O pastor André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha, obteve uma vitória judicial significativa após enfrentar uma investigação por suposta incitação à discriminação contra a comunidade LGBTQIAP+.
O Ministério Público Federal (MPF) arquivou o caso, alegando que suas declarações estavam resguardadas pela liberdade religiosa e de expressão, pilares fundamentais do Estado Democrático de Direito.
O líder da Lagoinha Global foi alvo de ataques depois de divulgar na internet uma série de pregações no “mês do orgulho”, em junho de 2023, na qual ele pregava a visão cristã tradicional sobre sexualidade e pecado.
Ativistas levaram o caso à Justiça, acusando o pastor evangélico de disseminar discurso de ódio. O MPF, então, abriu uma investigação e concluiu que as declarações de Valadão estavam protegidas pela liberdade religiosa e de expressão.
No entendimento do MPF, o pastor se baseou em textos bíblicos para fundamentar suas declarações e a liberdade religiosa garante que líderes religiosos possam pregar seus valores e crenças. O órgão também não encontrou nas pregações nenhuma incitação direta à violência ou à discriminação contra qualquer grupo específico.
“Entendo que os vídeos encontram-se albergados pela liberdade de expressão e pelo direito de liberdade religiosa. Por conseguinte, inexistindo provas da materialidade que possam atestar a tipicidade da conduta realizada pelo investigado, não há como ser deflagrada a ação penal. Por todo o exposto, promovo o arquivamento dos presentes autos”, determinou a procuradora da República Águeda Aparecida Silva Couto em documento assinado nesta quarta-feira (5).
Donald Trump, presidente eleito dos EUA em 2024 (Foto: Reprodução X/@realTrumpNewsX)
O presidente Donald Trump anunciou que criará uma comissão para proteger a liberdade religiosa e combater o que ele chamou de “preconceito anticristão” no governo federal.
Trump fez um discurso em um evento privado na manhã de quinta-feira no Washington Hilton em Washington, DC, em homenagem ao 73º Café da Manhã Nacional de Oração, seu segundo discurso de café da manhã de oração da manhã.
Trump disse aos presentes que “criarei uma nova comissão presidencial sobre liberdade religiosa”, que “trabalhará incansavelmente para defender este direito fundamental”.
“Nos últimos anos, vimos essa liberdade sagrada ameaçada como nunca antes na história americana”, continuou Trump, afirmando que o governo Biden se envolveu em “perseguição” contra cristãos devotos.
Trump deu o exemplo de um ativista pró-vida de 75 anos que foi preso por violar a Lei de Liberdade de Acesso às Entradas de Clínicas (FACE) por orar e protestar em uma clínica de aborto.
“Eles foram terríveis com vocês e foram terríveis com as pessoas religiosas, todas as religiões”, continuou Trump, observando que foi uma honra para ele perdoar 23 manifestantes pró-vida ao assumir o cargo.
O presidente também anunciou que assinaria uma ordem executiva na quinta-feira para instruir a recém-empossada procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, a liderar uma “força-tarefa” que irá “ erradicar o preconceito anticristão ” no governo.
“A missão desta força-tarefa será interromper imediatamente todas as formas de segmentação e discriminação anticristã dentro do governo federal, incluindo o DOJ, que foi absolutamente terrível”, disse Trump. “O IRS, o FBI, terrível.”
“Além disso, a força-tarefa trabalhará para processar totalmente a violência e o vandalismo anticristãos em nossa sociedade e para mover céus e terras para defender os direitos dos cristãos e fiéis religiosos em todo o país.”
Os comentários de Trump ecoaram declarações que ele fez em dezembro de 2023, nas quais prometeu que, se reeleito, criaria uma força-tarefa federal com o objetivo de “combater o preconceito anticristão” sob um Departamento de Justiça “totalmente reformado”.
Trump também discursou em um evento realizado no edifício do Capitólio diante de autoridades eleitas para o Café da Manhã Nacional de Oração, onde falou sobre a importância da unidade e da fé nos Estados Unidos, afirmando que acredita que a religião está “começando a voltar”.
Trump também anunciou a criação do Escritório de Fé da Casa Branca, que trabalhará no esforço de coibir o “preconceito anticristão”, acrescentando que a polêmica pastora de megaigreja Paula White atuará como chefe do novo escritório.
