A reforma tributária, promulgada pelo Congresso Nacional no final de 2023, trouxe vitórias e benefícios para alguns setores representados na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, entre eles, as chamadas bancadas da Bíblia, da bala e do boi.
A informação é de Eduardo Cucolo, colunista do jornal Folha de S. Paulo.
Segundo o jornal, as mudanças no sistema de tributação, cuja maior parte entra em vigor a partir de 2026, deve reduzir a carga tributária sobre esses grupos.
Para a bancada evangélica, a alteração já começa neste ano com a ampliação da imunidade tributária das igrejas contra a cobrança de impostos federais, estaduais e municipais, incluindo o IPTU (imposto municipal sobre imóveis).
O texto da Constituição Federal se referia a imunidade para templos de qualquer culto, alcançando apenas a entidade principal. Com a alteração do texto, a imunidade passou a incluir “suas organizações assistenciais e beneficentes”.
A mudança foi um pedido da bancada evangélica, grupo que reúne cerca de 130 deputados que prometeu apoio à reforma em troca da mudança —promessa parcialmente cumprida.
As igrejas sempre consideraram ter direito a essa imunidade ampliada, mas esse não era o entendimento da Justiça, da Receita Federal e de muitos municípios. Daí a ideia de alterar a Constituição.
A bancada da Bíblia também conseguiu isenção na transmissão de bens feita por entidades religiosas. Esse ponto depende de regulamentação e há a possibilidade remota de se impor exigências ao benefício, que envolve o ITCMD, tributo estadual sobre heranças e doações.
Durante a reforma, houve tentativa de isentar a compra e venda de bens, serviços e patrimônio, como a aquisição de carro por religiosos, mas não prosperou.
Martelo da Justiça tendo ao fundo a bandeira da China (Foto: canva)
Os pastores de igrejas domésticas na China estão recebendo penas de prisão cada vez mais pesadas, como resultado das instruções de Xi Jinping para obrigar todas as igrejas protestantes a aderirem à Igreja das Três Autonomias, controlada pelo governo, reprimindo aqueles que se recusam.
Em 12 de janeiro de 2024, o pastor Kan Xiaoyong, da cidade de Dalian, foi condenado pelo Tribunal Popular do Distrito de Ganjingzi a quatorze anos de prisão. Sua esposa Wang Fengying foi condenada a quatro anos e seu colega de trabalho Chu Xinyu a dez anos. Outros três réus receberam sentenças de três anos.
Estas foram penas pesadas, que o procurador obteve acrescentando à acusação de “práticas comerciais ilegais” e “uso de um xie jiao para minar a implementação da lei”. Esta última acusação foi surpreendente, uma vez que a organização de Kan não corresponde ao perfil de um “ xie jiao ”, ou “ensino heterodoxo”, rótulo usado para estigmatizar grupos que as autoridades chamam de “cultos” em documentos em língua inglesa. Pelo contrário, é uma típica organização de igreja doméstica protestante.
A equipe de defesa de seis advogados conseguiu pelo menos que os réus fossem declarados inocentes da acusação de fraude, o que teria acarretado penas ainda mais pesadas.
Kan, natural de Wuhan, era um empresário de sucesso e descendente de uma família ligada ao PCC. Em 2018, aos 60 anos, ele deixou a carreira secular e estabeleceu a Discipleship Home Network com sua esposa, dois anos mais nova que ele, como uma combinação de evangelismo online e offline. Sua esposa, Wang Fengying, ganhou prêmios nacionais como professora modelo e também atuou como bailarina. Eles foram para Dalian para estabelecer uma igreja. Seu ministério foi bem-sucedido e tornou-se nacionalmente famoso no circuito de igrejas domésticas.
Em 20 de outubro de 2021, a casa deles, em Dalian, foi invadida e o pastor Kan e sua esposa foram presos. Quatro colegas de trabalho também foram detidos. Tanto Kan quanto sua esposa foram torturados durante vários dias na vã tentativa de obter sua confissão. As provas da tortura foram apresentadas pelos seus advogados no julgamento, mas foram rejeitadas pelo juiz.
Os réus foram julgados pelo Tribunal Distrital de Ganjingzi, em Dalian, em audiências subsequentes entre maio e outubro de 2023. Os seus advogados planejam recorrer da pesada sentença.
Cristãos sem acesso a materiais, ouvem a Bíblia em áudio.
