O Papa Bento XVI pediu a libertação do sacerdote cristão Saad Syrop Haana, seqüestrado em Bagdá na última terça-feira, informou neste sábado o Vaticano.
O chamado está em um telegrama enviado pelo secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Angelo Sodano, a Emmanuel III Delly, patriarca da Babilônia da Igreja Católica.
“Profundamente entristecido pelo seqüestro do padre Saad Syrop, o Santo Padre me pede que assegure a todos os seus pastores e paroquianos sua proximidade espiritual e sua solidariedade”, assegura o telegrama divulgado pela Santa Sé.
Sodano indica que o Papa faz um chamado “aos seqüestradores para que libertem o jovem sacerdote imediatamente para que possa retornar ao serviço de Deus, à comunidade cristã e a seus compatriotas”.
O cardeal afirma que o Pontífice tem em seus pensamentos “todas as vítimas dos seqüestros” no Iraque e que reza para que este terrível acontecimento e o derramamento diário de sangue “cheguem a um final”.
Bento XVI também “anima todos os membros da comunidade católica a que continuem trabalhando juntos com todos os fiéis e com as pessoas de boa vontade para chegar a um futuro de harmonia e coexistência pacífica na querida nação do Iraque”.
A polícia está conduzindo uma grande operação de busca no sul da Grécia, tentando encontrar uma quadrilha que roubou uma das relíquias religiosas mais famosas do país.
A imagem da Virgem Maria, do mosteiro de Elona, simbolizou a liberdade da Grécia, durante a campanha do país para se livrar da dominação turca no século 19.
A polícia acredita que os ladrões – que teriam descido no mosteiro usando cordas – esconderam a imagem dentro do próprio mosteiro depois que ele foi fechado para o público.
Para os fiéis, a imagem é sagrada e teria poderes milagrosos.
Normalmente, só uma réplica da obra de 700 anos fica em exibição no mosteiro de Elona, que se localiza no alto de uma encosta.
Mas como nesta semana os cristãos ortodoxos gregos celebram o nascimento da mãe de Cristo, a relíquia foi disponibilizada para visitação pública.
Os ladrões retiraram a imagem da sua moldura e depois, descida ao solo.
A Panagia – como é conhecida a imagem – é tão importante para o país que as investigações estão sendo conduzidas pessoalmente pelo vice-chefe da polícia grega.
Bloqueios foram montados nas estradas, barcos deixando o país estão sendo revistados e as festividades religiosas que aconteceriam nesta semana foram canceladas para que não atrapalhem as buscas da polícia.
Curando doentes
Diz-se que durante a ocupação turca, um grupo de soldados invadiu o mosteiro para destruir a imagem, mas eles acabaram cegos antes disso acontecer.
O incidente fez com que a Panagia se transformasse num símbolo da resistência da Grécia e na esperança de que um dia o país se livraria da brutal dominação turca.
Acidentes milagrosamente evitados nas perigosas estradas da região e a cura de doenças são atribuídos à imagem.
Dimitris Tsigounis, o prefeito de Elona, disse que espera que a imagem tenha sido roubada a mando de algum colecionador rico e que assim, ao menos, a imagem estaria segura.
A perda da Panagia afetou profundamente a pequena e rural comunidade.
Para Gregory Daskas, um agente imobiliário local, os locais acreditam que os ladrões da imagem serão amaldiçoados e vítimas de tragédias em punição pelo crime.
Mas Daskas também diz que a população também teme que algo ruim aconteça com os que eram protegidos pela imagem.
A ministra de Meio Ambiente, Marina Silva, participou de encontro com lideres evangélicos, no Inácios Restaurante, Acre, cujos convidados pertenciam há várias denominações.
“Você pode escolher ser um político que tem a esperteza do mundo ou um político que tem o Espírito de Deus. A esperteza do mundo é passageira e se você a escolher saiba que a primeira coisa que vai acontecer é que o Espírito de Deus irá se afastar de você.” A frase da missionária e ministra de Meio Ambiente, Marina Silva, foi dita na manhã desta sexta-feira, durante encontro com lideres evangélicos, no Inácios Restaurante, cujos convidados pertenciam há várias denominações.
A reunião foi além de um encontro político, na verdade foi um momento de reflexão a respeito do período em que passam o Estado e o país, período em que serão escolhidos os próximos representantes do povo, autoridades constituídas sobre a população.
