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Igreja Universal aluga nove estádios para evento demonstrando força religiosa e política

Fachada de um templo da Igreja Universal (Foto: Reprodução)
Fachada de um templo da Igreja Universal (Foto: Reprodução)

A Igreja Universal do Reino de Deus prepara uma grande demonstração de força para a Sexta-feira da Paixão, em 3 de abril de 2026. A denominação alugou nove estádios de futebol em diferentes regiões do Brasil para o evento “Família ao Pé da Cruz”. A iniciativa visa não apenas a tradicional celebração religiosa às vésperas da Páscoa, mas também enviar um recado político, consolidando a imagem da igreja como uma força influente no cenário nacional.

A escolha de múltiplos estádios simultaneamente é inédita e reflete a ambição da igreja em projetar sua relevância. O evento busca reunir fiéis em locais icônicos como o Maracanã, no Rio de Janeiro, a Neo Química Arena e o Pacaembu, em São Paulo, além de outros grandes palcos em Brasília, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte, Belém e Teresina. Essa estratégia demonstra a capilaridade da Universal e sua capacidade de mobilização em larga escala.

Uma mensagem de força política

O evento “Família ao Pé da Cruz” carrega um viés político notório, especialmente com a proximidade das negociações eleitorais. A Igreja Universal, fundadora do partido Republicanos, busca reforçar sua influência junto ao presidente Lula e ao senador Flávio Bolsonaro, apesar de se sentir preterida em articulações recentes. A iniciativa, promovida pelo bispo Renato Cardoso, genro de Edir Macedo e apontado como seu sucessor, foi descrita por ele como “a maior lata de conservas da família”, uma referência irônica a manifestações culturais que a igreja busca contrapor.

Ainda que pesquisas recentes minimizem o impacto de manifestações culturais específicas na popularidade presidencial, líderes evangélicos utilizam esses fatos como forma de desgastar o governo. Dados recentes indicam uma desaprovação significativa do governo Lula entre os evangélicos, o que a igreja pretende capitalizar.

Os desafios do aluguel de grandes arenas

O aluguel de estádios para eventos religiosos já é uma prática consolidada entre igrejas evangélicas, mas a Universal inova ao reservar nove locais simultaneamente. Essa movimentação representa um investimento considerável. Em dezembro, por exemplo, a Neo Química Arena foi alugada por R$ 2,9 milhões para um show gospel. Mais recentemente, o Pacaembu cobrou R$ 1,25 milhão para a cessão de seu gramado. Esses valores evidenciam o alto custo associado à realização de eventos de grande porte em locais de renome.

Historicamente, governos já destinaram recursos públicos para auxiliar na realização de celebrações religiosas. Em São Paulo, a prefeitura aportou R$ 4 milhões para um evento gospel, enquanto o governo do Rio de Janeiro anunciou um patrocínio de R$ 5 milhões para a estrutura do “Família ao Pé da Cruz” da Universal. Essa prática levanta discussões sobre o uso de verbas públicas em eventos de cunho religioso.

Relações políticas e estratégias futuras

A relação entre a Igreja Universal e o PT, e especificamente com Lula, tem um histórico de altos e baixos. Houve períodos de forte antagonismo nos anos 80 e 90, com críticas veementes e tentativas de associar a imagem de Lula a religiões de matriz africana. Posteriormente, a igreja demonstrou apoio a Lula em eleições dos anos 2000 e também à ex-presidente Dilma Rousseff. Apesar do apoio a Jair Bolsonaro em eleições recentes e de ter o governador de São Paulo em seus quadros, o partido Republicanos busca manter uma posição neutra no primeiro turno das próximas eleições, concentrando esforços nas disputas estaduais.

O partido também enfrenta desafios internos e estratégicos. Enquanto alguns membros buscam candidaturas em diferentes esferas, como a tentativa do ex-prefeito Marcelo Crivella de retornar ao Senado, a cúpula do Republicanos demonstra preferência por outras estratégias, como alavancar candidatos à Câmara dos Deputados. A definição de alianças e candidaturas, especialmente em estados como o Rio de Janeiro, continua sendo um ponto de atenção e articulação política.

O evento “Família ao Pé da Cruz” se configura, portanto, não apenas como um marco religioso, mas como uma poderosa declaração de força e influência política da Igreja Universal do Reino de Deus no cenário brasileiro.

Fonte: O Globo

Igreja da Lagoinha em Belvedere encerra atividade após prisão de Fabiano Zettel

Fachada da Lagoinha Church em Orlando, EUA (Foto: Reprodução)
Fachada da Lagoinha Church em Orlando, EUA (Foto: Reprodução)

A unidade da Igreja Batista da Lagoinha localizada no bairro nobre de Belvedere, em Belo Horizonte, encerrou suas atividades no último domingo, 15 de março. O fechamento ocorre após a prisão de seu pastor, Fabiano Campos Zettel, em 4 de março, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.

Fabiano Campos Zettel, que também era presidente do quadro de sócios e administradores da igreja, foi detido pela Polícia Federal. Ele é apontado como operador financeiro de um grupo investigado por fraudes financeiras bilionárias, liderado por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Apesar do encerramento das atividades presenciais, o CNPJ da organização permanece ativo.

A prisão de Zettel não foi o único desdobramento em sua carreira religiosa e profissional. Ele já havia sido afastado de atividades ministeriais anteriormente, após se tornar alvo das investigações relacionadas ao escândalo do Banco Master. Casado com Natália Vorcaro Zettel, irmã do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Campos Zettel é considerado uma figura de confiança do empresário em questões de negócios e investimentos.

