Bandeira da Nicarágua ao lado da Catedral Velha em Managuá, capital do país. (Foto: canva)
O pastor Carlos Alberto Pérez Rodríguez foi brutalmente assassinado na noite de 18 de março, no município de Jinotepe, Nicarágua. Ele foi atingido por 36 facadas por um agressor ainda não identificado enquanto retornava para casa após visitar membros de sua igreja.
De acordo com informações preliminares, o pastor Carlos Alberto foi surpreendido por um indivíduo armado com uma faca. Moradores da região correram para ajudá-lo e acionaram os serviços de emergência. O pastor foi socorrido por uma unidade da Cruz Blanca e encaminhado ao Hospital Regional, mas não resistiu aos ferimentos.
A Polícia Nacional da Nicarágua informou que trabalha com a hipótese de tentativa de assalto, embora outras motivações estejam sob investigação. A equipe local da Portas Abertas está acompanhando o caso para avaliar se o ataque teve relação com sua atuação na igreja.
O assassinato de Carlos Alberto se soma a um crescente número de episódios violentos envolvendo líderes religiosos no país. Em um contexto de instabilidade e aumento da criminalidade, igrejas e organizações civis têm expressado crescente preocupação com a segurança de pastores, missionários e cristãos locais em geral.
O pastor era conhecido pela atuação ativa em sua comunidade e pelas visitas constantes a famílias da igreja. Seu ministério tinha forte foco em cuidado pastoral e apoio espiritual.
A morte do pastor levou tristeza e insegurança para membros da igreja, que agora buscam consolo e permanecem em oração por justiça e proteção para os cristãos na Nicarágua. Parceiros locais da Portas Abertas pedem apoio da igreja global em oração por consolo e força para a família do pastor e para a Igreja Perseguida na Nicarágua.
A deputada finlandesa Päivi Räsänen. (Foto: Alliance Defending Freedom International)
A parlamentar finlandesa Päivi Räsänen foi considerada culpada por acusações de “discurso de ódio” e multada pelo Supremo Tribunal da Finlândia em um caso que envolve declarações públicas baseadas em suas convicções cristãs sobre casamento e sexualidade. A decisão marca uma reviravolta em um processo que já havia resultado em absolvições anteriores em instâncias inferiores.
Räsänen, que também já atuou como ministra do Interior da Finlândia, foi investigada por manifestações feitas em diferentes ocasiões, incluindo a publicação de um panfleto em 2004, comentários em um programa de rádio e uma postagem nas redes sociais em 2019, na qual citava um trecho bíblico.
O caso ganhou repercussão internacional por levantar questionamentos sobre os limites entre liberdade religiosa e legislação contra discurso de ódio. A promotoria sustenta que as declarações da parlamentar configuram incitação contra minorias, enquanto a defesa argumenta que ela apenas expressou crenças fundamentadas na fé cristã.
Antes da nova decisão, tribunais finlandeses já haviam absolvido Räsänen por unanimidade em 2022 e novamente em 2023, entendendo que suas falas estavam protegidas pelo direito à liberdade de expressão e religião.
“Chocada e profundamente decepcionada”
Após a condenação, Räsänen afirmou estar surpresa com o desfecho do caso e criticou duramente a decisão judicial. Segundo ela, o veredito representa um risco para a liberdade de expressão na Europa.
A parlamentar declarou estar “chocada e profundamente decepcionada” com a condenação e afirmou que continuará defendendo o direito de expressar suas convicções religiosas sem sofrer punições.
“Estou chocada e profundamente decepcionada com o fato de o tribunal não ter reconhecido meu direito humano fundamental à liberdade de expressão. Defendo os ensinamentos da minha fé cristã e continuarei a defender o meu direito e o de todas as pessoas de partilhar as suas convicções na esfera pública”, disse ela.
Ela também destacou que o processo, que se arrasta há anos, tem implicações que vão além de sua situação pessoal, podendo afetar o direito de outros cidadãos de manifestarem publicamente sua fé.
“Estou consultando advogados sobre uma possível apelação ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Não se trata apenas da minha liberdade de expressão, mas da de todas as pessoas na Finlândia. Uma decisão favorável ajudaria a evitar que outras pessoas inocentes passassem pelo mesmo sofrimento simplesmente por compartilharem suas crenças.”
Falando com repórteres mais tarde, ela disse que o resultado misto “envia uma mensagem preocupante e contraditória sobre o estado das liberdades fundamentais na Finlândia”, mas que confiava em Deus e acreditava que “há algum propósito” em sua batalha judicial de sete anos. Ela também afirmou que a decisão não a impediria de expressar suas crenças.
“Por um lado, o tribunal afirmou que expressar as próprias crenças – mesmo sobre assuntos que possam ser considerados controversos – não é crime. Esse é um reconhecimento importante”, disse ela.
“Nenhuma sociedade democrática pode funcionar sem a forte proteção da liberdade de expressão, incluindo a liberdade de expressar convicções religiosas em espaços públicos. A absolvição definitiva dessa acusação é uma vitória fundamental na proteção da liberdade de expressão.”
“Por outro lado, ao me condenar por expressar crenças em um contexto diferente, o tribunal traçou uma linha tênue e, acredito, perigosa.”
Reação de grupo de defesa da fé cristã
Ao comentar o veredicto, Paul Coleman, Diretor Executivo da ADF International, disse: “A liberdade de expressão é um pilar da democracia. É correto que o Tribunal tenha absolvido Päivi Räsänen por seu tweet de 2019 com um versículo bíblico.
“No entanto, a condenação por um simples panfleto religioso publicado décadas atrás – antes mesmo da lei sob a qual ela foi condenada ter sido aprovada – é um exemplo ultrajante de censura estatal. Essa decisão terá um efeito inibidor severo sobre o direito de todos à liberdade de expressão.”
O Sr. Coleman declarou posteriormente aos jornalistas que a decisão “estabelece um novo patamar mínimo para a liberdade de expressão na Europa” e que provavelmente terá repercussões para além da Finlândia, devido a leis semelhantes contra o discurso de ódio, “com redação vaga”, em outros países europeus.
