Todd White (Foto: Reprodução/Instagram @toddwhitelc)
Menos de três semanas após o professor bíblico e podcaster Mike Winger ter lançado um vídeo de quase seis horas criticando os líderes da Igreja Bethel pela forma como lidaram com o ministro profético Shawn Bolz, ele lançou outro vídeo anunciando que financiará uma investigação de 100 mil dólares contra o evangelista Todd White.
White é um conhecido pregador americano e fundador da organização ministerial Lifestyle Christianity, com sede no Texas. Ex-viciado em drogas e ateu, converteu-se ao cristianismo em 2004 e, desde então, ministra em círculos carismáticos, se autodenomina profético e construiu uma imagem pública por meio de seu ministério de cura.
Em um vídeo de quase cinco horas, Winger afirma ter reunido anos de provas e depoimentos de membros da igreja de White.
Atualmente, também circula online uma petição intitulada “Todd White Petition”, com mais de 1.300 assinaturas, que pede à Lifestyle Christianity que abandone todos os acordos de confidencialidade, pare de silenciar indivíduos e se submeta a uma investigação independente.
Em seu vídeo, Winger acusa White de falta de mecanismos de prestação de contas por parte da diretoria da igreja, com testemunhas relatando que White pediu aos apoiadores de seu ministério que fizessem cheques nominais a ele pessoalmente, em vez de à Lifestyle Christianity.
Outras alegações feitas por Winger incluem:
Simular jejum e embelezar histórias de cura, incluindo alegações de jejuns de água falsificados e testemunhos de cura exagerados.
Recebe um salário superior a 500 mil dólares por ano, financiado por doações.
Gastos excessivos, incluindo a recusa em voar na classe econômica ou em outras classes inferiores, optando pela primeira classe mesmo em voos curtos.
Recusar-se a aceitar um corte salarial durante crises financeiras, apesar de outros membros da equipe sênior o terem feito.
Fofocar e compartilhar detalhes da vida pessoal dos funcionários, usando essas informações para manipular os outros.
A a Lifestyle Christianity foi procurada para comentar as alegações de Winger. Nem a igreja nem White responderam até o momento da publicação.
Folha Gospel com informações de Premier Christian News
Adolescentes usando seus celulares (Foto: Folha Gospel/Canva)
Em julho passado, a Comissão Europeia apresentou diretrizes para plataformas online e redes sociais sobre como proteger menores online, bem como um protótipo de aplicativo de verificação de idade, ao abrigo da Lei de Serviços Digitais (DSA) da União Europeia (UE).
Essas diretrizes abrangem uma ampla gama de questões de proteção infantil, incluindo design viciante, conteúdo prejudicial e inadequado, contato indesejado de estranhos e cyberbullying.
A Comissão Europeia declarou que esperava que todos os seus 26 Estados-Membros (450 milhões de cidadãos) implementassem essas medidas.
França vai proibir o uso de redes sociais por menores de 15 anos
A França deu o exemplo no que diz respeito ao acesso de menores às redes sociais.
A Assembleia Nacional aprovou recentemente um projeto de lei que proíbe o uso de redes sociais por menores de 15 anos, com uma ampla maioria de 130 votos a favor e 21 contra. O projeto agora precisa ser encaminhado ao Senado para se tornar lei.
O ex-primeiro-ministro Gabriel Attal, líder do partido de Macron na Assembleia Nacional, explicou que “as plataformas de redes sociais terão até 31 de dezembro de 2026 para desativar as contas existentes que não cumprirem o limite de idade”.
Ele também esperava que “o Senado aprovasse o projeto de lei até meados de fevereiro, para que a proibição pudesse entrar em vigor em 1º de setembro”.
Emmanuel Macron: “O cérebro dos nossos filhos não está à venda”
Para o presidente francês Emmanuel Macron , a medida é “um grande passo em frente” e “o que os cientistas recomendam e o que o povo francês exige de forma esmagadora”.
“O cérebro dos nossos filhos não está à venda, nem para plataformas americanas nem para redes chinesas. Os seus sonhos não devem ser ditados por algoritmos . Não queremos uma geração ansiosa, mas sim uma geração que acredite na França, na República e nos seus valores”, acrescentou na plataforma de redes sociais X.