O pedido de prisão de Zettel, expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o descreve como um dos principais executores financeiros do grupo ligado ao Banco Master. As investigações apontam para a atuação do pastor em esquemas de fraudes financeiras de grande escala, com valores que podem atingir cifras bilionárias.

Em paralelo, o ministro do STF André Mendonça, responsável por relatar o Caso Master na Corte, atendeu a um pedido da Polícia Federal e prorrogou por mais 60 dias o inquérito que apura o escândalo. A justificativa apresentada pela PF envolve a alta complexidade do caso, o volume expressivo de documentos apreendidos e a necessidade de análises técnicas aprofundadas para a conclusão das investigações. O pedido formal de prorrogação foi feito pela instituição na terça-feira, 17 de março.

Fonte: Metrópoles

Oscar 2026: Atriz dedica prêmio à família e exalta privilégio da maternidade

A atriz Jessie Buckley conquistou o Oscar 2026 de Melhor Atriz (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
A atriz Jessie Buckley conquistou o Oscar 2026 de Melhor Atriz (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A atriz Jessie Buckley, de 36 anos, conquistou neste domingo, 15 de março, o Oscar de Melhor Atriz. A cerimônia, realizada no Dolby Theatre em Los Angeles, viu a artista receber a estatueta por sua atuação no filme Hamnet: A Vida Antes de Hamlet. Durante seu discurso, Buckley enfatizou a relevância da família, do casamento e da maternidade, coroando uma temporada de premiações de sucesso.

Buckley agradeceu o apoio de sua família irlandesa, presente na plateia, e dedicou o prêmio aos seus pais. “Mãe, pai, obrigada por nos ensinarem a sonhar e a nunca nos definirmos por expectativas, mas sim pela nossa própria paixão”, declarou a atriz.

A atriz prestou uma emocionante homenagem ao…

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Grupos religiosos e ONGs alertam para o aumento da violência no Sudão do Sul

Cristãos em uma igreja no Sudão (Foto: Portas Abertas)
Cristãos em uma igreja no Sudão (Foto: Portas Abertas)

Líderes religiosos e organizações humanitárias internacionais alertam que o aumento da violência no Sudão do Sul pode levar a frágil nação a uma nova guerra civil, instando os líderes políticos a interromperem as operações militares e retomarem o diálogo para evitar mais sofrimento à população civil.

Líderes religiosos e grupos de ajuda humanitária afirmam que os recentes ataques a comunidades e operações de assistência apontam para uma deterioração da situação de segurança, que ameaça o frágil acordo de paz de 2018 no país. As preocupações surgem em um momento em que organizações humanitárias relatam aumento do deslocamento populacional e redução do acesso à ajuda em algumas das áreas mais afetadas.

O Conselho de Igrejas do Sudão do Sul, um órgão ecumênico que representa as igrejas Católica, Anglicana, Presbiteriana e Evangélica, afirmou que o país está se aproximando de um momento perigoso. O conselho tem desempenhado um papel importante nos esforços de construção da paz no país, facilitando iniciativas de reconciliação e diálogos comunitários durante e após a guerra civil.

Líderes religiosos instaram os líderes políticos a priorizarem o diálogo em vez da ação militar, afirmando que o uso contínuo da força poderia prejudicar o processo de paz.

“O ano de 2025 foi o pior, o ano em que nosso povo perdeu a confiança devido ao fracasso repetido na implementação de uma paz genuína em nosso país por parte dos líderes políticos e de algumas elites”, disse Stephen Ameyu Martin Mulla, Arcebispo da Arquidiocese Católica Romana de Juba, em uma recente coletiva de imprensa .

A Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas, uma rede global que representa mais de 100 milhões de cristãos das tradições congregacional, presbiteriana e outras reformadas, afirmou que os ataques demonstram a rapidez com que o país pode voltar a mergulhar em um conflito generalizado.

“A escalada da violência ameaça minar a frágil paz que foi construída nos últimos anos”, afirmou a organização em um comunicado público.

O grupo instou os líderes políticos do Sudão do Sul a reafirmarem o acordo de paz e apelou à comunidade internacional para que apoie os esforços destinados a prevenir um conflito mais amplo.

Líderes religiosos locais fizeram coro com essas preocupações.

Líderes cristãos afirmam que as igrejas continuam profundamente preocupadas com o impacto da intensificação da violência sobre famílias comuns que já enfrentam pobreza, deslocamento e insegurança alimentar.

Líderes católicos regionais também condenaram os ataques recentes.

Governo reconhece preocupações e culpa oposição armada

Em resposta, o governo do Sudão do Sul afirmou compartilhar das preocupações levantadas pelos líderes religiosos, mas defendeu as operações militares em curso como necessárias para manter a segurança e a estabilidade.

Em comunicado datado de 17 de março, o gabinete do presidente Salva Kiir afirmou que as autoridades permanecem comprometidas com a paz e com a plena implementação do acordo de paz revitalizado.

“O Governo da República do Sudão do Sul partilha das preocupações manifestadas pelo Conselho de Igrejas do Sudão do Sul relativamente à situação política, de segurança e humanitária no país”, afirmou o comunicado.

No entanto, as autoridades afirmaram que as operações de segurança em todo o país, incluindo no estado de Jonglei, fazem parte da responsabilidade constitucional do governo de manter a lei e a ordem.

“Estas operações não são arbitrárias; são respostas a ameaças à segurança, visando restaurar a estabilidade e proteger os civis”, afirmou o comunicado.

