Início Site Página 22

Investigação no banco Digimais lança suspeitas sobre o império de Edir Macedo e a Igreja Universal

Edir Macedo (Foto: Reprodução)
Edir Macedo (Foto: Reprodução)

Uma investigação em curso por autoridades brasileiras sobre o Digimais, um banco de menor porte, tem gerado dúvidas a respeito da Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo bilionário bispo Edir Macedo. A instituição financeira é acusada de inflar o valor de seus ativos, o que pode intensificar a figura controversa do religioso no país.

Macedo, de 81 anos, construiu um vasto império religioso, com cerca de 10 milhões de fiéis globalmente, sendo 7 milhões no Brasil, segundo dados de 2021 da própria igreja. Paralelamente, ele controla outros negócios significativos, incluindo o banco em questão e a segunda maior rede de televisão do país, operando a partir dos Estados Unidos, onde reside.

As informações são da Folha de S.Paulo.

influência do bispo se estende à política brasileira, com histórico de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva nos anos 2000 e posterior endosso a conservadores como Jair Bolsonaro em 2018. O partido Republicanos, com forte representação no Congresso, possui ligações com a igreja, incluindo figuras que são pastores licenciados e ocuparam cargos na rede de TV de Macedo.

Em comunicado divulgado em junho, a Universal declarou que Edir Macedo não integra a administração do Digimais. “A condução das atividades é de responsabilidade exclusiva dos executivos e profissionais legalmente habilitados para responder perante os órgãos reguladores”, informou a igreja. Contudo, a apuração sobre o banco traz à tona os negócios de Macedo.

Autoridades alegam que o Digimais teria inflando seus ativos para mascarar problemas financeiros, resultando na execução de mandados contra executivos e o congelamento de aproximadamente R$ 670 milhões em bens e dinheiro. O banco optou por não comentar as acusações.

As alegações ganharam repercussão no setor bancário brasileiro, lembrando o caso do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central no ano passado sob acusações semelhantes de fraude em balanços.

Ascensão evangélica e influência de Macedo no cenário brasileiro

A ascensão de Edir Macedo e outros líderes evangélicos tem impactado a hegemonia da Igreja Católica na América Latina. Atualmente, cerca de 27% dos brasileiros se identificam como evangélicos, um salto considerável em relação aos índices de um dígito nos anos 1970, quando a Igreja Universal foi fundada. O catolicismo, por sua vez, viu sua proporção cair de mais de 90% para menos de 60% da população no mesmo período, conforme dados do IBGE.

Edir Macedo, que reside nos EUA há anos, é responsável pela construção de uma réplica em larga escala do Templo de Salomão em São Paulo. Ele realiza pregações transmitidas online para milhões de fiéis. Em 2025, o bispo vendeu um luxuoso apartamento na Flórida por US$ 13 milhões.

Entre seus empreendimentos, destaca-se o Grupo Record, proprietário da segunda maior emissora de TV do Brasil, adquirida no final dos anos 1980. A empresa registrou R$ 4,3 bilhões em receita no ano passado. Embora com programação majoritariamente secular, a Record exibe produções da Universal, como telenovelas e programas focados em família e questões sociais.

Em 2018, a rede produziu o filme “Nada a Perder“, cinebiografia de Macedo que obteve expressivo público, apesar de alegações de inflação nas vendas de ingressos por meio de compras pela igreja.

A trajetória do Digimais sob o comando de Edir Macedo

Nos anos 2000, Edir Macedo direcionou seu interesse para um pequeno banco focado em financiamento de veículos. A aquisição de 40% da instituição ocorreu em 2009, com a aprovação do Banco Central apenas quatro anos depois, após a emissão de um decreto presidencial que permitia a participação de residentes no exterior em bancos brasileiros.