Segundo Marina Silva, como pessoas que buscam divulgar o amor de Cristo, as lideranças evangélicas devem olhar o passado e relembrar como era, olhar o presente e ver o que está ruim que precisa ser mudado e olhar para o futuro para ver o que se deseja para o passado, porque amanhã o futuro se tornará o passado.
“Temos nossa parcela para oferecer para a política, para a economia e para todos os setores da sociedade. A Palavra de Deus nos ensina em quem devemos votar. Basta olharmos o que diz e compararmos com os candidatos. Se ele se encaixar nos princípios bíblicos merece nosso voto”, explica.
Segundo Marina Silva, as pessoas precisam guiar suas vidas pelas Escrituras para não serem confundidas.
“É porta ou é abismo? A Bíblia nos diz que devemos ser o sal da terra, a voz do mudo e do necessitado. Esse é o papel do político evangélico”, afirma.
Para o deputado federal Henrique Afonso, candidato a reeleição e pastor da Igreja Presbiteriana presente ao evento, quem é senador, deputado, político evangélico deve carregar consigo um jeito diferente de fazer política.
“Temos uma responsabilidade ainda maior. Deus quer um líder que serve. O servir é a palavra para quem quer ser um líder de verdade. Muitos líderes têm perdido porque não entendem que ser líder é mais servir do que ser servido”, afirma.
Durante o encontro, vários candidatos evangélicos estiveram presentes e foram apresentados diante de Deus em oração pelo pastor da Igreja Batista do Bosque Roberto Casas.
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) negaram que haja avanços para a troca dos políticos, soldados e policiais que têm detidos por rebeldes presos, como afirmou um sacerdote da Igreja Católica.
Luis Edgar Devia, porta-voz das Farc e conhecido como “Raúl Reyes”, se referiu a declarações feitas há três dias pelo presidente da Conferência Episcopal colombiana, Luis Augusto Castro.
O sacerdote disse que havia progressos para conseguir um acordo humanitário que facilite a libertação dos 59 seqüestrados.
O porta-voz das Farc, em declarações divulgadas por um site que transmite comunicados dessa organização armada, qualificou a versão de possíveis avanços como “falsos rumores”, e desmentiu também possíveis contatos de delegados oficiais com guerrilheiros.
“Lamentamos que monsenhor Luis Augusto Castro seja outra vítima da política de demora, engano e ausência de vontade do Governo na concretização da troca de prisioneiros”, disse.
Reiterou que “não existe nenhuma possibilidade de aproximação das Farc com o Governo” se não houver a desmilitarização de dois municípios do departamento do Valle del Cauca (sudoeste), como propõe essa guerrilha há mais de quatro anos.
“Sem esta condição, estão longe de haver as condições reais do esperado acordo”, disse “Raúl Reyes”.
A guerrilha têm seqüestrados 22 políticos, 34 militares e policiais e três americanos, entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, retida desde fevereiro de 2002, e que também tem nacionalidade francesa.
As Farc pretende trocar os seqüestrados por 500 guerrilheiros presos, mas para isso é preciso o acordo humanitário.
Os esforços para expandir grandemente o tratamento para combater o vírus da Aids em países pobres não estão alcançando uma ampla maioria de crianças que precisam dele, disse uma autoridade da Organização Mundial de Saúde na quarta-feira (16/8).
A autoridade, Kevin M. de Cock, que dirige o programa de Aids da organização, disse que em torno do mundo estima-se que 2,3 milhões de crianças de 15 anos ou menos estão infectadas com o vírus HIV que causa a Aids e que 800.000 precisavam de drogas anti-retrovirais para ficarem vivas.
Das 800.000, apenas de 60.000 a 100.000 estão recebendo os medicamentos.
Enquanto as crianças contabilizam 14% das mortes por Aids, são apenas 6% de todos que recebem drogas anti-retrovirais. Muitas das crianças são órfãs.
“Precisamos concluir que a expansão do programa até agora deixou as crianças para trás”, disse Cock em uma palestra da 16ª Conferência Internacional da Aids, que contou com 24.000 participantes. Seus comentários atraíram revisão extensiva do progresso em esforços para aumentar o tratamento anti-retroviral.
Ao mesmo tempo, Cock disse, menos de 10% das mulheres grávidas com HIV em países pobres estão recebendo o regime de remédios que pode prevenir a transmissão do vírus da Aids para os recém nascidos. Por contraste, países ricos virtualmente eliminaram a Aids pediátrica.