O governo acusou elementos armados da oposição ligados ao Movimento Popular de Libertação do Sudão/Exército de Oposição (SPLM/A-IO) de lançarem ataques contra posições governamentais entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

Segundo o comunicado, os ataques tiveram como alvo áreas como Waat e Pajut e ameaçaram avançar em direção à capital, Juba, o que levou a uma resposta militar das forças governamentais.

“O Governo reitera que não iniciou essas hostilidades e apela ao SPLM/A-IO e a todos os atores armados para que cessem as suas atividades militares e priorizem o diálogo”, diz o comunicado.

Ao mesmo tempo, as autoridades reconheceram o impacto da violência sobre os civis, particularmente mulheres, crianças e idosos, e condenaram os ataques contra não combatentes.

O governo afirmou que os indivíduos responsáveis ​​por tais atos serão responsabilizados perante a lei.

ONGs pedem proteção para civis

Entretanto, uma coligação de organizações não governamentais (ONGs) afirmou que a escalada dos confrontos está colocando os civis em grave risco e limitando o acesso humanitário.

“A proteção dos civis deve ser priorizada, e todas as partes devem cumprir integralmente o direito internacional humanitário”, afirmaram as ONGs em comunicado divulgado pela ReliefWeb , um serviço de informações humanitárias administrado pelas Nações Unidas.

Os grupos apelaram a uma desescalada imediata da violência e instaram os atores armados a permitirem a passagem segura da ajuda humanitária. Alertaram que a continuação das hostilidades poderia agravar uma crise humanitária já grave num país onde milhões dependem de assistência externa.

O Sudão do Sul, a nação mais jovem do mundo, emergiu de uma brutal guerra civil em 2018, após cinco anos de combates entre as forças leais ao presidente Salva Kiir e as alinhadas ao líder da oposição e primeiro vice-presidente, Riek Machar. O conflito matou cerca de 400 mil pessoas e deslocou milhões.

Apesar do acordo de paz, a violência esporádica continuou em algumas partes do país, frequentemente alimentada por tensões políticas, milícias armadas e disputas por recursos e poder local. As tensões atingiram um ponto crítico no início de 2025, quando o governo colocou Machar em prisão domiciliar e o acusou de traição após uma série de ataques de milícias.

Organizações humanitárias afirmam que os ataques recentes evidenciaram a fragilidade da segurança na região. Segundo relatos citados por grupos religiosos e organizações de ajuda humanitária, um ataque mortal no início de março no condado de Abiemnom, próximo à fronteira com o Sudão, deixou pelo menos 169 mortos, entre mulheres e crianças. Milhares de moradores fugiram da violência, alguns buscando abrigo em uma base das Nações Unidas.

Organizações cristãs internacionais uniram-se a grupos humanitários para alertar sobre o agravamento da situação.

‘O diálogo é o único caminho a seguir.’

Bispos do Sudão e do Sudão do Sul descreveram os assassinatos como evidência de uma piora na situação de segurança, que poderia levar o país a uma maior instabilidade.

Os bispos disseram que a violência reflete “uma nova descida ao abismo da depravação humana”, de acordo com o Catholic World Report, um veículo de notícias que cobre assuntos da Igreja global.

Eles instaram os líderes políticos a buscarem a paz e a protegerem os civis, alertando que a continuidade da violência agravaria o sofrimento humanitário.

Grupos humanitários afirmam que a crise já está afetando as operações de ajuda, com diversas organizações relatando que a insegurança em algumas regiões forçou a suspensão temporária das atividades humanitárias, deixando as comunidades sem serviços essenciais, como assistência médica e alimentar.

Agências humanitárias afirmam que o acesso a populações vulneráveis ​​está se tornando cada vez mais difícil, uma vez que os confrontos armados interrompem as rotas de transporte e criam condições inseguras para os trabalhadores humanitários.

A coligação de ONGs alertou que a situação poderá deteriorar-se ainda mais se as hostilidades continuarem.

“A escalada da violência está colocando os civis em grave risco”, afirmaram as organizações, apelando a todas as partes para que respeitem o direito internacional humanitário e protejam o pessoal e as instalações humanitárias.

As Nações Unidas também expressaram preocupação com as implicações mais amplas da violência.

As forças de paz da ONU permanecem destacadas em diversas partes do país para ajudar a proteger civis e apoiar o processo de paz, embora a missão tenha enfrentado desafios na resposta a focos localizados de confrontos.

Analistas afirmam que a estabilidade do Sudão do Sul permanece intimamente ligada à cooperação entre Kiir e Machar, cuja rivalidade política alimentou a guerra civil anterior.

Qualquer ruptura na relação entre os dois líderes poderia desestabilizar o governo de unidade nacional criado pelo acordo de paz de 2018.

Líderes religiosos têm desempenhado um papel visível nos esforços de paz no passado, incluindo a participação em iniciativas de reconciliação e o incentivo à unidade nacional.

Por ora, organizações humanitárias e líderes religiosos afirmam que evitar uma escalada ainda maior da violência é essencial.

Sem uma ação rápida, alertam, a violência poderá agravar uma crise humanitária já grave e ameaçar a frágil estabilidade que o país tem lutado para manter desde a guerra civil.

“O diálogo é o único caminho a seguir”, afirmam líderes religiosos, instando os líderes políticos do Sudão do Sul a colocarem os interesses do povo do país acima das disputas políticas.

