Cathy Miller. (Foto: Captura de tela/YouTube TBC News)
A cristã Cathy Miller, proprietária da Tastries Bakery — uma confeitaria que fica em Bakersfield, na Califórnia — esteve envolvida numa ação legal quando se recusou a fazer um bolo de casamento para um casal de lésbicas.
Na ocasião, ela recomendou às duas mulheres que procurassem outra confeitaria e esclareceu sobre seus valores cristãos, afirmando que para ela o casamento deveria acontecer somente entre um homem e uma mulher.
Eileen e Mireya, no entanto, se sentiram “discriminadas” por causa de sua orientação sexual, e abriram um processo contra Cathy, em 2017, dizendo que ela estava “violando a Lei de Direitos Civis de Unruh”.
Em defesa da fé
Depois de “longos cinco anos”, um juiz do tribunal decidiu que “Cathy teve como única motivação agir de forma consistente com suas sinceras crenças cristãs sobre o que a Bíblia ensina sobre o casamento”, escreveu o juiz do condado de Kern, Eric Bradshaw, no veredicto.
“Espero que em nossa comunidade possamos crescer juntos para entender que não devemos pressionar nenhuma agenda contra mais ninguém”, disse Cathy.
Ainda de acordo com o juiz, conforme o Christian Post: “A motivação de Cathy não foi irracional ou arbitrária, nem enfatizou diferenças irrelevantes ou perpetuou estereótipos”, ele acrescentou.
Assediada por advogados da oposição
Através das redes sociais da confeitaria, Cathy agradeceu a todos os que oraram e a apoiaram durante esse período difícil. A Thomas More Society, que ajudou a confeiteira no processo, se referiu ao final do caso como “uma vitória da Primeira Emenda”.
“Há uma certa ironia nisso, que uma lei destinada a proteger os indivíduos da discriminação religiosa foi usada para discriminar Cathy por suas crenças religiosas”, disse Paul Jonna, conselheiro especial do escritório de advocacia.
“Cathy acredita na Bíblia”, observou Jonna, dizendo que a profissional foi “assediada por advogados da oposição por sua adesão aos seus ensinamentos”.
‘O Estado questionou suas crenças’
Em fevereiro, o procurador do Estado Gregory Mann perguntou a Cathy: “Você tenta seguir tudo o que a Bíblia diz?”. E ela respondeu: “Eu faço o meu melhor. Sou uma pecadora, mas faço o meu melhor”.
O procurador então a provocou: “Você segue as práticas alimentares do Antigo Testamento em termos de não comer porcos ou frutos do mar?”.
Jonna criticou a atitude do procurador, dizendo que o Estado questionou a sinceridade da fé de Cathy: “O fato de terem questionado suas crenças é tão perturbador quanto discutir sobre seu status como artista”.
Por outro lado, as duas lésbicas apontaram a decisão do juiz como “decepcionante” e retrucaram: “Antecipamos que nosso apelo terá um resultado diferente”.
Ditadura LGBT
Quando Eileen Del Rio, uma das reclamantes, escreveu sobre o incidente no Facebook em 2017, gerou uma enxurrada de críticas contra Cathy, tanto que ela teve que fechar temporariamente o site e a página da Tastries Bakery.
A Justiça chegou a pedir ao tribunal para emitir uma ordem de restrição contra a confeiteira e seu comércio, na tentativa de forçá-la a fazer bolos para casamentos gays, caso contrário não poderia mais continuar trabalhando.
“Minha consciência não permite que eu participe de certas atividades contrárias às minhas crenças bíblicas. Oro para que todos possamos chegar a um entendimento e que haja condições de nos darmos bem”, explicou Cathy na época.
Incomodados com a pressão política e hostilizados dentro da própria igreja, evangélicos que não apoiam o presidente Jair Bolsonaro (PL) têm deixado de frequentar os templos. O fenômeno ganhou impulso após a eleição de Bolsonaro, em 2018, e alcançou ainda mais força agora, na campanha para o segundo turno.
Eles dizem ter visto o púlpito ser usado para pedir votos ou para condenar opções políticas alinhadas com a esquerda. Quando se posicionam, acabam rejeitados ou são afastados de tarefas nos templos.
“O pastor começou o culto normalmente, falando de como criar filho, com amor, cuidado e respeito. Depois falou: ‘não deixa seu filho fazer o ‘L’ (sinal de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva) em casa, não'”, conta a professora Joana (nome fictício), que frequentava uma igreja pentecostal no Rio.
“Não voltei. Enquanto não acabar a eleição, não vou”, diz ela, de 43 anos. O desconforto começou ainda na pandemia, quando chegou a ouvir que máscaras e vacinas não funcionavam e que “a garantia era Deus”.
Depois, com a proximidade das eleições, ela e o marido viram a pregação política tomar conta do púlpito — em geral, ocorre no início ou no fim do culto e principalmente quando a cerimônia não é transmitida pela internet, segundo conta.
Na reta final das eleições, Bolsonaro tem buscado ainda mais apoio entre os evangélicos, onde já leva vantagem. O presidente tem visitado igrejas evangélicas às vésperas do segundo turno.
Já o oponente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta acenar para o setor: na semana passada, divulgou uma carta aos evangélicos com posicionamento contrário ao aborto e favorável à liberdade religiosa.