A intenção inicial era que o banco atendesse aos mais de 15 mil funcionários e fornecedores da Record. Macedo completou a aquisição do restante do banco em 2020, renomeando-o para Digimais e nomeando figuras ligadas à Igreja Universal para sua liderança, como o bispo João Luiz Urbaneja, que presidiu a instituição por um período.

O Digimais enfrentou dificuldades financeiras, necessitando de um aporte de capital no início deste ano para cumprir exigências regulatórias. Macedo também buscou vender o banco, chegando a um acordo preliminar com o BTG Pactual, negociação que ainda não foi finalizada e pode ser revista.

No começo do ano, houve uma troca de comando no Digimais, com Thiago Rodrigues Urbaneja, filho de João Luiz Urbaneja, sendo sucedido por Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, que ocupou cargos durante governos anteriores do PT, o partido de Lula.

Fonte: Folha de S.Paulo

Tesoureira de igreja é acusada de desviar mais de R$ 2 milhões da congregação

Mulher algemada com dinheiro nas mãos (Foto: Canva Pro)
Mulher algemada com dinheiro nas mãos (Foto: Canva Pro)

Uma ex-tesoureira de igreja nos Estados Unidos foi acusada de desviar o equivalente a mais de R$ 2 milhões em recursos da congregação para realizar centenas de compras pessoais ao longo de vários anos.

Segundo a Divisão de Aplicação da Lei da Carolina do Sul (SLED), Latrise Latrell Seward, de 54 anos, foi formalmente acusada de quebra de confiança com intenção fraudulenta envolvendo valores superiores a US$ 10 mil. As autoridades alegam que ela utilizou recursos da igreja sem autorização enquanto exercia a função de tesoureira da Igreja Metodista Unida de Mechanicsville, localizada no condado de Lee.

De acordo com o mandado de prisão, os supostos desvios ocorreram entre janeiro de 2018 e agosto de 2025. Os investigadores afirmam que Seward teria realizado compras pessoais não autorizadas que totalizaram US$ 402.655,45, valor que corresponde a aproximadamente R$ 2.077.702,12 pela cotação do dólar hoje.

As autoridades informaram ainda que a acusada teria admitido as compras durante entrevista com os investigadores. A apuração foi baseada em declarações da própria suspeita e em uma auditoria forense realizada nos registros financeiros da igreja.

O caso será conduzido judicialmente pelo Gabinete do Promotor do 3º Circuito da Carolina do Sul.

Uma pesquisa da Lifeway Research em 2017 apontou que quase um em cada dez pastores protestantes entrevistados afirmou que sua igreja já enfrentou algum episódio de desvio de recursos. O levantamento também indicou que congregações maiores relataram esse tipo de problema com mais frequência.

O diretor executivo da Lifeway Research, Scott McConnell, observou que as igrejas dependem da confiança entre seus membros, mas também precisam adotar mecanismos de proteção financeira para reduzir riscos e prevenir irregularidades.

Folha Gospel com informações de The Christian Post

Professor preso por se recusar a usar pronomes de gênero é libertado após 700 dias

Enoch Burke deixa a prisão após decisão do Tribunal Superior de Dublin. (Captura de tela/X/EnochBurke)
Enoch Burke deixa a prisão após decisão do Tribunal Superior de Dublin. (Captura de tela/X/EnochBurke)

O professor irlandês Enoch Burke foi solto da prisão na segunda-feira, 1º, por determinação do Tribunal Superior de Dublin. A decisão encerra um capítulo de uma longa disputa judicial que atraiu atenção internacional. O juiz Brian Cregan determinou a libertação de Burke após a conclusão do processo do Painel de Recurso Disciplinar (DAP), que analisou o recurso do professor contra sua demissão da Wilson’s Hospital School.

Ao deixar a prisão, Burke manifestou sua contestação sobre a imparcialidade do processo disciplinar que avaliou seu recurso. Segundo o professor, membros do Painel de Recurso Disciplinar possuíam ligações com a Igreja da Irlanda, instituição à qual a escola está vinculada. Burke alega que essa conexão comprometeria a independência do julgamento e configuraria um conflito de interesses, violando o princípio jurídico que impede que alguém atue como juiz em causas com interesses institucionais próprios. Por essa razão, ele classificou o procedimento como uma “farsa”, “fraude” e “escândalo”.