Ele afirmou que iria “agilizar” o procedimento para “garantir que essa proibição entre em vigor no início do próximo ano letivo”.
Pedro Sánchez: “Vamos proteger as crianças do Velho Oeste digital”
A Espanha também proibirá o uso de redes sociais para menores de 16 anos, conforme anunciou o presidente espanhol Pedro Sánchez na Cúpula Mundial de Governos em Dubai.
As plataformas online serão obrigadas a implementar sistemas eficazes de verificação de idade, “não apenas caixas de seleção, mas barreiras reais que funcionem”, disse Sánchez.
A proibição na Espanha faz parte de um pacote mais amplo de medidas , que incluirá uma proposta para responsabilizar legalmente os executivos de redes sociais por conteúdo ilegal e de ódio em suas plataformas, bem como para criminalizar a manipulação de algoritmos.
O presidente espanhol também instou o Ministério Público a investigar os crimes cometidos pela Grok (Inteligência Artificial de X), Meta e TikTok . “Defenderemos nossa soberania digital contra qualquer interferência estrangeira”, alertou o chefe de governo da Espanha.
“Nossos filhos estão expostos a um espaço que nunca deveriam ter enfrentado sozinhos, um espaço de vícios, abusos , pornografia , manipulação e violência. Não vamos mais aceitar isso. Vamos protegê-los do Velho Oeste digital”, concluiu Sánchez.
Crianças e redes sociais em toda a Europa
Espanha e França juntam-se a outros países da UE, como Dinamarca, Grécia e Itália, no esforço para implementar controles e proibições mais rigorosos em plataformas de redes sociais com o objetivo de proteger as crianças. O protótipo do aplicativo de verificação de idade da UE está atualmente sendo testado nesses cinco países.
Na Alemanha, tanto adultos quanto adolescentes “percebem efeitos negativos claros do uso das redes sociais em crianças e jovens: 77% dos adultos e 61% dos jovens acreditam que as redes sociais têm um impacto negativo na saúde mental”, explica um relatório recente do ifo .
A pesquisa também mostra que 85% dos adultos e 47% dos jovens acreditam que a criação de uma conta em redes sociais só deveria ser legal a partir dos 16 anos.
Fora da Europa, em dezembro passado, a Austrália tornou-se o primeiro país do mundo a proibir o uso de redes sociais por crianças menores de 16 anos.
Especialistas sobre o impacto nocivo em menores
Embora reconheçam os muitos benefícios do uso da internet, os especialistas também alertam para os problemas que ela acarreta, especialmente no que diz respeito às redes sociais.
“O cérebro do adolescente não está preparado para lidar com a quantidade de informações que recebe diariamente. Muitos passam horas olhando e desejando um ‘eu ideal’ que na verdade não existe e acabam sentindo ansiedade, decepção e depressão”, disse Dámaris García Medina, psicóloga cristã espanhola que trabalha regularmente com crianças e adolescentes, em entrevista à Evangelical Focus .
Francisco Villar, um pesquisador cristão, alerta que o consumo digital “leva a menos tolerância à frustração e menos empatia, o que dificulta a vida das crianças em uma idade em que precisam exercitar habilidades sociais básicas”. A posição do autor é radical: nada de smartphones para menores de 18 anos.
Na Europa, cristãos lançaram projetos para reforçar a formação e o uso adequado das redes sociais em diversos países.
Influenciadores cristãos se reúnem regularmente em países como Alemanha e França para compartilhar suas experiências e buscar o uso saudável de ferramentas tecnológicas.
Assembleia Legislativa da Paraíba (Foto: Reprodução/ALPB)
O Órgão Especial do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) declarou inconstitucional, nesta quarta-feira (4), um dispositivo do Regimento Interno da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) que previa a invocação religiosa na abertura das sessões ordinárias da Casa.
A norma determinava que o presidente da Assembleia iniciasse as sessões com a frase: “Sob a proteção de Deus e em nome do povo paraibano, declaro aberta a presente sessão”. O dispositivo também estabelecia que a Bíblia Sagrada permanecesse sobre a mesa diretora durante todo o Pequeno Expediente, etapa inicial dos trabalhos legislativos.
