Atropelamento em Marcha para Jesus deixa uma pessoa morta e 11 feridas em Terra Santa, no Pará. (Foto: reprodução)
O cantor gospel Anderson Freire, que se apresentou na Marcha, anunciou que doaria integralmente o cachê para ajudar os familiares das vítimas.
Uma tragédia marcou a realização da Marcha para Jesus no município de Terra Santa, no Pará. Durante o evento cristão que reunia milhares de pessoas pelas ruas da cidade, um atropelamento provocado por um veículo de apoio resultou na morte de uma idosa de 83 anos e deixou outras 11 pessoas feridas, gerando forte comoção na região.
O acidente aconteceu quando uma caminhonete que acompanhava a caminhada perdeu o controle em uma curva, invadindo a área dos pedestres e atingindo uma residência. Equipes de socorro foram acionadas imediatamente para atender as vítimas, que incluíam crianças que participavam da programação religiosa.
Como aconteceu o acidente em Terra Santa
O atropelamento ocorreu no momento em que a multidão acompanhava a programação e realizava atos de adoração. Segundo relatos de testemunhas e registros em vídeo, o motorista da caminhonete perdeu o controle da direção ao realizar uma curva, avançando diretamente contra os participantes que estavam na via pública.
Além de atingir as pessoas que caminhavam na rua e colidir contra uma residência, o impacto afetou ocupantes do próprio veículo. Diversas pessoas estavam sendo transportadas na carroceria da caminhonete e acabaram sendo arremessadas com a colisão. Ao todo, 11 feridos precisaram de atendimento médico emergencial.
O veículo de apoio perdeu o controle ao fazer uma curva durante a caminhada. Vítimas que estavam na carroceria foram arremessadas na pista com o impacto. Onze feridos, incluindo crianças, foram encaminhados ao hospital municipal da cidade.
A perda de uma moradora querida e as investigações
A única vítima fatal do trágico acidente foi identificada como Dulcinéia Oliveira Pantoja, de 83 anos. A idosa ficou presa durante o atropelamento e sofreu ferimentos graves. Apesar de ter sido socorrida e levada rapidamente ao Hospital Municipal Frei Elizeu Eisman, ela não resistiu aos ferimentos e faleceu cerca de uma hora após dar entrada na unidade de saúde.
Dulcinéia era uma moradora antiga e muito conhecida em Terra Santa. Nas redes sociais, sua neta, Letícia Paixão, expressou a dor da perda e destacou o amor que a avó sentia pela cidade, afirmando que ela fez parte da história de muitas pessoas e que agora “descansou no Senhor Jesus Cristo”.
A Polícia Civil esteve no local e iniciou as investigações para determinar as causas exatas do acidente. Informações preliminares de testemunhas apontam que o veículo pode ter apresentado problemas nos freios. Além disso, as autoridades confirmaram que o condutor da caminhonete não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O automóvel foi apreendido e levado ao pátio da delegacia local para perícia.
Rede de solidariedade e a atitude do cantor Anderson Freire
O trágico episódio mobilizou autoridades municipais e os artistas que participavam do evento. O prefeito de Terra Santa, Siqueira Fonseca, publicou uma nota oficial lamentando profundamente o falecimento de Dulcinéia, expressando solidariedade e apoio em orações para todas as famílias afetadas pela fatalidade.
Durante a programação, o cantor gospel Anderson Freire, que se apresentou na Marcha para Jesus, tomou uma decisão que emocionou o público. Ao tomar conhecimento do ocorrido em seu hotel, o músico utilizou o palco para convocar a multidão a orar pelas vítimas e anunciou que doaria integralmente o cachê de sua apresentação para ajudar os familiares de Dulcinéia e as crianças feridas.
“Todo valor que vier para a gente, a gente vai reverter para a família da dona Dulce e de todas aquelas crianças que estão acidentadas. Isso aqui é o mínimo. Eu não me sinto digno de nada e eles precisam de todo apoio”, declarou o cantor no palco.
O apoio financeiro e espiritual busca mitigar as dificuldades enfrentadas pelas famílias das vítimas neste momento de profunda dor. Enquanto a comunidade local se une em luto pelas vítimas, as investigações policiais prosseguem para esclarecer as responsabilidades legais sobre o ocorrido.
Terremoto na Colômbia. (Foto: Reprodução/Redes sociais)
A Samaritan’s Purse estabeleceu contato com mais de 100 pastores logo no primeiro dia após o terremoto.
Dias após um terremoto de magnitude 7,4 atingir o oeste da Colômbia, organizações humanitárias cristãs correm contra o tempo para enviar suprimentos de emergência aos sobreviventes. O tremor, considerado o mais forte no país em uma década, deixou centenas de mortos e milhares de desabrigados, forçando as famílias a buscarem refúgio em meio aos escombros.
Com os serviços de resgate locais sobrecarregados, a transição das buscas por sobreviventes para o complexo trabalho de reconstrução já começou. Grupos de assistência humanitária agem rapidamente para fornecer abrigos temporários, iluminação e água potável para conter a crise humanitária na região afetada.
A resposta imediata e a logística de socorro
A organização de caridade evangélica Samaritan’s Purse realizou o envio de um avião de carga Boeing 767, partindo de Greensboro, na Carolina do Norte, com cerca de 45 toneladas (100 mil libras) de suprimentos de emergência. A carga inclui mais de 3.000 kits de higiene, 3.000 lanternas solares e 1.200 rolos de lonas plásticas para abrigos temporários.
Segundo Nick Bechert, gerente da unidade de resposta a desastres internacionais da organização e único integrante norte-americano em campo, a operação é liderada por uma experiente equipe nacional colombiana. Esse grupo de socorristas locais havia retornado recentemente de uma missão de apoio após outro terremoto na vizinha Venezuela, tendo que retomar os trabalhos imediatamente após o novo sismo em seu próprio país.