Cock também descreve uma iniqüidade no tratamento anti-retroviral para usuários de drogas injetáveis, particularmente na Europa Oriental e Ásia Central. Ali, esses usuários são mais de 70% das pessoas infectadas com HIV, mas cerca de um quarto recebe o tratamento.
“Uma prioridade urgente é aumentar o acesso à terapia anti-retroviral para crianças, especialmente na África subsaariana e usuários de drogas injetáveis em todo o mundo”, disse Cock.
Ele também disse que o número de mulheres em tratamento nos países em desenvolvimento era proporcional ao índice de infecção feminino e até mais e m alguns lugares. Mas em uma entrevista, acrescentou que o acesso das mulheres ao tratamento continuado pode ainda estar inibido.
Das 38,6 milhões de pessoas com HIV, cerca de 6,8 milhões em países de baixa e média renda devem morrer nos próximos dois anos na ausência dos remédios. Dessas, cerca de 1,7 milhões agora estão em tratamento, disse Cock, mas para muitas será tarde demais para ter o pleno benefício das drogas.
O milhão que hoje recebe a terapia na África é 10 vezes o número que estava sendo tratado em dezembro de 2003. Mesmo assim, esse número é 2 milhões a menos que o estabelecido por Lee Jong-Wook como objetivo quando se tornou diretor geral da organização de saúde, em 2003. O alvo era tratar 3 milhões até o fim de 2005, em um programa chamado “três por cinco”.
Desde a morte inesperada de Lee, em maio, seus defensores disseram que merecia crédito por sua visão em forçar o mundo a levar a terapia anti-retroviral para os pobres do mundo.
“O três por cinco não foi um fracasso”, disse Ruth Nduati, epidemiologista da Universidade de Nairóbi no Quênia em uma conferência com a imprensa. Ela acrescentou que os atuais esforços não teriam sido possíveis sem o “chamado à ação do três por cinco”.
Perguntado se o objetivo de tratar três milhões de pessoas poderia ser alcançado, Cock disse que não queria estabelecer data e número. O primeiro milhão de pacientes é mais fáceis de alcançar, disse ele, porque os programas de expansão começam pelas cidades, onde há número relativamente amplo de pacientes.
Alcançar pessoas em áreas rurais em países pobres “é uma tarefa mais difícil e pode demorar mais”, disse Cock.
Além disso, é necessário um quadro de funcionários treinados para ministrar o tratamento, e existem poucos profissionais em muitos países pobres.
Mesmo assim, o sucesso até agora contradiz concretamente o pessimismo expressado por muitas autoridades nos últimos anos.
Em 2001, por exemplo, Andrew S. Natsios, então administrador da Agência Americana de Desenvolvimento Internacional, provocou críticas no mundo todo quando declarou que o tratamento na África não ia funcionar porque as drogas tinham que ser tomadas em intervalos certos, e os africanos “não sabem o que é o horário ocidental. Muitas pessoas nunca viram um relógio em todas suas vidas.” Muitos críticos também disseram que o HIV ia desenvolver uma resistência às drogas se as pessoas nos países pobres não as tomassem conforme recomendado. Cock disse que a Organização Mundial de Saúde está avaliando a resistência a drogas entre pacientes recebendo a terapia e que a informação estaria disponível até o final do ano.
Em uma entrevista na quarta-feira, Mark R. Dybul, coordenador global da Aids dos EUA, disse: “Três anos atrás, as pessoas falavam em como a terapia anti-retroviral não era eficaz para seu custo, e agora a conversa é sobre como podemos fazer mais.”
Defensores de maior disponibilidade da terapia anti-retroviral dizem que as drogas contra a Aids salvaram mais de três milhões de anos de vida só nos EUA.
Mas, advertiu Dybul: “Não garantimos bilhões de dólares e precisamos trabalhar” para obter mais fundos. “Há muitas prioridades importantes no mundo.”
Cresce envolvimento de comunidades de fé no combate à Aids, mas ainda há muito a ser feito
Líderes religiosos destacaram, na Conferência Internacional AIDS 2006, que as organizações baseadas na fé fizeram progressos desde a conferência anterior, reunida em Bangkok, há dois anos, mas ainda há muito a ser feito para que os objetivos ali fixados sejam atingidos. Eles propuseram a integração de pessoas soropositivas, que os líderes religiosos se submetam publicamente ao teste do HIV e informem o resultado.