A decisão foi tomada no julgamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) ajuizada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB). Para o órgão, a prática violava princípios constitucionais como a laicidade do Estado, a liberdade religiosa, a igualdade, a impessoalidade e a neutralidade do poder público em relação às crenças religiosas.
Entendimento do tribunal
No julgamento, a desembargadora Fátima Bezerra, relatora da ação, votou inicialmente pela improcedência do pedido. No entanto, após o voto do desembargador Ricardo Vital, ela reconsiderou seu posicionamento. Ao final, a maioria dos desembargadores acompanhou o entendimento que declarou a norma inconstitucional.
Para Ricardo Vital, o dispositivo afronta o princípio da laicidade ao privilegiar uma crença específica, ao vincular a abertura das sessões legislativas à presença obrigatória da Bíblia Sagrada. Segundo o magistrado, o Estado não pode adotar símbolos ou rituais que representem uma religião em detrimento de outras.
Votos divergentes
Houve divergência no colegiado. Os desembargadores Aluízio Bezerra e Onaldo Queiroga votaram contra a maioria, sob o argumento de que a prática tem origem histórica e cultural e de que a maior parte da população brasileira se declara católica. O desembargador Abrão Lincoln optou pela abstenção.
Com a decisão, o dispositivo do Regimento Interno da ALPB que previa a invocação religiosa e a presença da Bíblia durante as sessões ordinárias deixa de ter validade jurídica.
Recurso contra decisão
O presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos), disse que vai recorrer da decisão do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB).
De acordo com Adriano Galdino, a procuradoria da ALPB “já está preparando recurso” contra a decisão, mas que não vai entrar no mérito da discussão. Ainda assim, afirmou que decisão judicial “se cumpre ou recorre”.
“Não vou entrar no mérito da decisão, apenas como presidente do Poder Legislativo não estou conformado com a decisão. A respeito enquanto decisão de Justiça, se tem que cumprir ou recorrer. No nosso caso, nós vamos recorrer da decisão e esperar uma decisão definitiva sobre o mérito da matéria”, explicou.
A Frente Parlamentar Evangélica (FPE), conhecida como bancada evangélica, divulgou nota pública nesta quarta-feira (4), em Brasília, para repudiar declarações do escritor e historiador Eduardo Bueno, conhecido como Peninha, nas quais ele defendeu que evangélicos não deveriam participar do processo eleitoral. Para a bancada, as falas são ofensivas, discriminatórias e incompatíveis com os princípios democráticos previstos na Constituição.
No posicionamento oficial, a FPE afirma que questionar o direito ao voto de um grupo específico com base em sua fé atinge milhões de brasileiros e coloca em risco um direito fundamental garantido pelo Estado Democrático de Direito. Segundo a entidade, o discurso desrespeita a liberdade religiosa e tenta deslegitimar a participação política de eleitores evangélicos.
A nota ressalta que a Constituição assegura igualdade de direitos sem distinções, incluindo a liberdade de crença, de pensamento e o sufrágio universal. Para a Frente, nenhuma convicção religiosa pode servir de critério para excluir cidadãos da vida pública ou do exercício da cidadania.
As críticas se referem a declarações atribuídas a Eduardo Bueno em que ele afirmou que evangélicos “não deveriam votar” e que o segmento “elege uma escumalha perigosa e violenta”. Em outra fala citada pela FPE, o escritor teria defendido que evangélicos deveriam se limitar ao ambiente religioso e não participar da escolha de vereadores, deputados, senadores e do presidente da República.
Em resposta, a bancada evangélica argumenta que parlamentares eleitos com apoio do segmento ocupam cargos legítimos, conquistados por meio do voto popular, e representam milhões de brasileiros de forma constitucional. Para os parlamentares, desqualificar esses mandatos equivale a desrespeitar a soberania do eleitorado.
Ao final, a Frente reafirmou que continuará atuando em defesa da pluralidade, do respeito mútuo e da convivência democrática, destacando que o direito à participação política é inalienável e deve ser garantido a todos, independentemente de fé ou convicções pessoais.
Unigrejas também critica declarações
A União Nacional das Igrejas e Pastores Evangélicos (Unigrejas) também se manifestou sobre o caso. Em nota divulgada na segunda-feira (2), a entidade classificou as falas de Peninha como ofensivas e discriminatórias, afirmando que elas ultrapassam os limites do debate democrático ao desqualificar milhões de brasileiros com base na religião.