Ji-ho* é uma jovem cristã norte-coreana que foi criada por um pai cristão sem saber. Um dia, ela experimentou o trauma de ter a casa invadida e revistada por agentes de segurança do Estado que levaram seu pai, e ela nunca mais o viu.
Anos mais tarde, Ji-ho captou uma estação de rádio cristã e a mensagem que ouviu a fez lembrar das palavras de seu pai. Foi quando ela compreendeu que seu pai era cristão e decidiu seguir ao Mestre de seu pai, mesmo sabendo dos riscos que podia correr.
Como na história de Ji-ho, muitos outros norte-coreanos só conseguem ter acesso a conteúdos cristãos por meio de programas de rádio. A organização Portas Abertas opera um ministério de rádio que faz suas transmissões de fora da Coreia do Norte, mas chega a milhares de cristãos secretos diariamente dentro daquele país.
A Coreia do Norte vende rádios que podem ser sintonizados somente nas frequências do Estado. Por isso, os cristãos devem encontrar aparelhos no mercado negro ou conseguir algum por meio de uma rede de trabalho secreta da Portas Abertas na China.
Esses programas diários incluem leitura das Escrituras, estudos bíblicos e instrução teológica para ajudar a Igreja secreta no país a crescer em fé e sabedoria. A meta da Portas Abertas é apoiar e fortalecer cristãos norte-coreanos secretos e ajudá-los a educar a próxima geração de cristãos.
As fontes da organização no país dizem que os cristãos norte-coreanos também querem estar preparados para, quando o país se abrir, compartilharem o Evangelho. Por enquanto, muitos agem como mãos e pés de Jesus, servindo vizinhos com comida e compaixão e esperando por uma chance de compartilhar o amor e a esperança de Cristo.
Trabalho guiado por Deus
Segundo o irmão Simon*, responsável pelo trabalho da Portas Abertas com norte-coreanos há mais de 25 anos, a organização tem parcerias com outras entidades e ajuda a desenvolver programas cristãos apropriados e adequados.
– No início, criamos apenas um programa de meia hora, depois, desenvolvemos programas de meia hora para quatro dias por semana. Até que, antes da pandemia, Deus nos deu uma ideia: “Seria melhor desenvolver um programa de uma hora diária”. Isso significava gastar o dobro do dinheiro para expandir a transmissão para uma hora por dia – explica.
E então a pandemia chegou. O programa de uma hora diária foi uma ferramenta efetiva para ajudar cristãos na Coreia do Norte. Os líderes da Igreja norte-coreana ficaram animados quando o tempo de transmissão aumentou.
– Eles nos disseram que ouvir programas de rádio ilegais por mais de uma hora é muito difícil; afinal, há muito ruído intencional causado pelo regime norte-coreano como forma de tentar interferir ou bloquear frequências usadas por pessoas em outros países. Nós não sabíamos. Simplesmente seguimos a orientação de Deus – compartilha.
Ji-ho foi uma das pessoas beneficiadas por essas transmissões.
– Por agora, vou continuar ouvindo o rádio. Ele me ajuda a não me sentir sozinha. Quero aprender mais sobre Jesus e a como segui-Lo mais de perto. Além disso, vou continuar sendo sal para as pessoas ao meu redor, como meu pai me ensinou – afirma ela.
Para saber mais como orar, participar e doar a este e outros projetos da Portas Abertas, acesse www.portasabertas.org.br.
A aderência formal à denúncia se deu na última quarta-feira (10), após encontro de Lula com o embaixador da Palestina no Brasil. A ação foi protocolada na Corte Internacional de Justiça, em Haia, nos Países Baixos, e seu julgamento foi iniciado nesta quinta-feira (11).
– Meia dúzia de baderneiros fizeram quebra-quebra, ano passado, no dia 8 de janeiro, e Lula com um bocão grande chamou de terroristas [os manifestantes]. Mas não chama o Hamas de terrorista. É muito cinismo! É muita safadeza política, gente – disparou Malafaia.
O líder religioso ressaltou que “mais de 90% dos brasileiros são cristãos e não apoiam essa decisão de Lula de acusar Israel de genocídio”, e lembrou o passado do petista.
– Um cara que foi condenado em três instâncias por unanimidade, por roubalheira, Lula, e que estava na cadeia, que só saiu de lá devido à caneta de um ministro comunista, ativista e amiguinho deles, se não ele estava na cadeia até hoje, lá, que era o lugar dele.