Ele alertou ainda que, ao selecionar trechos de um livreto publicado há mais de 20 anos, e antes mesmo da lei usada como base para a acusação existir, o veredicto criou “padrões legais impossíveis” e confundiu a linha divisória entre liberdade de expressão e criminalidade.
A CEO da ADF, Kristen Waggoner, afirmou: “Esta decisão é um forte lembrete de que nenhuma democracia está imune à erosão das liberdades fundamentais. Punir a expressão pacífica, especialmente quando baseada em convicções religiosas profundas, mina o próprio fundamento das sociedades livres.”
Debate sobre liberdade religiosa
O caso reacende o debate sobre liberdade religiosa no continente europeu, especialmente diante de legislações que buscam combater discursos considerados discriminatórios.
Críticos da decisão afirmam que a condenação pode abrir precedentes para a criminalização de opiniões religiosas tradicionais, enquanto defensores da legislação argumentam que ela é necessária para proteger minorias de discursos considerados ofensivos.
O processo envolvendo Päivi Räsänen ainda pode ter novos desdobramentos judiciais, e o caso segue sendo acompanhado por organizações internacionais ligadas à liberdade de expressão e direitos humanos.
Folha Gospel com informações de The Christian Post e The Christian Today
O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou uma nova e significativa política que proíbe a participação de atletas transgênero em todas as modalidades esportivas femininas. Esta decisão, oficializada em coletiva de imprensa, entra em vigor a partir das Olimpíadas de Los Angeles 2028 e estabelece que apenas mulheres biológicas poderão competir nas categorias femininas, tanto em esportes individuais quanto coletivos. A medida abrange também atletas com diferenças no desenvolvimento sexual (DSD).
A fundamentação por trás dessa proibição, segundo o COI, reside em evidências científicas que apontam para vantagens físicas inerentes aos homens biológicos. Essa diretriz visa restaurar a justiça e a equidade no esporte feminino, um debate que se intensificou ao longo da última década, especialmente após casos controversos que levantaram questionamentos sobre a integridade das competições femininas.
A nova política do COI estabelece que, para competir na categoria feminina, todos os atletas elegíveis precisarão passar por um exame genético. O objetivo é identificar a presença do gene SRY, considerado um marcador confiável do desenvolvimento sexual masculino. De acordo com a organização, a detecção desse gene através de métodos como análise de saliva, swab da bochecha ou amostra de sangue é considerada não intrusiva e suficiente para determinar a elegibilidade.
A presidente do Comitê, Kirsty Coventry, enfatizou que a decisão foi guiada por especialistas médicos e pela ciência, com o intuito de garantir um ambiente de competição justo e seguro para as mulheres. “Em alguns esportes, isso simplesmente não seria seguro”, destacou Coventry, ressaltando que até mesmo pequenas margens de diferença podem definir o resultado de uma competição.
A preocupação com a justiça e a proteção das atletas mulheres tem sido um ponto central nas discussões que levaram a essa decisão. O COI alega que vantagens físicas comprovadas em atletas transgênero e com DSD, mesmo após terapias de supressão hormonal, tornam a competição desleal.
O documento da nova política detalha essas vantagens, indicando que a diferença de desempenho masculino pode variar de cerca de 12% em eventos de corrida e natação a mais de 20% em provas de arremesso e salto. Em esportes que exigem poder explosivo, como os de colisão, levantamento e combate, a vantagem masculina pode ultrapassar os 100%.
A implementação desta regra visa evitar situações semelhantes às que ocorreram em edições recentes dos Jogos Olímpicos. Um exemplo citado é a participação de Laurel Hubbard no levantamento de peso em Tóquio 2021, após sua transição de gênero em 2012. Outro caso mencionado envolveu Imane Khelif e Lin Yu-ting, medalhistas de ouro no boxe em Paris, que haviam sido desclassificadas do Campeonato Mundial de 2023 por não atenderem a critérios de elegibilidade de gênero.
A decisão do COI gerou reações diversas, incluindo comemorações de figuras do esporte. A ex-jogadora de vôlei brasileira, Ana Paula Henkel, celebrou a medida em sua conta na rede social X, descrevendo-a como uma “vitória espetacular para as mulheres” e um retorno do esporte feminino à justiça e segurança, impulsionado pela ciência e pela realidade.
A nova política do COI impõe que a avaliação genética dos atletas será realizada apenas uma vez ao longo da vida, buscando garantir dignidade e respeito a todos os envolvidos. Haverá um processo de educação claro sobre os procedimentos e aconselhamento médico especializado disponível para os atletas. Esta medida marca um divisor de águas no esporte, estabelecendo um precedente para a participação em categorias baseadas no sexo biológico.
Bandeira da Índia nas mãos de uma mulher (Foto: Reprodução/Portas Abertas)
As hostilidades contra os cristãos na Índia aumentaram em 2025, com 747 incidentes de violência, intimidação e discriminação, marcando uma ascensão contínua em relação aos anos anteriores, de acordo com a Comissão de Liberdade Religiosa da Aliança Evangélica da Índia (EFIRLC).
O número representa um aumento significativo em relação aos 640 incidentes registrados em 2024 e mais de cinco vezes os 147 casos documentados em 2014, dando continuidade a uma tendência crescente de uma década contra a minoria cristã, que constitui cerca de 2,3% da população da Índia.
A Comissão recebeu mais de 915 denúncias durante o ano; os 747 casos documentados refletem apenas aqueles que passaram por um rigoroso processo de verificação multissource.
O reverendo Vijayesh Lal, secretário-geral da Aliança Evangélica da Índia, afirmou que os 747 incidentes documentados no relatório divulgado na terça-feira (24 de março) refletem padrões que exigem atenção cuidadosa.
“No cerne desta questão está a necessidade de garantir que as garantias constitucionais de liberdade de consciência e igualdade perante a lei sejam respeitadas para todos os cidadãos”, disse Lal.