Segundo fiéis ouvidos pelo UOL, a “senha” na igreja para tentar convencer os eleitores é dizer que, em uma eventual vitória de Lula, os templos poderão ser fechados. Declarações sobre aborto também fazem parte da pregação.
“A gente não consegue ir a uma igreja em que não falem de política no fim do culto, em que não demonizem a esquerda”, diz a professora, que faz uma peregrinação de templo em templo em busca de algum lugar com neutralidade política.
Para ela, há idolatria a Bolsonaro, “como se ele fosse um Deus”.
E quem pensa o contrário acaba sendo escanteado. “Eles vão te colocando de lado, te tirando de cargos e funções”, diz ela. “Você não é bem vindo se não votar em Bolsonaro.”
O auxiliar administrativo Matheus Rocha, 23, de Iporã, no interior do Paraná, também sentiu o mesmo gelo na igreja pentecostal que frequentava.
“Em um domingo, o pastor falou que deveríamos votar em Bolsonaro para não sermos impedidos de pregar amanhã”, diz ele.
“Nesse dia, não fui ao culto e repostei (nas redes sociais), por acaso, uma publicação de um pastor e teólogo que acompanho e que não apoia o presidente. Quando os membros da igreja viram, acharam que eu estava afrontando meu pastor”, contou.
Rocha passou a ser confrontado pela igreja. Primeiramente, foi um parente do pastor. Depois, aos poucos, outros membros passaram a tratá-lo diferente, com frieza.
“O pessoal começou a não me cumprimentar com a ‘paz do Senhor’. Viraram a cara mesmo. A panelinha fechou e eu e minha esposa ficamos jogados para escanteio. Essa situação ficou insustentável ao ponto de eu não conseguir mais frequentar as reuniões.”
O pastor até procurou Rocha para uma conversa depois do primeiro turno, mas o tom não foi agradável, segundo ele.
“Ele falava que eu sofri uma lavagem cerebral. Queria mudar minha cabeça, como se eu tivesse de me arrepender da minha escolha política e disse que eu estava indo na contramão de toda a igreja”, contou.
Ao final do papo, Rocha foi desligado como membro da comunidade.
Os relatos são semelhantes aos de evangélicos de outras denominações e em várias cidades do país. Parte deles prefere não se identificar por medo de retaliações.
A auxiliar de escritório Gilda (nome fictício), de 39 anos, diz que desde criança frequentava uma igreja evangélica no bairro onde mora, em Belo Horizonte. Há um ano, o templo foi fechado depois que o pastor se opôs à presença de um candidato a deputado.
Ela até tentou frequentar outra igreja, mas não conseguiu porque o templo batista próximo de onde mora passou a ser dominado por pregação política. A mãe, evangélica fervorosa há décadas, também não tem ido à igreja por causa do alinhamento político.
“Se você é da esquerda, não vale nada”, diz ela. Gilda tem posicionamentos alinhados com os da igreja em alguns pontos, como ser contrária ao aborto, mas não defende Bolsonaro. “Falam que você não é crente.”
A faturista Mariana (nome fictício), de 32 anos, também foi tachada de “não crente” por amigos de uma igreja da qual se afastou quando publicou nas redes sociais uma mensagem de apoio a Lula nas eleições.
Amigos evangélicos de longa data e até o pastor deixaram de segui-la. O caso é relatado sob lágrimas — para evangélicos, estar em contato com outras pessoas dentro da igreja faz parte da fé.
“A gente sente a presença de Deus em todo lugar, mas é diferente quando está na igreja, com pessoas que ama”, diz ela, que frequenta o templo desde criança. “Sinto falta.”
Fiéis que deixaram suas igrejas por pressão política buscam templos em que a política partidária não entre na pregação.
O pastor Valdinei Ferreira, da primeira igreja presbiteriana independente de São Paulo, diz receber evangélicos que não se sentem mais acolhidos. Uma delas chegou a fazer uma manifestação por escrito contra o templo que frequentava anteriormente.
Ele afirma não tolerar campanha para nenhum candidato dentro do templo — por isso, a igreja atrai fiéis incomodados em outras denominações — mas também diz sofrer pressão.
“Recebi um telefonema de assessor dizendo que o candidato (a deputado) iria à igreja, se eu poderia chamá-lo à frente para fazer uma oração”, conta Ferreira. A reza seria para que fosse bem sucedido na campanha. Ele negou.
À espera do segundo turno
Enquanto alguns buscam outros templos, há evangélicos que pararam de frequentar qualquer igreja e esperam ser possível retomar o contato depois do segundo turno das eleições.
Demax Silva Sarmento, 42, por exemplo, não encontrou em Belém, onde mora com a família, uma comunidade que não replicasse o discurso político e moral que o incomodou.
O estopim para que deixasse a igreja batista foi algo chamado de “clamor pela nação” — que, na avaliação dele, soava como um clamor em prol de Bolsonaro.
“Era um discurso de medo, comunismo, fechamento de igrejas, aborto e esses temas. Eu me senti coagido dentro da minha própria comunidade.”
Por enquanto, ele pensa em voltar à igreja depois do fim das eleições e diz que não tem medo de sofrer algum tipo de represália. “Se ocorrer, com toda certeza sairei da comunidade.”
Emmaculate estava à beira da morte, quando foi curada por Deus. (Foto: Reprodução/YouTube/International Christian Concern).
Uma jovem foi espancada e demitida pelo seu empregador muçulmano, após aceitar Jesus, em Uganda.