Muitas igrejas na República Dominicana estão cumprindo os compromissos estabelecidos em Bangkok, disse o integrante da Missão Evangélica Batista Independente, Dulce Alejo Espinal. As igrejas implementaram ministérios que acompanham as pessoas portadoras do HIV e oferecem apoio aos órfãos. Contudo, para uma minoria de igrejas ainda é difícil superar a estigmatização dos afetados pela pandemia.
Também no Nepal verifica-se uma mudança positiva de atitude depois do encontro de Bangkok, assinalou Bishnu Ghimire, do Conselho Inter-Religioso do Sudeste Asiático. Não somente hindus, mas também cristãos e muçulmanos se sensibilizaram, e os líderes religiosos começaram a se fazer ouvir, a pregar e a designar recursos para responder à pandemia. Alguns religiosos, contudo, ainda relacionam HIV com o pecado, e há uma certa tendência a privilegiar a pregação antes da educação preventiva.
O diretor do Colégio Budista de Chiang Mai, Phramaha Boonchuay Doojai, falou da participação dos monges budistas da Tailândia em atividades educativas de prevenção, inclusive na formação de aspirantes a monges e na orientação pastoral oferecida em hospitais e em casas de família. Também no Laos e no Vietnã existem exemplos de respostas positivas. Doojai admitiu, no entanto, dificuldades para mudar atitudes tradicionais.
O presidente da Igreja Evangélica Luterana na América e da Federação Luterana Mundial, bispo Mark Hanson, afirmou que os cristãos demonstram cada vez mais a coragem de seguir Jesus Cristo e, em obediência a ele, chegar às pessoas as quais não chegariam de outra maneira. Ao fazê-lo, a convergência entre denominações cristãs é crescente. Hanson assinalou que as igrejas devem arrepender-se e confessar sua cumplicidade ao permitir que o estigma e a discriminação persistam, bem como seu erro ao não escutar nem aceitar a liderança de pessoas que vivem com o HIV.
O fundador da organização sul-africana Muçulmanos Positivos (Positive Muslims), professor Farid Esack, falou sobre as inquietações crescentes e a mudança de atitude na comunidade global muçulmana durante os dois últimos anos e de alguns avanços em países como o Egito, Malásia e Marrocos. Esack também afirmou que os muçulmanos ainda estão na etapa de sentir pena ou, no máximo, compaixão pelos afetados. Ainda não chegam a integrá-los ou a encarar o problema como uma questão de injustiça, que clama pela transformação de estruturas e de comunidades.
O caminho a seguir
De nada serve mais educação e mais pregação se não se tratar da pregação e da educação apropriadas, declarou o presbítero anglicano Johannes Petrus Heath, secretário geral da Rede africana de líderes religiosos que vivem com ou estão pessoalmente afetados pelo HIV ou AIDS (ANERELA+ a sigla em inglês). As comunidades de fé têm que aceitar o fato de que as pessoas que vivem com o HIV fazem parte delas, e trabalhar por sua integração total.
Hanson sugeriu que, sem deixar de constituir espaços de formação moral, as comunidades religiosas devem ser também locais onde se instrua sobre práticas de sexo seguro e onde as pessoas que vivem com o HIV sintam-se como se estivessem em casa. Também propôs que os líderes religiosos se submetam publicamente a testes de HIV e divulguem os resultados como forma de combater o estigma e a discriminação com mais eficácia.
Segundo Esack, para terminar com o enfoque discriminatório “nós versus eles” em relação às pessoas que vivem com o HIV, as comunidades de fé devem aceitar uma autotransformação. Ele lembrou que os fundadores de religiões nunca se preocuparam com a sobrevivência das comunidades, mas antes com a solidariedade com os pobres e questionar o poder quando ele não servir à justiça.
Cerca de 50 extremistas hindus do grupo “Dharma Raksha Sena” interromperam o pastor Vinod Karsal, de 50 anos, enquanto ele orava pela cura de outro pastor em Jabalpur, Estado de Madhya Pradesh, no dia 14 de agosto.
O pastor Shaun Kushwaha, 45 anos, tinha uma cirurgia marcada e pediu para Vinod ir à sua casa e orar por ele. Às 19h15, Vinod foi à casa de Shaun com sua moto. Vinod é pastor da Assembléia de Deus em Jabalpur desde 1984.