Enoch Burke, um evangélico, passou quase dois anos detido por se recusar a utilizar pronomes de gênero que considerava incorretos, o que levou à sua suspensão e à proibição de retornar ao cargo. Ele foi afastado em agosto de 2022 após um conflito com a direção da escola sobre a adoção de uma política que exigia o uso de pronomes alinhados à identidade de gênero declarada por alunos que se identificassem com o sexo oposto. Burke rejeitou a medida por motivos de consciência e continuou a retornar às instalações da escola, mesmo suspenso e apesar de ordens judiciais que o proibiram de acessar o local. Desde então, ele tem sido encarcerado repetidamente por desacato ao tribunal, devido a violações contínuas das determinações judiciais.

O impasse jurídico tem sido acompanhado de perto na Irlanda, com opiniões divididas sobre o caso. Apoiadores de Burke o veem como um defensor da liberdade religiosa e de consciência, punido por se opor ao que consideram uma ideologia de gênero prejudicial. Críticos, incluindo alguns cristãos, consideram suas atitudes desrespeitosas e ‚nticristãs”, argumentando que sua suspensão e prisões decorreram de seu comportamento e da violação deliberada de ordens judiciais, e não de suas crenças. Seus defensores, por outro lado, sustentam que ele jamais deveria ter sido preso.

Ao determinar a libertação de Burke, o Supremo Tribunal observou que o cenário jurídico havia mudado após a perda do recurso contra a decisão que confirmou sua demissão por má conduta grave. O juiz considerou que este desfecho alterou o contexto para a análise da manutenção de sua prisão, embora o tribunal tenha mantido críticas à conduta do professor ao longo do processo.

Folha Gospel com informações de The Christian Post

Índice Global de Perseguição 2026 revela desafios para cristãos

Índice Global de Perseguição 2026, da International Christian Concern (Foto: ICC)
Índice Global de Perseguição 2026, da International Christian Concern (Foto: ICC)

A International Christian Concern (ICC) divulgou nesta sexta-feira (07) seu Índice Global de Perseguição 2026 (GPI, sigla em inglês). O documento oferece uma análise aprofundada sobre as perseguições que cristãos enfrentam em mais de 20 países, apresentando testemunhos pessoais de fiéis sob o título “Faces dos Perseguidos”. O relatório detalha as dificuldades de seguir a Cristo em cada uma dessas nações por meio de análises, estatísticas, notícias e depoimentos.

O GPI visa informar tomadores de decisão, jornalistas e partes interessadas, funcionando também como uma ferramenta para apoiadores da ICC. O índice explora maneiras pelas quais os… (Continue lendo clicando aqui)

Inscrição antiga na Turquia oferece rara evidência da substituição do Mitraísmo pelo Cristianismo

Templo de Mitra em Zerzevan, Turquia. (Captura de tela: YouTube)
Templo de Mitra em Zerzevan, Turquia. (Captura de tela: YouTube)

Uma inscrição milenar desenterrada em um templo da era romana, no sudeste da Turquia, está proporcionando aos arqueólogos uma visão rara de como o Cristianismo gradualmente suplantou uma das religiões de mistério do Império Romano. Acredita-se que o texto em aramaico, gravado próximo à entrada de um templo subterrâneo de Mitra em Zerzevan Castle, registre o encerramento do santuário em um período de crescente influência cristã no final do Império Romano.