A organização argumenta que o posicionamento afronta o artigo 14 da Constituição, que garante o sufrágio universal, com voto direto e secreto, sem discriminação. Segundo a Unigrejas, nenhum cidadão pode ser privado desse direito por motivo religioso.
A entidade acrescentou ainda que manifestações que incentivem exclusão ou preconceito religioso contrariam a legislação brasileira e tratados internacionais de direitos humanos, podendo resultar em responsabilização legal.
Confira a nota da FPE na íntegra:
NOTA DE REPÚDIO
“A Frente Parlamentar Evangélica manifesta repúdio às declarações do historiador Eduardo Bueno, que afirmou que evangélicos não deveriam votar e que “elegem uma escumalha perigosa e violenta”.
As declarações são ofensivas, discriminatórias e antidemocráticas, pois atacam milhões de brasileiros com base em sua fé e deslegitimam o exercício do voto, direito fundamental assegurado pela Constituição Federal.
A Constituição garante a igualdade, a liberdade religiosa, a liberdade de pensamento e o direito ao voto a todos os cidadãos , sem distinções. Os deputados e senadores eleitos com o apoio do segmento evangélico exercem mandatos legítimos, conferidos pelo voto popular, e representam de uma forma constitucional e democrática milhões de brasileiros.
A FPE reafirma seu compromisso com a pluralidade, o respeito e a convivência democrática, e seguirá defendendo as liberdades fundamentais e o direto inalienável de todo cidadão participar da vida política do país”.
Brasília-DF, 04 de fevereiro de 2026.
FRENTE PARLAMENTAR EVANGÉLICA NO CONGRESSO NACIONAL.
Conselho da Europa, sediado em Estrasburgo, na França (Foto: Reprodução/Conselho da Europa)
O Conselho da Europa, organização que reúne 46 países do continente em uma Assembleia Parlamentar sobre Direitos Humanos, pediu ações mais enérgicas contra as “práticas de conversão”, ou seja, tentativas de influenciar a orientação sexual ou a identidade de pessoas que se identificam como LGBTQI+.
Na assembleia parlamentar realizada em Estrasburgo, em 30 de janeiro, uma resolução que pedia a proibição dessas práticas, frequentemente chamadas de “terapias de conversão“, foi aprovada por 71 votos a favor, 21 contra e 2 abstenções.
O documento afirma que todos os países europeus devem “prever sanções penais com base numa definição clara e abrangente das práticas proibidas”.
Liderada pela ativista queer Kate Osborne
A iniciativa foi liderada por Kate Osborne, uma parlamentar britânica queer conhecida por seu ativismo LGBTQI+. O texto defende a necessidade de construir mais estruturas para monitorar e denunciar essa forma de LGBTifobia na Europa.
Na resolução aprovada por ampla maioria, as “práticas de conversão” são definidas como aquelas que buscam “mudar, reprimir, suprimir ou eliminar a orientação sexual, a identidade de gênero ou a expressão de gênero de uma pessoa”, por considerarem essas características dos indivíduos “patológicas ou indesejáveis”.
O Conselho da Europa (que não deve ser confundido com o Parlamento Europeu ou o Conselho Europeu) apelou à aprovação do texto para “prevenir e combater os danos” causados por indivíduos ou grupos no continente que não respeitam o princípio da autonomia pessoal.
O Conselho da Europa também apela à promoção de mais políticas públicas para “proteger” as pessoas LGBTQI+ e “reforçar a cooperação com as entidades religiosas” nesta luta.
Kate Osborne declarou posteriormente à imprensa que sua intenção era também que pais, professores e médicos fossem “educados” para “entender não apenas como são as práticas de conversão, mas também como identificá-las”.
Alterações para suavizar o texto foram rejeitadas
Nove emendas à resolução foram rejeitadas pela câmara, incluindo uma que incentivava a cautela terapêutica ao acompanhar jovens que se identificam como LGBTQI e outra que pedia a proibição de procedimentos cirúrgicos em menores que causem alterações sexuais irreversíveis.