Enquanto Vinod orava, os vizinhos ligaram para extremistas do Dharma Raksha Sena (Exército de Defesa) para notificá-los de que havia cristãos orando na casa de Shaun. Logo um grupo de 45 a 50 pessoas se reuniu fora da casa.
“Ao ouvir a gritaria de palavras de ordem anticristãs do lado de fora, escondemos a Bíblia”, Vinod disse. “O grupo entrou na casa, mas quando não encontraram nenhum material cristão, eles prestaram atenção na minha moto, que estava parada na entrada da casa.”
O porta-objeto da moto continha apenas uma capa de chuva e uma revista, mas, por revolta, um dos extremistas colocou porções bíblicas no compartimento e então as mostrou como “evidências de conversão”, disse Vinod.
Voluntários extremistas
A polícia logo chegou, bem como Yogesh Agarwal, uma figura famosa do Dharma Raksha. Eles levaram Vinod à delegacia de Gora Bazar. Ele ficou detido até às 23h30.
“Na delegacia, Yogesh Agarwal me maltratou e usou a linguagem mais baixa, proferindo insultos sobre mim e meu ministério”, Vinod disse. “Ele me acusou de atrair pessoas para se converterem ao cristianismo, e me ameaçou com conseqüências terríveis caso eu não interrompesse minhas pregações.”
Segundo fontes que falaram com o inspetor de polícia R.K. Soni, ele relatou que alguns policiais recuperaram um “material de conversão” do pastor, embora ele não tenha especificado o tipo.
Fontes afirmaram que o Dharma Raksha Sena também conseguiu dois voluntários do Bajrang Dal, um grupo extremista de jovens, que afirmaram que Vinod lhes ofereceu dinheiro e uma Bíblia, a fim de convertê-los.
O inspetor Soni disse à agência de notícias Compass que os policiais estavam “só seguindo a lei”, ao recuperarem as porções bíblicas incriminadoras da moto de Vinod. O inspetor disse ter mantido Vinod preso até que se dispersasse o grupo enfurecido, que estava fora da delegacia gritando contra o pastor.
O advogado Michael Kapur disse ao Compass que Vinod foi acusado segundo a Secção 3/4 do Ato de Liberdade Religiosa de Madhya Pradesh de 1968, que proíbe “conversão pelo uso da força ou indução, ou por meios fraudulentos.”
Prisão ilegal
O sacerdote Babu Joseph, representando a Conferência de Bispos Católicos da Índia, disse ao Compass que é ilegal deter uma pessoa sob acusações de “conversão forçada” simplesmente por ela estar orando na casa de alguém.
“Isso não é outra coisa senão abuso de autoridade e mau uso do poder”, disse Joseph. Ele acrescentou que era ilógico os extremistas chamarem as porções bíblicas de evidências de conversão forçada. “A polícia e a administração parecem estar abdicando de seu papel, ao jogar segundo baderneiros que operam em nome da religião.”
John Dayal, secretário geral do Conselho Geral dos Cristãos da Índia, disse ao Compass que ele se entristeceu com essa violência anticristã às vésperas do Dia da Independência da Índia.
Ele disse: “O aumento dos incidentes contra cristãos em Madhya Pradesh está alcançando rapidamente o limite da paciência. A lei feita para se dobrar à pressão policial é outro defeito no sistema; espero que o governo central aja logo para assegurar a aplicação da lei, já que cada cidadão merece proteção legal”.
Indira Iyengar, tesoureira do Conselho de Minorias do Estado e ex-membro da Comissão de Minorias do Estado de Madhya Pradesh, disse ao Compass que o ataque a Vinod é um indício da tendência do governo do Bharatiya Janata (BJP – partido governante).
“Parece que o BJP não vai parar esse castigo do povo cristão”, Indira disse. “Depois do relatório da Comissão Nacional de Minorias, houve pouco alívio por poucos dias, e os fundamentalistas estavam quietos. Mas isso começou de novo.”
A polícia alemã vai vigiar o show que a cantora pop vai fazer neste fim de semana em Duesseldorf, para conferir se Madonna vai repetir a cena da “crucificação” que gerou duras críticas por parte da Igreja Católica em Roma e Ortodoxa na Rússia.
Os representantes da cantora disseram que ela não pretende faltar com o respeito à Igreja.