A descoberta, que permaneceu sem decifração desde a localização inicial do templo em 2017, vem acompanhada de uma cruz esculpida. Segundo a Anatolian News, a inscrição sugere que… (Continue lendo clicando aqui)

União Europeia aprofunda laços com Armênia em meio a tensões por liberdade religiosa

O Mosteiro de Noravank, na Arménia, é um complexo do século XIII famoso pela sua arquitetura e localização em falésias vermelhas. (Foto: Reprodução)
O Mosteiro de Noravank, na Arménia, é um complexo do século XIII famoso pela sua arquitetura e localização em falésias vermelhas. (Foto: Reprodução)

A União Europeia anunciou um pacote de assistência econômica e ampliou o acesso a mercados para a Armênia, em um movimento que sinaliza o fortalecimento dos laços entre as partes. A medida surge em um momento em que a nação do Cáucaso enfrenta pressões econômicas crescentes da Rússia. Durante uma visita a Yerevan, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu €18 milhões adicionais em ajuda e comunicou a remoção de tarifas para quase 80% das exportações armênias para a União Europeia.

Essas ações ocorrem após a Rússia impor restrições comerciais abrangentes a produtos armênios, após as eleições parlamentares de junho que reconduziram ao poder o Partido Contrato Civil, liderado pelo Primeiro-Ministro Nikol Pashinyan. A crescente parceria reflete os esforços contínuos da Armênia para diminuir sua dependência de Moscou e estreitar relações com a Europa. Para a União Europeia, esta expansão de relacionamento representa mais doue uma oportunidade econômica ou geopolítica, mas também uma chance de promover proteções mais robustas para a liberdade religiosa.

A Armênia, como a primeira nação cristã do mundo, possui um… (Continue lendo clicando aqui)

A religião desempenha um papel fundamental no crescimento econômico, revela pesquisa

Berlim, capital da Alemanha (Foto: Canva)
Berlim, capital da Alemanha (Foto: Canva)

Segundo um novo estudo que examina por que algumas nações prosperam enquanto outras enfrentam dificuldades, a religião teve uma influência muito maior no desenvolvimento econômico do que muitos economistas reconhecem.

A pesquisa argumenta que as crenças, instituições e práticas religiosas moldaram tudo, desde a educação e os sistemas financeiros até o tamanho das famílias, a inovação tecnológica e as instituições políticas, deixando uma marca duradoura no desempenho econômico em todo o mundo.

Foi publicado pela RFBerlin em maio e baseado em uma revisão feita pelos economistas Professor Sascha Becker, da Universidade de Warwick, Professor Jared Rubin, da Universidade Chapman, e Professor Ludger Woessmann, da Universidade de Munique.

O estudo desafia as teorias econômicas convencionais que se concentram principalmente em investimento, tecnologia e capital humano, argumentando que a religião muitas vezes atuou nos bastidores, influenciando os próprios fatores que os economistas usam para explicar o crescimento.

“A religião afeta o crescimento econômico não apenas por meio de crenças individuais, mas também moldando as instituições e normas fundamentais que governam a sociedade”, afirma o texto.

Um dos exemplos mais claros destacados na pesquisa é o impacto da Reforma Protestante na educação.

A convicção de Martinho Lutero de que os crentes comuns deveriam ser capazes de ler as Escrituras por si mesmos incentivou o estabelecimento de escolas em todas as regiões protestantes da Europa. No século XIX, as áreas protestantes da Prússia apresentavam taxas de alfabetização significativamente mais altas do que as regiões católicas vizinhas.

Essa vantagem educacional ajuda a explicar por que as regiões protestantes frequentemente experimentaram um desenvolvimento econômico mais forte, desafiando a famosa teoria do sociólogo Max Weber, que vinculava a prosperidade protestante principalmente a uma singular “ética protestante do trabalho”.

A influência estendeu-se muito além da Europa.

Missionários protestantes estabeleceram escolas na África, Ásia e América Latina, regiões onde continuam a demonstrar altos índices de alfabetização e maior mobilidade educacional gerações depois.