O papel estratégico das igrejas locais no atendimento
Para garantir que a ajuda chegue com rapidez a quem mais precisa, a equipe local da Samaritan’s Purse estabeleceu contato com mais de 100 pastores logo no primeiro dia após o terremoto. Essa coordenação direta permite mapear as demandas específicas de cada comunidade afetada.
A parceria com as igrejas locais vai além da facilitação logística. Conforme explicado pela liderança da operação, o acolhimento por meio dos templos ajuda a suprir tanto as necessidades físicas imediatas quanto o suporte emocional e espiritual necessário para enfrentar o trauma vivido pelas famílias que perderam seus lares.
Danos estruturais e o perigo de réplicas sísmicas
A situação no oeste da Colômbia é devastadora. Estimativas da organização humanitária Unto, que atua em dezenas de países, apontam que mais de 50.000 edifícios e residências foram danificados ou totalmente destruídos. Quedas generalizadas de energia elétrica e danos severos em áreas urbanas e rurais isolaram diversas comunidades.
A geologia da região agrava o cenário, já que a Colômbia está localizada no Círculo de Fogo do Pacífico, uma área de intensa atividade tectônica. O risco de tremores secundários (réplicas) impede que muitas pessoas retornem para suas casas. Diante do perigo de desabamento de estruturas que já estão instáveis, milhares de sobreviventes continuam dormindo ao relento nas ruas.
A transição para o processo de reconstrução
À medida que a fase inicial de busca por sobreviventes é encerrada, as necessidades das comunidades atingidas começam a mudar. O foco humanitário agora se volta para soluções de médio prazo, como a distribuição de fraldas, sistemas avançados de filtragem de água e insumos para a reconstrução de moradias.
Representantes das organizações destacam que a escala do desastre exige um esforço contínuo e integrado. Enquanto o apoio prático reconstrói a infraestrutura física, o suporte psicológico e a mobilização comunitária tentam devolver a dignidade e a segurança às famílias afetadas por essa catástrofe natural.
Missionária coreana Park Tae-Yeon (Foto: Reprodução)
Missionária coreana Park Tae-Yeon enfrenta possível condenação de 17 anos em julgamento na Rússia, com acusações ligadas a atividades religiosas e imigração
A missionária coreana Park Tae-Yeon, de 69 anos, está em julgamento na Rússia e pode ser condenada a até 17 anos de prisão. Park foi presa em janeiro de 2026, uma semana antes de seu retorno programado para a Coreia do Sul, onde planejava se aposentar após 33 anos de ministério no país. As autoridades russas investigam a missionária por… (Clique aqui para continuar lendo)
Cristãos reunidos no Sudão do Sul. (Foto: Portas Abertas)
O país ocupa atualmente a 4ª posição na Lista Mundial da Perseguição de 2026 da organização Portas Abertas
Dois importantes líderes da Igreja de Cristo do Sudão (SCOC), sequestrados na região das montanhas Nuba, no estado de Kordofan do Sul, foram libertados. Os pastores Yaqob Ibrahim Tia e Zakaria Suliman Jana haviam sido capturados por membros dissidentes do Exército de Libertação do Povo do Sudão-Norte (SPLA-N) e agora estão em segurança.
A libertação ocorre em meio a uma escalada alarmante de violência e ataques direcionados contra minorias religiosas no Sudão. O conflito armado em em andamento continua a deteriorar as condições de segurança na região, gerando grande preocupação sobre a integridade de líderes comunitários locais e a liberdade de culto no país.
Os detalhes das abduções e da libertação nas montanhas Nuba
O pastor Yaqob Ibrahim Tia foi raptado em 23 de julho e libertado no dia 28 de julho acompanhado por familiares. Entre os libertados com ele estavam seus dois filhos, de 17 e 20 anos, um sobrinho de 15 anos e Daniel Ibrahim Tia, irmão do pastor e do padre católico Fadi Ibrahim Tia. Já o pastor Zakaria Suliman Jana foi sequestrado na manhã de 31 de julho, sendo libertado logo em seguida, no dia 1º de agosto.
Os sequestros foram atribuídos a facções dissidentes do grupo rebelde SPLA-N que atuam em Heiban, embora os termos da libertação e os motivos exatos dos raptos não tenham sido revelados. Após um encontro de entrega assistido por líderes eclesiásticos da região, o pastor Tia expressou imensa gratidão e criticou fortemente os confrontos internos entre as facções do SPLA-N. O líder religioso fez um apelo público para que as lideranças políticas renunciem à violência e busquem a paz, apontando ainda que o próprio governo do Sudão é suspeito de fomentar esses conflitos locais.
A escalada de violência contra líderes cristãos no Sudão
A região das montanhas Nuba, um reduto histórico do SPLA-N, enfrenta um aumento expressivo de hostilidades contra a comunidade cristã. Embora a área controlada pelos rebeldes seja fechada para os meios de comunicação, relatos que escapam da região indicam que os confrontos internos já provocaram o deslocamento forçado de centenas de civis, compostos majoritariamente por mulheres, crianças e idosos.
A gravidade da situação se reflete em outros episódios violentos registrados recentemente na província de Kordofan do Sul:
Pastor Adel Idris Jongool: Da Igreja Episcopal, foi morto a tiros por milícias dissidentes do SPLA-N em 24 de julho, na unidade administrativa de Dabi, distrito de Heiban.
Padre católico e segurança: Assassinados em 19 de junho na paróquia de Holy Cross, em Kauda, por militantes do mesmo grupo dissidente. Outro guarda também foi baleado no atentado, mas sobreviveu após receber tratamento médico em um hospital próximo.
O cenário político e a perseguição religiosa no país
O Sudão é um país majoritariamente islâmico, onde os muçulmanos representam 93% da população. Os praticantes de religiões tradicionais de matriz étnica somam 4,3%, enquanto os cristãos constituem uma minoria de apenas 2,3%. O país ocupa atualmente a 4ª posição na Lista Mundial da Perseguição de 2026 da organização Portas Abertas, o que evidencia as extremas dificuldades enfrentadas por minorias de fé no território sudanês.