Café da Manhã Nacional de Oração
O Café da Manhã Nacional de Oração foi lançado pela primeira vez em 1953, sob o comando do presidente Dwight D. Eisenhower, com o apoio do notável evangelista Rev. Billy Graham.
Durante décadas, o evento foi organizado por um grupo cristão secreto conhecido como Fellowship, ou a Família, que foi supervisionado pelo evangelista Doug Coe de 1969 até sua morte em 2017.
Em agosto de 2019, a Família foi tema de uma série de documentários da Netflix , que incluiu entrevistas e perspectivas de apoiadores e críticos do ministério.
Embora o encontro nunca tenha gerado nenhum litígio real, alguns grupos de fiscalização da igreja e do estado expressaram preocupação sobre os laços do governo com o encontro religioso.
Por muito tempo, o evento anual teve milhares de participantes do mundo todo, com muitas figuras religiosas e políticas proeminentes aparecendo no café da manhã de oração.
Folha Gospel com informações de The Christian Post
Vista aérea de Nouakchott, capital da Mauritânia (Foto: Canva)
A Mauritânia é uma república islâmica. A Constituição do país declara claramente que o islamismo é a religião do povo e do Estado. Portanto, a lei proíbe a conversão de muçulmanos ao cristianismo.
A pressão é grande e a nação ocupa a 23ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2025. Apesar disso, existe uma minoria cristã de origem muçulmana na Mauritânia que enfrenta inúmeros riscos por amor a Jesus.
No final de 2023, houve incitações a violência contra cristãos mauritanos após a circulação de um vídeo mostrando uma cerimônia de batismo na Mauritânia.
Ainda hoje, os desafios para praticar a fé dificultam a pequena igreja no país que está crescendo mesmo em meio à perseguição. Por isso, as orações da igreja global são tão importantes nesse momento.
Pedidos de oração
Ore para que os cristãos mauritanos tenham liberdade de praticar a fé e adorar.
Clame para que a lei de apostasia seja abolida.
Interceda para que injustiças e várias formas de discriminação contra os cristãos mauritanos cessem.
Peça a Deus que conceda coragem e perseverança à pequena igreja mauritana para que ela continue a crescer e brilhar na Mauritânia.
Você sabe quais são os 50 países onde os cristãos são mais perseguidos e discriminados? Descubra agora na Lista Mundial da Perseguição 2025 e saiba como orar pela Igreja Perseguida em países como a Mauritânia.
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) decidiu reverter a condenação da pastora e cantora gospel Ana Paula Valadão por danos morais coletivos após recurso. A ação movida pela Aliança Nacional LGBTI+ contestava declarações feitas por Valadão em 2016, durante o congresso religioso “Na Terra como no Céu”, transmitido pela Rede Super de Televisão. Na ocasião, a pastora afirmou que ser gay “não é normal” e associou a AIDS à união sexual entre homens.
Inicialmente, a 21ª Vara Cível de Brasília condenou Valadão ao pagamento de R$ 25 mil por danos morais coletivos, alegando que sua fala reforçava estigmas históricos contra a população LGBTQIA+. No entanto, ao recorrer ao TJ-DF, a defesa da pastora argumentou que suas declarações estavam inseridas em um contexto de crença religiosa e não configuravam discurso de ódio.
“Não identifico, diante do contexto no qual inserido o discurso, excesso sujeito à condenação e à reparação coletiva.”, disse o relator do caso, desembargador Eustáquio de Castro, que, ao acatar o recurso, afirmou ainda que “não houve intenção ofensiva, apenas proselitismo religioso”. Ele enfatizou que, em um discurso de duas horas e meia, apenas uma frase teria sido potencialmente excessiva.
Os desembargadores Carmen Bittencourt e Teófilo Caetano acompanharam o voto, garantindo a vitória de Ana Paula Valadão no julgamento.
Por outro lado, os desembargadores Diaulas Costa Ribeiro e José Firmo Reis Soub discordaram da anulação da condenação. Ribeiro, em particular, rechaçou a visão de que a homossexualidade é uma anormalidade e comparou o discurso da pastora às falas do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, sobre diversidade e segurança pública.
Ribeiro também aceitou um pedido da Aliança Nacional LGBTI+ para aumentar a indenização para R$ 500 mil, mas foi voto vencido.
A Aliança Nacional LGBTI+ anunciou que irá recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que a decisão do TJ-DF representa um retrocesso na luta contra discursos discriminatórios.
