Investigação policial aponta que o suspeito prometia retornos mensais de até dez por cento para os fiéis usando a instituição digital GAL Invest Bank
O pastor Roberto Vieira Soares, líder da Igreja Apostólica Vida e Adoração, está sob investigação policial por gerenciar um esquema de pirâmide financeira disfarçado de investimentos. O suspeito utilizava sua influência religiosa e reuniões fora dos cultos para captar dinheiro de fiéis e pessoas próximas, prometendo lucros elevados através de uma plataforma digital, segundo informações da Polícia Civil.
Funcionamento do esquema e promessas de lucros
O modelo oferecido garantia vantagens financeiras desproporcionais aos membros do ministério religioso. Em depoimentos prestados por vítimas, Soares garantia que os frequentadores da sua igreja teriam retorno de 10% ao mês sobre o capital aportado, enquanto pessoas sem vínculo direto com o templo receberiam uma taxa de 5%. O acordo estipulava o pagamento de rendimentos mensais com a devolução integral do montante investido após o período de um ano.
Os levantamentos apontam que a atuação do líder religioso ultrapassava as funções ministeriais normais do templo. O delegado Vinícius Miranda detalhou o comportamento do investigado durante as pregações.
“Esse pastor utilizava o púlpito como um verdadeiro balcão de negócios”
Nos primeiros meses da operação, o pastor realizava as transferências dos lucros combinados aos investidores para dar uma aparência de legalidade e estimular novos aportes. O delegado Vinícius Miranda descreveu o funcionamento dessa dinâmica inicial.
“Com isso, atraía mais pessoas. Só que, como em toda pirâmide, depois de um certo momento ele só arrecadava os valores e não enviava mais os pagamentos.”
Para concretizar as operações, as captações financeiras eram direcionadas para a GAL Invest Bank, instituição financeira conhecida entre as vítimas como “Banco do Pastor”. Uma das pessoas lesadas relatou à polícia que Soares promovia os investimentos com frequência e organizava reuniões comerciais exclusivas em ambientes externos ao templo. Confiando nas garantias oferecidas pelo religioso, essa vítima realizou um aporte de R$ 150 mil.
Quando o fluxo de pagamentos começou a falhar, outros integrantes do grupo apresentavam justificativas técnicas para reter os valores. O delegado Renan Mello esclareceu as táticas de adiamento adotadas pela organização.
“Quando passavam a ter problema no fluxo de pagamento, outros indivíduos da organização criminosa alegavam que contas estavam bloqueadas ou que a empresa estava com problema de fluxo de caixa, a fim de postergar e tentar ludibriar cada vez mais as vítimas pelo fato de elas não estarem recebendo o rendimento combinado”
Dom Juan Abelardo Mata Guevara, 80 anos, foi detido pela Prisão de Segurança Máxima El Chipote em Manágua, Nicarágua, em 29 de junho de 2026. (Foto: Captura de tela/YouTube/La Prensa Nicarágua)
Gravações do bispo emérito Abelardo Mata divulgadas por canal estatal tentam simular rotina de normalidade após a prisão do religioso idoso na Nicarágua
A ditadura da Nicarágua autorizou a exibição de um vídeo do bispo emérito de Estelí, Abelardo Mata, de 80 anos, detido pela polícia em junho após criticar a perseguição à Igreja Católica. As imagens, transmitidas pelo canal estatal Canal 6, mostram o religioso em uma propriedade rural na província de Masaya, onde o regime alega que ele cumpre prisão domiciliar desde o início de julho, conforme informações publicadas pelo The Christian Post.
Entrevista em meio ao confinamento
Na gravação, conduzida pelo parlamentar e jornalista governista Adolfo Pastrán, o bispo aparece caminhando por uma propriedade agrícola e conversando sobre cultivos. Ao ser questionado sobre o tratamento que recebe e suas atividades diárias, o clérigo mencionou visitas de familiares e detalhou sua rotina atual.
“Sim, isso não é um problema. Gosto do silêncio, do estudo e da oração. Estou no meu elemento, levando uma vida monástica; é isso que estou fazendo — oração e trabalho intelectual.”