Folha Gospel com informações de Christian Daily

Fundador do YouVersion alerta que IA ainda comete erros ao citar a Bíblia

Bobby Gruenewald, fundador e CEO do aplicativo bíblico YouVersion (Foto: Reprodução)
Bobby Gruenewald, fundador e CEO do aplicativo bíblico YouVersion (Foto: Reprodução)

O fundador do aplicativo bíblico YouVersion Bible App, Bobby Gruenewald, afirmou que a inteligência artificial ainda apresenta erros significativos quando o assunto é a Bíblia. Segundo ele, embora a tecnologia tenha grande potencial, ainda não possui precisão suficiente para lidar com textos sagrados ou responder questões espirituais com segurança.

Gruenewald destacou que modelos de inteligência artificial frequentemente citam versículos de forma incorreta ou apresentam interpretações equivocadas das Escrituras. De acordo com ele, testes e análises indicam que sistemas de IA podem errar citações bíblicas entre 15% e 60% das vezes, o que representa um risco para quem busca orientação espiritual por meio dessas ferramentas.

Para o líder cristão, essa imprecisão é especialmente preocupante porque muitas pessoas não conseguem reconhecer quando um versículo foi citado de forma incorreta. Ele observa que usuários costumam confiar nas respostas apresentadas pelos sistemas de IA, que frequentemente respondem com segurança mesmo quando estão errados.

Cautela no uso de IA para questões espirituais

Segundo Gruenewald, o avanço da inteligência artificial tem levado muitas igrejas e cristãos a experimentarem novas ferramentas digitais, como chatbots capazes de responder perguntas sobre fé, produzir devocionais ou até auxiliar na preparação de sermões.

Apesar disso, ele afirma que a tecnologia ainda não está pronta para ser usada como fonte confiável de orientação espiritual. “Quando se trata de responder às perguntas mais importantes da vida e oferecer direção a partir da Palavra de Deus, precisamos que a tecnologia seja muito melhor antes de confiar nela”, afirmou.

O fundador do aplicativo ressaltou que o desafio não é apenas tecnológico, mas também teológico. Como os sistemas de inteligência artificial são treinados com grandes volumes de conteúdo da internet, eles podem misturar interpretações diferentes das Escrituras, produzindo respostas que parecem plausíveis, mas que não possuem base doutrinária consistente.

IA já é usada, mas com limitações

Mesmo com as preocupações, Gruenewald reconhece que a inteligência artificial já está sendo utilizada por ministérios e organizações cristãs em diversas tarefas, como pesquisa, produção de conteúdo e apoio técnico no desenvolvimento de plataformas digitais.

No caso do YouVersion, a tecnologia é utilizada apenas em processos internos, como programação e otimização de sistemas, mas não para responder diretamente a perguntas bíblicas dos usuários.

O aplicativo, desenvolvido pela igreja norte-americana Life.Church, tornou-se uma das ferramentas digitais cristãs mais populares do mundo, ultrapassando 1 bilhão de downloads e oferecendo a Bíblia em milhares de idiomas.

Debate crescente entre tecnologia e fé

A discussão sobre o uso de inteligência artificial na vida espiritual tem crescido entre líderes cristãos. Muitos veem a tecnologia como uma oportunidade de ampliar o alcance da mensagem bíblica e facilitar o acesso às Escrituras.

Outros, porém, alertam que o uso indiscriminado dessas ferramentas pode levar a interpretações equivocadas da Bíblia ou a uma dependência excessiva de algoritmos em questões que tradicionalmente envolvem estudo teológico, liderança pastoral e discernimento espiritual.

Para Gruenewald, o avanço tecnológico é inevitável, mas a precisão no tratamento das Escrituras deve permanecer como prioridade. A velocidade e a popularidade das novas ferramentas, segundo ele, não podem substituir a fidelidade ao texto bíblico.

Advogados cristãos analisam a decisão da Argentina de reduzir a idade penal para 14 anos

Casa Rosada, escritório do presidente da Argentina localizado na histórica Plaza de Mayo, em Buenos Aires (Foto: Canva Pro)
Casa Rosada, escritório do presidente da Argentina localizado na histórica Plaza de Mayo, em Buenos Aires (Foto: Canva Pro)

A Argentina reduziu a idade de responsabilidade penal de 16 para 14 anos, em virtude de uma nova reforma da justiça juvenil promulgada por decreto e assinada pelo presidente Javier Milei. Essa medida representa uma mudança significativa na forma como os menores são processados ​​e gerou debates entre especialistas jurídicos, defensores dos direitos humanos e líderes cristãos.

A medida, publicada no Diário Oficial, permite que adolescentes de 14 e 15 anos respondam criminalmente por certos delitos, incluindo crimes graves como homicídio, agressão sexual, sequestro e roubo violento. Embora a lei mantenha um sistema separado para menores, distinto dos tribunais de adultos, ela introduz penas de até 15 anos e levanta questões mais amplas sobre prevenção, reintegração social e o papel das medidas punitivas no combate à criminalidade juvenil.

O debate sobre a idade da responsabilidade penal não é novo na região. Na América Latina, países como Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Venezuela estabelecem a responsabilidade penal aos 14 anos. Em outros casos, como Equador e Panamá, a idade é de 12 anos, de acordo com comparações regionais citadas em relatórios sobre o tema. No Brasil, entre 12 e 18 anos incompletos, o adolescente que comete um ato infracional está sujeito a medidas socioeducativas previstas no ECA (Lei nº 8.069/90). Essas medidas podem incluir advertência, prestação de serviços à comunidade ou internação em centros especializados.

A lei gerou reações diversas na comunidade jurídica. O Diario Cristiano, edição espanhola do Christian Daily International, consultou vários advogados cristãos de diferentes origens sobre o assunto.

Carlota López, advogada da rede jurídica da Aliança Cristã das Igrejas Evangélicas da República Argentina (ACIERA), acredita que a reforma representa uma atualização regulatória.