Intitulado “Ódio e Violência Direcionada Contra Cristãos na Índia: Relatório Anual 2025”, o relatório baseia-se em uma rede nacional de coordenadores de campo, consultores jurídicos, organizações parceiras e depoimentos diretos de vítimas e líderes religiosos. Para que um incidente fosse incluído, a Comissão exigiu a confirmação de pelo menos duas fontes independentes, que poderiam incluir a vítima ou sua família, líderes cristãos locais ou autoridades policiais.
Padrões de Perseguição
Ameaças e assédio continuaram sendo a forma mais prevalente de hostilidade, representando 204 casos, a maior categoria individual do ano.
Foram registrados 112 casos de violência física, enquanto 110 envolveram a interrupção de cultos religiosos ou reuniões de oração. A pressão legal emergiu como uma ferramenta particularmente notável, com 86 prisões e 98 casos envolvendo falsas acusações ou denúncias criminais, a maioria delas ligada a alegações de conversão religiosa ilegal.
A Comissão também registrou 42 casos de boicote social, 27 casos de campanhas de ódio organizadas, 24 de vandalismo, oito de violência de gênero, sete em que igrejas foram incendiadas e um homicídio.
Dezembro registrou o maior número de incidentes, com 85 casos, coincidindo com o Advento e o Natal, período em que os cultos cristãos e as celebrações públicas se tornam mais frequentes. Março veio em seguida, com 78 incidentes, e outubro, com 73.
O segundo semestre do ano apresentou um padrão de escalada sustentada. Apesar de ter ficado abaixo dos números de dezembro e março, junho (68 casos), setembro (67 casos) e julho (66 casos) registraram números elevados.
“A concentração de incidentes durante períodos de maior visibilidade religiosa sugere que as comunidades cristãs podem enfrentar maior vulnerabilidade a perturbações, intimidações e hostilidade direcionada, precisamente quando estão mais ativas publicamente em sua fé”, observa o relatório.
Concentração Geográfica
Uttar Pradesh liderou todos os estados com 217 casos, representando quase um terço do total nacional. Chhattisgarh veio em seguida com 177. Juntos, os dois estados representam quase metade de todos os casos registrados durante o ano.
A Comissão também registrou números significativos em Rajasthan (51), Madhya Pradesh (47), Haryana (38), Karnataka (31), Jharkhand (30), Bihar (25), Punjab (20), Maharashtra (20) e Odisha (19), com ocorrências menores, mas consistentes, em vários outros estados.
A Comissão observou que os dados refletem a hostilidade contra as comunidades cristãs que ocorre em diversos contextos locais, e não como uma anomalia regional confinada a um único estado.
Leis Anticonversão
A legislação anticonversão, oficialmente denominada leis de Liberdade Religiosa, continuou a funcionar como um fator significativo de perseguição.
Em Uttar Pradesh, grupos locais invocaram repetidamente a Lei de Proibição de Conversão Religiosa Ilegal do estado contra pastores e outros cristãos que realizavam cultos religiosos rotineiros. Os denunciantes apresentaram alegações de aliciamento ou coerção contra reuniões de oração realizadas em residências particulares, frequentemente sem qualquer investigação preliminar. A polícia, então, detinha ou interrogava os cristãos antes de reunir quaisquer provas.
Em diversos casos, as autoridades trataram o simples ato de se reunir para orar como motivo presumido para uma denúncia criminal.
O relatório documenta a prisão e o encarceramento do pastor Wazir Singh na cidade de Nohar, distrito de Hanumangarh, estado do Rajastão, após extremistas hindus invadirem um culto religioso em 28 de setembro e agredirem fisicamente os fiéis. A multidão exigiu que o pastor renunciasse ao cristianismo e ensinasse as escrituras hindus. Diante da recusa, ele foi preso pela polícia e outros quatro cristãos presentes foram indiciados.
A Assembleia Legislativa do estado de Rajasthan aprovou o Projeto de Lei de Proibição da Conversão Ilegal de Religião de 2025, ampliando a lista de estados com legislação anticonversão em vigor. Pouco depois da aprovação, cerca de 50 membros do grupo nacionalista hindu Bajrang Dal cercaram o Instituto Bíblico Hindustan em Jaipur, em 23 de setembro, enquanto dois funcionários do instituto realizavam uma inspeção de rotina. Segundo relatos, a polícia deteve os funcionários para interrogatório e apreendeu celulares, laptops e documentos do imóvel.
Violência
Entre os incidentes mais graves registados pela Comissão, o ano começou com violência no distrito de Bastar.
Kunika Kashyap, uma cristã de 25 anos que estava grávida de seis semanas, foi espancada com um pedaço de madeira, chutada no peito e no abdômen, estrangulada e repetidamente golpeada no estômago pelo chefe da aldeia de Bade Bodal e membros de sua família em 2 de janeiro, enquanto visitava um vizinho.
Levada ao Hospital Distrital do Governo em Jagdalpur, ela sofreu um aborto espontâneo no mesmo dia. Seu marido e líderes religiosos registraram uma queixa por escrito, embora um Boletim de Ocorrência (BO) ainda não tivesse sido registrado no momento da publicação desta notícia.
Em 9 de março, em Raipur, uma multidão de 70 a 100 pessoas, incluindo membros do Bajrang Dal, atacou um culto em uma congregação da Igreja de Deus. Os agressores cortaram a energia elétrica do prédio, agrediram os fiéis e danificaram veículos e propriedades.
O domingo de Páscoa foi marcado por violência contra duas congregações no estado de Gujarat. Em Ahmedabad, cerca de 25 pessoas invadiram a Igreja Pentecostal da Índia Ocidental, liderada pelo pastor Dinesh Parmar, em 20 de abril, e intimidaram os fiéis durante o culto. No mesmo dia, em Surat, agressores atacaram o pastor Ganesh Vijay Koli e o pastor auxiliar Benjamin Gamit com paus e danificaram as instalações da igreja.