De acordo com o International Christian Concern (ICC), uma organização que apoia cristãos perseguidos, Emmaculate trabalhava como empregada doméstica na casa de uma família muçulmana.
Ela ficou muito doente e seu chefe a ajudou, pagando consultas em vários médicos. Mas nenhum profissional pode identificar o que Emmaculate tinha.
Com o tempo, o estado de saúde da jovem piorou, ela não conseguiu mais trabalhar e ficou à beira da morte.
Sem esperanças, sua família, que também era islâmica, ouviu falar de um pastor local que seguia um Deus que tinha poder para curar.
Mesmo correndo riscos de perseguição da comunidade fundamentalista onde moram, a família de Emmaculate chamou o pastor para orar por ela.
Por medidas de segurança, o líder foi até a casa à noite, escondido. “O pastor ora e imediatamente ela consegue se sentar, se sentindo muito melhor. Em três dias, ela está de pé e andando”, testemunhou Jeff King, diretor da ICC.
Após viver o milagre, Emmaculate entregou sua vida a Cristo e se tornou sua seguidora.
“Este é um grande dia para mim porque o Senhor mudou minha vida de uma maneira que eu nunca imaginei ou orei. [Ele] sabe mais do que podemos pensar, e eu sou uma mulher abençoada por ver sua bondade em primeira mão”, declarou ela, ao ICC.
Cheia de saúde, a jovem voltou para o trabalho e contou seu testemunho ao patrão muçulmano.
Porém, ele ficou muito irritado com sua conversão, a espancou e a despediu devido a sua nova fé.
Desempregada, Emmaculate ganhou ajuda da International Christian para recomeçar a vida.
Como ela costumava arrumar o cabelo das amigas, a organização doou um espaço, com equipamentos, para a cristã abrir seu próprio salão de beleza.
Perseguição violenta em Uganda
Este é o mais recente ataque de muitos casos de perseguição a cristãos em Uganda. Embora a Constituição do país garanta a liberdade religiosa, incluindo o direito de propagar a própria fé e se converter a uma nova religião, muitos casos de hostilidade são registrados no país.
Os muçulmanos não representam mais de 12% da população de Uganda, com altas concentrações nas áreas orientais de Uganda.
Fonte: Guia-me com informações de International Christian Concern
Cristãos enlutados após um ataque na Nigéria. (Foto: International Christian Concern)
Pelo menos 20 cristãos foram degolados e vários outros sequestrados durante um ataque terrorista no início do mês em Kainama, um vilarejo da República Democrática do Congo.
O ataque aconteceu em 4 de outubro por extremistas da organização terrorista Forças Democráticas Aliadas (ADF), um grupo armado que opera na Uganda e no Congo.
De acordo com a organização International Christian Concern (ICC), um evangelista está entre os vinte cristãos decapitados.
Sobu Mundeke era evangelista da Igreja Anglicana do Congo e tinha viajado para Kainama em busca de comida para sua família, deslocada na cidade de Beni.
Uma das primeiras fontes ouvidas pela ICC relatou: “Me dói informar que perdemos 20 cristãos do campo de Banande-Kainama e nosso evangelista, Sobu Mundeke, é um deles. Seus corpos estão espalhados por todo lado e as casas foram incendiadas pelos rebeldes da ADF.”
“Sobu chegou semana passada de Beni em busca de comida para sua família; mal sabia ele que estava vindo para ser morto”, continuou a fonte. “Também confirmamos que outras pessoas estão desaparecidas e sabemos que foram levadas pelos combatentes muçulmanos”.
Sobu e sua família foram forçados a se deslocar em 28 de maio, depois que o grupo ADF invadiu a vila cristã de Vido, matando 16 pessoas e incendiando dez casas.
O evangelista e sua família foram morar na cidade de Beni, onde a equipe do ICC o conheceu em junho. Na época, ele contou à organização como aconteceu o ataque à sua aldeia natal.
“Eu ouvi eles. Eles gritavam em árabe e suaíli, dizendo que os kafirs [incrédulos] deveriam ser mortos, todos eles, e que fariam do Congo um Estado islâmico. Eles diziam: ‘Atire em todos os cristãos! Mate todos eles e queime as casas deles!’”
O grupo militante islâmico ADF continua realizando ataques contra cristãos no leste da República Democrática do Congo, deixando para trás um rastro de perdas e destruição. Além das mortes de cristãos congoleses, os combatentes têm destruído abrigos, lojas, hospitais e veículos. Seu objetivo é impor o domínio islâmico aos cristãos.
Fonte: Guia-me com informações de International Christian Concern
João 3:16 é o versículo bíblico mais popular do mundo, de acordo com uma pesquisa digital da World Vision.
O versículo diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
O estudo globy analisou dados da Keyword Explorer Tool em ahrefs.com para encontrar o volume médio mensal de pesquisa do Google para 172 países.
Também levou em consideração os dados de pesquisa do Google por país para os 100 versículos da Bíblia mais lidos no popular site de leitura da Bíblia, Bible Gateway.
João 3:16 teve, de longe, o maior número de pesquisas mensais em todo o mundo, com 2,1 milhões, seguido por Jeremias 29:11 e Filipenses 4:13 , em segundo lugar, com 82.000.
João 10:10 ficou em terceiro lugar com 73.000 buscas mensais.
