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Dois cristãos libertados de prisão após trabalho forçado no Irã

Ahmad Sarparast e Ayoob Poor-Rezazadeh. (Foto: Article 18)
Ahmad Sarparast e Ayoob Poor-Rezazadeh. (Foto: Article 18)

Dois cristãos iranianos, membros de igrejas domésticas, foram libertados da prisão em maio de 2026, após cumprirem suas sentenças. Ahmad Sarparast e Ayoob Poor-Rezazadeh, detidos em setembro de 2021, foram soltos após um período que incluiu prisão e trabalho forçado. A organização Article 18 monitorou o caso e relatou os detalhes da libertação e das condições impostas aos detentos.

Eles foram acusados de “envolvimento em propaganda desviante contrária à sagrada religião do Islã” e “conexões com líderes estrangeiros”. Inicialmente condenados a cinco anos de prisão em 2022, a sentença de Morteza Mashoodkari, detido junto com eles, foi reduzida, resultando em sua libertação em dezembro de 2024. Ahmad e Ayoob, por sua vez, foram transferidos para o “regime aberto”, uma modalidade que permite que cumpram o restante de suas penas fora dos muros da prisão, mas sob imposição de trabalho forçado.

Trabalho forçado e liberdade condicional

Pelos dois anos e meio seguintes à sua detenção, Ahmad e Ayoob foram obrigados a trabalhar em fábricas locais sem receber qualquer remuneração. Somente em maio de 2026 as autoridades informaram que suas sentenças haviam sido concluídas, permitindo sua libertação total. No total, eles enfrentaram mais de um ano e meio de reclusão e suportaram dois anos e meio de trabalho forçado não remunerado.

A detenção e condenação de Ahmad, Ayoob e Morteza representaram um marco, pois foram alguns dos primeiros membros de igrejas domésticas a serem sentenciados sob as emendas de 2021 ao Artigo 500 do código penal islâmico iraniano. Durante o processo judicial, os acusados defenderam-se afirmando que eram “apenas cristãos adorando segundo a Bíblia” e que não haviam se envolvido em nenhuma atividade contrária ao regime ou à segurança nacional.

Perseguição religiosa no Irã

O Irã é um país predominantemente muçulmano, onde o governo islâmico impõe restrições severas à prática cristã, proibindo igrejas, a distribuição de Bíblias e o evangelismo. Cristãos, especialmente aqueles que renunciaram ao Islã para seguir Cristo, enfrentam prisão e tortura, visto que a apostasia é proibida pela lei islâmica (Sharia). Apesar desse cenário, a igreja secreta no país demonstra crescimento, conforme indicado em relatórios. O Irã figura na 10ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas, evidenciando o contínuo desafio enfrentado pelos cristãos na região.

Folha Gospel com informações de Article 18

Steven Spielberg diz que novo filme pode levar cristãos a questionarem a fé

O filme “Dia D” narra a divulgação de segredos do governo sobre a existência de aliens. (Foto: Wikimedia Commons/Gage Skidmore/Divulgação/ Universal Studios)
O filme “Dia D” narra a divulgação de segredos do governo sobre a existência de aliens. (Foto: Wikimedia Commons/Gage Skidmore/Divulgação/ Universal Studios)

O cineasta Steven Spielberg especula que seu próximo lançamento, intitulado “Dia D” (Disclosure Day), tem potencial para levar fiéis cristãos a questionarem seus alicerces de fé. O longa-metragem, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (11), narra a história de uma meteorologista e um especialista em cibersegurança que desvendam um esquema governamental de ocultação de evidências sobre a existência de vida fora da Terra.

Durante sua participação no programa “CBS News Sunday Morning”, Spielberg detalhou a hipótese de que a descoberta de vida extraterrestre poderia gerar um choque profundo na sociedade. “Tem um grupo no filme que defende que as pessoas ficariam em choque se essa verdade viesse à tona da noite para o dia. Se o governo simplesmente anunciasse: ‘Sim, nós estamos escondendo isso de vocês desde 1947’, isso afetaria muita gente”, observou o diretor.

Spielberg destacou ainda que uma das personagens centrais do filme é uma ex-freira católica, o que levanta questões teológicas sobre a natureza da divindade e sua relação com o universo. “O que isso faz com as crenças fundamentais que muitos de nós temos? Deus está apenas neste planeta, ou Deus é um Deus para todo sistema onde há civilização, vida inteligente e até vida em desenvolvimento?”, questionou o cineasta.

Esta não é a primeira incursão de Spielberg no universo de OVNIs e alienígenas; filmes como “E.T.”, “Guerra dos Mundos” e “Indiana Jones” já exploraram o tema. O diretor reiterou em entrevistas recentes sua convicção de que extraterrestres já visitaram o planeta. “Com base nas provas circunstanciais de tudo o que recolhi ao longo da vida, em todas as pessoas que ouvi, em todos os documentários que vi e em todos os testemunhos no Congresso a que prestei atenção, acho absolutamente que já estiveram aqui e que continuam aqui”, declarou.

O debate sobre fenômenos anômalos e vida extraterrestre ganhou força recentemente com a divulgação de arquivos sobre Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs), agora oficialmente chamados de Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs), pelo governo dos Estados Unidos. Esses documentos incluem vídeos, fotografias e relatórios militares, mas autoridades americanas afirmam que nenhum deles comprova oficialmente a existência de civilizações alienígenas.

