A execução de Miguel Ángel Valenzuela, pregador itinerante e responsável musical de uma congregação evangélica, e seu pai, Ángel Valenzuela Cano, em Guadalupe y Calvo, Chihuahua, gerou forte preocupação entre autoridades e organizações dedicadas à liberdade religiosa no México. Os corpos foram encontrados em 20 de julho, apresentando múltiplos disparos de arma de fogo.
A Fiscalía de la Zona Sur aponta para possíveis membros do Cartel de Sinaloa como responsáveis pelos homicídios, inseridos em um cenário de escalada de violência na região serrana. Na mesma semana, a área registrou pelo menos dez execuções em dois dias, intensificando a suspeita de que as mortes estejam ligadas a disputas territoriais entre grupos criminosos.
As vítimas, ambas naturais de Yerbitas, eram reconhecidas por suas atividades comunitárias. Em suas cidades de origem e em Parral, familiares e fiéis organizaram cerimônias de despedida e clamam por justiça. A comunidade evangélica local manifestou temor por novos ataques e demanda maior policiamento na área, enquanto a Fiscalía segue na coleta de depoimentos e análise de rotas para a identificação e responsabilização dos envolvidos.
A versão oficial indica que Miguel Ángel e seu pai viajavam para buscar um veículo avariado em San Julián no dia 18 de julho. A última comunicação com a família ocorreu após deixarem um irmão na comunidade de Catedral. As autoridades acreditam que ambos foram interceptados e sequestrados durante o retorno para Yerbitas, culminando em suas execuções. Diligências permanecem abertas, com solicitação de apoio de inteligência federal para monitorar a atuação da célula criminosa. Organizações civis também pediram medidas de proteção para a família Valenzuela.
O caso se insere em um contexto mais amplo de perseguição a líderes religiosos. Relatórios internacionais apontam que figuras cristãs com influência comunitária são cada vez mais vistas como adversárias por cartéis e organizações criminosas no México, um dos países mais perigosos da América Latina para líderes cristãos. Iniciativas que afastam jovens do crime organizado são interpretadas como ameaças diretas por esses grupos.
O Observatorio de Libertad Religiosa en América Latina (OLIRE) alerta que o trabalho pastoral em áreas dominadas pelo crime organizado coloca em risco a segurança de ministros, fiéis e suas famílias. Ataques a templos, sequestros, extorsões, ameaças de morte e assassinatos são recorrentes, levando ao fechamento de igrejas e ao deslocamento forçado de fiéis. Jorge Jiménez, pesquisador de Puertas Abiertas, destaca que em estados como Michoacán já ocorrem confrontos e mortes de líderes cristãos, configurando uma estratégia de intimidação e controle territorial por parte das facções criminosas. Essas situações demandam ações urgentes para a proteção dos direitos humanos e da liberdade de culto em zonas afetadas pelo narcotráfico.
Folha Gospel com informações de Evangélico Digital