Johannes Mocken, porta-voz das autoridades de Duesseldorf, disse ontem que a repetição deste ato durante o show deste domingo será considerado um insulto às crenças religiosas, e que a cantora poderá “sofrer conseqüências legais”.
Madonna, conhecida por suas apresentações dramáticas, usa uma coroa de espinhos e se prende a uma cruz de espelhos, enquanto canta. A cena, está na parte do final de seu show da turnê mundial “Confessions”, e tem sido vista como um ato de hostilidade contra a Igreja Católica.
Os representantes da cantora disseram que ela não pretende faltar com respeito à Igreja. Mocken declarou que as autoridades assistirão à cobertura da imprensa na televisão, mas não irão ao show. Reconheceu também que o espetáculo poderia ter a cobertura das leis que protegem as liberdades religiosas.
Este mês, dirigentes religiosos em Roma condenaram o show. Cerca de 70 mil pessoas assistiram ao evento realizado no Estádio Olímpico, a três quilômetros do Vaticano.
Votar é um exercício de cidadania. Assim a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) define a importância do voto para o cumprimento real da democracia. A entidade entende que é dever de todos os cidadãos “tomar em suas mãos a batalha política para tornar a sociedade mais justa possível”.
“A igreja não pode ficar à margem da luta pela Justiça. Para isso, ela exorta os cristãos leigos a participarem, com coragem e discernimento, da atividade política”, diz a CNBB no documento.
A CNBB reconhece que o atual momento político, permeado por escândalos de corrupção e má utilização do dinheiro público, contribui para a perda de confiança nos políticos e nas instituições democráticas.
Diante da decepção, muitos eleitores ficam indiferentes, abrindo espaço para o avanço da corrupção. Para a igreja, a pior posição do eleitor é a do descrédito na possibilidade de mudança.
“A atual crise ética e política poderá se tornar ocasião de amadurecimento e aperfeiçoamento das instituições democráticas do país, levando-nos ao comprometimento com a verdade que nos liberta, construindo o Brasil mais justo, solidário e livre, onde Justiça e paz se abraçarão”, avalia a CNBB.
Para a igreja, é fundamental discernir o perfil ético e as verdadeiras motivações dos que se apresentam como candidatos. A instituição comenta que o imenso número de candidatos, principalmente para as eleições proporcionais, às vezes torna essa tarefa impossível.
A CNBB observa que é preciso mudar a mentalidade do povo sobre a importância do voto. Isso porque muitos eleitores ainda acham natural trocar esse direito por benefícios.
“O exercício do voto é um dos instrumentos mais eficazes para fazer acontecer as mudanças necessárias e que tanto almejamos. Assim sendo, é preciso conhecer a fundo os candidatos para votar bem. A decisão está em nossas mãos. Ela acontece através do voto consciente”, orienta. “Voto não tem preço, tem conseqüências”, finaliza a CNBB.
Para o bispo emérito da Diocese de Piracicaba, Dom Eduardo Koaik, uma grande oportunidade para que o povo possa demonstrar o amor à pátria é a participação consciente na escolha de nossos governantes. “O voto é mais do que uma arma, ainda que poderosa, de defesa da democracia. É, sobretudo, o mais sagrado direito e o mais grave dever no exercício da cidadania”, comenta o bispo.
Para ele, o voto nulo anula a própria cidadania e o exercício da democracia. O bispo lembra que o brasileiro conquistou, a duras penas, o direito de escolher seus governantes e não pode abrir mão disso facilmente.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (foto) planeja uma ofensiva para conquistar o voto evangélico, que inclui a participação em três eventos nos próximos 40 dias, a montagem de comitês direcionados a esse público em todos os Estados e a divulgação de uma carta em que o petista pede votos e orações. Idéia é atrair votos de público que teria ficado órfão com a saída da disputa presidencial de Garotinho.
O PT coloca a conquista dos evangélicos como uma das prioridades da campanha, ao lado do voto feminino e do crescimento na região Sul do país. Para os lulistas, os evangélicos estão órfãos na campanha presidencial, após a saída do ex-governador Anthony Garotinho (PMDB-RJ) do páreo.
De acordo com o último censo do IBGE, de 2000, a parcela da população brasileira que se declara evangélica é de 15,41%. Os petistas acham que hoje ela já está chegando a 20%.