Em contrapartida, algumas lideranças cristãs têm interpretado esses fenômenos como manifestações demoníacas. O pastor Josh Howerton, da Lakepointe Church, no Texas, sugere que muitos avistamentos de OVNIs são, na verdade, demônios, citando passagens bíblicas que descrevem Satanás como “o príncipe das potestades do ar”. Ele mencionou relatos de pessoas que afirmam ter encerrado supostos contatos alienígenas ao invocarem o nome de Jesus.

O ex-astronauta da NASA, Charlie Duke, também expressou ceticismo em relação à vida extraterrestre, argumentando que tais aparições são enganos. “Eu não acredito. Deus me mostrou uma resposta científica durante duas orações de que [os aliens] são demônios que farão uma aparição. Eles são reais, a Bíblia diz que Satanás pode aparecer como um anjo de luz”, comentou. Para Duke, o objetivo dessas aparições seria desviar a humanidade da fé em Deus, promovendo uma distração com supostas capacidades sobre-humanas de seres alienígenas.

Folha Gospel com informações de Guia-me, The Christian Post e Euronews

Pregador é pressionado a encerrar reuniões de oração online na China

Bandeira da China em Shanghai (Foto: Canva Pro)
Bandeira da China em Shanghai (Foto: Canva Pro)

Um pregador cristão da província de Yunnan, no sudoeste da China, foi notificado pelas autoridades locais para interromper reuniões de oração online realizadas através da plataforma Zoom. A ação foi motivada pela acusação de que o pregador estaria conduzindo atividades religiosas consideradas ilegais pelas regulamentações vigentes no país. A notificação foi entregue na residência de Chang Hao por sete representantes do Departamento de Assuntos Étnicos e Religiosos e outras autoridades na última quarta-feira (3).

Segundo o comunicado oficial, as atividades de Chang foram classificadas como ilegais por envolverem o ensino da doutrina cristã e a organização de encontros de oração, configurando uma violação dos Regulamentos da China sobre Assuntos Religiosos. A organização China Aid reportou que o documento entregue ao pregador exigia a cessação imediata das reuniões online e alertava para possíveis punições administrativas ou até mesmo investigações criminais em caso de descumprimento.

Durante a abordagem, os agentes apresentaram evidências, incluindo capturas de tela de uma das reuniões virtuais. O encontro em questão integrava a iniciativa “17h na China – Reunião de Oração do Reino”, um projeto que congrega cristãos de diversas partes do país diariamente para interceder por crentes que estão presos ou detidos. Chang relatou que cinco viaturas policiais compareceram à sua casa e que tanto ele quanto os agentes registraram a interação, ele com fotos e vídeos, e os agentes gravando a conversa.

A repercussão do caso se estendeu para a esfera digital, com a conta do pregador no WeChat sendo restringida no dia seguinte à notificação. Em resposta à medida, Chang contestou publicamente a decisão, declarando que sua fé não constitui crime e não viola a Constituição da República Popular da China nem a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ele também defendeu o direito dos cidadãos de recusar o cumprimento de leis consideradas injustas por entrarem em conflito com a constituição e o direito internacional.

Chang Hao possui um histórico de ativismo em defesa da liberdade religiosa e dos direitos de grupos vulneráveis, o que já o colocou em confronto com as autoridades chinesas anteriormente. Com deficiências física e psicológica, ele já foi objeto de investigações e pressões por sua atuação religiosa. Em abril de 2023, chegou a ser detido após publicar comentários sobre liberdade religiosa e assuntos públicos na internet, sendo posteriormente condenado a um ano e dois meses de prisão, período em que sua saúde se deteriorou consideravelmente. Após sua libertação em junho de 2024, Chang retomou suas atividades ministeriais, incluindo iniciativas evangelísticas presenciais e online.

O recente aviso sobre as reuniões de pregação e oração no Zoom indicam que as autoridades continuaram a monitorar suas atividades, conforme informado pela China Aid. O caso tem gerado preocupação entre organizações cristãs e grupos de direitos humanos, tanto na China quanto internacionalmente, que temem novas restrições ou ações legais contra os participantes da rede de oração.

Folha Gospel com informações de Guia-me e China Aid

Mais de 160 igrejas são destruídas ou usadas como quartéis no Sudão

Igrejas destruídos durante a guerra no Sudão. (Foto: Reprodução/CBN News)
Igrejas destruídos durante a guerra no Sudão. (Foto: Reprodução/CBN News)

A guerra civil em curso no Sudão, travada entre o exército e forças rebeldes, já resultou na destruição ou transformação em quartéis de mais de 160 igrejas, agravando a pior crise humanitária da região nos últimos anos. O conflito, que se intensificou desde 2023 após um golpe militar em 2021, causou entre 60 mil e 400 mil mortes, forçando de 12 a 14 milhões de pessoas a deixarem suas casas. A situação é marcada pela fome severa, que afeta cerca de 20 milhões de sudaneses, e pelo colapso econômico.

A população civil tem sido a principal vítima da violência. Cristãos, mulheres e crianças figuram entre os grupos mais vulneráveis, expostos a ataques sexuais e ao recrutamento forçado como crianças-soldado. Ryan Brown, CEO da Portas Abertas dos Estados Unidos, destacou que “cristãos no meio dessa volatilidade costumam ser os últimos na fila” para receber ajuda ou encontrar refúgio seguro.

O Sudão figura na 4ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Portas Abertas, indicando ser um dos países mais desafiadores para cristãos. Segundo a organização, os ataques a fiéis aumentaram durante o conflito, expandindo-se para áreas urbanas antes consideradas refúgios seguros.