Críticas e denúncias de propaganda
A gravação, no entanto, foi classificada como peça de propaganda por opositores e membros do clero no exílio. O vigário da paróquia de St. Agatha em Miami, Edwing Román, enfatizou que a entrevista ignora o fato de o bispo ter sido interceptado por viaturas policiais ao deixar uma clínica médica em Estelí para exames de rotina em seu marcapasso. Ele argumentou que a divulgação tenta rebater a pressão internacional, omitindo as patrulhas de segurança que cercam o local e impedem a livre circulação de Mata.
Román também ressaltou a trajetória do bispo de oitenta anos e as arbitrariedades cometidas pela ação estatal.
“Mantiveram-no sob restrições e incomunicável por semanas, além de tentarem manchar sua reputação de integridade ao questioná-lo sobre suas propriedades. O confinamento faz parte do padrão de assédio que a Igreja na Nicarágua enfrenta.”
Reação internacional e histórico de perseguição
O bispo foi detido originalmente em 29 de junho e mantido em uma prisão comum por algumas horas antes de ser transferido. Em comunicado oficial divulgado em 4 de julho, o governo da Nicarágua declarou que o idoso havia retornado à sua residência em perfeitas condições e que teria reconhecido ter sido tratado com respeito pelas forças de segurança durante as investigações sobre supostas violações de leis nacionais.
A prisão gerou forte reação diplomática dos Estados Unidos, que exigiram a libertação imediata e incondicional do religioso. O Departamento de Estado americano destacou que o clérigo possui problemas crônicos de saúde e não representa ameaça, tendo sido detido unicamente por rezar publicamente pelo bispo exilado Rolando Álvarez, que foi condenado a mais de 26 anos de prisão em 2022 e posteriormente deportado para o Vaticano em 2024.
Relatórios de monitoramento de perseguição religiosa situam a Nicarágua na 32ª posição entre os países com maior hostilidade contra minorias cristãs. O governo liderado por Daniel Ortega e Rosario Murillo rotula a liderança católica como agentes desestabilizadores, intensificando o silenciamento de vozes contrárias às políticas estatais.
Kevin Rideout, piloto missionário americano sequestrado no Níger retorna à custódia dos Estados Unidos. (Foto: Reprodução)
Kevin Rideout está sob custódia do FBI e retorna ao seu país natal após passar meses em cativeiro na África Ocidental, aponta o The Christian Post
O piloto missionário norte-americano Kevin Rideout foi libertado do cativeiro no Níger e já se encontra sob a custódia de autoridades dos Estados Unidos. Ele havia sido sequestrado em outubro do ano passado na capital do país africano e agora viaja de volta para a América do Norte em boas condições de saúde, conforme informações divulgadas pelo The Christian Post.
Agentes federais confirmaram que o profissional da organização evangélica Serving In Mission, com sede na Carolina do Norte, está sob a guarda do FBI. O paradeiro e o estado do missionário eram mantidos sob sigilo há meses, mobilizando campanhas de oração lideradas por influenciadores religiosos no exterior. Os detalhes do local do resgate e a identidade dos captores não foram divulgados de forma oficial.
Instabilidade política e perigo na região
Rideout atuava há anos no transporte aéreo de equipes e insumos humanitários por países da África Ocidental. O rapto ocorreu na região central de Niamey, nas proximidades do palácio presidencial, quando três homens armados renderam o piloto perto do hotel Grand Bravia. O episódio aconteceu em meio à instabilidade política que atinge o país desde o golpe de Estado em julho de 2023.
A libertação do piloto era tratada como prioridade máxima pelo governo de Donald Trump desde o momento da captura. Diante do ocorrido, a embaixada norte-americana em Niamey publicou um alerta de segurança formal, reforçando que os cidadãos dos Estados Unidos enfrentam um elevado risco de sequestro em todo o território nigerino.
Edir Macedo é líder e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (Foto: Reprodução)
Projeto é apresentado como jornada de reconstrução espiritual, mas entidades questionam possível uso da estrutura da igreja para mobilização eleitoral.
