Michelle Bolsonaro e seu maquiador, Augustin Fernandez. (Foto: Reprodução/Instagram)
Michelle Bolsonaro e seu maquiador, Augustin Fernandez. (Foto: Reprodução/Instagram)

Agustin Fernandez criticou culto que frequentou, relembrou polêmicas envolvendo André Valadão e fez acusações sobre a administração da congregação

O maquiador e empresário Agustin Fernandez, conhecido por trabalhar com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, publicou um vídeo nas redes sociais em que critica duramente a Igreja da Lagoinha de Alphaville, em São Paulo, e afirma estar orando para que a congregação encerre suas atividades. O relato foi publicado após uma visita recente do influenciador a um culto da igreja.

Fernandez afirmou que decidiu aceitar o convite para participar do culto como uma tentativa de ressignificar experiências negativas que, segundo ele, contribuíram para seu afastamento do ambiente evangélico.

“E se eu falar pra vocês que estou orando a Deus pra fechar essa lagoinha de Alphaville? Alguns anos atrás, aconteceu algo que me marcou muito e me fez criar aversão por igreja, por crente e por todo esse universo”, declarou.

Experiência no culto

De acordo com o maquiador, a visita recente não teve o efeito esperado. Ele afirmou que deixou o local ainda mais incomodado e comparou o ambiente da congregação a uma casa de shows.

“Algumas semanas atrás, me convidaram pra participar de um culto da Lagoinha e fui com esse sentimento de ressignificar aquele trauma. Só que saí de lá pior que cheguei porque quando botei o pé naquele lugar, não senti que estava entrando em uma igreja, senti que estava entrando numa casa de show sertanejo”, relatou.

Fernandez também fez críticas à pregação que acompanhou. Segundo seu relato, o pastor teria subido ao púlpito sem a Bíblia e falado sobre assuntos pessoais, como o uso de Mounjaro e exercícios físicos. Ele afirmou ainda que a mensagem teria sido baseada em um sonho sobre uma experiência no céu e utilizado imagens exibidas em um telão.

O influenciador classificou a experiência como a pior pregação que já havia presenciado e reclamou da ausência de um momento de apelo.

“Ou seja, um culto sem Bíblia, sem a palavra de Deus, sem apelo”, afirmou.

Críticas a André Valadão e episódios do passado

Durante o desabafo, Agustin também retomou episódios que, segundo ele, contribuíram para sua antiga rejeição às igrejas evangélicas. Entre eles, citou uma declaração atribuída ao pastor André Valadão sobre a presença de homossexuais na igreja e mencionou o período em que Guilherme de Pádua, condenado pelo assassinato da atriz Daniella Perez, passou a atuar como pastor na denominação.

Fernandez, que é homossexual, afirmou que essas situações marcaram sua relação com o cristianismo e que, posteriormente, havia conseguido mudar sua percepção sobre a igreja, Deus e a Bíblia.

Ao explicar sua visão sobre a presença de pessoas LGBT nas igrejas, ele disse que a transformação espiritual deveria estar relacionada ao contato com a Bíblia e com a mensagem cristã.

“Então, quando você olha pra um gay, lésbica, travesti, transexual frenquentando uma igreja que tem Bíblia, confronto, palavra, a transformação tambem é visual. E isso denuncia se tem espírito Santo na casa”, declarou.

Acusações sobre administração da igreja

O pedido de fechamento da congregação também foi relacionado por Fernandez a uma série de acusações envolvendo a administração da igreja e pessoas ligadas à família responsável pela instituição.

Ele mencionou supostos vínculos com o Banco Master e o INSS, além de disputas judiciais, questões relacionadas a aluguel, pagamentos a prestadores de serviço e funcionários e alegado mau uso de ofertas. As acusações foram apresentadas por Fernandez em seu vídeo e, segundo as reportagens consultadas, ele não apresentou documentos que comprovassem as alegações.

“E por que estou orando pra fechar as portas desse lugar? O comportamento dessa família, a maneira que a igreja é utilizada e o nível de envolvimento que tem com o Banco Master, INSS, disputa judicial, calote de aluguel, prestador de serviço e funcionário, mau uso da oferta”, afirmou.

O maquiador disse estar preocupado com o impacto que situações como essas poderiam causar na imagem do cristianismo para pessoas que ainda não conhecem a fé.

“Sabe o que acontece quando você tenta evangelizar uma pessoa de boa índole, que não conhece Jesus ainda? A pessoa olha e acha que o ministério de Cristo é isso, roubalheira, corrupção, trambiquismo, estelionatário, mau-caratismo”, declarou.

Fernandez diz que não pretende se calar

Ao final da publicação, Agustin afirmou saber que poderia ser criticado por expor sua opinião, mas disse considerar necessário falar sobre o que, em sua avaliação, está errado dentro da igreja.

“Eu sei que muitas pessoas não vão entender, vão criticar, porque a igreja tem essa cultura de ficar calada, não denunciar. Mas não posso ficar com isso dentro de mim porque atrapalha o caminho pra pessoa conhecer Jesus”, disse.

O influenciador encerrou o vídeo questionando a forma como a instituição estaria sendo conduzida e afirmou não reconhecer o local como uma igreja.

“Esse lugar não tem honra, não consigo nem chamar de igreja. Não tem honra entre os irmãos porque é um processando o outro, o locatário, a oferta, os pastores”, concluiu.

Até o momento, as reportagens consultadas não registram uma manifestação oficial da Igreja da Lagoinha de Alphaville ou das pessoas citadas por Fernandez em resposta às acusações. As alegações apresentadas pelo maquiador, portanto, permanecem como declarações feitas por ele nas redes sociais.

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