Com o histórico criminal do petista, que é de conhecimento do Brasil e do mundo, Malafaia questiona:
– Como é que ele ganhou a eleição? Só Deus sabe como.
E finalizou com uma acusação grave ao presidente da República:
– Um governo que, de forma indireta, está apoiando terroristas.
Uma investigação de dois anos conduzida pela BBC, revelou evidências de abusos e torturas generalizadas perpetradas pelo falecido fundador da Igreja Sinagoga de Todas as Nações (Scoan, sigla em inglês), TB Joshua.
Dezenas de ex-membros denunciaram atrocidades, incluindo abuso sexual e abortos forçados, ocorridos no complexo da igreja em Lagos, Nigéria, ao longo de quase 20 anos.
Joshua, um pregador carismático com milhares de seguidores globalmente, faleceu em 2021. A Scoan, que não respondeu aos pedidos de comentário da BBC, refutou alegações anteriores. A investigação envolveu mais de 15 jornalistas em três continentes.
A BBC coletou relatos de testemunhas oculares, vídeos, documentos e centenas de horas de entrevistas para corroborar os testemunhos e descobrir outras histórias.
Mais de 25 testemunhas alegadas vítimas, do Reino Unido, Nigéria, Gana, EUA, África do Sul e Alemanha, forneceram relatos de abusos físicos e psicológicos por parte de Joshua. A investigação revelou que muitos dos detalhes são gráficos demais para serem publicados.
Ex-membros da igreja tentaram denunciar os abusos no passado, mas afirmam ter sido silenciados ou desacreditados pela Scoan, sendo alguns agredidos fisicamente.
O acesso dos discípulos ao mundo exterior era estritamente controlado por Joshua, que restringia telefones e contas de e-mail. A privação de sono, trabalho não remunerado e punições físicas eram rotineiras no complexo da igreja.
Testemunhas relataram ataques violentos e torturas, incluindo abuso sexual de menores de idade. O complexo em Lagos tinha muros altos e guardas armados, mas o controle mental mantinha os seguidores sob a influência de Joshua.
TB Joshua, que morreu inesperadamente em 2021, deixou um legado controverso como um dos pastores mais influentes da história africana.
Ele era chamado de “O Profeta” por seus seguidores e angariou uma enorme base de apoio. A igreja continuou a ser liderada por sua viúva, Evelyn, e uma nova equipe de discípulos após sua morte.
O pastor controlava todos os aspectos da igreja, e ex-discípulos descreveram um ambiente de abusos, manipulação e opressão.
A investigação da BBC destaca não apenas os abusos cometidos por Joshua, mas também a cultura de silêncio e medo que permitiu esses abusos persistirem por anos.
Estávamos no inferno
Uma das vítimas, uma mulher britânica chamada Rae, tinha 21 anos quando abandonou os estudos na Universidade de Brighton, na Inglaterra, em 2002 e foi recrutada pela igreja. Ela passou os 12 anos seguintes como parte dos “discípulos” de Joshua dentro de seu complexo labiríntico em Lagos.
“Todos pensávamos que estávamos no céu, mas estávamos no inferno, e no inferno acontecem coisas terríveis”, diz ela à BBC.
Rae diz ter sido abusada sexualmente por Joshua e submetida a uma forma de confinamento solitário por dois anos. O abuso foi tão grave que ela diz que tentou o suicídio várias vezes dentro do complexo.
Hoje Rae está de volta à Inglaterra e mora em um vilarejo no interior. Ela é uma pessoa sorridente, mas há uma inquietação que nunca desaparece. “Por fora pareço normal, mas não sou”, diz ela.
A Igreja Sinagoga de Todas as Nações tem seguidores em todo o mundo e opera um canal de TV chamado Emmanuel TV, além de redes sociais com milhões de seguidores.
Ao longo da década de 1990 e início dos anos 2000, dezenas de milhares de peregrinos da Europa, da América, do Sudeste Asiático e da África viajaram para a Nigéria para testemunhar TB Joshua realizando “milagres de cura”.
Pelo menos 150 visitantes viveram com ele como discípulos dentro do seu complexo em Lagos, às vezes durante décadas.
A investigação da BBC, em colaboração com a plataforma internacional de comunicação social Open Democracy, envolveu mais de 15 jornalistas em três continentes.