Richard Frost, ministro leigo e blogueiro do Work Rest Pray disse: “Ao refletir sobre essas palavras ao longo dos anos, passei a entender não apenas o amor de Deus pelo mundo e todos nele (inclusive eu), mas o que significava para a primeira pessoa que ouvisse essas palavras: Nicodemos.
“Nicodemos foi um líder dos judeus. É possível que, ao longo de sua vida, ele tenha simplesmente aceitado tudo o que lhe foi ensinado pelos rabinos judeus. Mas agora, enquanto ele visita Jesus na escuridão (e com medo de seus companheiros fariseus por fazer isso), Nicodemos encontra alguém que desafia a sabedoria recebida e percebida. É um momento de confusão e Nicodemos percebe que havia mais em Deus do que ele jamais havia pensado.
Amy Boucher Pye, autora, palestrante, diretora espiritual e blogueira, disse: “Recentemente, ouvi um sermão sobre Nicodemos, o líder religioso que veio a Jesus à noite para não ser visto pelos outros. Sua conversa com Jesus surpreendeu e finalmente mudou sua vida para sempre. Eu tinha esquecido que esta história é o contexto para o versículo mais popular da Bíblia, João 3:16 .”
Dividido por país, João 3:16 foi o versículo bíblico preferido nos EUA, Reino Unido, França, Austrália, Canadá, Nigéria, Afeganistão, Índia, Filipinas, Somália e Etiópia.
Nos países da América do Sul, as pessoas eram mais propensas a pesquisar Gênesis 1:27 : “Assim Deus criou os homens à sua imagem, à imagem de Deus os criou; homem e mulher os criou.”
Os três principais versículos da Bíblia mais populares no Reino Unido são João 3:16 com 6.500 pesquisas mensais, seguido por Jeremias 29:11 (2.000 pesquisas mensais) e João 14:6 (1.900 pesquisas mensais).
O estudo também descobriu que João 3:16 está sendo amplamente compartilhado nas mídias sociais. A hashtag #John316 apareceu em mais de 250.000 postagens no Instagram e foi visualizada mais de 55,9 milhões de vezes no TikTok.
“Descrito em 1961 pelo autor de The Gospel of John: A New Commentary, Paul T. Butler como ‘o teste de ouro da Bíblia’, tem sido usado há muito tempo por líderes cristãos e pela mídia, então não é surpresa que também seja o mais pesquisado de todos os versículos da Bíblia”, disse World Vision.
“Não é apenas o versículo mais pesquisado na web, mas também é usado nas mídias sociais, pois as pessoas compartilham atualizações sobre suas vidas e fé.”
Os 10 versículos bíblicos mais populares do mundo:
João 3:16 – 2, 100,000 pesquisas mensais Jeremias 29:11 e Filipenses 4:13 – 82.000 pesquisas mensais João 10:10 – 73 .000 pesquisas mensais Provérbios 3:5 – 58.000 pesquisas mensais Mateus 28:19 – 50.000 pesquisas mensais Filipenses 4:8 – 42 , 000 pesquisas mensais Filipenses 4:6 – 37, 000 pesquisas mensais Romanos 8:28 e Tiago 1:3 – 33, 000 pesquisas mensais Provérbios 3:6 e Efésios 2:8 – 32, 000 pesquisas mensais Romanos 3:23 – 27, 000 pesquisas mensais Os 10 versículos bíblicos mais populares no Reino Unido:
Bandeira da Austrália e bola de futebol australiano
Uma das equipes esportivas mais importantes da Austrália demitiu seu novo CEO depois que se tornou público que ele era membro de uma igreja evangélica que afirma os ensinamentos bíblicos sobre sexualidade.
Na segunda-feira, Andrew Thorburn, 57, foi nomeado CEO do Essendon Football Club, que compete na Australian Football League – o mais alto nível de competição no esporte único do “futebol de regras australiano”.
Mas Thorburn deixou o cargo apenas 24 horas depois, dizendo que o clube o forçou a fazer uma escolha entre sua nova posição e sua associação com uma igreja evangélica sediada na Austrália, City on a Hill , onde ele atua como presidente e é membro.
A congregação afirma os ensinamentos bíblicos sobre gênero e sexualidade e acredita que o casamento é definido como a união de um homem e uma mulher.
As crenças da igreja sobre questões LGBT e sua postura pró-vida em relação ao aborto foram os assuntos mais criticados.
Thorburn, um fã de longa data dos “Bombers”, disse que sua nomeação como CEO foi “um dos dias de maior orgulho da minha vida”.
“No entanto, hoje ficou claro para mim que minha fé cristã pessoal não é tolerada ou permitida em praça pública, pelo menos por alguns e talvez por muitos”, disse Thorburn em um comunicado. “Eu estava sendo obrigado a me comprometer além de um nível que minha consciência permitia. As pessoas devem ser capazes de ter opiniões diferentes sobre assuntos pessoais e morais complexos e ser capazes de viver e trabalhar juntos, mesmo com essas diferenças, e sempre com respeito. O comportamento é a chave. Tudo isso é uma parte importante de uma sociedade tolerante e diversificada”.
Anteriormente, Thorburn atuou como executivo-chefe do National Australian Bank.
“Deixe-me ser claro – eu amo todas as pessoas e sempre promovi e vivi um local de trabalho inclusivo, diversificado, respeitoso e solidário – onde as pessoas são bem-vindas independentemente de sua cultura, crenças religiosas e orientação sexual”, disse Thorburn. “Acredito que meu histórico por um longo período de tempo atesta isso.”