A crise humanitária e a violência religiosa se intensificaram após o início do confronto militar em abril de 2023 entre as Forças Armadas do Sudão (SAF), lideradas pelo general Abdelfattah al-Burhan, e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF), comandado por Mohamed Hamdan Dagalo. Ambas as facções possuem orientação islâmica e realizam ataques contra cristãos deslocados sob a acusação de apoiarem as forças rivais. De acordo com o Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUR), a guerra civil generalizada já resultou na morte de dezenas de milhares de civis e no deslocamento de mais de 12 milhões de pessoas.
Apesar de um breve período de avanços na liberdade religiosa após a queda da ditadura islâmica de Omar al-Bashir em 2019 — quando o governo de transição chegou a abolir leis de apostasia que puniam a conversão religiosa com a pena de morte —, o golpe militar de 25 de outubro de 2021 restabeleceu o temor da imposição rigorosa da lei Sharia e da perseguição patrocinada pelo Estado.
Há relatos de que algumas meninas foram pressionadas a trocar sexo por itens de primeira necessidade.
Especialistas da ONU expressaram preocupação com o agravamento da violência e da insegurança na Nigéria, alertando que mulheres e meninas cristãs estão entre as que enfrentam uma ameaça elevada de assassinatos, sequestros, violência sexual e casamentos forçados.
As preocupações foram expostas por cinco especialistas em direitos humanos da ONU em uma carta conjunta ao governo nigeriano, que observaram “a deterioração da situação de segurança” no norte da Nigéria e no Cinturão Médio, e suas consequências para as comunidades cristãs e outras comunidades religiosas, particularmente mulheres e meninas.
A carta atribui grande parte da violência a grupos armados não estatais que operam nas regiões afetadas, incluindo o Boko Haram, o Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP) e as milícias de pastores Fulani.
O estudo aponta para a vulnerabilidade generalizada das mulheres na Nigéria, citando que mais de uma em cada cinco mulheres (21%) entre 15 e 49 anos sofreram violência física ou sexual.
Segundo a carta, milhares de ataques ocorreram entre 2019 e 2025, matando dezenas de milhares de civis, a maioria deles cristãos.
Diversos casos são destacados, incluindo o de uma menina de 13 anos em Nabordo, no estado de Bauchi, que teria sido convertida à força e casada com um menino de 15 anos. Segundo a carta, as tentativas do pai de recuperar a guarda da filha foram bloqueadas por uma comissão da Sharia e pelos tribunais, tendo sido posteriormente interposto um recurso em Jos.
Suspeitos militantes do Boko Haram teriam sequestrado duas filhas de um pastor da Igreja de Cristo nas Nações, juntamente com outros membros da igreja, na Área de Governo Local de Chibok, Estado de Borno, em 12 de novembro de 2025. O paradeiro deles permanece desconhecido, e não houve pedido de resgate nem novas informações por parte das autoridades.
Outro caso envolve uma jovem cristã de 16 anos no estado de Kaduna, cuja mão teria sido decepada em 13 de dezembro de 2025, após sua família se recusar a consentir com um casamento forçado exigido por militantes. Alguns suspeitos foram presos posteriormente, enquanto outros teriam fugido.
Uma mulher cristã adulta foi sequestrada pouco depois de seu casamento em 2025 e supostamente sofreu abuso sexual durante o cativeiro. Ela foi libertada posteriormente, mas teria sofrido estigma em sua comunidade após dar à luz uma criança com atraso no desenvolvimento.
A carta expressa “grave preocupação” com o alegado rapto e abuso sexual de meninas, bem como com casos envolvendo casamento forçado e conversão forçada.
Os especialistas acrescentaram que estavam “muito alarmados” com a tentativa de casamento forçado e o ataque violento contra outra menina, e “perturbados pelos relatos de inação e cumplicidade de funcionários do governo diante desses abusos, pela lentidão das investigações e das ações de busca destinadas a determinar o destino e o paradeiro das meninas sequestradas”.
Além desses casos, os especialistas mencionaram um padrão mais amplo de ataques a aldeias cristãs no estado de Borno e destacaram uma série de incidentes recentes em todo o país.
Esses incidentes incluíram um ataque em Jos Norte, no estado de Plateau, em 29 de março, que teria matado pelo menos 27 pessoas, outros ataques no estado de Plateau no início de maio e o sequestro em massa de alunos e professores de escolas no estado de Oyo em 15 de maio.
A comunicação também chama a atenção para a situação difícil da população deslocada internamente na Nigéria, estimada em cerca de 3,5 milhões de pessoas.
Foi relatado que mulheres e meninas que vivem em campos de deslocados enfrentam acesso inadequado a cuidados de saúde, incluindo cuidados maternos, além de um risco aumentado de exploração sexual.
Uma mulher cristã deslocada internamente, da Área de Governo Local de Mangu, no Estado de Plateau, descreveu as condições enfrentadas durante os ataques, dizendo: “As mulheres deram à luz na chuva durante os ataques e algumas crianças morreram. Não havia comida para as mulheres, algumas não sabem onde estão seus maridos.”
Há relatos de que algumas meninas foram pressionadas a trocar sexo por itens de primeira necessidade.
A carta relata que mulheres cristãs em algumas áreas ocultam sua identidade religiosa ou usam hijab “para se protegerem e serem aceitas na comunidade”.
Os especialistas afirmaram que a crise de segurança mais ampla teve consequências particularmente graves para os cristãos e outras minorias religiosas, declarando que “relatórios apontam que os cristãos na Nigéria estão sendo particularmente visados”.
Eles afirmaram que 3.490 dos 4.849 cristãos supostamente “mortos por sua fé em todo o mundo em 2025” foram mortos na Nigéria, representando cerca de 72% do total global.
A carta também expressou preocupação com a aplicação da lei islâmica (Sharia) em 12 estados do norte e seu impacto sobre os não muçulmanos e as pessoas que abandonam o Islã.