Foram consultadas gravações de vídeo, documentos e centenas de horas de entrevistas para corroborar o testemunho de Rae e descobrir outras histórias.
Mais de 25 testemunhas oculares e alegadas vítimas, do Reino Unido, Nigéria, Gana, EUA, África do Sul e Alemanha, forneceram relatos de como era a vida dentro do complexo de Joshua. As experiências mais recentes datam de 2019.
Quando o programa Africa Eye da BBC tentou fazer uma filmagem do lado de fora da igreja, um segurança atirou para o alto depois que a equipe se recusou a entregar o material gravado.
‘Ele me pediu para recrutar virgens’
Bisola, uma nigeriana que passou 14 anos dentro do complexo, diz que cortejar visitantes ocidentais foi uma tática fundamental para a igreja. “Ele usou os brancos para divulgar sua marca”, diz ela.
Fontes estimam que Joshua arrecadou dezenas de milhares de dólares com peregrinos e outras fontes (arrecadação de fundos, vendas de vídeos e apresentações em estádios no exterior). Ele deixou a pobreza para se tornar um dos pastores mais ricos da África.
“TB Joshua me pediu para recrutar virgens para ele… Para que ele pudesse trazê-las para o grupo de discípulos e desvirginá-las”, diz Bisola à BBC.
Ela afirmou ter colaborado com a igreja por conta da “doutrinação” e após sofrer ameaças de violência. Bisola alega que foi repetidamente estuprada por Joshua.
Várias mulheres afirmam que não tinham idade legal para consentimento — que é de 18 anos em Lagos — quando foram abusadas sexualmente ou violadas.
O crime de estupro pode levar à pena de morte na Nigéria.
Jessica Kaimu, hoje em dia jornalista na Namíbia, diz que tinha apenas 17 anos e era virgem quando Joshua a violou no banheiro de sua cobertura, poucas semanas depois de ela se tornar sua discípula.
“Eu gritava e ele sussurrava em meu ouvido que eu deveria parar de agir como um bebê… Fiquei tão traumatizada que não conseguia chorar”, diz ela.
Segundo Kaimu, esse encontro se repetiu inúmeras vezes ao longo dos cinco anos que passou como discípula.
O seu relato é semelhante ao de outras mulheres que conversaram com a BBC, assim como o de quatro funcionários pessoais de Joshua que receberam a tarefa de apagar as provas físicas do abuso cometido por ele.
Muitos dos detalhes dos depoimentos dados pelos entrevistados são gráficos demais para serem publicados.
Eles incluem vários relatos em primeira mão de mulheres que disseram terem sido despidas e estupradas com objetos — incluindo uma que alega ter sido vítima dos abusos por duas vezes antes de completar 15 anos.
“Foi tão doloroso”, diz a mulher, que pediu para ter sua identidade preservada.
“Não consigo expressar o que passei em palavras. Isso me marcou para o resto da vida.”
Várias entrevistadas que afirmam ter sido estupradas e engravidadas por Joshua contaram como foram submetidas a abortos forçados dentro do complexo da igreja — em uma área conhecida como “departamento médico” ou “clínica”.
“Tudo era feito em segredo”, diz Sihle, uma antiga discípula da África do Sul, que afirma ter feito três abortos forçados na igreja.
“Você recebia uma mistura para beber e começava a vomitar. Ou eles colocavam pedaços de metal na sua vagina e extraiam o que quer que fosse. E não dava para saber se eles estavam [acidentalmente] arrancando seu útero.”
Sihle chorou durante a entrevista, assim como Jessica, que diz ter feito cinco abortos forçados.
Bisola afirma ter testemunhado “dezenas” de abortos durante seus 14 anos dentro da igreja.
Segundo ela, em vários momentos subia até o andar mais alto do complexo e chorava, implorando a Deus que a salvasse.
Os discípulos atendiam a todas as necessidades de Joshua, segundo os testemunhos.
Eles faziam massagens, o ajudavam a se vestir e borrifavam perfume quando Joshua entrava nos cômodos.
Também colocavam luvas de plástico nas mãos dele para que pudesse comer sem tocar em nada.
Em vez de chamá-lo pelo nome, todas eram incentivadas a se referir a Joshua como “daddy”, ou “papai” em tradução literal para o português.
Não é incomum que pastores nigerianos da tradição pentecostal sejam tratados desta forma, mas os discípulos alegam que ele insistia nesse termo.