Igrejas Saqueadas e Transformadas em Bases Militares

O Departamento de Estado dos EUA reportou que mais de 160 templos foram danificados ou destruídos. Congregações foram saqueadas, confiscadas e até utilizadas como quartéis militares ou depósitos de armas por grupos armados. Em Cartum, combatentes das Forças de Apoio Rápido (RSF) invadiram a Igreja dos Mártires durante um culto, agredindo fiéis e roubando objetos de valor. Relatos indicam que o grupo cavou túmulos em busca de ouro e tentou sequestrar meninas de um orfanato, algumas com apenas 11 anos.

Um diácono da Igreja dos Mártires, Safein Nazer, relatou à CBN News ter confrontado os agressores, sofrendo um disparo na perna. Ele também descreveu a exigência de um veículo para transportar as órfãs. Apesar do sofrimento, Nazer afirmou que sua fé foi fortalecida, sentindo a “presença de Deus em meio à guerra e ao sofrimento”.

Perseguição Intensificada no Contexto de Vazio de Poder

Tanto o exército sudanês quanto as RSF são acusados de atacar igrejas e apreender propriedades religiosas. A crise humanitária é agravada pela instabilidade pós-golpe militar de 2021 e guerra civil de 2023. A Portas Abertas aponta que o restabelecimento de políticas cruéis e o uso de leis islâmicas para justificar conversões forçadas anularam os avanços em liberdade religiosa conquistados após a queda do regime de al-Bashir.

O vazio de poder tem permitido que milícias de ambos os lados persigam cristãos impunemente, resultando em bombardeios, invasões e uso de igrejas como bases. Cristãos enfrentam discriminação em diversas esferas, e convertidos do islamismo vivem sob constante medo, isolamento e rejeição familiar. Líderes religiosos e cristãos estrangeiros têm sido alvo de prisões injustas com frequência crescente.

Folha Gospel com informações de CBN News

Religião e fé prolongam vidas em até 7 anos, revela estudo abrangente

Idosos orando em uma igreja (Foto: Canva Pro)
Idosos orando em uma igreja (Foto: Canva Pro)

Um amplo estudo científico compilado pelo Wheatley Institute da Brigham Young University, intitulado “A Conexão entre Religião e Saúde Física: O Que Revela a Melhor Ciência?”, demonstrou que o envolvimento em comunidades religiosas e a presença de fé contribuem para um aumento significativo na longevidade. A pesquisa, que revisou mil estudos sobre fé e saúde, apontou que a frequência em cultos religiosos pode adicionar em média 7,6 anos à expectativa de vida.

A análise abrangeu 876 pesquisas que concluíram pela existência de benefícios da religião para a saúde, enquanto apenas… (Continue lendo clicando aqui)

Janja chama Malafaia de “insignificante” e pastor reage com críticas ao PT

Janja e Malafaia (Foto: Reprodução)
Janja e Malafaia (Foto: Reprodução)

Uma troca de declarações entre a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e o pastor Silas Malafaia elevou a temperatura do debate entre governo e lideranças evangélicas. O episódio começou durante o 4º Encontro Nacional de Evangélicos do PT, em Brasília, e teve continuidade nas redes sociais e na imprensa, após respostas contundentes de ambos os lados.

Durante o evento promovido pelo partido, Janja reagiu a críticas feitas anteriormente por Malafaia sobre os encontros que ela realiza com mulheres evangélicas desde 2025. Segundo a primeira-dama, o pastor teria desqualificado as participantes dessas reuniões. Ao responder, afirmou: “Ele teve a cara de pau de ir em uma rede social e falar que eu estava conversando com mulheres insignificantes. Insignificante é ele, porque toda mulher, para mim, é importante.”

A primeira-dama também defendeu uma presença maior de lideranças religiosas alinhadas ao campo progressista dentro das igrejas. Em seu discurso, argumentou que esse grupo precisa ampliar sua atuação para disputar espaço de influência e diálogo com os fiéis. Janja afirmou que pastores e pastoras progressistas deveriam se manifestar mais publicamente e relatou o caso de uma líder religiosa que, segundo ela, teria sido expulsa de sua congregação após participar de um de seus encontros.

Outro trecho que chamou atenção foi quando Janja declarou que a disputa de narrativas precisa ocorrer também no ambiente religioso. Segundo ela, setores progressistas não podem abandonar esse espaço. “Se a gente não usar [as igrejas] dessa forma, eles usam”, afirmou durante o encontro partidário.

Malafaia reage e acusa PT de distorcer suas declarações

A resposta de Malafaia veio poucas horas depois. O pastor afirmou que Janja distorceu suas palavras e negou ter chamado as mulheres evangélicas que participam dos encontros da primeira-dama de “insignificantes”. Segundo ele, suas críticas eram direcionadas à relevância política dos eventos, e não às participantes.

Em tom duro, o líder evangélico acusou integrantes do PT de propagarem informações falsas. “Essa gente do PT tem o demônio da mentira”, declarou ao comentar as falas da primeira-dama.

Malafaia também ironizou o fato de Janja classificá-lo como “insignificante” enquanto o mencionava em um evento nacional do partido. Em entrevista, afirmou: “Se eu sou insignificante, não era para falar de mim. [Se estão falando, significa que eu estou incomodando]”.