Quatro dias depois, na aldeia de Durandarbha, distrito de Sukma, Chhattisgarh, moradores agrediram cerca de 10 famílias cristãs, totalizando aproximadamente 45 pessoas, e as expulsaram de suas casas. Os agressores as acusaram de abandonar a religião tribal tradicional, destruíram Bíblias e pertences pessoais e as advertiram para que não retornassem a menos que renunciassem à sua fé.
Um grupo atacou fiéis da Igreja Peniel Prayer Fellowship, na vila de Borsi, distrito de Dhamtari, Chhattisgarh, durante um culto em 8 de junho. Os agressores invadiram o prédio, vandalizaram as instalações, queimaram Bíblias e publicações cristãs e agrediram os fiéis. O pastor Mannohan Sahu, de 57 anos, ficou inconsciente; o pastor Wakish Sahu e outros precisaram de atendimento hospitalar.
A violência se estendeu para além dos muros da prisão. Em 20 de julho, cinco pastores, incluindo o pastor Moses Logan, de Bhilai, distrito de Durg, teriam sido agredidos enquanto estavam sob custódia após serem presos sob a acusação de conversão forçada. Segundo relatos, autoridades prisionais e guardas infligiram lacerações e outros ferimentos nos detidos.
Cinco dias depois, na estação ferroviária de Durg Junction, no estado de Chhattisgarh, duas freiras católicas, Irmã Preeti Mary e Irmã Vandana Francis, da Congregação das Irmãs de Assis de Maria Imaculada, foram detidas pela polícia ferroviária após membros do Bajrang Dal as acusarem de tráfico de pessoas e conversão forçada. As freiras acompanhavam três mulheres cristãs adultas que viajavam para Agra em busca de emprego. Ambas foram encaminhadas à prisão preventiva.
Na vila de Titoli, no estado de Haryana, uma multidão de cerca de 80 a 100 pessoas atacou dois casais cristãos em 7 de novembro. O pastor Jehovah Das, de 65 anos, e sua esposa, e Vinod Masih, de 42 anos, e sua esposa, bem como seu advogado, foram atacados e ameaçados enquanto visitavam uma casa cristã para orar. A multidão os acusou de conversão forçada, os espancou por várias horas, os obrigou a queimar Bíblias, gravou vídeos e os manteve dentro de um veículo sem comida ou água até que a polícia finalmente interveio.
As últimas semanas do ano trouxeram à tona um dos casos mais perturbadores. Chamru Ram Salam, um morador tribal da aldeia de Bedetevda, distrito de Kanker, Chhattisgarh, não era cristão. Sua família o sepultou em 16 de dezembro, de acordo com os costumes tribais locais. Mas, como alguns de seus filhos são cristãos, moradores da aldeia e grupos nacionalistas hindus protestaram, alegando que o sepultamento havia desonrado uma divindade da aldeia.
O que se seguiu foi rápido e violento. Multidões atacaram a família enlutada e cerca de 150 visitantes, incluindo muitos cristãos, incendiando a casa da família, bem como três igrejas próximas, e saqueando propriedades. Em 18 de dezembro, as autoridades distritais ordenaram a exumação do corpo e sua transferência para um cemitério cristão distante em Dhamtari, apesar da objeção expressa dos familiares, que alegavam que o falecido seguia a religião tribal tradicional e merecia ser sepultado de acordo com seus próprios termos. Posteriormente, a família contestou a ordem da administração perante o Supremo Tribunal.
Esse caso não foi isolado. A negação do direito ao sepultamento a famílias cristãs emergiu como um padrão distinto e recorrente ao longo de 2025.
Um caso ocorrido no início do ano deu início ao mesmo padrão. Em 27 de janeiro, na vila de Chhindwada, distrito de Bastar, os moradores se opuseram ao sepultamento do pastor Subhash Baghel no cemitério local, o que levou o caso a um longo processo judicial. Seu corpo permaneceu em um necrotério por quase três semanas, até que a Suprema Corte determinou que o sepultamento fosse realizado em um cemitério cristão a aproximadamente 40 quilômetros de distância e instruiu o estado a demarcar os locais de sepultamento cristãos na região.
Apelos à ação
A EFIRLC deixou claro que os 747 casos verificados representam apenas uma fração das violações reais. Muitas não são denunciadas por medo de represálias, pressão social ou pela ausência de recursos legais acessíveis, principalmente em áreas rurais, onde as vítimas muitas vezes não têm meios práticos para apresentar uma queixa formal.
A Comissão apelou ao Governo da Índia e aos governos estaduais para que reafirmem publicamente as proteções constitucionais à liberdade religiosa, responsabilizem os autores de violência coletiva, combatam o uso indevido das leis anticonversão e garantam que as vítimas de violência baseada na religião recebam apoio oportuno e reparação legal.
O relatório também instou o governo central a aconselhar os estados que operam leis anticonversão, incluindo Uttar Pradesh, Madhya Pradesh, Gujarat, Karnataka e outros, a reverem se são necessárias emendas para evitar o uso indevido contra comunidades minoritárias. Sobre a questão dos direitos dos dalits, a Comissão defendeu uma emenda à Ordem Constitucional (Castas Agendadas) de 1950 para estender as proteções das Castas Agendadas aos dalits que professam o cristianismo ou o islamismo.
“Por trás de cada número neste relatório, há uma pessoa cujo direito à liberdade de culto, garantido pela Constituição deste país, foi violado”, disse Lal ao Morning Star News. “O que nos preocupa profundamente não é apenas a dimensão do que estamos documentando, mas o efeito intimidatório que isso produz nas comunidades, onde os fiéis agora hesitam em se reunir para orar ou enterrar seus mortos sem medo. Não estamos pedindo privilégios. Estamos pedindo igualdade perante a lei e instamos o governo em todos os níveis a garantir que todos os indianos, independentemente da fé, possam viver e praticar sua religião sem intimidação.”
