da Igreja Zion.

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