A Igreja Universal do Reino de Deus iniciou em agosto uma campanha de 52 dias chamada “Desafio de Neemias”, apresentada aos fiéis como uma jornada de fé, foco e reconstrução espiritual. A iniciativa, porém, passou a ser alvo de questionamentos de entidades e grupos que apontam possível utilização da estrutura religiosa para mobilização política às vésperas das eleições de 2026.
O principal ponto de atenção é o calendário: a campanha começou em 13 de agosto e termina em 4 de outubro, exatamente na data marcada para o primeiro turno das eleições deste ano. A Universal não faz, na apresentação oficial do projeto, uma referência direta ao pleito. Ainda assim, reportagens apontam que os temas propostos ao longo dos 52 dias incluem expressões como “guardiões da família”, “governantes contra o povo” e “sob o jugo de tiranos”, o que alimentou o debate sobre uma eventual conexão entre a mobilização religiosa e o cenário eleitoral.
Por que 52 dias?
O nome da campanha é uma referência ao livro bíblico de Neemias. Segundo o relato do Antigo Testamento, Neemias liderou a reconstrução dos muros de Jerusalém, trabalho concluído em 52 dias.
A Universal utiliza essa narrativa como símbolo para a campanha. Os participantes recebem desafios diários e cada atividade cumprida é apresentada como uma “pedra” acrescentada a uma espécie de “muralha espiritual”.
Para participar, o fiel precisa se cadastrar em um aplicativo ou plataforma ligada ao projeto, onde acompanha as metas e tarefas propostas. Entre os objetivos anunciados estão a restauração dos valores cristãos, o fortalecimento da fé e a proteção das famílias.
A campanha é conduzida por lideranças da Universal, entre elas o bispo Alessandro Paschoall, ligado ao Arimateia, projeto da denominação voltado à conscientização e participação política.
Relação entre fé e política
A atuação política da Universal não é recente. A denominação possui histórico de participação em eleições e mantém ligação com o partido Republicanos, que teve origem em um grupo político associado à igreja.
O Arimateia, comandado por Paschoall, trabalha justamente na aproximação entre fé e participação política. Em materiais relacionados ao projeto, a ideia de que religião e política não devem se misturar é contestada.
Na apresentação do “Desafio de Neemias”, um dos temas utilizados como ponto de partida é a necessidade de “se importar”. Em uma gravação feita em Jerusalém, Paschoall também resgatou o período da pandemia de Covid-19 e criticou o fechamento de templos religiosos durante as medidas de restrição.
Segundo ele, aquela experiência deveria servir como alerta para que situações semelhantes não voltassem a ocorrer. A referência à pandemia chama atenção porque o fechamento de templos durante a crise sanitária havia provocado forte reação de setores religiosos alinhados ao então governo Jair Bolsonaro.
Entidades questionam possível uso eleitoral da estrutura da igreja
A campanha também provocou reação de entidades que passaram a questionar se a mobilização poderia ultrapassar os limites de uma iniciativa exclusivamente religiosa.
A Associação Movimento Brasil Laico apresentou uma representação à Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo pedindo investigação sobre possíveis irregularidades relacionadas à atuação política da Igreja Universal. Entre os pontos levantados estão suspeitas de abuso de poder econômico, político e religioso, eventual utilização de recursos vedados, propaganda eleitoral em templos, possível coação de eleitores e tratamento de dados pessoais sensíveis.
A denúncia ganhou força a partir de reportagens que apontaram que o “Desafio de Neemias” poderia funcionar também como instrumento de mobilização de eleitores ligados à denominação.
A crítica mais contundente é a de que a campanha poderia aproveitar a capacidade de organização da Universal — que possui uma ampla rede de templos, pastores, bispos e canais de comunicação — para manter os fiéis mobilizados durante todo o período eleitoral.
A CartaCapital classificou a iniciativa, segundo a denúncia apresentada por uma associação, como uma possível “máquina de engajamento eleitoral”.