Ele escreveu sobre ser forçado a sair: “Isso me entristece muito”.
Dave Barham, presidente do Essendon Football Club, disse que um sermão de 2013 no qual a homossexualidade foi chamada de “pecado” foi o foco da controvérsia. Thorburn não pregou o sermão.
“O conselho deixou claro que, apesar de não serem pontos de vista que Andrew Thorburn expressou pessoalmente e que também foram feitos antes de ele assumir seu cargo como presidente, ele não poderia continuar servindo em seus papéis duplos no Essendon Football Club e como presidente. de City on the Hill”, disse Barham.
Thorburn, porém, afirmou que a sociedade é melhor quando pessoas de diferentes crenças aprendem a trabalhar juntas.
“Acredito que estamos mais pobres pela perda de nossas grandes liberdades de pensamento, consciência e crença que criaram uma comunidade verdadeiramente diversa, justa e respeitosa”, disse Thorburn. “Minha fé é central para quem eu sou. Desde que cheguei à fé em Jesus há 20 anos, vi uma mudança profunda em minha vida e acredito que Deus me tornou um marido, pai e amigo melhor. Também me ajudou a me tornar um líder melhor. Isso porque no centro da minha fé está a crença de que você deve criar uma comunidade e cuidar das pessoas porque elas são criadas e amadas por Deus e têm um valor intrínseco profundo”.
Folha Gospel com informações de Christian Headlines
Os resultados de um novo estudo em do Springtide Research Institute, confirmaram uma relação positiva entre religião, espiritualidade e saúde mental.
E Josh Packard, diretor executivo da organização, sugeriu maneiras pelas quais as igrejas podem garantir que permaneçam instituições relevantes para a geração mais jovem, a medida que aumenta o número de pessoas no ambiente virtual.
O estudo, The State of Religion & Young People 2022: Mental Health–What Faith Leaders Need to Know, reflete uma pesquisa com quase 10.000 jovens de 13 a 25 anos, sobre suas crenças, práticas, comportamentos, relacionamentos e saúde mental.
O estudo descobriu que durante os anos de pandemia, a maioria (53%) dos entrevistados relatou que a saúde mental era seu maior desafio.
Cerca de 57% disseram que novas práticas espirituais os ajudaram a suportar a pandemia e mais da metade (51%) disse que recorreu à oração. Outros se voltaram para atividades como leitura, ioga, artes ou estar na natureza.
O estudo descobriu que, embora a religião e a espiritualidade “podem ser fortes antídotos para muito do que contribui para as lutas de saúde mental entre os jovens” e que “as pessoas religiosas estão melhor mental e emocionalmente”, apenas 35% dos entrevistados estão ligados a uma comunidade religiosa.
Os entrevistados ligados a uma comunidade religiosa foram mais propensos a dizer que estão “florescendo muito” em seu bem-estar mental e emocional (29%) diferente daqueles que não estão ligados a uma comunidade religiosa (20%).
Os entrevistados que se dizem “muito religiosos” eram mais propensos a relatar que estão “florescendo muito” (40%) em comparação com aqueles que dizem não ser religiosos (17%).
Os entrevistados que “não são religiosos” foram duas vezes mais propensos a dizer que “não estão florescendo” (44%) do que os “muito religiosos”.
Embora o estudo indique que a religião pode ter um impacto positivo na saúde mental, Packard observa no relatório que “as soluções para as lutas com a saúde mental são mais complicadas do que apenas ‘dar aos jovens mais religião’” pois cerca de 20% dos “muito religiosos não estão florescendo”.
“A realidade é que, sem abordar questões de saúde mental, um jovem que está mental e emocionalmente doente não será capaz de realmente se envolver ou entender a profundidade, beleza, poder, admiração e amor que podem vir com religião e espiritualidade. “, escreveu Packard.
Quando perguntado como as igrejas podem ser mais positivas para a saúde mental, Packard disse que as igrejas devem primeiro se envolver mais na conversa geral sobre saúde mental.
O líder da Springtide também sugeriu que as igrejas possam se concentrar mais em levar o Evangelho aos jovens, em vez de esperar que eles entrem nas paredes de sua comunidade da igreja para se conectar.
Packard disse que os jovens precisam ver a fé como um “recurso para resolver os maiores desafios de suas vidas”. “E se eles veem a fé como desconectada disso, eles serão menos propensos a se envolver”, enfatizou.
Fonte: Comunhão com informações de The Christian Post
Dois evangelistas no leste de Uganda foram espancados e cortados com facas depois de levar vários muçulmanos a Cristo, disseram fontes.
No início deste mês, Robert Okia, 43 anos, pai de seis filhos, e Wilberforce Mutenga, pai de dois filhos, compartilharam o evangelho na aldeia predominantemente muçulmana de Busakira, no leste de Uganda, onde oito muçulmanos depositaram sua fé em Cristo, disse Mutenga.
Eles, então, continuaram seu alcance na vila de Ikule, distrito de Mayuge, onde foram atacados em 7 de outubro, disse ele.
“Fomos espancados por levar o evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo à comunidade puramente muçulmana da vila de Ikule”, disse Mutenga, 38 anos, ao Morning Star News. “Não sabíamos que os muçulmanos deste lugar tinham ouvido falar de nossa missão bem-sucedida na vila de Busakira.”