A Aliança Evangélica da Índia (EFIRLC), fundada em 1951, é a aliança nacional de cristãos evangélicos na Índia. Seus membros incluem mais de 50 denominações protestantes, abrangendo mais de 65.000 igrejas, além de mais de 200 agências e organizações missionárias. A EFIRLC publica relatórios anuais de incidentes desde 2009 e documenta incidentes que afetam a liberdade religiosa desde 1998.
O tom hostil do governo da Aliança Democrática Nacional, liderado pelo partido nacionalista hindu Bharatiya Janata Party, contra os não-hindus encorajou extremistas hindus em várias partes do país a atacar cristãos desde que o primeiro-ministro Narendra Modi assumiu o poder em maio de 2014, afirmam defensores dos direitos religiosos.
A Índia ficou em 12º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026 da organização de apoio cristão Portas Abertas, que classifica os países onde é mais difícil ser cristão, subindo da 31ª posição em 2013, antes de Modi chegar ao poder.
De acordo com um estudo, as práticas religiosas dos alunos, suas famílias e professores podem ajudar a reduzir as desigualdades nas oportunidades de aprendizagem, pois a fé está associada a níveis mais elevados de desempenho acadêmico dos alunos.
Bryant Jensen, professor de formação de professores na Universidade Brigham Young e pesquisador afiliado ao Instituto Wheatley, e Irvin L. Scott, professor sênior da Escola de Pós-Graduação em Educação de Harvard e diretor fundador da Iniciativa de Liderança para Fé e Educação, são os autores do relatório intitulado “ Fé na Renovação Educacional: A Religião como Recurso para Transformar Oportunidades de Aprendizagem ” .
O relatório, publicado na semana passada pelo Instituto Wheatley da BYU e pela Iniciativa de Liderança para Fé e Educação de Harvard, analisou pesquisas existentes “sobre o papel da fé religiosa no florescimento humano”.
Um estudo citado no relatório constatou que os alunos do ensino fundamental e médio que demonstraram os níveis mais altos de participação religiosa apresentaram médias de notas 0,144 pontos superiores às de seus colegas que nunca participaram de atividades religiosas.
Segundo o relatório, estudantes de famílias da classe trabalhadora se beneficiaram mais da participação religiosa do que seus colegas de renda mais alta. Já os estudantes de famílias mais pobres demonstraram benefícios mais fracos e menos consistentes. Os estudantes do sexo masculino também se beneficiaram mais da participação religiosa, que, por sua vez, esteve associada a resultados acadêmicos inferiores para as estudantes do sexo feminino.
“Após quase dois séculos, a promessa das escolas públicas dos EUA de promover oportunidades de aprendizagem eficazes e significativas para todas as crianças, independentemente de raça e classe social, permanece não cumprida”, disse Jensen em um comunicado enviado ao The Christian Post.
“Grandes disparidades nas oportunidades de aprendizagem continuam a persistir entre os alunos de diferentes raças e etnias, enquanto as disparidades de oportunidades por gênero e renda familiar estão aumentando. Acreditamos que a fé religiosa pode ajudar a superar essas disparidades.”
De acordo com o relatório, a participação religiosa entre os estudantes está associada a um melhor desempenho acadêmico na escola, níveis mais elevados de escolaridade formal e maiores aspirações ao ensino superior.
A pesquisa sugere que esses efeitos positivos se devem aos códigos morais, às habilidades de estudo e aos laços sociais e organizacionais que os alunos podem desenvolver ao participar de uma fé religiosa.
Os alunos aprendem códigos morais a partir de suas tradições religiosas, que os ensinam a manter certos comportamentos relacionados a vícios como o uso de substâncias, a delinquência, o comportamento sexual, a violência e o absentismo escolar, observou o relatório.
Os jovens também aprendem habilidades por meio de suas atividades religiosas que podem beneficiar seu aprendizado escolar, como “competências sociais”, que podem incluir falar em público e como servir aos outros, mesmo quando ninguém está olhando.
“Essas competências pró-sociais reduzem o mau comportamento na escola e demonstraram aumentar a motivação e a confiança dos alunos para obterem bom desempenho escolar”, afirmou o relatório, destacando pesquisas que corroboram a tese dos autores.
O relatório também citou estudos que constataram que a prática religiosa regular pode ajudar os alunos a desenvolver habilidades que podem ser transferidas para o aprendizado acadêmico na escola. Por exemplo, o estudo de textos religiosos pode auxiliar os alunos no desenvolvimento de suas habilidades de leitura e escrita, e a participação em cultos e sermões pode lhes proporcionar “a capacidade de extrair e sintetizar ideias-chave”.
“Por fim, os efeitos da religiosidade nos resultados dos alunos são explicados pelos laços sociais e organizacionais com outras pessoas da mesma fé, incluindo familiares. Esses laços com adultos e outros jovens e crianças — denominados capital social — fornecem aos alunos informações, recursos, valores, sistemas de apoio confiáveis e oportunidades que, de outra forma, eles não teriam acesso”, concluiu o relatório.
Em relação à influência da fé sobre os educadores, o relatório observou que os professores “que se sentem ‘chamados’ para a profissão, muitas vezes por motivos ligados à devoção espiritual, são mais motivados intrinsecamente”.
Os autores apresentaram diversas recomendações que, segundo eles, podem impactar positivamente crianças e jovens, independentemente de seus sistemas de crenças, como parcerias entre organizações religiosas e escolas.
“Embora não defendamos que as escolas públicas ensinem doutrinas religiosas ou usem fundos públicos para fins religiosos, as parcerias com comunidades religiosas podem oferecer recursos inexplorados para enriquecer as oportunidades de aprendizagem dos alunos, especialmente para aqueles em comunidades desfavorecidas”, disse Scott ao CP.
Embora os autores reconheçam que o impacto desses programas é “limitado, mas promissor”, o relatório afirma que “parcerias bem coordenadas entre escolas e organizações religiosas podem impactar positivamente o envolvimento dos pais e os resultados de leitura dos alunos”.