“Minha mente parecia ter sido perturbada”, diz Anneka.
“Não havia nenhuma clareza cognitiva… A realidade estava completamente distorcida”, acrescenta.
“Prisão psicológica”
A planta do complexo aprofundava esse sentimento de confusão.
“Era um labirinto de escadas”, diz Rae.
Em 2014, uma casa de seis andares construída para hóspedes internacionais no complexo desmoronou, matando pelo menos 116 pessoas.
Um relatório posterior do governo local concluiu que falhas estruturais e obras de má qualidade foram a causa do colapso.
Ninguém jamais foi processado pelo incidente.
Alguns dos entrevistados ouvidos pela BBC dizem acreditar que o número de mortos foi significativamente maior do que o que foi notificado — segundo eles, vários cidadãos nigerianos que trabalhavam na casa de hóspedes não foram listados como vítimas e membros da igreja esconderam seus corpos durante a noite.
As fontes afirmam ainda que Joshua impediu que os serviços de emergência ajudassem nos esforços de resgate imediatamente após o desabamento, preocupado com a sua imagem pública.
O controle do pastor sobre o acesso dos discípulos ao mundo exterior também era muito rígido.
Ele restringia o acesso a telefones e contas de e-mail, segundo as entrevistadas.
Segundo Rae, só após deixar o culto, percebeu que e-mails de sua família e amigos foram enviados para ela, que nunca os recebeu.
“Ele queria controlar tudo, todo mundo”, diz Agomoh Paul, um homem que já foi considerado o número dois de Joshua na igreja.
“O que ele realmente buscava era o controle da mente das pessoas.”
Os discípulos disseram ainda que foram obrigados a trabalhar, sem remuneração, durante longas horas todos os dias — administrando todos os aspectos da megaigreja.
Todos afirmaram que a privação de sono era rotina, com as luzes acesas nos dormitórios à noite.
Anneka disse que eles nunca dormiam mais do que quatro horas seguidas.
Se alguém fosse pego cochilando sem permissão ou violando qualquer outra regra, seria punido.
Dezenove ex-discípulos descreveram ter testemunhado ataques violentos ou tortura dentro do complexo, realizados por Joshua ou sob suas ordens.
Outros descreveram terem sido despidos e chicoteados, com cabos elétricos e um chicote de cavalo conhecido como koboko.
Entre os alegadamente agredidos estavam menores de idade, como um discípulo de 7 anos.
O complexo em Lagos tinha muros de quase 4 metros de altura e guardas armados.
Mas o que realmente mantinha os discípulos presos era a lealdade fanática e o medo enraizados cultivados pelo pastor.
“Era uma prisão psicológica”, resume Rae.
“É extremamente difícil entender como alguém pode passar por abuso psicológico a ponto de perder o pensamento crítico”, acrescenta.
A BBC entrou em contato com a Scoan e apresentou as alegações obtidas por meio da investigação. A igreja não respondeu, mas negou denúncias anteriores contra TB Joshua.
“Fazer alegações infundadas contra o Profeta TB Joshua não é uma ocorrência nova… Nenhuma das alegações foi fundamentada”, disse a igreja por meio de um comunicado.
O legado do pregador carismático está agora manchado pelas revelações de uma investigação minuciosa que expõe a escuridão por trás da fachada religiosa de prosperidade.
O treinamento Permanecendo Firmes Através da Tempestade é uma das formas que parceiros locais da Portas Abertas usam para preparar cristãos perseguidos para resistir à pressão nos países da Lista Mundial da Perseguição. Li*, um parceiro local, estava aplicando esse treinamento durante três dias na região central da China quando foi alertado sobre a busca policial.
Ao menos 90 cristãos perseguidos estavam no local, buscando capacitação para suprir necessidades da próxima geração da igreja. Quando a programação estava perto do fim, Li recebeu uma ligação da pessoa responsável pelo aluguel do local que disse: “Aqueles caras [os policiais] estão aqui agora!”.
Os participantes não foram surpreendidos por esse cenário. A maioria deles já viveu a mesma situação em outros treinamentos. Alguns deles já haviam sido interrogados, presos ou agredidos fisicamente no passado por participarem desse tipo de evento cristão.