Bispo Samuel Ferreira ao lado da esposa, Keila Ferreira. (Foto: Divulgação)
Nesta terça-feira (4), o bispo Oídes José do Carmo, da Igreja Assembleia de Deus Campinas, em Goiânia (GO), revelou aos participantes do Seminário de Crescimento Espiritual a causa real da morte da bispa Keila Ferreira, da Assembleia de Deus do Brás, em São Paulo (SP).
Como uma das principais lideranças do Ministério Madureira, o bispo declarou que a autópsia, feita pelo Hospital Sírio Libanês, mostrou que a esposa do bispo Samuel Ferreira morreu, aos 52 anos, em decorrência de uma tromboembolia pulmonar.
– Parece que a bispa nunca teve assim uma saúde [forte], é meio frágil. Mas ela foi vítima de uma embolia, de um trombo pulmonar – revelou.
Oídes José do Carmo também deu detalhes do que teria acontecido:
– Faleceu em casa, quando a filha foi de manhã chamar por ela. Ela levou [a mãe] para lá [hospital], foi feita a autópsia e o Hospital Sírio Libanês então identificou que ela sofreu uma embolia no pulmão. Foi algo fatal.
O líder assembleiano também revelou que a bispa se recuperava de outro problema de saúde, mas não revelou qual. Ele também criticou as diversas teorias que surgiram e disse que as redes sociais são um mundo “cruel”.
Assista:
Fonte: Pleno News e Canal da Assembleia de Deus Campinas, em Goiânia
Teto da Igreja de São Francisco desaba em Salvador (Foto: Defesa Civil de Salvador)
O desabamento do teto da Igreja de São Francisco de Assis, localizada no Centro Histórico de Salvador (BA), na tarde desta quarta-feira (05/02), resultou na morte de Giulia Panchoni Righetto, de 26 anos, e deixou outras seis pessoas feridas. Equipes da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil da Bahia foram mobilizadas para prestar socorro e iniciar a investigação das causas do acidente.
O Ministério da Cultura e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) manifestaram “profundo pesar pelo trágico desabamento de parte do forro do teto” da igreja. Em nota oficial, as instituições expressaram solidariedade às vítimas, seus familiares e à comunidade local.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também lamentou o ocorrido e afirmou que o governo federal atuará na “reconstrução desse lugar sagrado para milhares de brasileiros”. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, classificou o acidente como uma “tragédia” e informou que estará em Salvador nesta quinta-feira (06/02) para acompanhar a situação de perto.
A Igreja de São Francisco de Assis é um dos principais patrimônios históricos e culturais do Brasil, reconhecida por sua arquitetura barroca e painéis de azulejaria portuguesa. A edificação pertence à Ordem Primeira de São Francisco, responsável pela sua manutenção.
O Iphan esclareceu que realiza ações contínuas de preservação do patrimônio e destacou que a restauração dos painéis de azulejaria foi concluída em maio de 2023. Além disso, um projeto para a restauração completa do edifício já está em fase de elaboração.
As autoridades competentes investigam as causas do desabamento, e os órgãos responsáveis garantiram que estão à disposição para adotar as medidas necessárias para preservar e restaurar a igreja. A tragédia reacende o debate sobre a conservação de patrimônios históricos no Brasil e a necessidade de fiscalizações rigorosas para evitar acidentes semelhantes.
Quem era a turista morta
O desabamento de parte do teto da Igreja de São Francisco de Assis, localizada no Pelourinho, provocou a morte de Giulia Panchoni Righetto, de 26 anos, na tarde desta quarta-feira (5). A vítima era natural de Ribeirão Preto, interior paulista, e estava visitando o prédio histórico quando houve o colapso das estruturas do local.
Em nota, a Polícia Civil da Bahia afirma que investiga a morte de Giulia por meio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo a Defesa Civil de Salvador, o espaço central da igreja cedeu durante um momento em que o templo estava aberto e recebia fiéis.
Desde a posse de Donald Trumpem 20 de janeiro de 2025, a comunidade brasileira sem documentação nos Estados Unidos vive um clima de medo e insegurança. A promessa do ex-presidente de intensificar as deportações se concretizou, atingindo até mesmo espaços antes considerados seguros, como igrejas evangélicas frequentadas por imigrantes.
Mais de 4,5 mil imigrantes irregulares ou que cometeram algum delito foram detidos pelos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) com o objetivo de deportá-los em cumprimento à legislação. O órgão passou a ter autorização para realizar batidas em templos religiosos, escolas e clínicas médicas, revogando proteções que garantiam segurança a imigrantes nesses locais.