Depois de visitar duas casas em Ikule, na segunda casa os muçulmanos os cercaram e começaram a fazer perguntas sobre o Islã que eles não conseguiam responder, disse ele.
“Um gritou o slogan islâmico de ‘ Allah Akbar [Deus é maior]’ três vezes, e todos começaram a pegar paus e começaram a nos bater muito”, disse ele.
Mutenga sofreu um ferimento de faca na cabeça e hematomas nas pernas, deslocando o joelho direito quando um dos agressores o derrubou, disse uma fonte da área. No momento em que escrevo, ele estava recebendo tratamento em uma clínica particular em Kampala.
Okia sofreu um ferimento de faca no joelho, costelas e ferimentos nas mãos, inchaço na boca e rosto e dores no corpo por toda parte, disse a fonte. Okia foi encaminhada para um hospital em Jinja para tratamento mais especializado.
“Depois de nos bater, eles nos carregaram e nos jogaram perto do pântano que separa Busakira e Kigandaalo, onde um pastor nos viu sangrando e gritando por socorro”, disse Mutenga ao Morning Star News. “O homem correu e chamou as autoridades locais, que nos levaram a uma clínica próxima para tratamento.”
Os dois conseguiram identificar alguns dos agressores e denunciaram a agressão às autoridades locais; eles planejam registrar um boletim de ocorrência na polícia quando deixarem o tratamento hospitalar, disse ele.
“Precisamos de suas orações o tempo todo, porque quando nos recuperarmos, temos que continuar com a mensagem, não importa a perseguição pela qual passamos”, disse Mutenga.
Os evangelistas foram enviados para pregar Cristo por uma igreja, não revelada por razões de segurança, na Câmara Municipal de Mayuge.
O ataque foi o mais recente de muitos casos de perseguição de cristãos registrados em Uganda.
A constituição de Uganda e outras leis preveem a liberdade religiosa, incluindo o direito de propagar a própria fé e converter de uma fé para outra. Os muçulmanos não representam mais de 12% da população de Uganda, com altas concentrações nas áreas orientais do país.
Segundo o Glorify, aplicativo que possibilita que cristãos façam reflexões, meditações guiadas, orações e leiam passagens bíblicas, os usuários brasileiros estão cada vez mais consumindo a sessão de meditação da ferramenta. Projetado para ajudar a adquirir bons hábitos de adoração com funções de qualidade, o aplicativo vê na meditação um dos seus carros-chefes, por permitir um desenvolvimento espiritual e ser uma das funções mais procuradas pelo público.
De acordo com o levantamento do Glorify no Brasil, os usuários já iniciaram mais de 3,5 milhões de meditações no aplicativo, sendo 1,8 milhão só em 2022. Neste ano, o número de reproduções na categoria “ouvir” já ultrapassou 8 milhões, entre os conteúdos estão poemas, orações, conteúdos para crianças, além da sessão de meditação.
Vale dizer que, como o Glorify traz seus conteúdos levando em consideração a perspectiva cristã, a meditação guiada dentro do aplicativo significa separar tempo para ler, ouvir e refletir sobre os textos bíblicos, para contribuir na compreensão e entender como aplicá-los no dia-dia.
“A Meditação Cristã, ao invés de focar em ‘esvaziar a mente’, incentiva a enchê-la com a Palavra de Deus. Dessa forma, abordamos temas e desafios que nossos usuários enfrentam, apresentamos conteúdos que contribuam para uma reflexão sobre os assuntos e colaborem no bem estar individual”, destaca Ed Beccle, CEO do Glorify.
E os benefícios da meditação ainda vão além, se justificando ainda por uma questão médica. Um estudo feito na Universidade Johns Hopkins, Estados Unidos, diz que meditar durante 30 minutos todos os dias ajuda a aliviar sintomas da ansiedade, depressão e dores crônicas.
Com mais de quatro milhões de usuários no Brasil, sendo 2,6 milhões de downloads realizados em 2022, o Glorify é o principal aplicativo devocional cristão do mundo. Além disso, mundialmente, a ferramenta já soma mais de 8 milhões de downloads. Reinventando a maneira como os fiéis se conectam com Deus e sua comunidade por meio da tecnologia, a plataforma possibilita que cristãos de todo o mundo mantenham a fé e se conectem com Deus diariamente através de conteúdos digitais voltados ao bem-estar do usuário, tais como passagens bíblicas, meditações guiadas, devocionais, declarações e espaço para oração e reflexão.
Sobre o Glorify
Fundado em 2019 pelos empreendedores britânicos Henry Costa e Ed Beccle, o Glorify é um aplicativo móvel com a missão de possibilitar que cristãos em todo o mundo se conectem com Deus diariamente através de leituras bíblicas, meditações, declarações e espaço para oração e reflexão. Tem como objetivo se tornar a principal plataforma digital cristã, reinventando como os fiéis se conectam com Deus e sua comunidade por meio da tecnologia. O aplicativo está disponível para download no Google Play Store e Apple Store. Mais informações: https://glorify-app.com/pt-br/
Ed René Kivitz, pastor da Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo, é voz dissonante entre evangélicos contra o bolsonarismo e o fundamentalismo religioso.
Com mais de 300 mil seguidores no Instagram, o teólogo viu viralizar nesta semana um vídeo no qual afirma que o Brasil está diante de marcos civilizatórios nesta eleição.