Disputa pelo eleitorado evangélico

O episódio ocorre em um contexto de crescente disputa pelo eleitorado evangélico, considerado estratégico para as eleições de 2026. Nos últimos anos, o governo Lula e integrantes do PT têm intensificado iniciativas de aproximação com lideranças e comunidades evangélicas, buscando reduzir a resistência que o partido enfrenta em parte desse segmento religioso.

Ao mesmo tempo, lideranças conservadoras como Malafaia continuam exercendo forte influência política e religiosa, especialmente entre setores alinhados à direita. O embate entre a primeira-dama e o pastor acabou refletindo essa disputa mais ampla por espaço, narrativa e representatividade dentro do universo evangélico brasileiro.

Embora as declarações tenham provocado repercussão nas redes sociais e no meio político, o episódio também evidenciou o papel cada vez mais central que a pauta religiosa ocupa no debate público nacional, especialmente às vésperas de mais um ciclo eleitoral.

Folha Gospel com informações de Gazeta do Povo, CNN e Folha de S. Paulo

Organização Nations United prepara igrejas para a evangelização durante a Copa do Mundo 2026

Taça da Copa do Mundo (Foto: Reprodução/Unsplash)
Taça da Copa do Mundo (Foto: Reprodução/Unsplash)

Equipes de futebol e torcedores de todo o mundo estão chegando a 16 cidades nos Estados Unidos, Canadá e México, já que a Copa do Mundo masculina da FIFA, ampliada para 48 seleções, está programada para começar amanhã, 11 de junho.

Enquanto milhões acompanham de perto o jogo, uma grande coalizão de igrejas e organizações evangélicas vê o torneio como uma oportunidade histórica para compartilhar o evangelho. Operando sob a bandeira da Nations United, uma iniciativa lançada pelo North American Sport Movement em 2020, a coalizão está mobilizando congregações locais para usar o torneio como uma oportunidade de evangelização.

O site da organização oferece recursos personalizados para ajudar as igrejas locais a lançarem projetos comunitários com foco em esportes, iniciativas de acolhimento e eventos para assistir a jogos.

Dan Williams, líder e mentor da Nations United, prevê uma estratégia evangelística altamente coordenada, com igrejas e organizações missionárias unindo-se para o evento que durará um mês.

“Estamos colaborando com diversas cidades da América do Norte que estão lançando suas iniciativas”, disse Williams, observando que as próximas duas semanas serão cruciais, pois as equipes locais estão colocando seus planos em prática.

Na Geórgia, uma equipe de assistência social viajará em breve por todo o estado para auxiliar as congregações locais. A Junta de Missões Batistas da Geórgia, que representa 5.000 igrejas batistas do sul, adaptou os materiais da coalizão para lançar sua própria “Missão Geórgia para a Copa do Mundo”, com total apoio da Nations United.

“A Nations United existe para unir e capacitar a Igreja em toda a América do Norte a fazer discípulos entre as nações por meio do esporte, do lazer, da hospitalidade e do trabalho comunitário”, disse Williams.

“Com a Copa do Mundo de 2026 e as Olimpíadas de 2028 chegando à nossa região, acreditamos que Deus colocou uma oportunidade histórica à nossa porta. As nações não estão mais apenas do outro lado do mundo; elas estão do outro lado da rua.”

Williams explicou que a visão de longo prazo exige que igrejas, ministérios e líderes locais construam “equipes de discipulado” sustentáveis ​​nos três países anfitriões.

“Essas equipes usarão grandes eventos esportivos como uma ponte para construir relacionamentos, proclamar o Evangelho, servir às comunidades e criar caminhos contínuos para que as pessoas sigam a Jesus”, disse Williams. “A Copa do Mundo é um momento. Fazer discípulos é a missão.”

Os primeiros resultados já começam a aparecer. No último fim de semana, uma iniciativa municipal chamada Winning Houston lançou um torneio “Copa das Nações”, um evento de divulgação inspirado no Nations United, que contou com o que os organizadores descreveram como o maior gol de futebol do mundo.

O alcance do movimento vai muito além da América do Norte. Williams também está apoiando duas estações de rádio cristãs na África do Sul, desenvolvendo um plano de conteúdo para a Copa do Mundo com duração de 39 dias, incluindo testemunhos de atletas, histórias de ministério e recursos para divulgação.

Outras organizações, como o ministério Victory: Beyond the Cup, inspiraram-se na estrutura da Nations United, mas optaram por operar de forma independente em vez de se alinharem formalmente à coalizão. Williams acolhe com satisfação a adoção ampla e orgânica da estratégia.

“Consideramos um privilégio tê-los ajudado a avançar”, disse Williams. “Não buscamos reconhecimento; buscamos a multiplicação por meio da formação de discípulos. Acreditamos que todas essas experiências em 2026 estão nos preparando para 2028, enquanto buscamos concretizar nossa visão como Nações Unidas.”

Folha Gospel com informações de Christian Daily

Eleições 2026: PT critica uso eleitoral da religião em carta direcionada aos evangélicos

Presidente Lula recebe oração de grupo de evangélicos (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Presidente Lula recebe oração de grupo de evangélicos (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O Partido dos Trabalhadores (PT) lançou nesta segunda-feira (9) uma carta direcionada aos evangélicos brasileiros na qual busca fortalecer o diálogo com o segmento religioso, rejeita acusações de que seus governos tenham atuado contra as igrejas e faz críticas ao uso eleitoral da fé. O documento foi divulgado em meio às movimentações políticas para as eleições de 2026 e representa uma nova tentativa da legenda de reduzir a resistência que ainda enfrenta entre parte do eleitorado evangélico.