Entre os que votaram contra a resolução durante o debate em Estrasburgo, foram criticadas as políticas que “tornam ilegal questionar o gênero autodeclarado de alguém” e que acabam representando um risco para a proteção de crianças e adolescentes.
“Estrutura ideológica aplicada à medicina e à família”
Bob De Brabandere, senador belga, denunciou no debate que a resolução a ser adotada ia muito além de coibir abusos contra indivíduos e buscava introduzir uma “estrutura ideológica abrangente” nos campos da educação, medicina e família.
Ele lamentou que os defensores dos direitos LGBTQI frequentemente “rotulam qualquer forma de exploração, hesitação ou não afirmação como prejudicial”.
Segundo ele, são necessárias políticas baseadas em evidências, e não “legislação dogmática”. Ele também alertou para o risco de colocar pais ou médicos sob “suspeita legal” por “exercerem cautela, julgamento profissional ou responsabilidade parental”. Lamentou que “a discordância não seja mais vista como parte da democracia”, mas sim como “desinformação”.
Críticas ao ‘ativismo trans’
Outro membro da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa que votou contra o relatório foi Rónán Mullen, da Irlanda.
Em declarações ao Brussels Signal , ele denunciou que “na realidade, isto não tem a ver com pessoas gays, mas sim com ativismo trans: uma agenda radical de afirmação de género deliberadamente inserida no relatório”.
À medida que crescem, as crianças “precisam de apoio e ajuda, e não devem ficar presas à confusão de gênero”, acrescentou ele.
Para Mullen, sua posição é “uma oposição de princípio a um ponto de vista moderado dentro da tradição democrata-cristã (…) Eu encorajaria outros a fazerem o mesmo, para proteger a importante distinção entre a liberdade pessoal e a proteção de pessoas vulneráveis, como crianças, contra ideologias tóxicas”.
Impulso de Malta
Em apoio à resolução, Hellena Dalli, ex-Comissária Europeia para a Igualdade da União Europeia, teve a oportunidade de apresentar seu ponto de vista no pódio principal.
Ela elogiou a legislação que proibiu as ‘terapias de conversão’ em seu país, Malta, em 2016.
Em seu discurso à assembleia do Conselho da Europa, ela afirmou que “essas práticas se baseiam em uma mentira, a mentira de que a diversidade é um defeito. Elas são sustentadas pelo estigma e persistem apenas porque as instituições e os Estados permitiram que persistissem”.
Segundo Dalli, em seu país de origem, “nossa legislação era clara, proporcional e baseada em princípios. Não criminalizava a crença. Não interferia no apoio terapêutico legítimo”.
O objetivo era “estabelecer um limite inegociável: ninguém tem o direito de negar a identidade de outra pessoa”.
A política concluiu seu discurso dizendo: “Ou a Europa afirma, inequivocamente, que a diversidade na orientação sexual e na identidade de gênero faz parte da condição humana, ou tolera práticas que a tratam como uma patologia. … Nenhum Estado deve alegar fidelidade aos direitos humanos enquanto permite que essas práticas continuem”.
Cristãos durante culto na Nigéria (Foto: World Watch Monitor)
Pelo menos 80 cristãos nigerianos que foram sequestrados por homens armados em 18 de janeiro de 2026 escaparam do cativeiro. Eles são parte das 177 vítimas raptadas em três igrejas no estado de Kaduna. Antes disso, 11 cristãos já haviam escapado logo após o sequestro.
Os 80 cristãos ficaram se escondendo em comunidades vizinhas por duas semanas até chegar em casa. Ishaku Dan’azumi, o chefe do vilarejo de Kurmin Wali, onde aconteceu a investida do grupo armado, confirmou a notícia e disse que 86 pessoas ainda são mantidas reféns. No dia do ataque, até pessoas se recuperando de cirurgias foram levadas pelos criminosos.
“Pedimos ao governo e aos militares para garantirem a segurança e o retorno das 86 pessoas que ainda estão no cativeiro dos criminosos”, disse Dan’azumi. A região onde fica Kurmin Wali, no Sul do estado de Kaduna, vem ficando cada vez mais perigosa em tempos recentes. Em 11 de janeiro de 2026, 21 pessoas foram sequestradas e só foram libertas após o pagamento de cerca de 5 mil dólares aos criminosos.