Foi dada especial atenção às disposições relacionadas à blasfêmia, tanto na legislação federal quanto na estadual, incluindo o Artigo 204 do Código Penal nigeriano e as disposições dos códigos penais estaduais.
Os especialistas alertaram que as acusações de blasfêmia, incluindo alegações falsas, contribuíram para ataques e assassinatos de multidões contra minorias religiosas, particularmente cristãos.
Especialistas da ONU afirmaram que a insegurança na Nigéria, em alguns casos, está sendo agravada pela “cumplicidade, aquiescência ou negligência da sociedade e das instituições”.
Eles afirmaram que diversas comunicações anteriores da ONU à Nigéria, entre 2020 e 2023, não foram respondidas, declarando: “Notamos com preocupação que nenhuma resposta foi recebida até o momento.”
A carta mais recente solicita ao governo nigeriano que responda a oito áreas de preocupação, incluindo o andamento das investigações sobre os casos levantados, os esforços para localizar os sequestrados, as medidas para combater a violência contra mulheres e meninas, o acesso humanitário, a situação das leis relacionadas à blasfêmia e as medidas que estão sendo tomadas para proteger as minorias religiosas.
Os especialistas instaram as autoridades a tomarem medidas provisórias para proteger as vítimas e evitar novas violações enquanto as investigações decorrem.
A comunicação citou as obrigações da Nigéria ao abrigo de uma série de acordos internacionais de direitos humanos e sublinhou a responsabilidade do Estado em prevenir, investigar e processar as violações dos direitos humanos cometidas por atores não estatais.
Giorgio Mazzoli, diretor de defesa de direitos humanos da Aliança Internacional para a Defesa da Liberdade (ADF) junto à ONU, saudou a intervenção: “Enquanto grupos armados militantes continuam a aterrorizar comunidades em grande parte da Nigéria, cristãos, minorias religiosas e, especialmente, mulheres e meninas enfrentam um risco crescente de ataques brutais e outras violações dos direitos humanos. A comunicação conjunta de cinco mecanismos da ONU traz a tão necessária atenção internacional para a dimensão das atrocidades que estão sendo perpetradas atualmente.”
Ele prosseguiu: “A carta dos especialistas da ONU observa corretamente como as falhas nas instituições estatais e a falta de ações decisivas agravaram a atual insegurança. As autoridades nigerianas devem agir com urgência com base nessas conclusões e reformar os marcos legais que permitem e exacerbam a discriminação contra cristãos e outras minorias religiosas.”
A publicação da comunicação da ONU ocorre pouco depois de uma decisão do Tribunal Superior Federal que restringe o poder da polícia religiosa islâmica no estado de Kano de agir contra uma mulher que se converteu do islamismo ao cristianismo.
O caso envolveu uma mulher de 22 anos que fugiu de casa em 2025 após alegados maus-tratos por parte de irmãos mais velhos que tentavam arranjar um casamento contra a sua vontade, de acordo com a ADF, que apoiou o seu processo judicial.
Posteriormente, a mulher passou a viver com uma família cristã e converteu-se ao cristianismo.
Posteriormente, seus irmãos envolveram a polícia religiosa Hisbah de Kano, o que resultou em sua prisão.
Durante os quatro dias em que esteve detida, ela teria sofrido abusos físicos e exigências para que concordasse com o casamento.
Após sua libertação, a família cristã a ajudou a se mudar para Jos, devido a preocupações com sua segurança.
Posteriormente, a mulher entrou com um processo por violação de direitos fundamentais contra as autoridades. Em maio, o Tribunal Federal Superior decidiu que o Estado de Kano e a Hisbah não podiam prosseguir com sua prisão porque ela havia se convertido ao Islã ou se recusado a casar.
O tribunal descreveu o tratamento que ela recebeu como uma “violação flagrante” de seus direitos à dignidade humana e à liberdade religiosa e ordenou o pagamento de uma indenização.
No entanto, a família cristã que auxiliou a mulher continua enfrentando processos criminais após ser acusada por seus parentes de sequestro.
A família nega a acusação e permanece em liberdade sob fiança enquanto o caso prossegue.
A mulher disse à ADF: “A família Abara me acolheu em um momento em que eu não tinha para onde ir. Sou grata a eles, especialmente por me apresentarem ao Evangelho. Não é ilegal eu escolher minha fé em Jesus. Sou grata por o tribunal ter reconhecido minha liberdade de me tornar cristã e por agora estar protegida da polícia religiosa.”
Sean Nelson, conselheiro sênior para a liberdade religiosa global na ADF, comentou: “Ninguém deve ser coagido a abandonar sua fé e, certamente, nenhum cristão deve ser ameaçado pela polícia da moralidade islâmica. A decisão do tribunal no caso de Sarah confirma que a polícia Hisbah não tem jurisdição sobre cristãos ou outros não muçulmanos.”
“O Estado jamais deveria punir alguém por praticar pacificamente sua fé ou por ajudar outros a vivê-la em segurança… Esperamos que o caso de Sarah sirva para conter a expansão da jurisdição da Hisbah, ajude a libertar os Abaras, que devem ter todas as acusações contra eles retiradas imediatamente, e leve à afirmação da liberdade religiosa para todos na Nigéria, independentemente da fé que escolherem.”
A ADF esteve envolvida em vários outros casos de liberdade religiosa na Nigéria. Entre eles, o caso de Rhoda Jatau, uma mãe cristã que passou 19 meses detida após ser acusada de compartilhar material considerado blasfemo, antes de ser absolvida em dezembro de 2024.
A ADF também apoia o músico sufi Yahaya Sharif-Aminu, que foi condenado à morte após uma mensagem de WhatsApp ter sido considerada blasfema. Ele já passou mais de cinco anos na prisão, enquanto seu caso permanece em análise pelo Supremo Tribunal da Nigéria.
O tratamento dado pela Nigéria às minorias religiosas tem atraído crescente atenção internacional nos últimos anos.