Leia a íntegra da carta no final da matéria.

No texto, o partido afirma que os governos petistas jamais adotaram medidas para restringir a atuação das igrejas ou limitar a liberdade religiosa. A carta sustenta que, durante as administrações de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, foram preservidos os direitos constitucionais relacionados à liberdade de culto e de crença, além da autonomia das instituições religiosas.

“O Estado brasileiro é laico, mas não é antirreligioso”, afirma o documento, ao defender a convivência harmoniosa entre diferentes expressões de fé e a atuação das igrejas na sociedade.

Críticas ao uso eleitoral da religião

Um dos principais pontos da carta é a crítica à utilização da fé como instrumento de disputa política. Sem citar diretamente adversários, o PT afirma que símbolos religiosos, púlpitos e lideranças têm sido usados para promover interesses eleitorais e partidários.

Segundo o texto, a instrumentalização da religião para fins políticos acaba prejudicando tanto o debate democrático quanto o papel espiritual das igrejas.

A legenda afirma que a fé não deve ser transformada em ferramenta de manipulação eleitoral nem utilizada para disseminar medo, desinformação ou divisões dentro das comunidades religiosas.

Em um dos trechos mais destacados, o partido condena o que chama de “manipulação política da fé” e afirma que valores religiosos não podem ser apropriados por grupos políticos específicos.

Defesa da liberdade religiosa

A carta também enfatiza que o PT reconhece a importância das igrejas evangélicas na vida social brasileira. O documento destaca o trabalho realizado por comunidades religiosas em áreas como assistência social, recuperação de dependentes químicos, apoio a famílias vulneráveis e promoção de ações comunitárias.

Além disso, o partido afirma defender a liberdade religiosa para todas as crenças e reforça que a Constituição garante a livre manifestação da fé.

Segundo o texto, governos petistas mantiveram diálogo institucional com diferentes segmentos religiosos, incluindo evangélicos, católicos, judeus, espíritas e representantes de religiões de matriz africana.

Aproximação com o eleitorado evangélico

A divulgação da carta ocorre em um momento em que partidos e lideranças políticas buscam ampliar sua presença junto ao eleitorado evangélico, considerado um dos grupos mais influentes do cenário político nacional.

Pesquisas eleitorais dos últimos anos têm mostrado que o PT enfrenta dificuldades históricas nesse segmento, especialmente após a consolidação de lideranças conservadoras e de direita entre parte significativa das igrejas evangélicas.

Nos bastidores, integrantes do partido avaliam que existe uma percepção negativa construída ao longo dos anos sobre a relação entre o PT e os evangélicos. A carta procura justamente responder a essas críticas e apresentar uma versão diferente da narrativa frequentemente difundida em campanhas eleitorais.

Reação ao discurso de perseguição às igrejas

Outro objetivo do documento é combater a ideia de que governos petistas teriam promovido perseguição religiosa ou ameaçado a liberdade das igrejas.

A carta afirma que “os governos do PT nunca se opuseram às igrejas” e argumenta que diversas acusações feitas ao longo dos anos foram construídas a partir de desinformação e discursos políticos.

O texto também destaca que a legenda respeita a autonomia das instituições religiosas e reconhece o papel desempenhado por igrejas evangélicas em comunidades de todo o país.

Estratégia para 2026

Analistas políticos veem a iniciativa como parte da estratégia do partido para ampliar o diálogo com setores religiosos antes das eleições presidenciais de 2026. O crescimento da população evangélica nas últimas décadas transformou esse grupo em um dos principais alvos das campanhas eleitorais.

Ao divulgar a carta, o PT busca demonstrar abertura ao diálogo com os evangélicos, ao mesmo tempo em que tenta se diferenciar de discursos que associam religião a projetos políticos específicos.

A repercussão do documento deverá ser acompanhada de perto por lideranças religiosas e partidos políticos, especialmente diante da importância do voto evangélico nas próximas disputas eleitorais.

Leia a íntegra da carta:

‘Acreditamos em um Brasil onde a política esteja a serviço da vida’

Carta do IV Encontro Nacional do Núcleo Evangélico do Partido dos Trabalhadores

Este é o tipo de jejum que desejo: Soltem os que foram presos injustamente, aliviem as cargas de seus empregados. Libertem os oprimidos, removam as correntes que prendem as pessoas. Repartam seu alimento com os famintos, ofereçam abrigo aos que não têm casa. Deem roupas aos que precisam, não se escondam dos que carecem de ajuda. 

Isaías 58:6-7

Graça e paz!

Nós, evangélicas e evangélicos de todos os Estados e do Distrito Federal, reunidos em Brasília no IV Encontro Nacional de Evangélicos do Partido dos Trabalhadores, nos dirigimos ao povo brasileiro movidos pela fé, pela esperança e pelo compromisso com a construção de um Brasil mais justo, democrático, solidário e fraterno.

Reconhecemos que os evangélicos brasileiros são diversos, pensam de formas diferentes e exercem sua cidadania com liberdade de consciência. Refutando a imagem de que formamos um bloco político único, este encontro não pretende falar em nome de todas as denominações, mas expressar a reflexão de um segmento que, a partir de sua fé, defende a democracia, a justiça social e o bem comum. Por isso, rejeitamos toda tentativa de transformar a religião em instrumento de manipulação política, e denunciamos aqueles que usam do Evangelho como negócio.