O estudo examinou como os ensinamentos religiosos afetaram os sistemas financeiros. Tanto o cristianismo quanto o islamismo historicamente impuseram restrições ao empréstimo de dinheiro com juros. Embora soluções alternativas tenham surgido com o tempo, os pesquisadores argumentam que essas limitações influenciaram o desenvolvimento do sistema bancário e do comércio por séculos. Em particular, regiões com um longo histórico de domínio otomano continuam a apresentar uma penetração bancária cerca de 10% menor do que as áreas vizinhas.

O relatório sugere que as instituições religiosas, por vezes, incentivaram a inovação e, outras vezes, a retardaram. Um exemplo citado é a proibição da impressão em alfabeto árabe pelo Império Otomano durante 250 anos, o que, segundo os pesquisadores, atrasou a disseminação do conhecimento.

Em contrapartida, áreas com maior diversidade religiosa frequentemente apresentavam taxas mais elevadas de inovação, com cidades prussianas do final do século XIX demonstrando maior atividade de patentes onde diferentes grupos religiosos conviviam lado a lado.

A relação entre religião e educação emergiu como um dos temas mais importantes do estudo.

Embora algumas tradições religiosas, como o protestantismo tradicional ou o judaísmo tradicional, tenham ajudado a cultivar habilidades de leitura, escrita e matemática que posteriormente contribuíram para a prosperidade econômica, os pesquisadores argumentam que outras formas de educação religiosa, como as madraças ou as yeshivas ultraortodoxas, às vezes priorizavam o ensino teológico em detrimento de habilidades valorizadas na economia em geral.

Os autores alertam, no entanto, que a relação é complexa e varia significativamente entre tradições, períodos históricos e contextos locais.

Constatou-se também que as crenças religiosas influenciam a vida familiar e o crescimento populacional. Na Europa do século XIX, as regiões protestantes geralmente apresentavam taxas de natalidade mais baixas do que as áreas católicas, em parte devido à maior ênfase na educação.

Os pesquisadores argumentam que essas mudanças demográficas ajudaram a criar as condições para o crescimento econômico a longo prazo.

O relatório sugere que, embora os formuladores de políticas devam prestar mais atenção à religião ao abordar os desafios econômicos modernos, os governos frequentemente tratam a religião como um fator cultural secundário, em vez de reconhecer sua influência contínua na educação, nas finanças, na vida familiar e nas instituições públicas.

Exemplos de países como o Egito e a Turquia demonstram como as tentativas de reduzir a influência da religião por meio de reformas educacionais às vezes produziram o efeito oposto, fortalecendo os movimentos religiosos em vez de enfraquecê-los.

O estudo também destaca a importância da liberdade religiosa e da tolerância. Segundo os pesquisadores, as sociedades que acolhem a diversidade religiosa frequentemente se beneficiam de uma maior troca de ideias e de uma maior inovação, enquanto a perseguição religiosa pode destruir habilidades valiosas, redes de contatos e capital humano.

Embora grande parte da pesquisa existente se concentre no cristianismo, judaísmo e islamismo, os autores reconhecem que se sabe menos sobre o impacto econômico de outras grandes tradições religiosas, incluindo o budismo, o hinduísmo e o confucionismo.

No entanto, concluem que a religião não pode ser ignorada nas discussões sobre desenvolvimento econômico.

“A principal lição é clara: a negligência da religião na literatura convencional sobre crescimento representa uma lacuna significativa”, afirma o relatório.

O estudo conclui que qualquer tentativa séria de compreender por que alguns países prosperam enquanto outros permanecem pobres deve levar em conta o papel fundamental que as crenças e instituições religiosas desempenharam na formação das sociedades.