O presidente deve ter um jantar de campanha com lideranças das diversas denominações evangélicas no Rio de Janeiro, em 12 de setembro.
A organização está por conta da ex-ministra Benedita da Silva. Tem ainda convite para abrir a Expocristã, em São Paulo, uma feira de livros, vídeos e outros produtos evangélicos e para a Marcha para Jesus, um grande evento previsto para Sorocaba (SP), no final de setembro.
“O presidente quer expressar o compromisso de ter um diálogo mais próximo com os evangélicos no segundo mandato”, diz Ramon Velasquez, membro do coletivo de evangélicos do PT.
A carta do presidente aos evangélicos deve ser divulgada na semana que vem. Com pouco menos de duas páginas, está recebendo os retoques finais. “Conto com suas orações”, diz Lula, antes de pedir o voto.
No texto, o presidente promete criar um “canal direto” com a comunidade evangélica. Uma idéia em discussão é a nomeação, em um segundo mandato, de um assessor especial dedicado a cuidar do relacionamento com instituições religiosas -não apenas evangélicos.
“Lula reconhece o papel importantíssimo que os evangélicos desempenham nas periferias, o trabalho social que desenvolvem. Vem daí o compromisso de ter uma parceria mais efetiva”, afirma Velasquez.
A idéia de fazer três eventos com evangélicos é uma tentativa de Lula de contemplar o maior número de lideranças possível.
O setor é fragmentado. Há uma divisão nítida entre as igrejas “históricas”, como a metodista, luterana e presbiteriana, e os chamados pentecostais, como Assembléia de Deus, Renascer e Universal -o real público-alvo eleitoral.
Outro cuidado da campanha será o de não causar ciumeira em outras religiões. Lula estuda também propostas para encontros com católicos, judeus e muçulmanos.
“O que está definido pela nossa campanha é que o presidente vai conversar com todos os setores da sociedade”, diz João Felício, coordenador de mobilização da campanha.
Grupo cresce mais no país do que católicos
Dados dos censos do IBGE mostram que, entre 1991 e 2000, o percentual de católicos na população brasileira recuou 11%, enquanto o de evangélicos aumentou 81%. Entre os evangélicos pentecostais, o crescimento foi ainda maior, de 92%.
Para César Jacob, do Departamento de Comunicação da PUC do Rio e pesquisador do tema, não foi a população que abandonou a Igreja Católica, mas a igreja que abandonou as periferias e foi substituída.
O pentecostalismo é uma corrente do protestantismo que surgiu nos EUA, em 1901, como resposta a uma diagnosticada falta de fervor nos cultos metodistas.
No Brasil, as principais igrejas do pentecostalismo tradicional são a Assembléia de Deus, a Congregação Cristã e o Evangelho Quadrangular. Já o neopentecostalismo tem como principal representante a Igreja Universal do Reino de Deus.
PRB: vice de petista é de partido da Igreja Universal
A aproximação de Lula aos eleitores evangélicos pode ser facilitada pelo fato de o vice José Alencar ter se filiado ao PRB, partido criado no ano passado por políticos ligados à Igreja Universal. Na semana passada, Lula foi a um comício de Marcelo Crivella (PRB), sobrinho do fundador da Universal e candidato ao governo do Rio.
Apoiado pela Universal, petista cresce entre pentecostais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já foi comparado ao demônio por pastores, avança na preferência dos eleitores evangélicos pentecostais.
O percentual que pretende votar em Lula neste ano aumentou 59%, na comparação entre pesquisa Datafolha das eleições de 2002 e de julho deste ano -última a cruzar intenção de voto e religião. Lula aproxima-se dos evangélicos desde 2002, quando ganhou o apoio da Igreja Universal do Reino de Deus, neopentecostal ligada a membros do PRB.
Depois do apoio da Universal, Lula aproximou-se ainda mais dos evangélicos com medidas como a mudança no Código Civil que garantiu personalidade jurídica própria às igrejas e entidades religiosas e a inserção de evangélicos em conselhos de políticas públicas.
Para o professor do Departamento de Comunicação da PUC-RJ, César Jacob, especialista em análises sobre voto e religião, o crescimento de Lula entre pentecostais é resultado da adoção, pelo petista, de estratégia inaugurada pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello: usar também a máquina das igrejas pentecostais como um dos meios para obter votos nas periferias urbanas.