Em outubro de 2025, os Estados Unidos reclassificaram o país como um “País de Preocupação Especial” em relação à liberdade religiosa, após apelos da ADF International e de outras organizações de direitos humanos. A medida foi tomada após ataques militares direcionados realizados pelos EUA em dezembro do ano anterior, em resposta à violência contínua contra cristãos.
No início deste ano, a Genocide Watch e a Aliança Contra o Genocídio instaram a ONU a investigar o que descreveram como um “genocídio por desgaste”, alegando que grupos jihadistas mataram mais de 60.000 pessoas e deslocaram mais de 2,2 milhões desde 2001.
Folha Gospel com informações de The Christian Today
Funeral de cristãos mortos na Nigéria (Foto: Reprodução)
No início de agosto de 2026, uma onda de ataques violentos realizados por pastores extremistas Fulani resultou na morte de pelo menos 31 cristãos em comunidades rurais localizadas no centro da Nigéria. As ações coordenadas atingiram vilarejos nos estados de Plateau, Nasarawa e Benue, gerando um cenário de devastação e luto na região do Cinturão Médio do país.
Entre as vítimas das incursões violentas estão crianças inocentes, incluindo bebês de apenas três meses de idade, além de importantes lideranças locais e religiosas. Os episódios reacendem o alerta internacional sobre a vulnerabilidade das minorias religiosas nigerianas frente a milícias armadas radicalizadas que atuam em áreas agrícolas rurais.
A escalada de violência no estado de Plateau
No estado de Plateau, ao menos 16 cristãos foram assassinados desde o dia 2 de agosto. Terroristas armados invadiram cinco aldeias predominantemente cristãs na região de Riyom, ao sudoeste de Jos, disparando contra os moradores e incendiando residências enquanto as famílias dormiam em suas casas.
No dia 12 de agosto, as comunidades de Kyeng e Gwa-Wereng Rim foram atacadas à noite, resultando na morte de Bulus Mwagwong e Stephen Dachollom Kaze. Outros ataques brutais ocorreram nas aldeias de Dorong e Jol, onde casas foram incendiadas pelos invasores.
Anteriormente, em 4 de agosto, uma ação na vila de Tanjol tirou a vida de três homens: Dachung Danjuma, Victor Danjuma e Nyam Danjuma. Já no dia 2 de agosto, dez cristãos foram brutalmente mortos nas comunidades de Torok, Kum e Wereng Camp, incluindo:
Jennifer Yohanna, uma bebê de apenas 3 meses de idade;
Reto James, uma criança de 10 anos;
Endurance James, de 8 anos;
David Dachollom Danjuma, ex-parlamentar local assassinado em Torok.
O deputado federal Fom Dalyop Chollom classificou o assassinato do ex-parlamentar como um ato bárbaro de terrorismo que visa desestabilizar a região e propagar o medo entre os moradores locais, cobrando ação imediata das forças de segurança estatais.
A emboscada e morte de líder jovem em Nasarawa
A violência também fez vítimas no estado vizinho de Nasarawa. No dia 10 de agosto de 2026, líderes da igreja Evangelical Church Winning All (ECWA) conduziram o funeral de Filibus Usman Kuje, de 48 anos, na aldeia de Amaha, no condado de Kokona.
Kuje, que atuava como líder de jovens do conselho distrital de Ungwan Takwa, foi morto em uma emboscada armada por pastores Fulani em 6 de agosto, quando retornava de uma programação religiosa. A comunidade eclesiástica local expressou profundo pesar e pediu orações para a família do líder em meio a este período de dor.
Desespero e sepultamento coletivo no estado de Benue
No estado de Benue, o sofrimento se repetiu de forma devastadora. Milhares de fiéis reuniram-se em Efeyi, no distrito de Ugboju, para o sepultamento coletivo de 15 cristãos assassinados em um ataque surpresa ocorrido na madrugada de 28 de julho.
“Este não é apenas mais um funeral, mas o sepultamento de sonhos, esperanças, famílias e futuros”, desabafou Orga Stephen, morador da região que acompanhou a despedida dos corpos de vítimas como Emmanuel Agwu, Ikpe John e Ameh Fredrick.
Moradores locais relataram que o ataque ocorreu por volta das 5 horas da manhã, surpreendendo os moradores que ainda estavam dormindo. A comunidade clama por proteção estatal urgente para que os cristãos possam viver e trabalhar em suas terras sem o medo diário da violência.
O avanço do extremismo e a crise humanitária nigeriana
A crise enfrentada por essas populações reflete uma realidade estatística alarmante. De acordo com a Lista Mundial da Perseguição 2026 da organização Portas Abertas, a Nigéria ocupa a sétima posição entre os países onde é mais difícil praticar a fé cristã. Entre outubro de 2024 e setembro de 2025, o país registrou 72% de todas as mortes de cristãos por motivação religiosa no mundo inteiro, somando 3.490 vítimas fatais.
Líderes locais apontam que os ataques promovidos por pastores Fulani extremistas no Cinturão Médio nigeriano são motivados pelo avanço da desertificação, que reduz pastos disponíveis, impulsionando a tomada violenta de terras agrícolas geridas por cristãos e a imposição forçada do Islã.
O cenário é agravado pela presença de outros grupos terroristas no norte do país, como o Boko Haram, o Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP) e a nova facção jihadista Lakurawa, ligada à Al-Qaeda. Diante do enfraquecimento do controle governamental nas áreas rurais, os moradores dessas regiões permanecem sob constante ameaça de incursões armadas e sequestros.
Igreja ADVEC Recife, na Caxangá, destruída pelo fogo. (Foto: Reprodução)
Fogo atingiu igreja da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, no bairro do Cordeiro, na manhã deste domingo (16); Corpo de Bombeiros mobilizou equipes e não houve registro de feridos
Um incêndio de grandes proporções atingiu, na manhã deste domingo (16), um templo da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC)localizado na Avenida Caxangá, no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife. O fogo provocou danos significativos no interior da igreja, atingiu a área onde são realizados os cultos e causou o desabamento de parte do teto.