A religião pura e imaculada para com Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo. (Tiago 1:27)

Somos parte da vida cotidiana do nosso país. Estamos presentes nas periferias, nos campos, nas cidades, nas escolas, universidades, locais de trabalho, movimentos sociais e igrejas espalhadas por todo o Brasil. Compartilhamos as mesmas alegrias, preocupações e esperanças do povo brasileiro. E, por isso, defendemos a ampliação e aprofundamento de políticas públicas que tem feito diferença na vida do povo brasileiro, como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Brasil Sorridente, as Cozinhas Solidárias, a Nova Indústria Brasil, o Pé de Meia, o Gás do Povo, a Farmácia Popular, o Agora Tem Especialistas, o Sistema Único de Saúde (SUS), a Reforma do Imposto de Renda – isentando quem ganha até R$5 mil -, a Política Nacional de Cuidados, o Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio, entre muitas outras medidas.

Entendemos que a fé cristã nos chama à oração e ao compromisso concreto com a vida, a justiça, a reconciliação, a paz e o cuidado da criação. A defesa da democracia, da justiça social, da Reforma Agrária; o enfrentamento à fome, a valorização do trabalho, a proteção dos mais vulneráveis fazem parte da mensagem de Jesus e da melhor tradição evangélica. Defendemos o fim da escala 6×1, o que representa qualidade de vida para os trabalhadores e trabalhadoras, além da defesa de um maior tempo de convivência familiar, essencial para a saúde mental e a organização do lar.  

Reconhecemos também o papel das igrejas, das organizações comunitárias e das iniciativas de solidariedade que atuam diariamente nos territórios, periferias, campos e comunidades de todo o Brasil. São ações que promovem acolhimento, cuidado, esperança e fortalecimento dos vínculos sociais. 

Nossa fé nos ensina que não podemos ser indiferentes ao sofrimento humano. Seguir Jesus Cristo significa cuidar da vida, promover a justiça, praticar a solidariedade e defender a dignidade de todas as pessoas.

Acreditamos que desenvolvimento econômico e justiça social devem caminhar juntos. Também entendemos que o desenvolvimento do Brasil precisa estar comprometido com a proteção do meio ambiente, o cuidado com a criação e a preservação das águas, das florestas e da biodiversidade. Cuidar da Casa Comum é cuidar do presente e das futuras gerações.

Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. (Mateus 5:9)

Reconhecemos que a violência é uma das maiores preocupações do povo brasileiro. Defendemos políticas de segurança pública capazes de enfrentar o crime organizado, proteger as famílias, apoiar as vítimas da violência, fortalecer as instituições de segurança pública e promover uma cultura de paz, sempre com respeito à vida, aos direitos humanos e à dignidade da pessoa humana.

Defendemos de forma especial o enfrentamento de toda violência contra as mulheres e a promoção de relações baseadas no respeito, na igualdade e na dignidade.

Defendemos uma sociedade que proteja crianças, mulheres, idosos, pessoas com deficiência, povos indígenas, comunidades tradicionais e todos os grupos historicamente vulneráveis ou excluídos. Acreditamos que uma nação mais justa é aquela que cuida especialmente daqueles que mais precisam de proteção e oportunidades e se opões a toda forma de discriminação, intolerância e racismo.

Defendemos a democracia e a soberania nacional como valores fundamentais da vida brasileira. A democracia garante direitos, protege liberdades, assegura a participação popular e permite a convivência respeitosa entre diferentes opiniões, crenças e visões de mundo. A soberania fortalece a capacidade do povo brasileiro de decidir seu próprio destino, proteger seus recursos estratégicos e construir um projeto de desenvolvimento comprometido com a justiça social e o bem comum. Defendemos igualmente a liberdade religiosa, princípio essencial para que todas as pessoas possam viver sua fé ou suas convicções com dignidade, respeito e liberdade.

Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros. (Efésios 4:25)

Manifestamos preocupação com a disseminação de notícias falsas, discursos de ódio e tentativas de manipulação da fé para fins políticos ou econômicos. O Evangelho nos chama à verdade, à honestidade e à responsabilidade. A religião não deve ser utilizada para dividir o povo brasileiro, mas para promover esperança, solidariedade e compromisso com o bem comum. 

Nossa comunicação se fundamenta no respeito, no amor ao próximo e no compromisso com a verdade. Em nossas Igrejas, nossos irmãos e irmãs, precisam ter um amplo acesso às informações para que, como os cristãos de Bereia, possam examinar e verificar onde está a verdade. Como evangélicos afirmamos o nosso compromisso em compartilhar essas informações, utilizando as redes sociais de forma responsável, educativa e em diálogo com as particularidades denominacionais, geracionais e regionais. 

Os governos do PT atuaram sempre de forma respeitosa e laica, defendendo o respeito a diversidade e a liberdade religiosa. Foi com o presidente Lula que foram sancionadas leis que garantem o direito de livre culto e a criação de igrejas. Ele também assinou decretos para o reconhecimento da música gospel como cultura e patrimônio nacional, além de instituir o Dia Nacional da Música Gospel, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa e o Dia Nacional da Marcha para Jesus. Os governos do PT nunca se opuseram às igrejas, sempre tiveram uma postura de respeito e de reconhecimento da importância e do papel da Igreja Evangélica. 