Relatos apontam estratégia de mobilização
Reportagens também ouviram pastores e ex-pastores da Universal sob condição de anonimato. Segundo esses relatos, o projeto teria, além do objetivo espiritual apresentado oficialmente, a função de aproximar novamente os fiéis dos candidatos ligados à denominação e ampliar a capacidade de mobilização eleitoral.
Uma apuração publicada pelo ICL Notícias afirma que a campanha seria utilizada para formar uma rede de mobilização em favor de candidatos ligados à igreja, especialmente pastores e bispos que disputarão cargos nas eleições de outubro.
Outro relato citado em reportagens aponta que os participantes seriam estimulados a ampliar a rede de pessoas envolvidas no projeto, recebendo tarefas, vídeos e conteúdos ao longo dos 52 dias.
Essas acusações, porém, são apresentadas como relatos de fontes ouvidas pelas reportagens e não equivalem a uma conclusão de que a campanha tenha cometido irregularidades eleitorais.
O que diz a legislação eleitoral?
A avaliação jurídica apresentada pela Folha de S.Paulo é de que, por si só, uma campanha de oração ou mobilização religiosa não configura necessariamente uma infração eleitoral.
O advogado eleitoral Alberto Rollo avaliou que uma iniciativa como o “Desafio de Neemias” pode ser realizada por uma igreja, mesmo durante o período eleitoral, desde que não seja utilizada para práticas proibidas pela legislação.
Entre as condutas vedadas estão o financiamento de candidatos por igrejas, a utilização de templos para determinadas atividades de campanha e o pedido explícito de votos dentro dos cultos.
Assim, a coincidência entre a duração da campanha e o calendário eleitoral, embora tenha despertado questionamentos, não é suficiente, isoladamente, para caracterizar uma irregularidade.
A questão central passa a ser o conteúdo efetivamente transmitido aos participantes e a eventual utilização da estrutura da denominação para favorecer candidaturas.
Universal não respondeu aos questionamentos
A Igreja Universal foi procurada para comentar as acusações e esclarecer se o “Desafio de Neemias” possui qualquer objetivo eleitoral, mas, segundo a Folha de S.Paulo, não havia apresentado resposta até a publicação da reportagem.
A ausência de manifestação impede, neste momento, uma conclusão definitiva sobre a finalidade política atribuída à campanha pelas entidades que questionam a iniciativa.
Oficialmente apresentada como uma jornada de reconstrução espiritual inspirada em Neemias, a campanha seguirá até 4 de outubro, quando os eleitores brasileiros irão às urnas no primeiro turno das eleições de 2026.
O caso deverá continuar sendo acompanhado à medida que as atividades avançarem e novos conteúdos forem apresentados aos participantes. O ponto central do debate será saber até onde uma mobilização religiosa pode avançar durante o período eleitoral sem se transformar em instrumento de propaganda ou de mobilização política irregular.
Folha Gospel com informações de Revista Fórum, Exibir Gospel, Carta Capital e Folha de S.Paulo
Atropelamento em Marcha para Jesus deixa uma pessoa morta e 11 feridas em Terra Santa, no Pará. (Foto: reprodução)
O cantor gospel Anderson Freire, que se apresentou na Marcha, anunciou que doaria integralmente o cachê para ajudar os familiares das vítimas.
Uma tragédia marcou a realização da Marcha para Jesus no município de Terra Santa, no Pará. Durante o evento cristão que reunia milhares de pessoas pelas ruas da cidade, um atropelamento provocado por um veículo de apoio resultou na morte de uma idosa de 83 anos e deixou outras 11 pessoas feridas, gerando forte comoção na região.
O acidente aconteceu quando uma caminhonete que acompanhava a caminhada perdeu o controle em uma curva, invadindo a área dos pedestres e atingindo uma residência. Equipes de socorro foram acionadas imediatamente para atender as vítimas, que incluíam crianças que participavam da programação religiosa.