O incêndio mobilizou o Corpo de Bombeiros, que enviou várias viaturas para combater as chamas. As informações divulgadas pelas fontes consultadas apontam para o emprego de oito viaturas na ocorrência, enquanto outra reportagem mencionou nove veículos. Após o controle do fogo, os bombeiros realizaram o trabalho de rescaldo para evitar que novos focos surgissem.
Segundo relatos de testemunhas, o fogo começou por volta das 8h30. Uma das informações divulgadas sobre a ocorrência aponta que dois funcionários estavam no local quando as chamas começaram. Um deles, que trabalhava como zelador, teria percebido o incêndio e acionado o Corpo de Bombeiros.
As circunstâncias exatas do início do incêndio ainda não foram determinadas. Testemunhas relataram que as chamas teriam começado na parte interna do templo, nas proximidades de uma mesa de som, mas essa informação ainda não foi confirmada oficialmente pelas autoridades. A avaliação da estrutura e informações da concessionária de energia deverão contribuir para esclarecer a origem do fogo.
Teto desabou e interior do templo ficou destruído
Imagens divulgadas após o incêndio mostram a dimensão dos estragos. A área destinada aos cultos foi fortemente atingida, com cadeiras e outros equipamentos destruídos pelas chamas. Parte do teto também desabou durante o incêndio.
Apesar dos danos, algumas áreas do prédio permaneceram preservadas. Segundo informações divulgadas por uma das equipes que atenderam à ocorrência, salas administrativas e outras dependências da igreja não foram atingidas diretamente pelo fogo.
A Defesa Civil do Recife foi acionada para avaliar as condições da estrutura do imóvel depois que os bombeiros concluíram o combate às chamas. O local permaneceu sob supervisão das autoridades para avaliação dos riscos provocados pelo incêndio e pelo desabamento.
Não houve registro de feridos
Apesar da intensidade do incêndio e dos danos provocados no templo, não houve registro de pessoas feridas. As informações sobre a presença de funcionários no momento do início do fogo indicam que eles conseguiram deixar o local e acionar o socorro.
A ocorrência também chamou a atenção de moradores e pessoas que passavam pela Avenida Caxangá. A grande quantidade de fumaça e a intensidade das chamas puderam ser observadas de diferentes pontos da região.
Culto precisou ser cancelado
Um culto que estava previsto para ocorrer no templo atingido pelo incêndio precisou ser cancelado. A programação religiosa da ADVEC, entretanto, foi mantida em outra unidade da igreja, localizada no bairro da Imbiribeira.
A própria ADVEC confirmou o incêndio em seu site oficial e informou que o pastor Silas Malafaia se manifestou sobre o ocorrido.
Malafaia também publicou imagens do incêndio em suas redes sociais (Veja vídeo no final da matéria). Segundo informações divulgadas pelo Pleno.News, o pastor afirmou que o templo poderá ser reconstruído ou que a igreja poderá receber um novo espaço.
Igreja avalia os próximos passos
Com o incêndio controlado, o foco agora passa a ser a avaliação dos danos estruturais e a investigação sobre a origem das chamas. A Defesa Civil deverá verificar as condições do imóvel antes que qualquer decisão sobre sua utilização seja tomada.
A ocorrência destruiu grande parte da área destinada aos cultos, mas não interrompeu as atividades da denominação, que informou que os cultos continuam em outra unidade.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre a causa do incêndio. A hipótese de problema elétrico ou de um foco iniciado próximo à mesa de som aparece nos relatos preliminares, mas ainda depende de investigação técnica.
O episódio mobilizou moradores do Cordeiro durante a manhã deste domingo e deixou um dos templos da ADVEC no Recife com graves danos materiais. Apesar da destruição, não houve vítimas, e a denominação já trabalha com alternativas para manter suas atividades enquanto aguarda a avaliação da estrutura atingida.
No dia 6 de agosto de 2026, a tradução dos quatro Evangelhos para o dialeto galês do norte de Pembrokeshire é lançada oficialmente durante o festival Eisteddfod. O projeto busca aproximar a mensagem bíblica da comunidade local, valorizando a identidade linguística característica dessa região histórica do País de Gales.
O lançamento da obra digital e em formato de áudio celebra o legado do Reverendo Lyn Lewis Dafis, responsável por traduzir os textos sagrados. Sob o título original de Y Beder Ifengyl yn iaith Sir Benfro, a iniciativa ganha vida através de um esforço comunitário para preservar as nuances desse falar regional.
A preservação de uma identidade linguística regional
Enquanto a região sul de Pembrokeshire é predominantemente anglófona, a porção norte desenvolveu um dialeto singular da língua galesa. Motivado por essa riqueza cultural, o Reverendo Lyn Lewis Dafis iniciou o projeto com o objetivo de tornar as escrituras sagradas mais acessíveis e relevantes para os moradores locais.
Utilizando a versão Beibl Cymraeg Newydd (Nova Bíblia Galesa) como ponto de partida, ele verteu os quatro Evangelhos para o dialeto de sua terra natal. Embora a tradução tenha sido concluída por volta do ano 2000, o manuscrito permaneceu inédito até o falecimento do autor.
A trajetória do tradutor Lyn Lewis Dafis
Nascido em 1960 em Llain, Mynachlog-Ddu, no sudoeste de Gales, Lyn Lewis Dafis dedicou sua vida acadêmica e espiritual ao seu país. Graduou-se em Língua e Literatura Galesa na Aberystwyth University e trabalhou por 25 anos como bibliotecário na Biblioteca Nacional de Gales a partir de 1989.
Como teólogo talentoso, Dafis tinha uma habilidade notável de comunicar os ensinamentos religiosos de forma clara para todas as idades. Ele colaborou frequentemente com a Radio Cymru e escreveu para diversos periódicos galeses sob o nome bárdico de Dogfael. Em 2002, recebeu as vestes brancas no National Eisteddfod de St David’s e, a partir de 2005, manteve um blog sob sua identidade de bardo.