Uma reportagem da BBC News Brasil, assinada pelos jornalistas Vitor Tavares e Mariana Sanches, revelou que igrejas evangélicas nos EUA, muitas delas alinhadas ao bolsonarismo e que antes apoiavam a reeleição de Trump, agora sofrem com a evasão de fiéis temerosos das novas políticas.
O cenário nos cultos já mudou significativamente, como relatou Fernanda, uma estudante brasileira que vive no país. Segundo ela, os templos estão cada vez mais vazios porque os imigrantes têm medo até de frequentar a igreja.
A situação representa um dilema para pastores brasileiros nos EUA, que antes promoviam a candidatura de Trump reforçando discursos nacionalistas e conservadores, mas agora precisam lidar com os impactos diretos sobre seus fiéis.
Um pastor brasileiro que atua em Orlando afirmou, sob anonimato, que sua igreja tem adotado uma postura de cautela e evitado oferecer auxílio jurídico a membros sem documentação, além de não incentivar novas imigrações irregulares. Para ele, o cenário é preocupante, pois muitos dos que estão sendo afetados não são criminosos ou delinquentes, mas apenas pessoas buscando melhores condições de vida.
“Lógico que causa pânico nas pessoas, grande parte imigrante sem documento, que não são criminosos nem delinquentes”, afirmou.
Apesar disso, ele evitou críticas diretas ao governo Trump, demonstrando a dificuldade dessas igrejas em conciliar sua base eleitoral com a realidade enfrentada pelos imigrantes.
O endurecimento das políticas migratórias tem gerado um efeito psicológico devastador na comunidade brasileira nos Estados Unidos. Grupos de WhatsApp são inundados com mensagens de alerta sobre supostas operações do ICE, muitas vezes sem confirmação.
O influenciador Junior Pena, que mora no país há 15 anos e acumula mais de um milhão de seguidores no TikTok, descreveu os primeiros dias de Trump como “100 dias de puro terror”. Segundo ele, muitos brasileiros já manifestam o desejo de retornar ao Brasil, temendo as deportações em massa prometidas pelo presidente.
“A gente tem ouvido falar que Trump vai mostrar a força que tem e fazer o que prometeu, que é a deportação”, disse Pena.
Mesmo aqueles com status migratório regular passaram a adotar medidas preventivas. Um advogado especializado em imigração relatou que tem orientado seus clientes a evitarem locais onde há grande concentração de imigrantes, como supermercados brasileiros e festas comunitárias, por medo de eventuais fiscalizações.
Enquanto isso, o ex-presidente Jair Bolsonaro manifestou apoio às políticas migratórias de Trump. Em entrevista à CNN Brasil, ele afirmou que o republicano está “fazendo a coisa certa” ao intensificar a repressão contra imigrantes ilegais. “No lugar dele, eu faria a mesma coisa”, declarou Bolsonaro.
Marido de cantora gospel da Lagoinha detido pela imigração
O casal Lucas e Suyanne Amaral, membros da Igreja Lagoinha, enfrenta um momento delicado após a prisão de Lucas pelo Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Ele foi detido durante uma blitz migratória realizada entre a Rota 20 e a Main Street, em Marlboro, Massachusetts, devido à sua permanência irregular no país.
A prisão ocorreu enquanto Lucas seguia para o trabalho. A esposa, Suyanne Boechat Amaral, relatou ao influenciador Beto, do perfil “Classificados de Marlboro”, que a abordagem foi aleatória, e os agentes identificaram que ele havia excedido o tempo permitido pelo visto de turista. Sem antecedentes criminais, Lucas trabalhava como pintor e era o principal provedor da família.
Grávida de um mês e meio e mãe de uma criança de três anos, Suyanne declarou que está apreensiva com o futuro financeiro da família. O casal participa ativamente dos cultos da Igreja Lagoinha de Leominster, onde ela atua como cantora gospel e Lucas como tecladista.
O que dizem os pastores brasileiros sobre o impacto da política imigratória nos EUA
De acordo com o pastor Julliano Socio, líder da Christian Community Church em Fairfield, Connecticut, existe uma grande incerteza sobre a questão, pois circula muita desinformação. As mídias divulgam informações contraditórias, enquanto o governo apresenta dados diferentes.