“Esconda-nos sob suas asas”
“Geralmente, nessa situação, as pessoas apenas fogem o mais rápido possível para se protegerem. Dessa vez, todos escolheram agir de outra forma. Uma pessoa começou a orar e outras imediatamente se juntaram a ela. Oramos juntos, silenciosamente. Tivemos que ficar em silêncio, senão, seríamos encontrados pelos policiais e teríamos problemas”, conta Li.
“Em sussurro, orávamos: ‘Pai nosso que estás nos céus, seu nome está acima de todos os nomes. O Senhor faz o impossível ser possível. Clamamos por sua proteção. Esconda-nos sob suas asas’.” Li sentiu que ninguém estava com medo. Pelo contrário, estavam orando fervorosamente.
“Esse é o resultado que queremos ver nos treinamentos. Louvamos a Deus pela mudança dos corações. A atmosfera estava repleta de paz e amor, o medo não teve espaço.” Eles souberam que as orações foram respondidas quando as autoridades foram embora. Os policiais ficaram apenas na entrada do prédio, não entraram, nem checaram as salas de reuniões. Normalmente, as autoridades verificam sala a sala nas inspeções regulares. Mas nesse treinamento, não. Todos estavam a salvo.
“Eu louvo a Deus por essa experiência, foi uma experiência prática do ensino do treinamento Permanecendo Firmes Através da Tempestade. Temos que aprender a confiar em Deus para resistir a toda perseguição e permanecermos vitoriosos”, disse Li. Esse treinamento é feito em diferentes partes da China e capacita os participantes a compreenderem biblicamente o sofrimento e formas de responder à perseguição.
Wu*, um dos participantes do treinamento, compartilhou um pouco do que aprendeu: “Ser um cristão não significa ter uma vida perfeita e fácil. Enfrentar obstáculos é inevitável. Mas o que os homens podem fazer contra nós? Precisamos apenas clamar a Deus e ele oferecerá a ajuda de que precisamos. No treinamento, aprendi que Deus concede as armas para vencer o mal. Precisamos entender a perseguição, suas fontes e tipos. Esse curso nos ofereceu ajuda prática para entendermos como podemos encorajar outros cristãos. Precisamos de intimidade com Deus e deixar que o amor dele dirija a nossa vida”.
No dia 13 de dezembro, os dois filhos de um pastor foram detidos por conduzirem estudos bíblicos em um vilarejo no Sri Lanka. Ambos estavam na casa de um membro da igreja que o pai pastoreia, fazendo uma visita, no início da noite. Eles estavam no meio do estudo bíblico quando parte do vilarejo se reuniu em frente à casa para expulsá-los do local.
O grupo acusava os cristãos de serem estrangeiros e afirmava que eles não poderiam estar ali. A oposição cresceu a ponto de um dos radicais chamar a polícia e fazer uma denúncia contra os dois homens. Sete policiais vieram e levaram os filhos do pastor para a delegacia.
Quando chegaram à delegacia, eles foram presos, acusados de visitar locais desconhecidos do vilarejo e de serem estrangeiros. O pastor também foi chamado à delegacia e explicou que eles apenas visitavam a família que conheceram na igreja. Depois que o caso foi esclarecido, os filhos do pastor foram soltos, mas sob a exigência de nunca mais voltarem ao vilarejo.
O pastor contou que ele e os dois filhos visitam muitos cristãos nos vilarejos próximos, mas, esse incidente os deixou preocupados com a possibilidade de serem feridos ou punidos nas próximas viagens. Ele pediu que oremos por proteção e pela continuidade do trabalho na região.
Nicolas orando por seu pai Eneias. (Foto: Reprodução/Instagram/Lucilia Ornelas)
O vídeo de um menino, de 10 anos, louvando e orando pelo pai com câncer, à beira do leito no hospital, está comovendo muitos e viralizou nas redes sociais.
O momento de fé de Nicolas foi gravado e publicado por sua mãe, Lucilia Ornelas, no Instagram na terça-feira (9) e já possui mais de 3 milhões de visualizações.
“Passa aqui na clínica, Jesus. Vem aqui na clínica, Jesus. Cura meu papai, traz vida, traz vida, traz vida”, cantou Nicolas, ministrando ao seu pai, Eneias Ornelas, de 43 anos.
Logo depois, o menino faz uma oração, enquanto fazia carinho no pai. “Obrigada por mais um dia de vitória, Jesus. Obrigado porque ele acordou para ver a gente. Não tenho palavras para te agradecer, obrigado por eu ter um papai, Senhor”, orou.