“Acredito que o novo regime penal juvenil representa um avanço jurídico, visto que a lei revogada datava de 1981 e estava completamente obsoleta. A nova lei alinha a idade de responsabilidade penal aos padrões internacionais e incorpora inovações legais, como a participação das vítimas nos processos penais, medidas alternativas que não envolvem encarceramento e mediação criminal”, afirmou.

O advogado esclareceu que o sistema continua sendo específico para menores de idade.

“Lembremos que este é um regime penal juvenil que se aplica a menores de 14 a 18 anos. É um sistema especial que de forma alguma os equipara a adultos”, disse ela.

No entanto, López alertou que a lei por si só não resolverá o problema da criminalidade juvenil.

“Como profissional do direito, tenho plena consciência de que nenhuma lei, por si só, pode mudar a realidade. É preciso que existam condições socioeconômicas e familiares favoráveis ​​para que os jovens possam se concentrar nos estudos, na prática de esportes e se manterem longe de vícios e crimes”, afirmou.

Nesse sentido, ela argumentou que a prevenção também deve envolver diferentes atores sociais.

“Existem alternativas relacionadas à prevenção e à participação ativa de organizações da sociedade civil e instituições cristãs. Sabemos que uma abordagem estritamente punitiva não tem produzido resultados”, afirmou.

De outra perspectiva jurídica, o advogado Gustavo Rosciano, funcionário da Defensoria Pública da província de Buenos Aires, afirmou que a redução da idade de responsabilidade penal responde à preocupação pública.

“Reduzir a idade de responsabilidade penal para 14 anos é talvez uma medida drástica, mas necessária, dadas as preocupações da sociedade. Antes dessa lei, jovens de 14 e 15 anos não podiam ser submetidos a processos criminais”, disse ele.

Rosciano enfatizou que o regime juvenil não significa enviar menores para prisões comuns.

“Não se trata de colocar jovens de 14 a 17 anos na prisão, mas de permitir que eles passem por um processo judicial no qual sua inocência ou culpa possa ser determinada. As medidas são realizadas em instalações designadas para esse fim”, disse ele.

No entanto, ele alertou para problemas estruturais dentro do sistema.

“As instituições especializadas sofrem com a deterioração dos orçamentos e não cumprem plenamente o objetivo estabelecido por lei em relação à reintegração social, educação e integração familiar. Se mais jovens forem processados, o problema poderá se agravar ainda mais”, afirmou.

A advogada Rosana Parrella também afirmou que a reforma deve ser analisada dentro do contexto social atual.

“Faz sentido legislar de acordo com a realidade atual. Hoje, menores cometem crimes assim como adultos, e essa situação não pode ser ignorada”, disse ela.

No entanto, ela indicou que o verdadeiro impacto da lei só ficará claro com o tempo.

“Por si só, a aplicação desta lei não seria suficiente, mas acompanhada de outras medidas certamente poderia ser”, disse ela.

Parrella enfatizou a importância de focar no desenvolvimento social.

“A mudança pode vir por meio da educação, da formação de valores, de sistemas de apoio e de oportunidades de emprego. A responsabilização criminal por si só pode amenizar a situação, mas não a transformará”, disse ela.

A advogada Analía Celada expressou uma visão mais crítica em relação ao alcance da reforma. Segundo ela, a medida responde à demanda pública em meio ao aumento da criminalidade, mas não aborda as causas mais profundas.

“Entendo que a promulgação desta lei responde a uma demanda de parte da sociedade que queria que algo fosse feito para conter o aumento da criminalidade, especialmente nos casos em que a pouca idade dos infratores tem sido usada para minimizar as penas”, disse ela.

No entanto, ela argumentou que o principal problema reside nas estruturas criminosas.

“O jovem de 14 anos é o elo mais fraco da corrente. Os peixes grandes não são apanhados. Existe uma rede criminosa piramidal em que os principais perpetradores muitas vezes permanecem fora do foco”, disse ela.

Celada também enfatizou a necessidade de políticas mais abrangentes.

“Existem outras alternativas que exigem o comprometimento de todos os níveis de governo, desde o trabalho em bairros vulneráveis ​​até intervenções em escolas e uma análise minuciosa de cada caso”, disse ela.

O debate sobre o novo regime penal juvenil continua em curso nos círculos jurídicos e políticos. Enquanto alguns especialistas acreditam que a reforma atualiza a legislação desatualizada e reflete as realidades sociais atuais, outros alertam que o principal desafio permanece sendo a prevenção da criminalidade e a reintegração efetiva dos jovens na sociedade.

O advogado Eduardo Oviedo também analisou a reforma e a descreveu como “boa e oportuna”, afirmando que ela responde à preocupação pública com o aumento dos crimes cometidos por menores.

“A sociedade precisava de uma medida como esta, dado o número de crimes cometidos por menores e a lacuna legal que existia sobre esta questão”, disse ele.

O advogado lembrou que a idade de responsabilidade penal na Argentina mudou diversas vezes ao longo da história. O Código Penal de 1921 estabeleceu a responsabilidade não penal até os 14 anos, enquanto uma lei de 1954 elevou o limite para 16 anos. Durante a ditadura militar argentina de 1976, a idade foi novamente fixada em 14 anos, e posteriormente, o regime penal juvenil de 1980 a estabeleceu mais uma vez em 16 anos, limite que permaneceu até a reforma atual.

Em Oviedo, a impossibilidade de processar menores de 16 anos muitas vezes levava à exploração de adolescentes por organizações criminosas.