Como aconteceu o acidente em Terra Santa
O atropelamento ocorreu no momento em que a multidão acompanhava a programação e realizava atos de adoração. Segundo relatos de testemunhas e registros em vídeo, o motorista da caminhonete perdeu o controle da direção ao realizar uma curva, avançando diretamente contra os participantes que estavam na via pública.
Além de atingir as pessoas que caminhavam na rua e colidir contra uma residência, o impacto afetou ocupantes do próprio veículo. Diversas pessoas estavam sendo transportadas na carroceria da caminhonete e acabaram sendo arremessadas com a colisão. Ao todo, 11 feridos precisaram de atendimento médico emergencial.
O veículo de apoio perdeu o controle ao fazer uma curva durante a caminhada. Vítimas que estavam na carroceria foram arremessadas na pista com o impacto. Onze feridos, incluindo crianças, foram encaminhados ao hospital municipal da cidade.
A perda de uma moradora querida e as investigações
A única vítima fatal do trágico acidente foi identificada como Dulcinéia Oliveira Pantoja, de 83 anos. A idosa ficou presa durante o atropelamento e sofreu ferimentos graves. Apesar de ter sido socorrida e levada rapidamente ao Hospital Municipal Frei Elizeu Eisman, ela não resistiu aos ferimentos e faleceu cerca de uma hora após dar entrada na unidade de saúde.
Dulcinéia era uma moradora antiga e muito conhecida em Terra Santa. Nas redes sociais, sua neta, Letícia Paixão, expressou a dor da perda e destacou o amor que a avó sentia pela cidade, afirmando que ela fez parte da história de muitas pessoas e que agora “descansou no Senhor Jesus Cristo”.
A Polícia Civil esteve no local e iniciou as investigações para determinar as causas exatas do acidente. Informações preliminares de testemunhas apontam que o veículo pode ter apresentado problemas nos freios. Além disso, as autoridades confirmaram que o condutor da caminhonete não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O automóvel foi apreendido e levado ao pátio da delegacia local para perícia.
Rede de solidariedade e a atitude do cantor Anderson Freire
O trágico episódio mobilizou autoridades municipais e os artistas que participavam do evento. O prefeito de Terra Santa, Siqueira Fonseca, publicou uma nota oficial lamentando profundamente o falecimento de Dulcinéia, expressando solidariedade e apoio em orações para todas as famílias afetadas pela fatalidade.
Durante a programação, o cantor gospel Anderson Freire, que se apresentou na Marcha para Jesus, tomou uma decisão que emocionou o público. Ao tomar conhecimento do ocorrido em seu hotel, o músico utilizou o palco para convocar a multidão a orar pelas vítimas e anunciou que doaria integralmente o cachê de sua apresentação para ajudar os familiares de Dulcinéia e as crianças feridas.
“Todo valor que vier para a gente, a gente vai reverter para a família da dona Dulce e de todas aquelas crianças que estão acidentadas. Isso aqui é o mínimo. Eu não me sinto digno de nada e eles precisam de todo apoio”, declarou o cantor no palco.
O apoio financeiro e espiritual busca mitigar as dificuldades enfrentadas pelas famílias das vítimas neste momento de profunda dor. Enquanto a comunidade local se une em luto pelas vítimas, as investigações policiais prosseguem para esclarecer as responsabilidades legais sobre o ocorrido.
Terremoto na Colômbia. (Foto: Reprodução/Redes sociais)
A Samaritan’s Purse estabeleceu contato com mais de 100 pastores logo no primeiro dia após o terremoto.
Dias após um terremoto de magnitude 7,4 atingir o oeste da Colômbia, organizações humanitárias cristãs correm contra o tempo para enviar suprimentos de emergência aos sobreviventes. O tremor, considerado o mais forte no país em uma década, deixou centenas de mortos e milhares de desabrigados, forçando as famílias a buscarem refúgio em meio aos escombros.
Com os serviços de resgate locais sobrecarregados, a transição das buscas por sobreviventes para o complexo trabalho de reconstrução já começou. Grupos de assistência humanitária agem rapidamente para fornecer abrigos temporários, iluminação e água potável para conter a crise humanitária na região afetada.