Para Jacob, prova de que os apoios dos pentecostais têm impacto são os mapas eleitorais de Anthony Garotinho (PMDB), que teve votações mais expressivas em 2002 em anéis pentecostais das periferias urbanas.
A bancada de deputados evangélicos é cada vez maior: já tem 61 integrantes, contra 98 que se declaram católicos.
Até o momento, algumas das principais igrejas pentecostais, como a Assembléia de Deus e o Evangelho Quadrangular, ainda não oficializaram apoios a candidatos, mas fazem discursos de aprovação ao presidente.
“Quando ele era candidato, o Brasil não o conhecia, a população tradicional era assustada. Mas não foi ruim” diz o presidente do conselho político da Convenção Geral das Assembléias de Deus, Ronaldo Fonseca. Em 2002, a Convenção Geral, maior braço da Assembléia, apoiou José Serra (PSDB).
No entanto, a reportagem apurou com integrantes da igreja que, apesar da proximidade de Fonseca com o presidente, a tendência é fechar com Geraldo Alckmin (PSDB).
Rui Barboza, secretário-geral de cidadania do Evangelho Quadrangular, com 1,3 milhão de fiéis, segundo o Censo, defendeu Lula das denúncias de corrupção -a igreja teve dois deputados envolvidos no escândalo dos sanguessugas.
“De uma forma ou de outra, com todas as denúncias, os partidos em geral foram envolvidos. No entanto, observa-se uma posição imparcial do presidente.”, diz Barboza.
Antes aliada, a Igreja Católica agora se afasta
Enquanto Lula avançou entre evangélicos, balançaram suas relações com a Igreja Católica, sua aliada histórica. Durante o mandato do petista, a CNBB atacou a política econômica, o assistencialismo do Fome Zero, o valor do salário mínimo. Em documento de orientações para as eleições deste ano, dá mais uma estocada.
“O resultado das eleições de 2002 despertou grandes expectativas de transformação social. Aos poucos, o projeto de poder se sobrepõe à busca de um projeto de nação socialmente mais justa.”, afirma o texto.
“A conveniência da reeleição ou não é uma questão aberta”, disse à Folha Dom Odilo Pedro Scherer, secretário geral da CNBB.
A voz da CNBB, no entanto, parece não ter surtido efeito. Segundo o Datafolha, não houve, entre 2002 e agora, mudança expressiva no apoio de católicos.
À série de críticas de bispos, somou-se também a desconfiança dentro das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), que participaram da construção do PT.
“No encontro das CEBs do ano passado, as bandeiras do PT sumiram”, diz Sérgio Coutinho, assessor do setor de CEBs pela CNBB. “Há grupos mais simpáticos a Heloísa Helena (PSOL) e outros mais com uma posição estratégica, para impedir a volta do PSDB”, resume.
Até mesmo integrantes do movimento de Renovação Carismática Católica, pouco afeito às manifestações sobre política, abriram fogo.
“A gente sempre diz que pelos frutos você vê a obra. E o que tivemos foi mensalão, sanguessuga. Foi uma decepção”, disse o padre Marcelo Rossi, que e se declara “amigo” de Geraldo Alckmin.
A Assembléia de Deus, a maior igreja evangélica do país, deve fazer uma recomendação oficial sobre quais candidatos deve apoiar nas eleições de outubro. “O voto, claro, é livre, mas é uma recomendação da igreja e eu diria que essa recomendação tem um peso bastante forte”, afirma o pastor Lellis Washington Martins, relator do conselho político da Assembléia.
O conselho político da Assembléia, formado por cinco membros, manteve contatos nos últimos 15 dias com representantes dos candidatos à Presidência da República mais competitivos, bem como os postulantes para o governo paulista. A partir desses contatos, os membros do conselho prepararam relatórios que serão submetidos à análise da Mesa da convenção geral da Assembléia, que reúne os cerca de 20 mil pastores da igreja.
Esse colegiado, composto por 1 presidente, 5 vices e 5 secretários –representantes de todas as regiões do país– além de dois tesoureiros, deve fazer a recomendação oficial da Assembléia.
Segundo o Censo 2000, um total de 8,41 milhões de pessoas se declararam fiéis da Assembléia de Deus, sendo 1,46 milhão somente no Estado de São Paulo. A própria igreja, no entanto, trabalha com uma estimativa superior: seriam 16 milhões de fiéis no país, sendo 3 milhões somente no Estado.