“A impossibilidade de processar um menor de 16 anos transformou esses jovens em vítimas, já que foram usados ​​para cometer crimes, às vezes conscientemente e às vezes sem entender as consequências”, disse ele.

No entanto, ele insistiu que o principal problema continua sendo a falta de programas de reintegração social.

“Os menores que entram em centros de detenção não encontram uma estrutura real para a reintegração social, o que muitas vezes os condena a uma vida de crime”, disse ele.

Ao analisar o impacto da reforma, o advogado afirmou que a medida tem efeitos contraditórios.

“Na minha opinião, isso ajuda a sociedade, mas prejudica o indivíduo que começa a cometer crimes tão jovem. As vítimas precisam de uma mudança, mas os menores também merecem esperança de reintegração social, que hoje é praticamente inexistente”, disse ele.

Em relação às possíveis alternativas, Oviedo afirmou que o foco deve ser em como os jovens são tratados dentro do sistema de justiça juvenil.

“É essencial alocar recursos para a criação de comunidades de reintegração social para menores que cometem crimes. O desafio é reintegrá-los durante o período em que estão sob custódia, em vez de permitir que permaneçam presos em ciclos de criminalidade”, concluiu.

Folha Gospel – Publicado originalmente pelo Diario Cristiano, edição espanhola do Christian Daily International

Igrejas alemãs registram queda de 1,13 milhão de fiéis em 2025

Culto na Igreja Evangélica da Alemanha (EKD). (Foto: Reprodução / Facebook)
Culto na Igreja Evangélica da Alemanha (EKD). (Foto: Reprodução / Facebook)

As principais igrejas da Alemanha, a Católica e a Protestante, registraram uma perda significativa de membros em 2025, com um total de aproximadamente 1,13 milhão de fiéis a menos. Essa continuidade no declínio reflete tanto o elevado número de pessoas que abandonam as instituições religiosas quanto o número de óbitos entre os membros existentes. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (16/03) pela Conferência Episcopal Católica Alemã e pela Igreja Evangélica da Alemanha.

A queda na adesão é um reflexo da realidade atual dessas comunidades religiosas no país. O grande volume de desfiliações é apontado como o principal fator por trás dessa tendência, impactando diretamente o número total de membros.

Adesão em declínio e suas causas

Na Igreja Católica, a perda total foi de cerca de 550 mil membros, reduzindo o número para 19,22 milhões, o que representa 23% da população alemã. O principal motivo para essa diminuição continua sendo as desfiliações, com 307 mil pessoas deixando a instituição. Esse número foi ligeiramente inferior ao do ano anterior.

A Igreja Evangélica da Alemanha observou um declínio ainda mais acentuado, perdendo aproximadamente 580 mil fiéis e totalizando cerca de 17,4 milhões de membros. As desfiliações também foram o fator dominante nesse grupo, com cerca de 350.000 pessoas renunciando à sua filiação.

Heiner Wilmer, presidente da Conferência Episcopal Católica, comentou que as estatísticas são um espelho da situação atual da Igreja. Ele apontou como um aspecto positivo o ligeiro aumento na porcentagem de frequentadores e a estabilidade nos números de primeiras comunhões e crismas. No entanto, ele expressou pesar pelo contínuo alto número de membros que deixam a igreja.

O impacto do imposto eclesiástico

Na Alemanha, a filiação oficial a uma das duas grandes igrejas implica o pagamento de um imposto obrigatório, conhecido como kirchensteuer (imposto da igreja). Este valor é recolhido diretamente sobre os rendimentos dos fiéis pela própria receita federal. A taxa adicional, que varia entre 8% e 9% sobre o imposto de renda devido, leva muitos a renunciarem oficialmente à sua filiação para evitar o pagamento, um processo que geralmente é feito por carta.

Menos batismos e casamentos

No total, 214.000 pessoas foram batizadas nas duas igrejas em 2025. Na Igreja Protestante, o número de batismos permaneceu estável em cerca de 105 mil. Desses, aproximadamente um em cada dez foi de pessoas com mais de 14 anos.

Já a Igreja Católica registrou um declínio de mais de 7 mil batismos, totalizando 109 mil. Para se ter uma perspectiva, vinte e cinco anos atrás, a Igreja Católica realizava mais de 220 mil batismos anualmente. O número de casamentos religiosos católicos também apresentou queda, embora não haja dados específicos para o ano de 2025.

Encolhimento das paróquias e escassez de clero

O processo de encolhimento da Igreja Católica também se reflete na diminuição do número de paróquias. Em 2025, foram registradas 8.997 paróquias, 294 a menos que no final de 2024. Essa redução leva muitas dioceses a fundirem ou fecharem paróquias, com algumas igrejas sendo abandonadas por falta de fiéis.

A instituição católica registrou um novo recorde negativo com apenas 25 ordenações sacerdotais em 2025. O número vem em declínio constante: 29 em 2024, 35 em 2023 e 154 no ano 2000. A escassez de sacerdotes é um problema antigo, e o sacerdócio, restrito a homens e com a exigência do celibato, é visto como pouco atraente.

Cristãos mostram fé e generosidade em meio à crise no Irã

Bandeira do Irã em destaque durante protestos (Foto: Folha Gospel/Canva IA)
Bandeira do Irã em destaque durante protestos (Foto: Folha Gospel/Canva IA)

Cristãos no Irã vivem dias de silêncio, medo e incerteza após mais de uma semana de guerra e apagões quase totais de comunicação. Parceiros da Portas Abertas conseguiram contato breve com alguns deles e confirmam que muitos estão seguros, expressando a fé no contexto improvável, mas enfrentam condições extremas.