“Não estamos escolhendo apenas o tipo de governo que desejamos, mas em qual sociedade queremos viver”, repetiu à Folha de S.Paulo.
“Os conservadores querem um Brasil em que as hierarquias sejam mantidas, onde os brancos valem mais que os pretos, os homens mais que as mulheres, os ricos mais que os pobres, os heterossexuais mais que os homossexuais e assim por diante.”
Posicionamentos fortes como este resultaram na expulsão da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil. “Fui expurgado pelo fundamentalismo.”
Kivitz reafirma que a Bíblia precisa ser atualizada. “Sob pena de continuarmos, em nome de Deus, praticando violências e injustiças de gênero, de raça e de classe social.”
A seguir, os principais trechos da entrevista, na qual avalia o bolsonarismo como uma ideia maldita e diz esperar que os evangélicos vejam que o “rei está nu” e votem pela democracia em 30 de outubro.
PERGUNTA – Por que estamos diante de marcos civilizatórios nesta eleição de 2022?
ED RENÉ KIVITZ – O bolsonarismo aparece como uma força de captura do antipetismo, mas se torna mais do que isso, porque se constrói a partir de críticas explícitas a conquistas de direitos civis.
Não estamos escolhendo apenas o tipo de governo que desejamos, mas em qual sociedade queremos viver. Os conservadores querem um Brasil em que hierarquias sejam mantidas, onde os brancos valem mais que os pretos, os homens mais que as mulheres, os ricos mais que os pobres, os heterossexuais mais que os homossexuais, o Sul mais que o Norte e Nordeste e assim por diante.
O bolsonarismo é reação da sociedade conservadora para tentar brecar um forte processo de emancipação da mulher e de superação do racismo nas relações pessoais e nas estruturas sociais. O conservadorismo considera degeneração social essa sociedade plural, horizontal, igualitária e libertária.
O bolsonarismo não vende um discurso de liberdade?” É um paradoxo falar de liberdade quando se tem um governo militarizado e miliciano, cujo símbolo é uma arma. Essa fala “um povo armado jamais será escravizado” é fascista. É acreditar que um povo armado supera a violência. É uma estupidez acreditar que um revólver na bolsa da minha filha vai impedir sequestro relâmpago..
Nas periferias, a violência é caracterizada pelos conflitos do crime organizado com a polícia. Armar a população só piora o quadro. Há pouco tempo, violência doméstica era um homem batendo na mulher, agora ele bate com o revólver na mão. A legalidade desse porte de arma não impede a violência. Pelo contrário.
P. – É também paradoxal falar de cristianismo?”
EK – “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” é lema de um governo conhecido como o mais mentiroso, que se utiliza de fake news e do tal gabinete do ódio. Eu disse do púlpito que era inadmissível um sujeito fazer um voto em plenário em homenagem a Brilhante Ustra [torturador na ditadura] e não ter perdido seu mandato. E mais: tenha sido alçado a presidente da República, com pastores como cabos eleitorais.
Infelizmente, eu estava certo ao dizer que soltaram os monstros. Deram legitimidade, autorizaram monstruosidades.
A fake news não é somente a mentira explícita. É a verdade fora de contexto, manipulada. Tem uma frase de padre Antônio Vieira que diz que a palavra de Deus, usada com sentido diverso daquele que Deus pretendeu ao proferi-la, passa a ser palavra do diabo.
Quando o presidente tem uma fala misógina, não interessa dizer “eu não sou misógino”, porque é apropriada para alimentar uma cultura misógina.
P. – O que acha do argumento de que essas falas são brincadeiras?
EK – É nessa descontração e em brincadeiras que Bolsonaro revela quem ele é. É uma política do deboche, do escracho.
O bolsonarismo é uma ideia, uma ideologia que prescinde do Bolsonaro. Ele não tem genialidade para dar sustentação a um sistema de ideias. As piadas e o chamado politicamente incorreto que vocaliza à exaustão reproduzem e retroalimentam essa ideia maldita.
Vou dizer uma coisa muito forte. Nem todo bolsonarista é nazista, mas todo nazista é bolsonarista. Todo supremacista, quer seja social, racial, de gênero, é bolsonarista.
P. – Como vê essa agenda moral em defesa da família e contra gays puxada por pastores?
EK – O fanatismo tem três grandes características que afrontam o espírito do Evangelho. A primeira é a interpretação literal dos textos sagrados. Isso é um problema gravíssimo, porque o Evangelho é uma nova consciência. Não é uma nova moral, no sentido em que ela não tem uma legislação. Quando interpreto o texto sagrado literalmente, eu caio num legalismo que, levado ao extremo, me faz apedrejar pessoas.
O fundamentalismo fere o espírito do Evangelho também por tentar impor a parte para o todo. A minha fé, meu código moral, minha opção existencial tem que valer para você. Não quero saber quem é você, se acredita no que acredito. Ou concorda comigo ou está no engano, na maldade, nas trevas. A experiência religiosa só é legítima quando é resultado de uma escolha, nunca quando é imposta.
O fundamentalismo fere ainda o Evangelho por sua índole violenta. Trata o discordante, o divergente, o diferente como inimigo, uma ameaça ao meu sistema de valores, crenças e sociedade. Então, tem de ser eliminado.