A resposta imediata e a logística de socorro
A organização de caridade evangélica Samaritan’s Purse realizou o envio de um avião de carga Boeing 767, partindo de Greensboro, na Carolina do Norte, com cerca de 45 toneladas (100 mil libras) de suprimentos de emergência. A carga inclui mais de 3.000 kits de higiene, 3.000 lanternas solares e 1.200 rolos de lonas plásticas para abrigos temporários.
Segundo Nick Bechert, gerente da unidade de resposta a desastres internacionais da organização e único integrante norte-americano em campo, a operação é liderada por uma experiente equipe nacional colombiana. Esse grupo de socorristas locais havia retornado recentemente de uma missão de apoio após outro terremoto na vizinha Venezuela, tendo que retomar os trabalhos imediatamente após o novo sismo em seu próprio país.
O papel estratégico das igrejas locais no atendimento
Para garantir que a ajuda chegue com rapidez a quem mais precisa, a equipe local da Samaritan’s Purse estabeleceu contato com mais de 100 pastores logo no primeiro dia após o terremoto. Essa coordenação direta permite mapear as demandas específicas de cada comunidade afetada.
A parceria com as igrejas locais vai além da facilitação logística. Conforme explicado pela liderança da operação, o acolhimento por meio dos templos ajuda a suprir tanto as necessidades físicas imediatas quanto o suporte emocional e espiritual necessário para enfrentar o trauma vivido pelas famílias que perderam seus lares.
Danos estruturais e o perigo de réplicas sísmicas
A situação no oeste da Colômbia é devastadora. Estimativas da organização humanitária Unto, que atua em dezenas de países, apontam que mais de 50.000 edifícios e residências foram danificados ou totalmente destruídos. Quedas generalizadas de energia elétrica e danos severos em áreas urbanas e rurais isolaram diversas comunidades.
A geologia da região agrava o cenário, já que a Colômbia está localizada no Círculo de Fogo do Pacífico, uma área de intensa atividade tectônica. O risco de tremores secundários (réplicas) impede que muitas pessoas retornem para suas casas. Diante do perigo de desabamento de estruturas que já estão instáveis, milhares de sobreviventes continuam dormindo ao relento nas ruas.
A transição para o processo de reconstrução
À medida que a fase inicial de busca por sobreviventes é encerrada, as necessidades das comunidades atingidas começam a mudar. O foco humanitário agora se volta para soluções de médio prazo, como a distribuição de fraldas, sistemas avançados de filtragem de água e insumos para a reconstrução de moradias.
Representantes das organizações destacam que a escala do desastre exige um esforço contínuo e integrado. Enquanto o apoio prático reconstrói a infraestrutura física, o suporte psicológico e a mobilização comunitária tentam devolver a dignidade e a segurança às famílias afetadas por essa catástrofe natural.
Missionária coreana Park Tae-Yeon (Foto: Reprodução)
Missionária coreana Park Tae-Yeon enfrenta possível condenação de 17 anos em julgamento na Rússia, com acusações ligadas a atividades religiosas e imigração
A missionária coreana Park Tae-Yeon, de 69 anos, está em julgamento na Rússia e pode ser condenada a até 17 anos de prisão. Park foi presa em janeiro de 2026, uma semana antes de seu retorno programado para a Coreia do Sul, onde planejava se aposentar após 33 anos de ministério no país. As autoridades russas investigam a missionária por… (Clique aqui para continuar lendo)
Cristãos reunidos no Sudão do Sul. (Foto: Portas Abertas)
O país ocupa atualmente a 4ª posição na Lista Mundial da Perseguição de 2026 da organização Portas Abertas
Dois importantes líderes da Igreja de Cristo do Sudão (SCOC), sequestrados na região das montanhas Nuba, no estado de Kordofan do Sul, foram libertados. Os pastores Yaqob Ibrahim Tia e Zakaria Suliman Jana haviam sido capturados por membros dissidentes do Exército de Libertação do Povo do Sudão-Norte (SPLA-N) e agora estão em segurança.