“Ainda não há uma opinião clara ou uma informação consolidada sobre quem, de fato, são os alvos dessa operação do governo”, afirma Julliano. Além disso, há um clima de tensão nas redes sociais, especialmente no WhatsApp, onde vídeos são compartilhados sem verificação da veracidade, gerando pânico entre as pessoas.
O pastor observa que o novo presidente está apenas fazendo cumprir leis já existentes, sem ter aprovado novas medidas. “O que mudou foi a ênfase na aplicação da legislação. Sob o governo Biden, a abordagem era diferente; agora, Trump adota outra postura”, explica.
Em relação à frequência nos cultos, Julliano salienta que houve uma queda no número de participantes no último domingo, mas ainda é cedo para afirmar se isso resultará em um esvaziamento da igreja. “Essa situação não está relacionada diretamente à igreja, mas acredito que as pessoas estão desmotivadas a sair de casa por causa do medo.”
Ele destaca que todos os imigrantes sem documentação se sentem ameaçados. Por isso, “a igreja precisa informar seus membros sobre o que está acontecendo, detalhar as ações do governo e, acima de tudo, oferecer consolo, esperança e oração para as pessoas”, acrescenta o pastor Julliano, ressaltando que a situação está gerando crises de ansiedade e pânico. “A função da igreja é sempre cuidar da alma das pessoas e pregar o Evangelho.”
Arrependimento e conserto
Líder da Igreja Presbiteriana da América, em Newark, Nova Jersey, o pastor Renato Bernardes compartilha que promoveu uma reunião para orientar e informar os membros da igreja. Segundo ele, de 350 congregados apenas 50 está de forma legalizada no país. Mesmo assim, a presença nas atividades congregacionais não diminuiu, pelo menos por enquanto. “Pessoas têm nos procurado em busca de conselhos e instruções”, pontua. A igreja, inclusive, possui impressos com informações para esclarecer a membresia.
Ele expõe que a maioria ilegal trabalha em subemprego e não tem condições financeiras para custear a documentação. “Estamos orando incessantemente para que o Senhor intervenha e haja mudança radical no processo de imigração, para que a situação dessas pessoas seja regularizada.”
Há 51 anos nos EUA, Bernardes observa que a hostilidade pelos imigrantes irregulares têm relação com o não pagamento de impostos. “Eles utilizam os serviços que o governo oferece sem contribuir. Então, alguém tem que pagar por isso.”
Independente da situação, o pastor acredita que não há motivos para temer. Isto porque a base do cristão precisa estar firmada nas palavras registradas em Salmos 46.1,2: Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Pelo que não temeremos, ainda que se mude a terra, e ainda que se transportem os montes para o meio dos mares. Assim, “se Deus quiser que fiquem, não haverá nada que impeça.”
Em contrapartida, o pastor Renato diz que é a oportunidade para o conserto, a começar pedindo perdão pelos erros de imigração. “É preciso ser e viver como indivíduos exemplares, mesmo estando no país sem documentos”, prega e complementa: “A verdade deve ser dita por essas pessoas, para que encontrem meios para solucionar a questão com confiança e dependência do Senhor.”
Objetivo governamental
O pastor Ney Ladeia, líder da Primeira Igreja Batista Brasileira da Flórida, em Pompano Beach, afirma que não tem conhecimento de nenhum membro da igreja que esteja em situação irregular no país. No entanto, reconhece que nem todos podem estar devidamente documentados. “A igreja sempre orientou as pessoas a buscarem formas legais e éticas para regularizar sua situação imigratória, inclusive recomendando advogados”, explica.
Segundo ele, a ação do governo tem como principal objetivo combater a ação de coiotes, coibir a entrada ilegal no país, especialmente pelas fronteiras, e reduzir o número de imigrantes envolvidos em crimes. “Contudo, após essa ação inicial, é possível que o ritmo dessa fiscalização diminua”, sublinha o pastor, lembrando que, ao longo dos governos, a deportação sempre foi uma prática constante. “É um procedimento padrão. Mesmo que o impacto inicial do novo presidente diminua, a política de imigração continua sendo uma realidade comum no país. Portanto, o risco para os imigrantes ilegais sempre existirá.”
No entanto, o pastor Ladeia destaca que, com o anúncio das novas medidas e a atenção da mídia sobre o tema, muitas pessoas sem documentos se sentem intimidadas e preocupadas, o que acaba sendo um dos objetivos das autoridades. “O governo tem interesse em intimidar, especialmente aqueles que apoiam ou facilitam a ação ilegal”, conclui.