Na vida clerical, atuou na igreja Eglwys y Santes Fair antes de ser ordenado diácono em 2015 e sacerdote em 2016. Ele serviu como vigário na St John’s Church, em Penrhyncoch, e foi nomeado Oficial de Língua Galesa para a Diocese de St David’s em 2021. Dafis faleceu em 2022, aos 61 anos.
O projeto de áudio e o lançamento oficial no Eisteddfod
Com a autorização da família do tradutor, o texto foi inicialmente disponibilizado na internet. Em 2026, a Sociedade Bíblica encomendou uma versão em áudio da obra. A gravação foi realizada pela Undeb yr Annibynwyr Cymraeg em parceria com a Llyfrau Llafar Cymru, contando com a participação de voluntários de toda a região de Pembrokeshire.
O projeto ganhou visibilidade nacional ao ser apresentado no programa de televisão em língua galesa Dechrau canu dechrau canmol, da BBC Cymru, no dia 31 de maio de 2026. O lançamento oficial da versão em áudio ocorreu na edição de Pembrokeshire do festival Eisteddfod, apresentado por Sian Rees, integrante da Sociedade Bíblica.
O Eisteddfod é um dos maiores eventos culturais da Europa, reunindo cerca de 150 mil visitantes anualmente para celebrar a música, a literatura e a arte galesas. O festival serviu como o cenário ideal para homenagear a memória e o trabalho de Lyn Lewis Dafis.
Como acessar a tradução dos evangelhos
O público pode ter acesso imediato ao material de forma totalmente gratuita e digital. A gravação em áudio dos quatro Evangelhos está disponível por meio das seguintes plataformas:
Aplicativo ap Beibl: basta baixar o aplicativo gratuito nas lojas de aplicativos móveis e selecionar a opção Y Beder Ifengyl.
YouVersion: os arquivos de áudio também podem ser acessados diretamente pela plataforma digital de leitura bíblica.
A iniciativa garante que a herança cultural e espiritual do dialeto de Pembrokeshire continue viva para as próximas gerações.
Inundação em uma região africana (Foto: Reprodução)
A organização Compassion International alerta para o risco de inundações devastadoras a partir de outubro de 2026 em diversas nações da África
A organização humanitária Compassion International iniciou uma mobilização preventiva com mais de 8 mil igrejas parceiras em 29 países da África para enfrentar os impactos de um fenômeno El Niño que promete ser um dos mais intensos já registrados, com previsão de início para outubro de 2026. A preparação antecipada visa mitigar os efeitos de graves inundações projetadas principalmente para a África Oriental e Ocidental, conforme detalhado pela gerente sênior de resposta a desastres da instituição, Faith Magadi, ao portal Christian Daily International.
Projeções do Centro de Previsão Climática da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam uma probabilidade de 63% de ocorrência de um evento classificado como muito forte, caracterizado por temperaturas da superfície do mar acima de 2,0 °C da média na região monitorada do Pacífico. Em meados de julho, o Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade registrou o índice semanal da região Niño 3.4 em 2,1 °C acima da média, com modelos climáticos convergindo para um pico de intensidade entre outubro e dezembro.
A variabilidade histórica do fenômeno exige cautela e ação antecipada dos órgãos locais. A especialista da Compassion reforçou que o comportamento do clima exige atenção constante às previsões regionais.
“A maneira como o El Niño se comporta é; às vezes prevê-se que seja muito forte e não se confirma tão forte. Às vezes não se prevê que seja realmente forte e surge mais forte do que o previsto. Com o El Niño, há sempre uma chance de 50/50, mas este parece cada vez mais provável à medida que o tempo passa.”
O mapeamento de vulnerabilidade elaborado pela Compassion aponta que países como Quênia, Uganda, Etiópia, Tanzânia e Ruanda estão em rota direta de colisão com o excesso de chuvas na África Oriental. Na porção ocidental do continente, nações como Gana, Togo e Burkina Faso apresentam uma exposição inédita se comparada a eventos anteriores. No território ganense, o impacto já se faz notar com índices pluviométricos severos registrados entre junho e julho, resultando em inundações que desalojaram milhares de famílias e provocaram dezenas de mortes, incluindo na vizinha Costa do Marfim. Em Gana, o balanço governamental liderado pelo ministro do Interior, Mohammed Muntaka Mubarak, apontou 12 mortos, sete desaparecidos e mais de 38 mil pessoas afetadas em 25 comunidades, após chuvas de cerca de 140 milímetros atingirem a capital sob a gestão do presidente John Mahama.
Impacto acumulado agrava vulnerabilidade social
A sobreposição de crises agrava o cenário para as populações que já vivem em situação de vulnerabilidade extrema. Magadi descreveu o efeito cascata provocado por um desastre dessa magnitude em comunidades empobrecidas.
“Uma inundação está se somando à pobreza. Somando-se a uma estação de chuvas fracassada. Somando-se a habilidades limitadas e acesso limitado a serviços financeiros. O que acontece com a acumulação de fatores é que ela leva a uma crise prolongada. Uma crise que teria sido resolvida em três meses vai se prolongar.”
Dados do relatório de risco climático infantil da UNICEF revelam que mais de 65 milhões de crianças no leste e sul da África já estão expostas a múltiplos riscos climáticos sobrepostos. A assistência humanitária da Compassion já atuou anteriormente na mesma região de dezembro de 2025 a fevereiro de 2026, distribuindo alimentos e recursos financeiros para cerca de 7 mil famílias no condado de Marsabit, no Quênia, alcançando aproximadamente 43 mil pessoas.
As quatro etapas de preparação das igrejas
Diante da iminência do desastre, a Compassion orienta as lideranças eclesiásticas locais a assumirem um papel central na liderança comunitária e na interlocução com autoridades públicas, forças policiais e divisões governamentais de emergência. A estratégia institucional baseia-se em quatro etapas fundamentais de preparação para os próximos meses: organização estrutural interna das paróquias, aquisição de equipamentos de emergência como lanternas e aparelhos de comunicação rudimentares, mapeamento de moradores vulneráveis — com atenção especial a idosos, pessoas com deficiência e famílias chefiadas por menores — e conscientização das famílias para ações preventivas dentro de suas capacidades financeiras.