Sobre a situação na região de Kurmin Wali, a Portas Abertas emitiu a seguinte declaração: “As comunidades cristãs no Sul do estado de Kaduna já enfrentam vulnerabilidade elevada. Embora nem sempre fique claro quem são os perpetradores ou quais são seus motivos exatos, o resultado é o empobrecimento, o medo e o sofrimento dos cristãos. E, em última análise, isso prejudica a capacidade da igreja de cumprir a grande comissão na Nigéria”.
De acordo com a Lista Mundial da Perseguição 2026 (LMP) da Portas Abertas, mais cristãos foram mortos na Nigéria do que em qualquer outro país entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025. Dos 4.849 cristãos mortos em todo o mundo por causa de sua fé durante esse período, 3.490 – 72% – eram nigerianos, um aumento em relação aos 3.100 do ano anterior. A Nigéria ocupa o 7º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026 dos 50 países onde é mais difícil ser cristão.
Templo da Assembleia de Deus de Condado, na Mata Norte de Pernambuco. (Reprodução/ Google Street View)
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) decidiu arquivar o inquérito civil que apurava um pedido da Igreja Assembleia de Deus para restringir a circulação e o uso de equipamentos de som por blocos carnavalescos durante os horários de culto em Condado, na Zona da Mata Norte do estado. A decisão foi formalizada nesta terça-feira (3).
A investigação começou após a igreja solicitar que os blocos evitassem passar em frente aos templos entre 19h e 21h — período em que ocorrem cultos diários — ou que transitassem em silêncio nesses horários. A alegação era de que o volume do som prejudicava as atividades religiosas durante o Carnaval.
Ao analisar o caso, a Promotoria de Justiça de Condado avaliou que a situação envolvia o equilíbrio entre dois direitos constitucionais: a liberdade religiosa e a liberdade de manifestação cultural. Para o órgão, a manutenção do Carnaval nos moldes tradicionais do município não caracteriza, por si só, violação ao direito de culto.
Durante a apuração, o MPPE ouviu representantes da prefeitura e dos principais blocos carnavalescos. Segundo as informações levantadas, os trajetos e horários dos desfiles seguem padrões históricos, repetidos há anos, sem mudanças direcionadas especificamente a templos religiosos.
Com base nesses elementos, a Promotoria entendeu que impor alterações nas rotas ou exigir silêncio absoluto dos blocos seria uma medida desproporcional e restritiva à expressão cultural. Também não foram identificadas evidências de que a realização do Carnaval impeça de forma efetiva o funcionamento das igrejas.
No parecer, o Ministério Público apontou ainda que medidas alternativas podem ser adotadas pelas próprias instituições religiosas para mitigar o impacto do som, como adaptações na estrutura acústica dos templos, enquanto a imposição de silêncio total em eventos de rua foi considerada inviável.
Diante disso, o órgão concluiu que não houve ilegalidade ou abuso por parte do poder público municipal ou das agremiações carnavalescas que justificasse ação judicial, determinando o arquivamento do caso.
Igreja católica destruída em Mianmar (Foto: Reprodução/ICC)
Em 30 de janeiro, o Instituto de Pesquisa da Birmânia (BRI, na sigla em inglês) divulgou um relatório contundente detalhando ataques destrutivos, assassinatos e assédio contra cristãos e prédios religiosos desde o golpe militar de 2021 que assumiu o controle de Mianmar à força.
O relatório centra-se na perseguição de cristãos nos estados de Chin, Kachin, Karenni e Karen, e na região de Sagaing, em Myanmar. O presidente do Conselho da Iniciativa Cinturão e Rota (BRI), Rev. Dr. Robin Stoops, afirmou que o relatório mais recente do Instituto de Pesquisa da Birmânia documenta o trauma contínuo enfrentado pelas comunidades cristãs na Birmânia, enquanto a perseguição pela junta militar persiste.
Algumas das principais conclusões incluem:
Das 22 igrejas da cidade de Thantlang, uma cidade de maioria cristã, 21 foram destruídas e a população da cidade foi deslocada desde 2021.
Mais de 340 igrejas e edifícios cristãos foram destruídos.