Metodista Livre
A Free Methodist Church USA, em carta aberta, destacou que muitos cristãos enfrentam um novo nível de vulnerabilidade e medo, e que a igreja tem sido uma voz para os crentes estrangeiros que fogem da perseguição religiosa. “Temos muitas igrejas estabelecidas, novas ou em crescimento nos Estados Unidos, formadas por imigrantes que chegaram ao nosso país superando obstáculos incríveis, trazendo consigo o compromisso de servir ao Senhor e construir Seu Reino.”
A denominação ressalta ainda que eles trabalham intensamente por suas famílias e pagam seus impostos. “Lamentamos que carreguem o fardo de generalizações prejudiciais e abrangentes sobre os imigrantes, que os desvalorizam e influenciam injustamente os outros contra eles. Preocupações com invasões e deportações, até mesmo de seus locais de culto, ofuscam o bom trabalho evangelístico que estão fazendo.”
No comunicado, a denominação expressa profunda preocupação com a “dor real” que algumas pessoas na comunidade estão enfrentando. “Neste momento, podemos nos solidarizar e oferecer abrigo e cuidados aos afetados pelas recentes ordens executivas”, pontuou e acrescentou: “Desde o início da aliança de Deus com Seu povo, Ele ordenou que cuidássemos daqueles que vêm até nós, fugindo da fome, da guerra ou da perseguição e caminhando na direção da paz e de um meio de sustentar a si mesmos e suas famílias.”
Entre o medo e a lealdade
As igrejas evangélicas brasileiras nos EUA, que foram aliadas de Trump durante a campanha, agora enfrentam um impasse. Por um lado, precisam lidar com a ausência de fiéis, temerosos de frequentar os cultos. Por outro, hesitam em romper com o apoio ao ex-presidente dos EUA, cujos valores conservadores ainda ressoam entre os líderes religiosos.
Esse dilema reflete um choque entre ideologia e realidade. Enquanto os templos evangélicos defendiam Trump por seu discurso contra pautas progressistas, hoje lidam com o impacto direto de suas políticas imigratórias.
O destino dessas igrejas agora depende de como seus líderes reagirão ao novo cenário. Continuarão fiéis a Trump, mesmo às custas de seus próprios fiéis? Ou reconhecerão que a repressão migratória afeta diretamente aqueles que antes o apoiavam?
Enquanto essa resposta não vem, milhares de imigrantes brasileiros seguem vivendo sob medo, tentando passar despercebidos, evitando locais públicos e modificando suas rotinas. A promessa de Trump de uma repressão ainda maior nos próximos meses mantém a incerteza sobre o futuro da comunidade brasileira nos EUA.
Folha Gospel com informações de Fórum, BBC Brasil, Fuxico Gospel, CNN Brasil e Comunhão
Antonia Fontenelle e André Valadão. (Foto: Reprodução/internet)
A influenciadora Antônia Fontenelle gerou uma grande polêmica nos últimos dias ao fazer duras críticas à Igreja Batista da Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ela afirmou que a instituição coloca a arrecadação financeira acima do acolhimento espiritual.
Fontenelle descreveu sua experiência na igreja e apontou o que considera um foco excessivo em dinheiro e ostentação. “A Lagoinha é papo de Rolex, a Lagoinha tem mais máquina de dízimo do que gente dentro daquele lugar gigante. É dinheiro, é Rolex, é relógio, é tudo que tem dentro da bolsa, eles jogam naquele palco e as pessoas recolhendo”, afirmou a influenciadora.
A apresentadora também criticou a forma como fiéis são conduzidos durante os cultos, sugerindo que há uma manipulação emocional que leva muitos a doarem valores expressivos. “O que eu vi de gente fraca no auge, porque tem toda uma preparação, tem toda uma preparação e vai, vai, vai, vai para a hora da grande catarse. Aí o fraco, as mentes fracas que vão ali em busca de alguma coisa, pega tudo que tem e joga no palco”, declarou.
Ainda no vídeo, Fontenelle fez uma comparação entre a igreja e as religiões de matriz africana, destacando que estas, segundo ela, não disputam templos, em referência ao embate judicial entre os pastores André e Felippe Valadão.