Folha Gospel com informações de The Christian Today

Nicarágua prende bispo de 80 anos em meio ao aumento da perseguição religiosa

Cruz e bandeira da Nicarágua no topo de uma igreja (Foto: Canva IA)
Cruz e bandeira da Nicarágua no topo de uma igreja (Foto: Canva IA)

O bispo católico aposentado Juan Abelardo Mata Guevara, de 80 anos, foi detido pelas autoridades da Nicarágua, em mais um episódio que reforça as denúncias de intensificação da perseguição contra líderes religiosos no país governado por Daniel Ortega. A prisão ocorreu poucos dias após o religioso denunciar publicamente a repressão sofrida pela Igreja Católica e pedir orações pelos cristãos perseguidos.

Segundo a organização Christian Solidarity Worldwide (CSW), Mata foi abordado por agentes da Polícia Nacional na tarde de 29 de junho. Inicialmente, ele chegou a ser liberado, mas voltou a ser detido no dia seguinte. Desde então, organizações de direitos humanos e entidades cristãs manifestam preocupação com seu paradeiro e com seu estado de saúde. Há relatos de que o bispo esteja em prisão domiciliar sob vigilância policial, enquanto outras organizações afirmam que seu local de detenção permanece desconhecido.

Bispo criticava perseguição à Igreja

Juan Abelardo Mata é bispo emérito da Diocese de Estelí e, nos últimos anos, tornou-se uma das vozes mais críticas ao governo de Daniel Ortega. Em diversas ocasiões, denunciou restrições à liberdade religiosa, a prisão de sacerdotes e o fechamento de instituições ligadas à Igreja Católica.

No domingo anterior à sua detenção, durante uma celebração, o religioso pediu que os fiéis orassem “pela Igreja perseguida” e pelos bispos, padres e religiosos que foram presos ou forçados ao exílio pelo regime nicaraguense. Poucas horas depois, acabou sendo alvo da polícia.

Organizações denunciam escalada da repressão

A Christian Solidarity Worldwide classificou a prisão como mais um sinal da crescente repressão promovida pelo governo contra comunidades religiosas independentes.

A entidade pediu que as autoridades revelem imediatamente onde o bispo está sendo mantido e garantam sua integridade física, além de exigir sua libertação caso não existam acusações formalmente apresentadas.

Outras organizações internacionais de defesa dos direitos humanos também demonstraram preocupação com o caso e afirmaram que a detenção reforça o padrão de perseguição contra líderes religiosos críticos ao governo.

Igreja Católica enfrenta anos de perseguição

A relação entre o governo de Daniel Ortega e a Igreja Católica se deteriorou após os protestos de 2018, quando diversos bispos e sacerdotes passaram a denunciar violações de direitos humanos durante a repressão às manifestações populares.

Desde então, autoridades nicaraguenses fecharam emissoras de rádio e televisão católicas, proibiram procissões públicas, expulsaram ordens religiosas, confiscaram bens de instituições ligadas à Igreja e prenderam diversos membros do clero. Em alguns casos, religiosos foram posteriormente enviados ao exílio após negociações com o Vaticano.

Entre os casos de maior repercussão está o do bispo Rolando Álvarez, condenado a mais de 26 anos de prisão sob acusações de traição antes de ser libertado e enviado ao Vaticano em 2024. Desde então, organismos internacionais continuam denunciando a deterioração da liberdade religiosa no país.

Cresce a preocupação internacional

A nova detenção de Juan Abelardo Mata provocou manifestações de preocupação de entidades cristãs e organizações internacionais, que veem no episódio mais um capítulo da crescente repressão à Igreja Católica na Nicarágua.

Grupos de defesa da liberdade religiosa afirmam que a prisão de um bispo octogenário evidencia o endurecimento das ações do regime contra qualquer voz considerada crítica ao governo, inclusive líderes religiosos de longa trajetória pastoral.

Folha Gospel com informações de The Christian Post

Maioria dos evangélicos se identifica com a direita, enquanto católicos estão divididos, aponta Datafolha

Evangélicos durante culto (Foto: Reprodução)
Evangélicos durante culto (Foto: Reprodução)

Uma pesquisa do Instituto Datafolha revelou diferenças significativas entre evangélicos e católicos quanto ao posicionamento ideológico no Brasil. Segundo o levantamento, os evangélicos demonstram uma inclinação mais acentuada à direita, enquanto entre os católicos há um cenário de equilíbrio entre os campos da direita e da esquerda. Especialistas afirmam que essas diferenças refletem trajetórias históricas, prioridades distintas e a diversidade existente dentro das tradições cristãs brasileiras.