Batalha contra tumor cerebral
Eneias, que serve como pastor na AD Fonte de Vida em Vitória (ES), batalha contra um tumor cerebral (Glioblastoma multiforme de alto grau) desde 2019.
Na legenda do vídeo, Lucilia escreveu: “Jesus já ouviu meu filho. Vamos aguardar a resposta. Será feita a vontade do Senhor Jesus. Ele permanece fiel. E sabe o que é melhor. Assim que lutamos nossas guerras! Não desistimos diante da adversidade, vencemos na adoração”.
Segundo sua esposa, Eneias foi desenganado pelos médicos e não existem mais tratamentos químicos para o câncer.
“Ele vem sobrevivendo dia após dia e vivendo o sobrenatural de Deus, Dono da existência, a quem devemos honras, glórias e gratidão!”, contou ela.
Com o avanço da doença, o pastor ficou com dificuldades para se comunicar, perdeu os movimentos de um lado do corpo e apresenta déficit cognitivo.
A família lançou uma arrecadação online para financiar um tratamento integrativo, que inclui estratégias biomolecular, quânticas, radiestesia e radiônica.
As doações podem ser feitas através do site Vakinha ou pelo PIX 27 99811-1097 (Lucilia Ornelas).
André Valadão e Rodrigo Silva (Montagem/FolhaGospel)
O pastor André Valadão, da Lagoinha Orlando Church, publicou em seu perfil do Instagram nesta quarta-feira (10) um texto no qual respondeu uma postagem do arqueólogo Rodrigo Silva. Na publicação de Rodrigo, feita nesta terça (9), o arqueólogo lamentou a “postura belicosa” de André sobre a Igreja Adventista.
Em sua resposta, André começou dizendo que acredita “nas pessoas sinceras e genuínas em sua busca por Jesus e Sua palavra” e que, por isso, pedia desculpas por alguma eventual ofensa proferida em seu posicionamento sobre a Igreja Adventista. O pastor da Lagoinha Orlando Church declarou, porém, lamentar “o ato mofador” de Rodrigo Silva em relação a ele.
– Também lamento Rodrigo Silva seu ato mofador em relação a mim, e a minha resposta referente as doutrinas da ASD [Adventista do Sétimo Dia]. Qualquer teólogo sabe das heresias da ASD. Quanto a você citar meu pai (baixo nível isso), ele os respeita, mas não concorda. Isso procede até os dias de hoje – declarou André.
André também disse que Rodrigo usou dados inverídicos ao afirmar que 70 igrejas teriam deixado a Lagoinha Global durante sua gestão. De acordo com Valadão, as saídas foram relacionadas a apenas “poucas igrejas que já estavam prestes a seguir sua independência” e que “todas seguem em paz junto à Lagoinha Global”.
– Não carrego tom belicoso em meu ministério, mas cuido, protejo e preocupo com minhas ovelhas, não compactuo com inverdades que dominam ou divergem da simplicidade da Bíblia e do relacionamento individual que todo cristão pode ter com Jesus. Continuo lhe seguindo nas redes pelo seu belo trabalho arqueológico, mas de forma alguma recebendo realidades doutrinárias da ASD – completou.
O arqueólogo Rodrigo Silva usou as redes sociais nesta terça para rebater o pastor André Valadão que, ao responder um internauta, disse que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é uma seita.
Um usuário perguntou ao líder da Igreja Lagoinha Global: “Por que você disse que a Adventista é uma seita?”. E a resposta de Valadão foi a seguinte:
– Vejamos apenas alguns ensinos heréticos do adventismo: Ellen G. White afirma que a obra redentora de Jesus Cristo na cruz foi incompleta, vindo a completar-se somente no ano de 1844 (livro O Grande Conflito, páginas 420 e 421). Afirma que Jesus Cristo não fez a expiação na cruz pelos nossos pecados (livros Em Definição da Doutrina, página 12). Afirma que Jesus, após a sua ressurreição, estava inseguro, pois ele não tinha a certeza de que seu sacrifício havia sido perfeito (livro Vida de Jesus, página 204) – escreveu Valadão.
E continuou:
– Ellen G. White afirma categoricamente que Deus disse a ela o dia e a hora da vinda de Jesus (livro Primeiros Escritos, páginas 14 e 15). Ellen White afirmou que a Igreja Adventista é a única igreja verdadeira neste mundo e que as demais igrejas cristãs protestantes foram rejeitadas por Deus após o ano de 1844 (livro O Grande Conflito, páginas 453, 454 e 609 a 617, História de Nossa Igreja, páginas 99 a 103). E muito mais doutrinas absurdas de uma seita – concluiu.