Marinna Ferreira, filha do bispo Samuel Ferreira e da bispa Keila Ferreira, que faleceu em 1º de fevereiro, foi consagrada pastora durante culto fúnebre da mãe. (Foto: Reprodução
Durante o culto fúnebre da bispa Keila Ferreira, ocorrido na última segunda-feira (3), Marinna Costa Ferreira foi ungida ao ministério pastoral. A ordenação aconteceu a pedido do bispo Abner Ferreira, tio da jovem, e foi conduzida pelo bispo primaz Manoel Ferreira, avô de Marinna.
Visivelmente abatido, o bispo Samuel Ferreira compartilhou uma palavra com os presentes. Ele explicou que, desde o falecimento de sua esposa, no sábado (1º), a Confederação de Irmãs Beneficentes Evangélicas Nacional (Ciben) estava sem presidência. Entretanto, a partir daquele momento, a liderança seria restaurada.
Desse modo, Marinna Ferreira, que é casada com o pastor Igor Nunes Sousa Ferreira, assumiu a presidência mundial da Ciben, cargo que havia sido deixado por sua mãe. Como evangelista, ela já liderava a Frente Jovem da Assembleia de Deus do Brás.
Antes da cerimônia de consagração, a bispa Sônia Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo, encorajou a família a não interromper o ministério, mas a continuar honrando o legado deixado por Keila. “Desde o bispo Manoel até todos os filhos, a família de vocês tem tocado o Brasil e o mundo. Por amor a Keila, você vai subir ao altar, Manoel, e você vai pregar. Marinna, você vai louvar como nunca louvou.”
Homem segura foto do ditador da Síria, Bashar al-Assad, que renunciou e deixou o país (Foto: Flickr/Beshr Abdulhadi)
Quando Bashar al-Assad foi deposto por rebeldes islâmicos na Síria em dezembro, após 14 anos de guerra civil, houve preocupações sobre o que isso poderia significar para a comunidade cristã no estado problemático.
Se al-Assad era um tirano, ele era pelo menos um tirano secular e, portanto, não sentiu necessidade de vitimizar ou destruir o cristianismo sob seu governo, algo que nem sempre pode ser dito sobre os governos do Oriente Médio.
Embora houvesse muitos grupos armados que se opunham a al-Assad, foi Hay’at Tahrir-Sham (HTS) que deu o golpe mortal e agora detém as rédeas do poder na Síria. Apesar de às vezes ter uma mensagem de “inclusão” de acordo com a BBC, o HTS sendo um desdobramento da al-Qaeda, é uma fonte óbvia de preocupação para os cristãos no país.
A nova liderança na Síria indicou que permitirá a liberdade religiosa, no entanto, relatos da área sugerem que a falta de autoridade central pode estar levando a incidentes de discriminação no local.
Uma fonte no local disse à instituição de caridade católica Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) que, embora os líderes da igreja tenham recebido garantias pessoais de que as minorias religiosas terão direitos iguais sob a nova constituição, houve casos de islâmicos impondo segregação de gênero no transporte público e forçando as mulheres a usar véus.
A fonte acrescentou que a atenção internacional ao país está impedindo que excessos sejam cometidos pelo novo governo nas principais cidades: “Damasco está no centro das atenções, o que pressiona os antigos rebeldes a serem mais pacíficos e a manter a imagem positiva que têm”.
Embora os islâmicos tenham se comportado bem em grandes cidades como Damasco e Aleppo, a fonte afirmou que as coisas eram diferentes em cidades menores como Homs e Hama.
“É uma área mista, com dez confissões religiosas morando no mesmo lugar, e os bairros são mistos, o que dificulta”, disseram.
“Também foi uma situação difícil durante a guerra. As pessoas evitam estar nas ruas depois das 17h.
“Há jihadistas nas ruas, usando megafones para pedir que as pessoas se convertam ao islamismo e pedindo que as mulheres usem véu.
“O medo é realmente muito significativo – os cristãos não podem trabalhar, muitos ficam em casa.”
Uma parte da Síria conhecida como Vale dos Cristãos, devido à sua população exclusivamente cristã, foi descrita como pacífica. No entanto, viajar para dentro e para fora da área pode ser perigoso.
Às vezes, os militantes montam barreiras nas estradas, negam passagem e levam os pertences daqueles que não se convertem ao islamismo.
Em última análise, são as realidades locais, e não as promessas políticas, que determinarão o destino da população cristã da Síria. Não esqueçamos que, na Coreia do Norte, a liberdade religiosa é garantida pela constituição e, ainda assim, não significa nada.
Folha Gospel com informações de The Christian Today