Na classificação geral elaborada pelo Datafolha, 52% dos evangélicos foram posicionados entre a direita e a centro-direita, enquanto 30% aparecem entre a esquerda e a centro-esquerda. Os demais 18% ocupam posições de centro. Já entre os católicos, o quadro é mais equilibrado: 43% se situam na direita ou centro-direita, contra 39% na esquerda ou centro-esquerda, resultado considerado um empate técnico dentro da margem de erro da pesquisa.

O levantamento foi realizado presencialmente com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros, nos dias 17 e 18 de junho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para o total da amostra, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.

Diferença aparece principalmente nos temas de comportamento

A maior distância entre evangélicos e católicos foi identificada nas questões relacionadas ao comportamento.

Nesse eixo, 61% dos evangélicos foram classificados como de direita ou centro-direita, enquanto apenas 18% ficaram na esquerda ou centro-esquerda. Entre os católicos, a direita reúne 52%, e a esquerda, 27%. Temas como liberdade religiosa, defesa da família, aborto, criminalidade, posse de armas, crença em Deus e educação influenciaram esse resultado.

Já no campo econômico, as diferenças diminuem. Entre os católicos, a esquerda aparece numericamente à frente, com 47%, contra 27% da direita. Entre os evangélicos, há empate técnico: 39% foram classificados na esquerda, 33% na direita e 28% no centro.

Especialistas apontam diferenças históricas

Segundo especialistas, as diferenças políticas entre evangélicos e católicos não são recentes e refletem processos históricos distintos.

Nas últimas décadas, boa parte das igrejas evangélicas, especialmente pentecostais e neopentecostais, aproximou-se de pautas consideradas conservadoras, defendendo princípios relacionados à família, liberdade religiosa, proteção da vida desde a concepção e valores cristãos na esfera pública. Esse movimento fortaleceu a participação de lideranças evangélicas na política institucional e ampliou sua identificação com partidos e candidatos de direita.

Já a Igreja Católica reúne diferentes correntes internas. Enquanto movimentos como a Renovação Carismática Católica tendem a compartilhar posições conservadoras em temas morais, outros grupos inspirados na Doutrina Social da Igreja enfatizam questões como combate à pobreza, justiça social, direitos humanos e redução das desigualdades. Essa pluralidade ajuda a explicar a distribuição mais equilibrada do eleitorado católico entre os diferentes espectros ideológicos.

Religião não determina automaticamente o voto

Os pesquisadores destacam que a religião é apenas um dos fatores que influenciam o comportamento político do eleitor brasileiro. Aspectos como renda, escolaridade, idade, região onde vive e experiências pessoais também exercem forte influência sobre as preferências ideológicas.

Além disso, tanto entre evangélicos quanto entre católicos há diversidade de opiniões políticas. Nenhum dos grupos pode ser considerado homogêneo, e diferentes denominações, movimentos e lideranças adotam posturas variadas diante do debate público e das eleições.

Ainda assim, o levantamento do Datafolha confirma uma tendência observada nos últimos anos: o eleitorado evangélico apresenta maior concentração no campo da direita, enquanto os católicos permanecem mais distribuídos entre as diferentes correntes políticas do país.

Folha Gospel com informações de Folha de S.Paulo e ICL

Igreja na Venezuela fica ‘sobrecarregada’ após terremotos devastadores

Pessoas procuram sobreviventes após fortes terremotos na Venezuela (Foto: Reprodução)
Pessoas procuram sobreviventes após fortes terremotos na Venezuela (Foto: Reprodução)

Os cristãos na Venezuela estão enfrentando dificuldades crescentes após os terremotos devastadores da semana passada, com líderes religiosos alertando que o desastre agravou as pressões já existentes por parte das autoridades estatais e deixou as comunidades vulneráveis ​​com dificuldades para acessar ajuda.