De 2022 a 2025, 149 cristãos foram mortos e 218 presos (segundo dados da organização Portas Abertas).
Um líder religioso não identificado, ainda residente em Mianmar, testemunhou com veemência que os fiéis estão agora dispersos pelas selvas, áreas remotas e abrigos informais, lutando para preservar sua fé e vida comunitária sob constante ameaça e insegurança.
Contudo, num extraordinário testemunho de compromisso pastoral, a maioria dos pastores e líderes cristãos optou por permanecer com seu povo. Eles continuam a compartilhar seu sofrimento, oferecendo consolo espiritual e personificando a esperança em meio ao desespero.
“Precisamos de suas orações para libertar Mianmar da perseguição religiosa”, disse um funcionário da International Christian Concern. “Por favor, continuem orando pelos cristãos em Mianmar que enfrentam ataques perigosos, deslocamentos e o regime autoritário da ditadura militar.”
O cantor americano Jelly Roll destacou publicamente sua fé cristã ao receber o Grammy de melhor álbum de música country contemporânea no último domingo (1º). Durante o discurso de agradecimento, ele afirmou que “qualquer um pode ter um relacionamento com Cristo” e creditou a Deus a transformação de sua vida.
O artista foi premiado pelo álbum Beautifully Broken durante a 68ª edição anual do Grammy Awards. Ao subir ao palco, segurando uma Bíblia, iniciou o discurso com uma declaração de fé. “Antes de mais nada, Jesus, eu te ouço e estou te escutando, Senhor!”, disse diante do público.
Em seguida, Jelly Roll dedicou o prêmio à esposa, Bunnie XO, a quem atribuiu papel fundamental em sua mudança de trajetória pessoal. “Eu jamais teria mudado minha vida sem você. Eu teria acabado morto ou na cadeia. Eu teria me matado se não fosse por você e por Jesus”, declarou.
O cantor também relembrou períodos difíceis do passado, marcados por sofrimento emocional e passagem pela prisão. Segundo ele, o momento de fragilidade inspirou a criação do álbum premiado. “Houve uma época na minha vida em que eu estava destruído. Eu não achava que tinha uma chance”, afirmou.
Ele contou que, enquanto esteve preso, tinha apenas uma Bíblia e um rádio na cela, elementos que considera decisivos para sua transformação. “Acredito que a música teve o poder de mudar minha vida, e Deus teve o poder de mudar minha vida”, disse.
Ao final, o artista incentivou o público a buscar a fé cristã, ressaltando que Jesus está disponível a todos, independentemente de posição social ou alinhamento político. “Jesus é para todos. Jesus não pertence a nenhum partido político. Jesus não pertence a nenhuma gravadora. Jesus é Jesus, e qualquer pessoa pode ter um relacionamento com Ele”, declarou.
Nos bastidores, Jelly Roll afirmou que procurou usar o espaço do prêmio para representar pessoas que enfrentam histórias semelhantes à sua. O cantor já havia conquistado outras estatuetas do Grammy, incluindo prêmios nas categorias de música cristã contemporânea e performance country em parceria com outros artistas.
Pastor Ezra Jin Mingri, líder da Igreja Zion, na China (Foto: Reprodução)
A filha de um pastor chinês preso expressou confiança ao compartilhar a história da detenção de seu pai nesta segunda-feira, 2, durante a sexta edição da Cúpula Internacional de Liberdade Religiosa, proclamando que “nem mesmo a repressão pode nos extinguir” e que “Deus não nos abandonará”.
Durante sua participação na entrevista de segunda-feira, Grace Jin Drexel falou sobre a prisão de seu pai, o pastor chinês Ezra Jin. Jin Drexel, que reside nos Estados Unidos, relatou como seu pai foi preso em 10 de outubro, juntamente com outros 27 pastores e líderes da Igreja de Sião, no que ela descreveu como “uma das maiores repressões contra congregações cristãs independentes e contra a China desde a Revolução Cultural, uma operação tão descarada que atraiu condenação internacional, inclusive do Secretário de Estado Marco Rubio”.
Jin foi detido em sua casa em Beihai, província de Guangxi, enquanto os demais líderes foram presos ou dados como desaparecidos em várias cidades, incluindo Pequim, Xangai e Shenzhen.