Rodrigo Silva, que é adventista, escreveu uma carta lamentando a resposta de André Valadão pontuando que teve um programa na Rede Super, canal de TV da Igreja Batista da Lagoinha.
– Lamento a postura belicosa do pastor André Valadão contra a igreja adventista. Sempre fomos respeitados pela Lagoinha quando o pastor Márcio, seu pai, era o presidente, meu programa Evidências sempre esteve na grade da Rede Super. Também lamento que o pastor André Valadão doutrine suas ovelhas sem ao menos ler as fontes que usa – iniciou.
O estudioso também disse que os livros citados pelo líder da Lagoinha Global não são de autoria de Ellen G. White, como Definição da Doutrina e História de Nossa Igreja e ainda acusou Valadão de plagiar as respostas do site da Igreja Batista da Promessa, que também classifica a Igreja Adventista como seita.
Atacando Valadão, Rodrigo Silva cita o desligamento de 70 igrejas da Lagoinha assim que ele foi escolhido como presidente.
– Talvez seja esse tom belicoso do pastor que tenha feito ao menos 70 filiais da igreja da Lagoinha a romperem o vínculo com a sede global. Que pena. Apesar disso, continuo orando por ele como o fiz publicamente na época em que sofreu ameaças processuais durante as eleições.
Cristãos se reúnem em frente ao Tribunal Internacional de Haia. (Fotos: Facebook/ Embaixada Cristã Internacional)
Mais de mil cristãos se reuniram em Haia nesta quinta-feira, 11, para participar de uma marcha em apoio a Israel e em oposição à abertura do processo movido pela África do Sul no Tribunal Internacional de Justiça (CIJ).
“As audiências foram abertas na manhã desta quinta-feira no Tribunal Internacional de Justiça sobre a petição tortuosa da África do Sul para que Israel seja acusado de cometer genocídio em Gaza”, escreveu a Embaixada Cristã Internacional em Jerusalém.
“Nossos Diretores Nacionais da Holanda, Jacob e Hennie Keegstra, e outros apoiadores da ICEJ juntaram-se ao pessoal da Christians Voor Israel International, dos Cristãos em Defesa de Israel e de outros grupos cristãos e judeus para apoiar Israel contra esta falsa acusação”, continuou.
A África do Sul acusou Israel de perpetrar atos genocidas contra os palestinos, uma alegação contestada por quase 30 organizações cristãs sul-africanas em uma carta aberta no início desta semana.
Riscos aos judeus e antissemitismo
A carta aberta, enviada ao escritório do Ministro da Justiça da África do Sul, Ronald Lamola, que representa o caso sul-africano em Haia, caracterizou a iniciativa legal da África do Sul como “fundamentalmente falha”.
O documento também afirmou que a decisão vai de encontro aos melhores interesses da África do Sul, podendo acarretar consequências políticas e econômicas prejudiciais.
“O governo sul-africano prejudicou os interesses de seu povo para alcançar os objetivos políticos e religiosos de terceiros. O governo também está ciente de que a abordagem parcial que adotou colocou em risco seus cidadãos judeus, incitando o antissemitismo, assim como minou a liberdade religiosa dos cristãos na África do Sul.”
África do Sul contesta carta
Em resposta, o gabinete de Lamola, por meio de seu porta-voz Phiri Chrispin, escreveu:
“Obrigado pela sua declaração”, escreveu Chrispin num e-mail endereçado à ChristianView Network, um grupo de lobby na África do Sul que ajudou a liderar o apelo da carta.
“Agradecemos seu esforço em compartilhar suas opiniões conosco. No entanto, a sua declaração está repleta de uma série de imprecisões factuais e os princípios do direito internacional não apoiam alguns dos argumentos.”
“Vamos delinear nosso caso detalhadamente hoje perante o tribunal mundial. Você pode acompanhá-lo em diversas plataformas de notícias”, conclui a resposta.
Philip Rosenthal, um dos signatários da declaração ao governo e diretor da ChristianView Network, disse ao Jerusalem Post que embora a rede cristã não possa parar o processo nesta fase, “[eles] planejam reunir-se com eles para aprofundar o diálogo”.