A eficiência financeira da preparação também justifica o foco preventivo adotado pela organização. Estudos indicam que cada dólar investido na preparação de desastres economiza cerca de sete dólares que seriam aplicados na resposta emergencial posterior, proporção também referendada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pelo Programa Mundial de Alimentos (WFP), que lançaram um apelo conjunto de 202 milhões de dólares em junho de 2026 para proteger 8,8 milhões de pessoas.
A especialista reforçou as vantagens práticas da mitigação precoce.
“A resposta vem com logística, infraestrutura quebrada que você precisa consertar, e é maior do que a preparação.”
Embora os modelos apontem para um cenário severo, cientistas recomendam cautela na análise de projeções de longo prazo. Pesquisadores do clima como Paul Roundy alertam que o histórico de super El Niños é restrito a apenas três registros instrumentais confiáveis, o que limita a base para previsões categóricas. Enquanto o leste da África aguarda altos volumes de chuva, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (IFAD) alerta que regiões do Sahel e do sul do continente podem enfrentar secas severas no mesmo período.
Torre Eiffel em Paris, capital da França (Foto: Canva Pro)
Um levantamento recente revelou que 40 crimes de ódio anticristãos foram registrados em toda a Europa durante o mês de julho. Os incidentes incluíram vandalismo, profanação de templos e até violência física direta contra fiéis, mantendo um padrão preocupante já observado em períodos anteriores.
Os dados foram documentados pelo Observatório sobre a Intolerância e Discriminação Contra Cristãos na Europa (OIDAC Europa). O órgão apontou que os ataques visaram locais de culto, símbolos religiosos, cemitérios e indivíduos devido à sua fé, acendendo um alerta sobre a segurança dessas comunidades no continente.
Como os crimes de ódio contra cristãos se distribuíram em julho
O relatório mensal do OIDAC Europa classificou as 40 ocorrências por tipo de hostilidade. O vandalismo liderou as estatísticas, evidenciando uma tendência contínua de danos deliberados contra o patrimônio religioso cristão.
A divisão exata das ocorrências de julho aponta os seguintes registros:
Vandalismo: 18 casos registrados.
Ataques incendiários: 8 ocorrências.
Profanações: 7 episódios direcionados a locais sagrados.
Violência física: 2 agressões contra pessoas.
Ameaças: 2 casos documentados.
Roubo de objetos religiosos: 2 ocorrências.
Vandalismo combinado com violência: 1 caso registrado.
Esse volume geral de ataques é idêntico ao registrado em junho, que também somou 40 incidentes, ficando ligeiramente abaixo do pico de 41 casos registrados no mês de março.
Países com maior número de ocorrências
A análise geográfica dos dados mostra que a Europa Ocidental concentra a maior parte dos crimes de ódio registrados no período. A Alemanhaliderou a lista de nações mais afetadas, somando 15 incidentes ao longo do mês de julho.
Na sequência, a França registrou 10 ocorrências, seguida pela Itália com 5 casos, o Reino Unido com 3 e a Polônia com 2 episódios. Países como Áustria, Finlândia, Irlanda, Turquia e Bósnia e Herzegovina registraram um crime de ódio anticristão cada.
Essa distribuição segue a tendência apontada no relatório anual anterior da organização, que documentou 2.211 crimes de ódio contra cristãos na Europa, com França, Reino Unido e Alemanha figurando historicamente como os países mais afetados.
Casos graves de profanação e violência registrados em julho
Entre as ocorrências mais graves detalhadas pelo relatório, destacam-se atos de profanação extrema de templos usando dejetos humanos ou animais. Na igreja católica St. Johann, em Bad Dürrheim, na Alemanha, um homem de 40 anos sob o efeito de álcool deixou excrementos no interior do templo e quebrou portas e janelas de vidro, causando um prejuízo estimado em 15.000 euros.
Outros templos também foram alvo de vandalismo semelhante. Na igreja católica de St. Giles, em Worth am Rhein, também na Alemanha, fezes de cachorro foram colocadas diante do altar por um autor desconhecido.
Na França, a igreja de St. Symphorien, em Chambray-les-Tours, teve hóstias espalhadas pelo chão e dejetos deixados perto da entrada. Em Abenheim, na Alemanha, vândalos urinaram na pia de água benta da igreja de St. Boniface.
Ameaças violentas também foram registradas, como na igreja Sancta Maria in Albis, em Breil-sur-Roya, na França, onde foi deixada uma mensagem escrita com a frase: “A única igreja que ilumina é a que queima”.
Além dos ataques aos templos, a integridade física dos fiéis foi diretamente afetada. Em Tramore, na Irlanda, uma mulher que rezava na igreja católica Holy Cross foi esfaqueada antes da missa matinal por um homem com problemas mentais conhecidos. A vítima sofreu ferimentos graves, mas que não apresentavam risco de morte.
O que representam esses números para a segurança dos fiéis
O OIDAC Europa utiliza esses levantamentos mensais e anuais, construídos a partir de pesquisas próprias, registros policiais e dados de outras entidades, para reportar suas conclusões à OSCE para o seu relatório anual de crimes de ódio. O objetivo da organização é garantir um ambiente onde os cristãos possam exercer plenamente seus direitos de liberdade de religião, consciência, expressão e associação.
O levantamento ressalta que muitos outros incidentes de vandalismo e violência ocorreram na Europa em julho, mas foram excluídos das estatísticas oficiais porque uma motivação anticristã explícita não pôde ser estabelecida com precisão.
De acordo com o relatório, os dados de julho continuam a demonstrar um padrão persistente de ataques que afetam locais de culto, símbolos religiosos, comunidades cristãs e expressões visíveis da fé cristã em todo o território europeu.