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos (1 Pedro 1:3)

Como evangélicas e evangélicos comprometidos com esses valores, reconhecemos os avanços alcançados pelo Brasil na reconstrução de políticas públicas, na geração de empregos, na redução da fome, na valorização da educação e da saúde e na ampliação das oportunidades para a população. Ao mesmo tempo, sabemos que ainda há muito a fazer para garantir plenamente os direitos sociais e elevar a qualidade de vida do povo brasileiro.

Como participantes de um encontro que refletiu sobre os desafios do Brasil e das eleições de 2026, entendemos que a participação política responsável faz parte do exercício da cidadania e do compromisso democrático. Por isso, estimulamos a presença ativa das evangélicas e dos evangélicos nos debates públicos, na formulação de propostas e na construção dos caminhos que definirão o futuro do país.

Nesse primeiro momento salientamos os seguintes tópicos para o plano de governo:

– Ampliação das políticas públicas voltadas a saúde integral da mulher, enfrentamento à violência e que tenha como foco em seu cuidado e acolhimento em relação à sua saúde física e mental.

– A questão das terras raras precisa ter como norte o desenvolvimento local e regional, a partir dos conhecimentos e estratégias existentes nas Universidades, Institutos e no território, visando o desenvolvimento social e a nossa soberania nacional.

– Em relação ao campo, defende-se o fortalecimento de políticas voltadas à agricultura familiar, como a política de Reforma Agrária, o PAA e o Plano Safra. Também salientamos a necessidade de ampliação dos quintais produtivos, com prioridade para as camponesas. Além de políticas voltadas para a irrigação de pequenas propriedades e fortalecimento da educação no campo, com creches e escolas de educação de tempo integral na zona rural.

– Criação de políticas voltadas para a juventude, com foco no primeiro emprego.

– Fortalecimento das políticas para pessoas com deficiência, com foco em ações de cuidado integral e de geração de renda.

– Garantia do acesso da população negra ao sistema de justiça.

Ao avaliarmos os desafios que permanecem e os avanços já conquistados, entendemos que o Brasil precisa continuar avançando. A redução das desigualdades, a valorização do trabalho, o fortalecimento dos serviços públicos, a proteção ambiental, a promoção da cultura de paz e a ampliação das oportunidades para o povo brasileiro exigem continuidade, compromisso democrático e participação popular.

Acreditamos que a esperança não é apenas um sentimento individual. A esperança popular se constrói coletivamente quando o povo participa da vida pública, amplia direitos, fortalece a democracia e trabalha para que ninguém seja deixado para trás.

Inspirados por esses valores, reafirmamos nosso compromisso com a construção de um Brasil mais justo, solidário e inclusivo. A partir de uma avaliação cidadã, democrática e programática dos desafios do país, dos avanços alcançados e das tarefas ainda necessárias para garantir direitos, reduzir desigualdades e ampliar oportunidades, manifestamos nosso apoio à continuidade do projeto democrático e popular liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este compromisso não nasce do uso eleitoral da fé, pois compartilhamos do entendimento do próprio presidente de que não se deve “tirar proveito político de uma coisa sagrada”.

À medida que nos aproximamos das eleições de 2026, convidamos as igrejas, lideranças religiosas, movimentos populares, organizações da sociedade civil e toda a população brasileira a participar do debate público com liberdade, responsabilidade, respeito e esperança.

Seguimos acreditando em um Brasil onde a fé caminhe ao lado da justiça, a política esteja a serviço da vida, a democracia seja fortalecida, a soberania nacional seja respeitada, a criação seja cuidada, a verdade prevaleça sobre a mentira e a esperança seja mais forte do que o medo.

Que Deus abençoe o povo brasileiro, fortaleça nossa democracia, nossa soberania, inspire nossas orações e ações em favor do próximo e nos conduza pelos caminhos da fé, da justiça, da paz, da esperança e do bem comum.

Brasília, 08 de junho de 2026.

IV Encontro Nacional de Evangélicos do Partido dos Trabalhadores

Folha Gospel com informações de UOL, CNN, Globo, Carta Capital e PT

Críticas à politização da Marcha para Jesus crescem em redes sociais, aponta levantamento

Flávio Bolsonaro participa da Marcha para Jesus 2026 em São Paulo (Foto: Reprodução)
Flávio Bolsonaro participa da Marcha para Jesus 2026 em São Paulo (Foto: Reprodução)

A participação de políticos na Marcha para Jesus deste ano gerou reações majoritariamente negativas entre usuários de redes sociais, aponta levantamento da Ativaweb DataLab. A análise de mais de 17 milhões de manifestações nas primeiras 20 horas após o evento em São Paulo revelou um crescimento nas críticas à ligação entre religião e política.

Pesquisadores identificaram que a principal corrente de pensamento nas plataformas digitais foi a rejeição à mistura de fé e disputas eleitorais. Apesar de a Marcha para Jesus ser tradicionalmente uma manifestação de cunho religioso, grande parte das discussões online focou na presença de autoridades e pré-candidatos para 2026. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concentrou o maior volume de menções negativas, atingindo 51,9% do total, segundo os dados divulgados pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

Uma das frases que sintetizou o sentimento de desaprovação foi o questionamento “Marcha para Jesus ou Marcha para Bolsonaro?”, que circulou em diversas postagens. O questionamento criticava o protagonismo político em um evento originalmente dedicado à celebração religiosa. A análise sugere que uma parcela considerável do público expressou desconforto com o uso de discursos religiosos em contexto de campanha eleitoral.