Folha Gospel com informações de The Christian Post
Senador Carlos Viana. (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
Deputados federais do Partido dos Trabalhadores (PT) apresentaram, nesta terça-feira, 24, uma petição formal solicitando o afastamento imediato do senador Carlos Viana (Podemos-MG) da presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) mista do INSS.
A iniciativa surge após a revelação de novos fatos que, segundo o partido, indicam um conflito de interesses e o comprometimento da imparcialidade do parlamentar na condução dos trabalhos investigativos.
A argumentação principal dos petistas é que o senador Viana teria perdido as condições necessárias, tanto políticas quanto legais, para seguir à frente da CPMI. A petição, encaminhada à Presidência do Congresso, detalha que as apurações da comissão têm se voltado para personagens e entidades com proximidade ao círculo político-religioso do senador, levantando questionamentos sobre a neutralidade de sua atuação.
O cerne da petição repousa sobre o envolvimento do pastor André Valadão e de uma unidade da Igreja Batista da Lagoinha em investigações relacionadas a possíveis fraudes em empréstimos consignados e vínculos com o caso Master. O documento cita uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que determinou que Carlos Viana se posicionasse judicialmente sobre o envio de R$ 3,6 milhões em emendas para a Fundação Oasis, entidade ligada à Igreja da Lagoinha.
A conexão com o objeto da CPMI se torna evidente, conforme a petição, porque a Igreja da Lagoinha aparece nas discussões da comissão no contexto de suspeitas de fraudes e ligações com personagens envolvidos no caso Master. Um desses personagens mencionados é Fabiano Zettel, apontado como ex-pastor da igreja e cunhado de Daniel Vorcaro.
“Quando o presidente da CPMI passa a ser pessoalmente alcançado por questionamentos referentes a esse mesmo universo relacional, a imparcialidade objetiva da condução fica comprometida”, alerta o texto da petição, destacando a dificuldade de manter a isenção quando o próprio presidente da comissão é citado em circunstâncias que tangenciam o objeto da investigação.
Outro ponto levantado pelos deputados petistas é a manifestação pública do senador Viana em defesa do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Ferreira utilizou um jatinho ligado a Daniel Vorcaro para realizar campanha para o então presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o segundo turno das eleições de 2022, sobrevoando diversas capitais do Nordeste e cidades mineiras.
Na ocasião, Nikolas Ferreira alegou não ter conhecimento sobre a propriedade da aeronave e que, à época, não havia suspeitas sobre Daniel Vorcaro. Em suas redes sociais, Viana expressou solidariedade a Ferreira, criticando o que chamou de “tentativa evidente de associá-lo, sem qualquer prova concreta, a fatos com os quais não possui vínculo jurídico, contratual ou operacional”.
Os deputados do PT argumentam que essa manifestação pública configura uma tomada explícita de posição, incompatível com a imparcialidade exigida de quem preside uma comissão de inquérito, especialmente por defender um personagem inserido em uma controvérsia política e investigativa.
O pedido também faz referência à votação que aprovou a quebra do sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, conhecido como Lulinha. Segundo os parlamentares petistas, houve um erro na contagem dos votos, o que levou à posterior suspensão da decisão pelo ministro Flávio Dino. Para os deputados, este incidente demonstra que o presidente da CPMI teria deixado de atuar como um árbitro neutro, passando a se envolver em situações de interesse direto no resultado das apurações.
Diante desse conjunto de fatos, os deputados federais Pedro Uczai (PT-SC), Rogério Correia (PT-MG), Alencar Santana (PT-SP) e Lindbergh Farias (PT-RJ), todos membros da CPMI, buscam o afastamento de Carlos Viana para garantir a integridade e a imparcialidade das investigações conduzidas pela comissão.
Vista do telhado da Igreja do Santo Sepulcro, na cidade velha de Jerusalém, Israel (Foto: Canva Pro)
Os locais mais sagrados de Jerusalém podem permanecer fechados durante a Semana Santa e a Páscoa devido a preocupações com a segurança em relação à guerra com o Irã.
A Igreja do Santo Sepulcro, do século IV, onde se acredita que Cristo foi sepultado e ressuscitou, está fechada por tempo indeterminado após a queda de estilhaços em seu telhado. Não se sabe se ela reabrirá para a Semana Santa e a Páscoa.
Outros locais sagrados para cristãos, judeus e muçulmanos, incluindo o Muro das Lamentações, o Monte do Templo e o Jardim do Túmulo, que alguns cristãos também acreditam ser o local da ressurreição, também estão fechados.
O jornalista cristão Paul Calvert, residente em Belém, disse ao Premier Christian News : “O Jardim do Túmulo depende muito do turismo, e parece que não haverá celebrações de Páscoa. Mesmo durante a guerra em Gaza, houve celebrações de Páscoa lá, mas parece que não haverá nenhuma este ano. Portanto, é um momento muito, muito triste e difícil para a comunidade cristã.”
O fechamento desses locais sagrados antes da Semana Santa e da Páscoa é significativo e muitos cristãos temem não poder participar das celebrações tradicionais.
Paul Calvert disse que a missa do Sábado Santo, que marca a Páscoa Ortodoxa na Igreja do Santo Sepulcro, é sempre um dos pontos altos do ano:
“Temos a Páscoa tradicional que o Ocidente costuma celebrar, e uma semana depois temos a Páscoa Ortodoxa, que é quando acontece a celebração do Fogo Sagrado. Milhares e milhares de cristãos entram lá com suas velas, acendem suas velas e saem com o fogo sagrado. Eles celebram e se alegram, e então essa luz é transmitida por todo o mundo ortodoxo. Ela chega a Belém, à Igreja da Natividade. É uma experiência muito emocionante.”
Ele acrescentou que não se sabe se o evento acontecerá este ano ou se será realizado online.
Em comunicado, os frades da Custódia da Terra Santa afirmaram que “não é possível fazer previsões” sobre se a Igreja do Santo Sepulcro abrirá a tempo da Páscoa. Mas convidaram os fiéis a se unirem em oração “para que a guerra e a violência cessem, e para que os caminhos do diálogo, da diplomacia e da política — os únicos caminhos capazes de construir uma paz justa e duradoura — sejam trilhados com coragem e responsabilidade”.