A libertação ocorre em meio a uma escalada alarmante de violência e ataques direcionados contra minorias religiosas no Sudão. O conflito armado em em andamento continua a deteriorar as condições de segurança na região, gerando grande preocupação sobre a integridade de líderes comunitários locais e a liberdade de culto no país.
Os detalhes das abduções e da libertação nas montanhas Nuba
O pastor Yaqob Ibrahim Tia foi raptado em 23 de julho e libertado no dia 28 de julho acompanhado por familiares. Entre os libertados com ele estavam seus dois filhos, de 17 e 20 anos, um sobrinho de 15 anos e Daniel Ibrahim Tia, irmão do pastor e do padre católico Fadi Ibrahim Tia. Já o pastor Zakaria Suliman Jana foi sequestrado na manhã de 31 de julho, sendo libertado logo em seguida, no dia 1º de agosto.
Os sequestros foram atribuídos a facções dissidentes do grupo rebelde SPLA-N que atuam em Heiban, embora os termos da libertação e os motivos exatos dos raptos não tenham sido revelados. Após um encontro de entrega assistido por líderes eclesiásticos da região, o pastor Tia expressou imensa gratidão e criticou fortemente os confrontos internos entre as facções do SPLA-N. O líder religioso fez um apelo público para que as lideranças políticas renunciem à violência e busquem a paz, apontando ainda que o próprio governo do Sudão é suspeito de fomentar esses conflitos locais.
A escalada de violência contra líderes cristãos no Sudão
A região das montanhas Nuba, um reduto histórico do SPLA-N, enfrenta um aumento expressivo de hostilidades contra a comunidade cristã. Embora a área controlada pelos rebeldes seja fechada para os meios de comunicação, relatos que escapam da região indicam que os confrontos internos já provocaram o deslocamento forçado de centenas de civis, compostos majoritariamente por mulheres, crianças e idosos.
A gravidade da situação se reflete em outros episódios violentos registrados recentemente na província de Kordofan do Sul:
Pastor Adel Idris Jongool: Da Igreja Episcopal, foi morto a tiros por milícias dissidentes do SPLA-N em 24 de julho, na unidade administrativa de Dabi, distrito de Heiban.
Padre católico e segurança: Assassinados em 19 de junho na paróquia de Holy Cross, em Kauda, por militantes do mesmo grupo dissidente. Outro guarda também foi baleado no atentado, mas sobreviveu após receber tratamento médico em um hospital próximo.
O cenário político e a perseguição religiosa no país
O Sudão é um país majoritariamente islâmico, onde os muçulmanos representam 93% da população. Os praticantes de religiões tradicionais de matriz étnica somam 4,3%, enquanto os cristãos constituem uma minoria de apenas 2,3%. O país ocupa atualmente a 4ª posição na Lista Mundial da Perseguição de 2026 da organização Portas Abertas, o que evidencia as extremas dificuldades enfrentadas por minorias de fé no território sudanês.
A crise humanitária e a violência religiosa se intensificaram após o início do confronto militar em abril de 2023 entre as Forças Armadas do Sudão (SAF), lideradas pelo general Abdelfattah al-Burhan, e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF), comandado por Mohamed Hamdan Dagalo. Ambas as facções possuem orientação islâmica e realizam ataques contra cristãos deslocados sob a acusação de apoiarem as forças rivais. De acordo com o Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUR), a guerra civil generalizada já resultou na morte de dezenas de milhares de civis e no deslocamento de mais de 12 milhões de pessoas.
Apesar de um breve período de avanços na liberdade religiosa após a queda da ditadura islâmica de Omar al-Bashir em 2019 — quando o governo de transição chegou a abolir leis de apostasia que puniam a conversão religiosa com a pena de morte —, o golpe militar de 25 de outubro de 2021 restabeleceu o temor da imposição rigorosa da lei Sharia e da perseguição patrocinada pelo Estado.
Há relatos de que algumas meninas foram pressionadas a trocar sexo por itens de primeira necessidade.