“Foi um grande alívio finalmente ouvir as vozes de nossos irmãos e irmãs depois de nove dias de silêncio. Louvado seja o Senhor, eles estão seguros”, compartilha um parceiro da Portas Abertas, cujo nome não pode ser revelado por segurança, que recentemente conseguiu fazer breves ligações para alguns cristãos no Irã.

Parceiros da Portas Abertas compartilharam o desafio de uma família cristã cujo filho desapareceu nos protestos de janeiro. Eles buscaram respostas em prisões e necrotérios, mas seguem sem informações, agora agravado pelo bloqueio de comunicações.

“Por favor, orem pela proteção do filho, onde quer que ele esteja, e por conforto para os pais enquanto aguardam notícias. O silêncio e a incerteza têm sido extremamente pesados para eles”, o parceiro local relata.

Jovens soldados abandonados na linha de frente

Cristãos locais também relatam que jovens soldados, muitos deles cumprindo recrutamento obrigatório, têm sido abandonados nos quartéis. Mohsen (pseudônimo), um cristão iraniano, relata como o momento tem sido desafiador para a família.

“Meu sobrinho está servindo como recruta. Recentemente, muitos comandantes deixaram os quartéis, e os jovens soldados foram colocados na linha de frente. A situação é muito preocupante para nossa família.”

Crise econômica e caos na prisão de Evin

Antes mesmo do conflito se acentuar no início deste ano, a inflação, o desemprego e a pobreza já afetavam milhões de iranianos. O fechamento do Estreito de Ormuz e a instabilidade política agravaram a falta de alimentos, medicamentos e renda. A igreja tenta continuar ajudando com itens básicos, mas as necessidades só aumentam no Irã.

Além disso, relatos indicam que guardas abandonaram partes da prisão de Evin, onde muitos cristãos são mantidos por causa da fé. Mesmo antes da guerra, as condições eram atrozes, e muitos cristãos relataram terem sido torturados em Evin.

“Um amigo da família, que está preso em Evin, conseguiu enviar uma mensagem dizendo que eles estão basicamente sobrevivendo de pão e água. Ele disse que, em alguns casos, os guardas se recusam a dar água aos presos, a menos que paguem por ela”, compartilha o parceiro da Portas Abertas.

Riscos dentro e fora do Irã

O regime iraniano tem usado áreas densamente povoadas para operações militares, colocando civis em risco. Há ainda casos de combatentes usando roupas civis para evitar identificação, o que pode aumentar o perigo para a população.

O procurador-geral iraniano ameaçou confiscar propriedades de iranianos que vivem no exterior caso sejam considerados colaboradores do “inimigo”, além de prever punições severas, até a pena de morte.

Famílias cristãs acolhem desabrigados

Uma família cristã abriu seu pequeno apartamento para acolher outra família cuja casa foi destruída por uma explosão. Mesmo com pouco espaço e recursos limitados, eles se reúnem diariamente para orar, ler a Bíblia e fortalecer uns aos outros em meio ao medo e às perdas.

“Nossa visão sempre foi capacitar a igreja no Irã para que possam apoiar uns aos outros com o que têm. Mesmo que a situação no país continue muito difícil e instável, louvo ao Senhor por ver que a visão pela qual oramos está se tornando realidade”, acrescenta o parceiro local.

Em meio à perda, descobriu uma comunhão mais profunda e unidade em Cristo. Sua casa se tornou um pequeno refúgio de fé, esperança e amor.

Eles agradecem a Deus não apenas pela segurança, mas pela bênção de compartilharem a vida juntos. Mesmo em meio à guerra, seus corações se enchem de louvor, confiando que Deus está presente e é fiel. E pedem orações por proteção, provisão e paz para famílias devastadas, desaparecidos, presos, soldados forçados à linha de frente e civis que permanecem em casa em meio aos bombardeios.

Fonte: Portas Abertas

Pastor é preso em Cuba após pregação em live no YouTube

O pastor Rolando Pérez Lora sendo preso em 15 de março de 2026, em um parque na área de Peñas Altas, em Matanzas, Cuba. |(Captura de tela/Facebook/ClickCuba)
O pastor Rolando Pérez Lora sendo preso em 15 de março de 2026, em um parque na área de Peñas Altas, em Matanzas, Cuba. |(Captura de tela/Facebook/ClickCuba)

O pastor Rolando Pérez Lora foi detido na semana passada em Cuba após realizar uma pregação em uma transmissão ao vivo no YouTube. O vídeo do momento da prisão está no final da matéria. O incidente ocorreu na província de Matanzas, levantando preocupações sobre a liberdade religiosa na ilha.

O líder religioso realizou uma live para ministrar uma mensagem bíblica focada em amor e esperança, sem abordar temas políticos. No entanto, poucas horas depois, enquanto se dirigia à igreja, foi detido por policiais que o aguardavam em frente à sua residência, indicando um possível planejamento da ação.

Prisão e libertação

A detenção de Rolando Pérez Lora ocorreu na frente de seus filhos. Após ser mantido em custódia por várias horas, o pastor foi liberado sem que lhe fossem apresentadas acusações formais. Segundo informações da família, as autoridades não forneceram o motivo específico para a prisão.

O vídeo do momento da detenção circulou nas redes sociais, gerando repercussão tanto dentro quanto fora de Cuba. Comunidades evangélicas e grupos de defesa dos direitos humanos expressaram publicamente sua solidariedade ao pastor.

Repressão a líderes cristãos

Este episódio se insere em um contexto de violações da liberdade religiosa em Cuba. Igrejas independentes e líderes cristãos que utilizam plataformas digitais para divulgar o Evangelho têm enfrentado crescente repressão por parte do governo cubano.