Segundo a organização Portas Abertas, que monitora a perseguição a cristãos, igrejas que já operavam sob vigilância, intimidação e restrições agora tentam apoiar comunidades traumatizadas, apesar de também terem sofrido perdas significativas.

Algumas comunidades cristãs relataram preocupações com as disparidades no acesso à assistência humanitária, alegando que a distribuição da ajuda, em alguns casos, favoreceu os apoiadores das autoridades, resultando em algumas comunidades religiosas recebendo pouca ou nenhuma assistência.

Um parceiro local da Portas Abertas disse: “A Igreja venezuelana, como agente social no país, tem vivido em constante incerteza. Agora, essa tragédia – que mergulhou a sociedade inteira em luto – se soma a esse contexto. A Igreja está sobrecarregada, mobilizando-se para contribuir de todas as formas possíveis, enquanto ora por intervenção divina em meio às imensas necessidades que o país enfrenta.”

As igrejas também sofreram grandes danos. Um prédio de igreja teria desabado em In La Guaira, enquanto líderes cristãos em todas as regiões afetadas têm prestado assistência a membros de suas congregações e comunidades vizinhas que perderam casas e meios de subsistência.

“Estávamos muito assustados na noite passada”, compartilhou um pastor da zona atingida pelo desastre.

Outro cristão descreveu a devastação generalizada: “Muitas pessoas estão em sofrimento após perderem tudo, com várias estruturas desabadas.”

Apesar das suas próprias circunstâncias, os fiéis locais continuaram a organizar apoio aos vizinhos e a coordenar os esforços de ajuda em algumas das comunidades mais afetadas.

“Aqui fora, com os vizinhos, temos nos apoiado mutuamente, permanecendo juntos e trazendo calma durante a noite e neste momento difícil”, comentou um cristão do estado de Aragua.

A crise surge na sequência de dois fortes terremotos que atingiram o norte da Venezuela em 24 de junho.

Com magnitudes de 7,2 e 7,5 e ocorrendo com apenas 40 segundos de intervalo, os terremotos causaram destruição generalizada na capital, Caracas, em La Guaira e nas áreas circundantes.

Segundo a organização Portas Abertas, pelo menos 1.450 pessoas foram mortas e mais de 3.150 ficaram feridas.

Devido aos extensos danos a residências, infraestrutura pública e serviços essenciais, o governo venezuelano decretou estado de emergência em todo o país.

Milhares de pessoas foram deslocadas, enquanto a interrupção no abastecimento de água, os danos nas estradas e o desabamento de edifícios aumentaram a necessidade de assistência humanitária.

As comunicações também foram severamente afetadas pelos cortes de energia, deixando muitas famílias dentro e fora da Venezuela sem conseguir entrar em contato com parentes nas áreas afetadas.

“A principal preocupação das famílias venezuelanas neste momento é saber se seus parentes desaparecidos ainda estão vivos”, disse um cristão local.

“Outra grande dificuldade recai sobre os feridos e sobre aqueles que viram suas casas destruídas. Tudo isso contribui para um choque emocional que gera angústia e desespero.”

Eles acrescentaram que as interrupções nas redes de comunicação causaram profunda ansiedade entre os venezuelanos que vivem no exterior, muitos dos quais não conseguiram apurar se os seus familiares haviam sobrevivido imediatamente após o ataque.

A organização Portas Abertas fez um apelo à oração por todos os afetados pelo desastre, em especial pelas comunidades cristãs que buscam servir ao próximo enquanto enfrentam necessidades significativas.

Folha Gospel como informações de The Christian Today

Ads
- Publicidade -
-Publicidade-