A igreja evangélica hoje, na sua face hegemônica, é de índole fundamentalista. É literalista, legalista, excludente, violenta e impositiva.
P. – Como vê o crescimento da bancada evangélica e o papel de líderes religiosos com mandato?
EK – Eu tenho esperança. Não acredito que a voz do povo é a voz de Deus. Acredito que o povo é capaz de ouvir a voz de Deus, a voz do bom senso, da lucidez. Tenho esperança de que essa igreja evangélica vá perceber que o “rei está nu” e que seus líderes espirituais não são tão dignos de crédito.
Não sabemos o que é democracia no Brasil. O deputado da Assembleia de Deus não foi eleito para defender os direitos da Assembleia de Deus. O deputado espírita não foi eleito para defender o povo espírita.
Não podemos subestimar o povo, como massa ignorante e manipulada ad infinitum. Existe nas falas, inclusive dos progressistas, um preconceito de classe e religioso. Claro que as massas podem ser manipuladas, mas Bolsonaro teve menos penetração entre o povo evangélico em 2022 do que em 2018.
P. – Michelle Bolsonaro ganhou protagonismo como primeira-dama evangélica. Como avalia o uso do púlpito para fins eleitorais?
EK – Uso do púlpito como recurso de campanha é uma traição às duas instâncias: do estado democrático de direito e da igreja. Quando alguém do púlpito, que é o lugar da representatividade divina, faz campanha eleitoral, não se sabe se aquela pessoa é da confiança de Deus ou do imperador. Isso degenera o discurso religioso.
Também é uma traição ao espírito do estado de direito porque quando se associa a figura do presidente a uma unção divina, você dá a ele um poder absoluto. Quem fala em nome de Deus ou está lá porque Deus ungiu não pode ser questionado nem substituído.
P. – O sr. concorda com Michelle Bolsonaro, que disse que estamos em uma guerra espiritual?
EK – Concordo. Só que a guerra espiritual que nós estamos não é essa do ritualismo religioso mágico. Michelle Bolsonaro disse que o Palácio do Planalto foi consagrado a demônios. Não adianta fazer culto de oração no Planalto e cortar verba da educação e condenar criança a passar fome.
Se queremos falar de luz e trevas, vamos falar de negacionismo da ciência e de um presidente alterar a estrutura da Polícia Federal para proteger seus filhos, sua família e a si mesmo. Isso é guerra espiritual, é a mentira prevalecendo contra a verdade, a injustiça sobre a justiça. Assim como retardar a compra de vacina é a morte prevalecer contra a vida.
Guerra espiritual acontece na dimensão ética. A luz e as trevas estão em constante conflito. No Brasil, em Brasília, dentro de mim e de você.
P. – A sua igreja foi uma das primeiras a fechar e abolir o dízimo no auge da crise sanitária da Covid-19. Isso não seria uma heresia?
EK – Foi tratado dessa maneira. Se o dinheiro da fé não é para socorrer pessoas em suas necessidades, para que serve? Se quer dar dinheiro para Jesus, dê para alguém que está com fome.
P. – O senhor declara seu voto?”
EK – Nunca declarei. Sempre defendi que meu papel pastoral tem a ver com a crítica social e política dentro de uma pauta de valores. Quando opto por uma candidatura, no púlpito ou fora, eu me comprometo. O que fiz até agora é tentar mostrar as incoerências e contradições do bolsonarismo para com o espírito do Evangelho. Cheguei até aí.
P. – Isso não seria um apoio a Lula?”
EK – Eu me coloco dizendo que tudo aquilo que a sociedade critica no Lula e no PT é crime. Pode ser julgado, ter condenação. Enquanto o bolsonarismo se constrói com uma orientação social violenta, excludente, e nada disso é considerado crime. No mensalão, todo mundo foi julgado. Agora, o orçamento secreto não é crime. Deveria ser, mas não é.
Eu me coloco nessa polarização dizendo: Estou criticando uma cultura, que chamo de bolsonarismo, uma realidade abjeta que o Brasil tem de expurgar.
Em 2020, fora do contexto eleitoral, escrevi o seguinte tuíte: “Existe por trás desse governo uma mente intelectualmente limítrofe, cientificamente ignorante, ideologicamente totalitária, religiosamente obscurantista, e moralmente perversa. É urgente que seja exorcizada”.
P. – Que Brasil espera ver emergir das urnas?
EK – A minha esperança é que a democracia seja salva. E no meu entendimento, a derrota de Bolsonaro e a eleição de Lula é o único caminho para que isso se realize. Se o presidente for reeleito, com esse Congresso conservador e maioria no Senado e na Câmara, ele tem os recursos nas mãos para subversão do estado democrático de direito. É o golpe dentro da democracia.
P. – As pessoas me dizem: “Ah, você é a favor de ladrão?
EK – É abortista, gayzista, quer liberar maconha, transformar o Brasil numa Venezuela?”. Eu respondo que estou discutindo isso agora. Acho isso tudo falacioso, preconceituoso, mentiroso.
Estou discutindo democracia, o sistema que protege as minorias. É isso que vejo em risco, inclusive com força militar, paramilitar e miliciana armada. Na cabeça do presidente e de seus seguidores, democracia é o governo da maioria. Eles dizem: Ou a minoria se adequa ou procura outro lugar para viver. Isso não é democracia, é totalitarismo.
Fonte: Yahoo Notícias com informações de Folhapress