Dados recentes apontam para um cenário preocupante. O Observatório Cubano de Direitos Humanos (OCDH) registrou 231 ações repressivas contra líderes religiosos em fevereiro de 2026. Já a Aliança dos Cristãos de Cuba documentou 996 ações repressivas contra líderes cristãos ao longo de 2024.

A fé cristã em Cuba

Apesar dos desafios, a comunidade cristã em Cuba é significativa. Segundo o Banco de Dados Cristão Mundial, aproximadamente 85% dos cubanos se identificam como cristãos, sendo a maioria católica e cerca de 11% evangélicos.

Os cristãos na ilha frequentemente enfrentam detenções arbitrárias, ameaças e assédio. Embora a participação em cultos seja permitida, a abertura de novas igrejas enfrenta obstáculos. Diante disso, milhares de fiéis encontram refúgio espiritual nas chamadas igrejas domésticas.

Essas comunidades, que se reúnem em residências particulares, operam sem identificação oficial e, muitas vezes, sob o risco constante de repressão. A associação ASCE Cuba estima a existência de 20 mil a 30 mil igrejas domésticas ativas no país, desempenhando um papel crucial na manutenção da fé.

O cenário de perseguição coloca Cuba em uma posição delicada, ocupando o 24º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026, divulgada pela Missão Portas Abertas.

Otoni de Paula nega destituição da função pastoral e voto em Erika Hilton

Otoni de Paula (MDB-RJ) é deputado federal e pastor evangélico. (Imagem: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
Otoni de Paula (MDB-RJ) é deputado federal e pastor evangélico. (Imagem: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

O deputado federal Otoni de Paula negou veementemente ter votado em Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. A controvérsia, que ganhou força em redes sociais e entre setores ligados à bancada evangélica, foi atribuída pelo parlamentar a uma campanha de fake news orquestrada por grupos insatisfeitos com sua atuação política. Otoni de Paula também desmentiu boatos sobre sua destituição da função de pastor.

A polêmica surgiu após a circulação da informação de que Otoni de Paula teria sido um dos responsáveis por apoiar a eleição de Erika Hilton, parlamentar transexual, para o comando do colegiado. Críticos alegaram que essa suposta decisão teria tido um papel decisivo no resultado, intensificando disputas políticas internas. No entanto, em entrevista à Comunhão, o deputado esclareceu os fatos, explicando que a estratégia da Frente Parlamentar Evangélica era outra.

A estratégia da Frente Parlamentar Evangélica

Otoni de Paula detalhou que a orientação inicial da Frente Parlamentar Evangélica era de não registrar presença para evitar a formação de quórum na eleição. Caso o quórum fosse atingido, a instrução era votar em branco. “A Frente Parlamentar Evangélica tinha uma estratégia para tentar impedir a eleição”, explicou o deputado.

No entanto, o parlamentar relatou que, no momento da votação, ele estava presidindo uma sessão da Câmara dos Deputados. Por ser uma eleição remota, feita pelo celular, ele tentou conciliar as duas atividades. “Eu estava presidindo uma sessão da Câmara e, como a eleição na comissão era remota, pelo celular, era possível exercer as duas funções ao mesmo tempo”, disse.

O voto e a repercussão

Ao ser alertado por um membro da comissão sobre a necessidade de votar, Otoni de Paula declarou ter votado em branco, conforme o combinado. Ele admitiu, porém, não ter percebido que a votação já se encontrava em segundo turno, fase em que a estratégia do grupo era não registrar voto para evitar o quórum. “Meu voto sequer foi computado, pois sou suplente na comissão e os titulares já haviam votado”, afirmou.

Apesar disso, o voto e o de outro deputado contribuíram para o quórum. “De qualquer forma, nossa estratégia não funcionaria. A partir daí começaram as fake news dizendo que eu havia votado em Erika Hilton”, declarou Otoni de Paula. Ele lamentou a repercussão, atribuindo-a a uma “orquestração de falsas notícias” por parte de setores da igreja que não concordam com seu mandato e com suas críticas à polarização que, segundo ele, divide a igreja.

Desmentido sobre a função pastoral

Paralelamente à polêmica do voto, também circularam informações de que Otoni de Paula teria sido destituído de sua função pastoral. O deputado desmentiu categoricamente essa alegação, chamando-a de “outra irresponsável fake news”.

“Sou pastor há 30 anos, presido, pela bondade de Deus, um ministério, sou membro da Convenção das Assembleias de Deus Ministério de Madureira e estou em plena comunhão com Deus e com meus irmãos”, declarou. Ele reforçou que a articulação de notícias falsas visa prejudicá-lo, vindo de pessoas inescrupulosas que atuam tanto na igreja quanto na política eclesiástica.

Enfrentando ataques na vida pública

Otoni de Paula reconheceu que episódios como esse são inerentes à vida pública. “De forma alguma. Apesar de lamentar tudo o que aconteceu e o prejuízo de imagem que isso possa ter provocado, entendo que, como homem público, preciso estar preparado para esse tipo de ataque mentiroso”, afirmou.

As comissões permanentes da Câmara dos Deputados, como a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, são responsáveis por analisar e votar propostas legislativas. A eleição para a presidência desses colegiados ocorre anualmente entre seus integrantes, refletindo acordos políticos e a proporcionalidade das bancadas. A escolha de Erika Hilton para presidir a comissão em questão gerou debates e mobilizou diferentes grupos na Câmara e em esferas religiosas.

Fonte: Comunhão

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