Joe Biden durante seu discurso de posse como presidente dos EUA
Joe Biden durante seu discurso de posse como presidente dos EUA

A proclamação do presidente Joe Biden em homenagem ao Dia Nacional de Oração está enfrentando críticas dos conservadores porque não inclui a palavra “Deus”.

Biden, que diz ser católico, emitiu uma proclamação presidencial reconhecendo o Dia Nacional de Oração na quinta-feira. Ele convidou “os cidadãos de nossa Nação a agradecer, de acordo com sua própria fé e consciência, por nossas muitas liberdades e bênçãos”.

Apesar de exaltar a importância da oração, o texto não menciona Deus pela primeira vez desde a criação da data através de uma lei promulgada em 1952, que diz que todo presidente dos EUA deve emitir anualmente uma proclamação para o Dia Nacional de Oração, encorajando os americanos a orar. A data é celebrada toda primeira quinta-feira de maio.

“Neste Dia Nacional de Oração, nós nos unimos com propósito e determinação, e nos comprometemos novamente com as liberdades fundamentais que ajudaram a definir e guiar nossa Nação desde seus primeiros dias”, diz a proclamação.

“Celebramos nossa incrível sorte de que, como americanos, podemos exercer nossas convicções livremente – não importa nossa fé ou crenças. Vamos encontrar em nossas orações, como quer que sejam feitas, a determinação de superar as adversidades, superar nossas diferenças e nos unir como uma nação para enfrentar este momento da história ”.

Biden também deu crédito à oração pelo poder de “movimentos morais”, incluindo “direitos essenciais contra a injustiça racial, trabalho infantil e violação dos direitos de americanos deficientes”.

Além disso, o presidente atribuiu a criação de “uma nação de notável vitalidade religiosa e diversidade através das gerações” ao “direito de todos os americanos de orar” garantido pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.

Não demorou muito para que os conservadores cristãos proeminentes percebessem que a mensagem de Biden, divulgada na quarta-feira, não incluía a palavra “Deus”.

David Brody, o principal analista político da CBN News, fez uma crítica à proclamação presidencial. “A Proclamação do Dia Nacional de Oração de Joe Biden foi publicada e não menciona Deus se quer uma vez! Como você lança uma proclamação sobre oração e não menciona Deus?… Na verdade, isso é patético … e não é surpreendente”, disse no Twitter.

A constatação foi feita pelo Christian Headlines a partir de um levantamento no The American Presidency Project, um site oficial que reúne documentos presidenciais.

Em contraste, a proclamação mais recente do ex-presidente Donald Trump reconhecendo o Dia Nacional de Oração em 2020 incluía a palavra “Deus” 11 vezes. A proclamação feita pelo ex-presidente Barack Obama, emitida em 2016, incluiu a palavra “Deus” duas vezes.

A Proclamação do Dia Nacional de Oração de Biden também não incluiu nenhuma passagem da Bíblia.

A proclamação de Trump para 2020 incluiu uma referência a 1 João 5:14, que declara que quando “pedimos qualquer coisa segundo a Sua vontade, Ele nos ouve”.

A proclamação de Biden incluiu uma citação de John Lewis, o falecido congressista e ativista dos direitos civis, que descreveu os seres humanos como “o elo mais dinâmico com o divino neste planeta”.

Todas as proclamações desde 1953 — o primeiro ano desde a lei aprovada pelo Congresso dos EUA — incluíram “Deus” até 2021.

O projeto de lei foi assinado em 1952 pelo presidente Harry Truman, depois que uma declaração de Billy Graham foi parar na Câmara e no Senado dos EUA. Na época, durante a Guerra da Coréia, Graham expressou o desejo de ter um dia de oração no país, em discurso nas escadas do Capitólio americano.

“Que coisa emocionante e gloriosa seria ver os líderes de nosso país hoje ajoelhados diante do Deus Todo-Poderoso em oração. Que emoção varreria este país. Que esperança e coragem renovadas dominariam os americanos nesta hora de perigo”, disse Billy Graham.

Graham então lançou um desafio para um Dia Nacional de Oração, que foi apresentado à Câmara e Senado americanos e aprovado como lei desde então.

As proclamações dos ex-presidentes

A proclamação do presidente Donald Trump em 2018 mencionou “Deus” várias vezes: “Neste Dia Nacional de Oração, vamos nos reunir, todos de acordo com sua fé, para agradecer a Deus por Suas muitas bênçãos e pedir Sua contínua orientação e força.”

A proclamação do presidente Barack Obama em 2015 fez referência a Deus três vezes, incluindo a seguinte frase: “Por meio da oração encontramos a força para fazer a obra de Deus”. A proclamação de Obama em 2010 dizia: “Neste dia, vamos dar graças pelas muitas bênçãos que Deus concedeu à nossa nação”.

A proclamação do presidente George W. Bush em 2003 dizia: “Nos reunimos para agradecer a Deus pelas muitas bênçãos de nossa nação, para reconhecer nossa necessidade de Sua sabedoria e graça e para pedir-Lhe que continue a zelar por nosso país nos dias que virão”.

A proclamação do presidente Bill Clinton de 1995 dizia: “Não esqueçamos essas dolorosas lições do nosso passado, mas continuemos a buscar a orientação de Deus em todas as questões da nossa nação”.

A proclamação do presidente George H.W. Bush de 1991 dizia: “Como uma nação sob o domínio de Deus, nós, americanos, estamos profundamente cientes de nossa dependência do Todo-Poderoso e de nossas obrigações como povo que Ele abençoou ricamente.”

A proclamação do presidente Ronald Reagan em 1987 encorajou os americanos a “voltar nossos rostos e nossos corações a Deus não apenas em momentos de perigo pessoal e conflito civil, mas em plena flor da liberdade, paz e abundância que Ele derramou sobre nós”.

A proclamação do presidente Jimmy Carter de 1979 dizia: “Perseveramos e permanecemos como uma terra de esperança por causa da bondade e força de nosso povo e porque o Deus de todos nós nos mostrou Seu favor”.

A proclamação do presidente Gerald Ford em 1976, emitida durante a celebração do bicentenário dos EUA, dizia: “Reflitamos também sobre a profunda fé em Deus que inspirou os pais fundadores”.

A proclamação do presidente Richard Nixon em 1973 dizia: “A América é uma nação sob o domínio de Deus”.

A proclamação do presidente Lyndon Johnson em 1967 dizia: “Que cada um de nós ore para que Deus nos conceda a constância para prevalecer na defesa da liberdade e a coragem e resolução para preservar e estender Suas bênçãos de liberdade.”

A proclamação do presidente John Kennedy em 1962 dizia: “Que possamos pedir especialmente a bênção de Deus sobre nosso lar, para que esta unidade integral da sociedade possa nutrir nossos jovens e dar-lhes a fé necessária em Deus, em nossa nação e em seu futuro.”

A proclamação do presidente Dwight Eisenhower de 1959 dizia: “Lembremo-nos de que nosso Deus é o Deus de todos os homens, que somente como todos os homens são livres, a liberdade pode ser assegurada para qualquer um, e que somente quando todos prosperam, qualquer um pode se contentar com sua boa fortuna”.

A proclamação do presidente Harry Truman em 1952 encorajou os americanos a “suplicar a Deus que nos dê sabedoria para saber o curso que devemos seguir”.

Foi Truman, em 1952, quem assinou um projeto de lei exigindo que os presidentes emitissem anualmente uma proclamação do Dia Nacional de Oração.

Folha Gospel com informações de The Christian Post e Christian Headlines