Calvert disse acreditar que é correto que os locais permaneçam fechados neste momento porque “é uma situação muito perigosa e intensa. Tivemos queda de destroços aqui em Belém, onde moro. Fui dar uma entrevista recentemente, cheguei cedo, então fiquei parado olhando e tirei algumas fotos, e duas semanas depois, o foguete atingiu exatamente o lugar onde eu estava. Portanto, não é seguro para ninguém no momento.”
A tradicional procissão do Domingo de Ramos, do Monte das Oliveiras a Jerusalém, foi cancelada devido à incerteza causada pela guerra no Oriente Médio.
O cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém, pediu, em vez disso, um “momento de oração” pela cidade.
A Missa Crismal também foi adiada, na esperança de que seja remarcada para algum momento durante o período da Páscoa.
Em uma carta, o Cardeal Pizzaballa reiterou que os sacerdotes “devem fazer tudo o que puderem para incentivar a oração e a participação dos fiéis nas celebrações do Mistério Pascal”.
Ele disse: “A dureza deste tempo de guerra, que nos afeta a todos, carrega hoje o fardo adicional de não podermos celebrar a Páscoa juntos e com dignidade. Esta é uma ferida que se soma às muitas outras infligidas pelo conflito. Mas não devemos nos deixar desanimar. Embora não possamos nos reunir como gostaríamos, não abandonemos a oração.”
“Este é o momento de lembrar o convite de Jesus aos seus discípulos: “Orai sempre e não desanimeis” (Lucas 18:1).”
Os detalhes sobre o evento que substituirá a procissão ainda não foram confirmados, mas o Cardeal Pizzaballa elogiou o compromisso com a oração entre os membros da paróquia. Ele encorajou as pessoas a rezarem o Rosário no sábado “para implorar o dom da paz e da serenidade, especialmente para aqueles que sofrem por causa do conflito”.
“A Páscoa, que celebramos em nome da paixão, morte e ressurreição de Cristo, nos lembra que nenhuma escuridão, nem mesmo a da guerra, pode ter a última palavra. O túmulo vazio é o selo da vitória da vida sobre o ódio, da misericórdia sobre o pecado. Que esta certeza ilumine nossos passos e sustente nossa esperança”, concluía a carta.
Folha Gospel com informações de Premier Christian News
Um tribunal absolveu um cristão de 62 anos de acusações infundadas de blasfêmia depois que a vítima disse tê-lo “perdoado” e desejar retirar o caso, informou o advogado da vítima.
Shoukat Javed foi acusado de fazer comentários depreciativos sobre figuras reverenciadas no Islã, de acordo com o Artigo 298-A do Código Penal do Paquistão, que prevê uma pena mínima de três anos de prisão.
O advogado de Javed, Arooj Ayub, disse que Muhammad Mushtaq Ahmed apresentou uma queixa formal (Boletim de Ocorrência – BO) à polícia do distrito de Attock, província de Punjab, em 29 de maio de 2024, alegando que Javed havia usado linguagem abusiva contra os companheiros de Maomé, o profeta do Islã.
Javed foi preso logo em seguida e liberado sob fiança após duas semanas. Ayub, contratado pela Organização de Assistência Jurídica (OLA), afirmou que a acusação de blasfêmia seguiu-se a uma acusação anterior de tráfico de drogas feita pela mesma pessoa que fez a denúncia.
“Quando sua tentativa de incriminar Javed em um caso de narcóticos falhou, ele posteriormente apresentou uma acusação de blasfêmia”, disse Ayub ao Christian Daily International-Morning Star News, acrescentando que Javed também havia sido inocentado no caso anterior.
Segundo Ayub, o processo judicial no caso de blasfêmia foi marcado por repetidos atrasos, com pelo menos 13 adiamentos entre setembro de 2024 e janeiro, devido ao não comparecimento da queixosa e à falta de provas suficientes apresentadas pelo promotor.
Em 6 de março, ela entrou com um pedido de absolvição com base no Artigo 249-A do Código de Processo Penal, alegando falta de provas. Durante a audiência, porém, o denunciante disse ao tribunal que havia “perdoado” Javed. O tribunal, então, arquivou o caso e absolveu a acusada, disse Ayub.
Javed disse que as acusações surgiram de uma disputa pessoal com seu vizinho.
“Moro sozinho em um cemitério cristão, onde trabalho como zelador, além de ser pintor de casas”, disse ele ao Christian Daily International-Morning Star News. “Tivemos desentendimentos porque ele jogava lixo no cemitério.”
Javed disse que a denunciante primeiro tentou envolvê-lo no caso de narcóticos e, após falhar, apresentou a queixa por blasfêmia. Ele afirmou que permaneceu na mesma residência após ser libertado sob fiança e que não enfrentou hostilidade por parte de outros vizinhos muçulmanos.
“As pessoas da região estavam cientes da situação e não me guardaram rancor”, acrescentou.
Sunil Kaleem, diretor da Organização de Assistência Jurídica com sede em Lahore, afirmou que o caso ilustra as preocupações frequentemente levantadas por grupos de direitos humanos sobre o uso indevido das leis de blasfêmia no Paquistão.
“Embora este caso tenha terminado em absolvição, ele destaca como essas leis podem ser usadas em disputas pessoais”, disse ele. “Ao mesmo tempo, mostra que o devido processo legal e a representação jurídica podem resultar em justiça.”
As leis de blasfêmia do Paquistão são criticadas há muito tempo por organizações de direitos humanos devido ao seu amplo alcance e à sua vulnerabilidade a abusos.
Em um relatório de junho de 2025 intitulado “Uma conspiração para se apropriar da terra: explorando as leis de blasfêmia do Paquistão para chantagem e lucro”, a Human Rights Watch afirmou que tais leis são frequentemente usadas para perseguir minorias religiosas, resolver queixas pessoais e, em alguns casos, confiscar propriedades.