Para os responsáveis pela pesquisa, o debate evidenciou que parte do público evangélico e frequentadores de redes sociais passou a debater abertamente os limites entre crença e atuação político-partidária. Flávio Bolsonaro não apenas teve a maior exposição digital, mas também o maior índice de rejeição. Parte dessa repercussão negativa está ligada a declarações do senador no evento, como a afirmação sobre uma “guerra espiritual” e a expulsão do mal do governo.

Em contrapartida, o advogado-geral da União, Jorge Messias, obteve um desempenho positivo nas redes sociais, com 48,6% de menções favoráveis e apenas 15,6% negativas. O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, registrou o melhor índice entre os monitorados, com 52,1% de referências positivas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, manteve uma posição considerada estável, sem grandes picos de aprovação ou rejeição, preservando uma imagem menos polarizada.

Outro ponto destacado pela Ativaweb DataLab foi a repercussão da ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marcha para Jesus. Parte dos usuários interpretou a decisão como um sinal de respeito ao princípio do Estado laico, avaliando-a positivamente. A pesquisa conclui que o levantamento aponta para uma mudança no debate público envolvendo o segmento evangélico, indicando que a população conectada está discutindo mais ativamente os limites entre religião e política, um tema que deve seguir central nas discussões à medida que o país se aproxima do próximo ciclo eleitoral.

Com informações de Comunhão e Folha de S.Paulo

Papa Leão 14 diz que abusos sexuais na Igreja Católica são praga e pede reparação às vítimas

Papa Leão 14 (Foto: Vatican Media)
Papa Leão 14 (Foto: Vatican Media)

O papa Leão 14 declarou nesta segunda-feira (8) que os abusos sexuais perpetrados por membros do clero representam uma praga para a Igreja Católica. Durante um encontro com bispos da Espanha, o pontífice solicitou uma resposta baseada em “escuta, verdade, justiça e reparação” para os indivíduos que sofreram com tais atos. A fala ocorre em meio a críticas de ativistas que apontam uma atuação insuficiente da Igreja para lidar com o problema.

“Uma das experiências mais dolorosas é encontrar aqueles que foram feridos precisamente por quem deveria cuidar deles, incluindo membros do clero”, expressou o papa. Ele enfatizou que toda pessoa prejudicada deve encontrar na Igreja “escuta sincera, acolhimento, proteção e caminhos reais para a cura”. O sumo pontífice também defendeu um empenho maior em medidas preventivas e na construção de uma cultura que proteja crianças e pessoas vulneráveis.

Considerada a referência mais direta do pontífice ao escândalo de abusos clericais na Espanha, a declaração surge em um país onde denúncias de violência sexual por religiosos têm abalado a credibilidade da Igreja nas últimas décadas, segundo analistas. “Diante dessa praga, a comunidade eclesiástica é chamada a responder com escuta, verdade, justiça e reparação”, reiterou o papa. O Vaticano confirmou que Leão 14 se reuniria reservadamente com vítimas durante a visita.

A decisão de não divulgar detalhes da reunião com vítimas gerou críticas de associações de ativistas, que alegam não terem sido convidadas. Grupos de ativistas realizaram protestos em frente à Nunciatura Apostólica em Madri, denunciando o que chamam de falta de transparência e exigindo ações concretas, como atendimento psicológico contínuo, indenizações justas e apoio educacional e profissional às vítimas.

A extensão do problema na Espanha foi destacada em um relatório de 2023 do Defensor do Povo, que estima que mais de 200 mil menores podem ter sido vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero católico desde 1940. Em resposta à pressão, o governo espanhol e a Igreja firmaram um acordo em março deste ano para indenizar vítimas de crimes sexuais, após anos de resistência e acusações de pouca transparência por parte da hierarquia eclesiástica.

Em outra frente, o papa Leão 14 abordou a crise global em seu discurso ao Congresso espanhol, alertando sobre uma “profunda crise espiritual e cultural” marcada pelo aumento da violência, polarização e desconfiança. “O mundo atravessa uma profunda crise espiritual e cultural, que se manifesta em múltiplas formas de violência, polarização e desconfiança mútua”, afirmou.

A questão migratória também foi central em sua fala, com o pontífice defendendo uma resposta internacional coordenada, baseada em acolhimento, proteção e integração, argumentando que nenhum país pode lidar sozinho com os desafios. Ele alertou que a falha da comunidade internacional em gerenciar adequadamente o fenômeno migratório ameaça os alicerces éticos da ordem global e pediu o combate às causas que levam à migração em massa, como guerras e pobreza. O tema ganha relevância na Espanha, onde a rota das Ilhas Canárias se tornou uma entrada principal para migrantes na Europa, com milhares de mortes registradas em 2025 ao tentar cruzar o Atlântico.

Reforçando a posição tradicional da Igreja, Leão 14 reafirmou a defesa da vida desde a concepção, em um momento em que o governo espanhol discute a inclusão do direito ao aborto na Constituição. “Toda vida humana deve ser reconhecida e protegida, desde a concepção até seu fim natural”, declarou. A Espanha permite a eutanásia.

O papa tem agenda prevista para visitar Barcelona, onde abençoará a torre da Sagrada Família, tornando-a a igreja mais alta do mundo. A viagem concluirá com foco na migração nas Ilhas Canárias, com um encontro previsto com migrantes que arriscaram a vida em travessias marítimas vindos da África Ocidental.

Fonte: Folha de S. Paulo

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