“Para entender por que meu pai está na prisão, é preciso compreender que a China, sob a liderança do presidente Xi Jinping, embarcou em uma campanha sistemática para alcançar o controle estatal total sobre a vida religiosa por meio do que o governo chama de sinização da religião”, explicou ela.
Embora tenha observado como o governo chinês retrata a “sinização” como um esforço para tornar as religiões “mais chinesas”, Drexel insistiu que “a sinização não tem a ver com tornar a religião mais chinesa”.
Drexel condenou a “sinização” como “repressão pura e simples”. Depois de defender os cristãos chineses como autenticamente chineses e destacar como eles adotaram hinos e Bíblias em sua língua nativa, Drexel lamentou que “a partir de 2018, uma onda de perseguição e repressão a toda a vida religiosa começou sob o pretexto da sinização”.
“Isso incluiu remover cruzes e substituí-las por retratos de Xi Jinping, substituir hinos por canções revolucionárias do partido, reescrever sermões para se alinharem aos valores centrais do socialismo, instalar câmeras de reconhecimento facial dentro do santuário e fechar ou até mesmo demolir igrejas”, ela relembrou.
Ela esclareceu que os muçulmanos, especialmente os uigures no oeste da China, assim como os budistas e outros grupos religiosos, também estão sujeitos à repressão.
“Em 2018, a Igreja de Sião tornou-se um alvo… especificamente porque a liderança da igreja se recusou a atender à exigência do governo de instalar 23 câmeras de reconhecimento facial dentro de seu santuário”, disse ela. “Em resposta, o governo confiscou brutalmente o prédio da igreja e impôs uma proibição de saída ao meu pai, impedindo-o de deixar o país.”
“No entanto, nem mesmo a repressão consegue extinguir a fé”, proclamou ela. “Meu pai e sua congregação não desistiram diante dessas ações. Eles desenvolveram um modelo híbrido, online e offline.”
Após a pandemia de COVID-19 levar muitas igrejas a adotarem cultos online, a popularidade da Igreja Zion explodiu.
“O modelo online da Igreja Sião permitiu que os encontros da igreja se multiplicassem e se expandissem por todo o país, inaugurando 100 novos espaços de reunião em 40 cidades por toda a China”, disse ela. “A igreja cresceu… até atingir seu maior tamanho de todos os tempos, frequentemente atraindo 10.000 pessoas diariamente.”
Líderes religiosos presos, incluindo o pai dela, enfrentam condições severas na prisão, disse Drexel.
“Os líderes religiosos presos nos últimos meses não foram detidos e punidos por suas motivações políticas, mas sim por buscarem a liberdade de culto. Recebemos relatos de que são obrigados a dormir em colchonetes no chão, ao frio, e submetidos à privação de sono e a interrogatórios intermináveis como forma de punição. Muitos deles, incluindo meu pai, apresentam graves problemas de saúde, cujo estado se agrava sob as duras condições da prisão.”
“Não vejo meu amado pai pessoalmente há sete anos. Ele não esteve presente no meu casamento para me levar ao altar e nunca conheceu seus netos. E embora eu ainda tenha esperança, sei da triste realidade de que muitos prisioneiros do governo chinês jamais verão suas famílias novamente”, lamentou ela, emocionada.
Drexel afirmou que sua “família também sofreu repressão transnacional” e “foi alvo do governo chinês no exterior”, recebendo “telefonemas ameaçadores” e sendo “vigiada e seguida em Washington, D.C.”
Drexel reconheceu que, embora “às vezes sinta medo”, permanece otimista.
“Como cristã, acredito que somos chamados a ter coragem e a falar a verdade, pois o Deus que criou o céu e a terra estará ao nosso lado”, declarou ela.
“Como cristã, também acredito em milagres. Encontro força em saber que meu Deus é um Deus bom e que até mesmo esses momentos mais sombrios podem servir a um propósito maior. Nossas orações não são em vão”, concluiu ela. “Como meu pai me escreveu em uma carta da prisão, Deus realmente usou Seu poder para nos sustentar.”
Ao concluir seu discurso, Drexel assegurou que “Deus não nos abandonará”.
Folha Gospel com informações de The Christian Post