O relatório observou que as acusações de blasfêmia podem provocar violência coletiva, deslocar comunidades vulneráveis e criar um ambiente de medo, particularmente entre os grupos minoritários.
Embora os tribunais ocasionalmente concedam fiança ou absolvam réus em casos nos quais as provas são consideradas insuficientes, tais desfechos permanecem relativamente raros devido à natureza extremamente sensível das acusações de blasfêmia no Paquistão.
Organizações internacionais de defesa dos direitos humanos continuam a classificar o Paquistão entre os países onde as minorias religiosas enfrentam desafios significativos. Em sua Lista Mundial da Perseguição 2026, a organização Portas Abertas colocou o Paquistão em oitavo lugar entre os 50 países onde é mais difícil ser cristão.
Deputado federal Pastor Gil (PL-MA) - Foto: Reprodução
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o deputado federal Pastor Gil (PL-MA), pastor da Assembleia de Deus, por participação em um esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares destinadas ao município de São José de Ribamar, no Maranhão. A decisão foi tomada pela Primeira Turma da Corte após análise das provas apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo o julgamento, o parlamentar integrou um grupo acusado de exigir pagamento de propina para liberar recursos públicos enviados por meio de emendas parlamentares. A pena fixada para Pastor Gil foi de 5 anos e 6 meses de prisão em regime semiaberto, além do pagamento de multa.
Esquema envolvia cobrança de propina sobre emendas
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, o esquema funcionava com a exigência de pagamento de parte dos recursos destinados a municípios.
A investigação apontou que deputados e aliados cobravam cerca de 25% do valor das emendas como propina para garantir o envio do dinheiro às prefeituras.
No caso investigado, os acusados teriam solicitado aproximadamente R$ 1,6 milhão em propina para liberar cerca de R$ 6,6 milhões em emendas parlamentares destinadas ao município maranhense.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, o grupo formava uma organização estruturada, com divisão de tarefas entre os envolvidos, incluindo intermediários responsáveis por cobrar o pagamento junto à prefeitura.
Outros réus também foram condenados
O julgamento do STF resultou na condenação de sete pessoas envolvidas no esquema de desvio de recursos públicos. O caso foi relatado pelo ministro Cristiano Zanin e analisado pela Primeira Turma do Supremo.
Durante o processo, outros investigados foram absolvidos de determinadas acusações por falta de provas, enquanto parte do grupo recebeu penas por corrupção e participação na organização criminosa.
Quem é o Pastor Gil
Gildenemir de Lima Sousa, conhecido como Pastor Gil, é pastor da Assembleia de Deus e político maranhense. Ele nasceu em Monção (MA) e tem trajetória ligada à igreja evangélica no estado.
Com mais de duas décadas de atuação religiosa, o parlamentar chegou a ocupar o cargo de secretário-geral da Convenção Estadual da Assembleia de Deus no Maranhão (CEADEMA), uma das principais estruturas da denominação no estado.
Pastor Gil foi eleito deputado federal em 2018 e integrou a base política do Partido Liberal (PL).
A crise envolvendo a Igreja Batista da Lagoinha ganhou novos desdobramentos após o fechamento de uma de suas unidades em Belo Horizonte por envolvimento no caso do Banco Master e a repercussão de investigações ligadas a pessoas próximas à liderança.
Em meio ao cenário, o pastor André Valadão se pronunciou publicamente em um vídeo exibido durante cultos da denominação, em um discurso marcado por emoção e tentativa de distanciamento das acusações.
Segundo informações, a unidade da Lagoinha no bairro Belvedere foi fechada após a prisão do pastor Fabiano Zettel, cunhado do empresário Daniel Vorcaro, em meio a investigações sobre supostas irregularidades financeiras. O caso gerou forte repercussão e levantou questionamentos sobre a relação entre lideranças religiosas e o episódio.
Durante o pronunciamento exibido em telões para milhares de fiéis (vídeo no final da matéria), Valadão fez um apelo emocional e pediu perdão à igreja.
“Eu confesso que o meu coração dói e dói muito, porque em meio a tudo isso, eu me vejo numa situação onde eu me vi perdido”, afirmou o pastor ao comentar a crise.
Ele também reconheceu ter confiado em pessoas que, posteriormente, se envolveram em situações controversas:
“Eu peço perdão a você por ter confiado em pessoas, por ter aberto o coração para algumas pessoas, sem saber que na verdade havia situações na vida delas que não condiziam com aquilo que acabei sendo surpreendido”, disse.
O líder afirmou que foi surpreendido pelas informações divulgadas e destacou que tomou providências imediatas ao tomar conhecimento dos fatos.
Afastamento de pastores e tentativa de separação institucional
No mesmo discurso, Valadão confirmou que a liderança da igreja agiu rapidamente:
“Assim que soubemos das situações, nós desligamos […] os pastores daquela localidade.”
Ele também reforçou que a estrutura da Lagoinha funciona de forma descentralizada, afirmando que cada unidade é responsável por sua própria gestão financeira, jurídica e administrativa, enquanto a sede atua apenas na área espiritual.
“Não temos qualquer transação ou vínculo com aquilo que está sendo investigado”, declarou.
Fechamento de unidade e repercussão
O fechamento da igreja no Belvedere ocorreu em meio à escalada das investigações e aumentou a pressão sobre a denominação. A situação expôs tensões internas e reacendeu críticas sobre a relação entre igreja, liderança e gestão financeira.
Além disso, reportagens apontam que o caso envolve pessoas próximas à estrutura da igreja, o que ampliou o impacto da crise e a repercussão pública.
Debate público e críticas
O episódio também gerou forte reação nas redes sociais e em setores da mídia, com críticas à atuação da igreja e questionamentos sobre transparência e responsabilidade institucional.
Diante disso, Valadão buscou reforçar o compromisso da Lagoinha com a ética e afirmou estar disposto a colaborar com esclarecimentos, tentando preservar a imagem da instituição em meio à crise.