Especialistas da ONU expressaram preocupação com o agravamento da violência e da insegurança na Nigéria, alertando que mulheres e meninas cristãs estão entre as que enfrentam uma ameaça elevada de assassinatos, sequestros, violência sexual e casamentos forçados.
As preocupações foram expostas por cinco especialistas em direitos humanos da ONU em uma carta conjunta ao governo nigeriano, que observaram “a deterioração da situação de segurança” no norte da Nigéria e no Cinturão Médio, e suas consequências para as comunidades cristãs e outras comunidades religiosas, particularmente mulheres e meninas.
A carta atribui grande parte da violência a grupos armados não estatais que operam nas regiões afetadas, incluindo o Boko Haram, o Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP) e as milícias de pastores Fulani.
O estudo aponta para a vulnerabilidade generalizada das mulheres na Nigéria, citando que mais de uma em cada cinco mulheres (21%) entre 15 e 49 anos sofreram violência física ou sexual.
Segundo a carta, milhares de ataques ocorreram entre 2019 e 2025, matando dezenas de milhares de civis, a maioria deles cristãos.
Diversos casos são destacados, incluindo o de uma menina de 13 anos em Nabordo, no estado de Bauchi, que teria sido convertida à força e casada com um menino de 15 anos. Segundo a carta, as tentativas do pai de recuperar a guarda da filha foram bloqueadas por uma comissão da Sharia e pelos tribunais, tendo sido posteriormente interposto um recurso em Jos.
Suspeitos militantes do Boko Haram teriam sequestrado duas filhas de um pastor da Igreja de Cristo nas Nações, juntamente com outros membros da igreja, na Área de Governo Local de Chibok, Estado de Borno, em 12 de novembro de 2025. O paradeiro deles permanece desconhecido, e não houve pedido de resgate nem novas informações por parte das autoridades.
Outro caso envolve uma jovem cristã de 16 anos no estado de Kaduna, cuja mão teria sido decepada em 13 de dezembro de 2025, após sua família se recusar a consentir com um casamento forçado exigido por militantes. Alguns suspeitos foram presos posteriormente, enquanto outros teriam fugido.
Uma mulher cristã adulta foi sequestrada pouco depois de seu casamento em 2025 e supostamente sofreu abuso sexual durante o cativeiro. Ela foi libertada posteriormente, mas teria sofrido estigma em sua comunidade após dar à luz uma criança com atraso no desenvolvimento.
A carta expressa “grave preocupação” com o alegado rapto e abuso sexual de meninas, bem como com casos envolvendo casamento forçado e conversão forçada.
Os especialistas acrescentaram que estavam “muito alarmados” com a tentativa de casamento forçado e o ataque violento contra outra menina, e “perturbados pelos relatos de inação e cumplicidade de funcionários do governo diante desses abusos, pela lentidão das investigações e das ações de busca destinadas a determinar o destino e o paradeiro das meninas sequestradas”.
Além desses casos, os especialistas mencionaram um padrão mais amplo de ataques a aldeias cristãs no estado de Borno e destacaram uma série de incidentes recentes em todo o país.
Esses incidentes incluíram um ataque em Jos Norte, no estado de Plateau, em 29 de março, que teria matado pelo menos 27 pessoas, outros ataques no estado de Plateau no início de maio e o sequestro em massa de alunos e professores de escolas no estado de Oyo em 15 de maio.
A comunicação também chama a atenção para a situação difícil da população deslocada internamente na Nigéria, estimada em cerca de 3,5 milhões de pessoas.
Foi relatado que mulheres e meninas que vivem em campos de deslocados enfrentam acesso inadequado a cuidados de saúde, incluindo cuidados maternos, além de um risco aumentado de exploração sexual.
Uma mulher cristã deslocada internamente, da Área de Governo Local de Mangu, no Estado de Plateau, descreveu as condições enfrentadas durante os ataques, dizendo: “As mulheres deram à luz na chuva durante os ataques e algumas crianças morreram. Não havia comida para as mulheres, algumas não sabem onde estão seus maridos.”
Há relatos de que algumas meninas foram pressionadas a trocar sexo por itens de primeira necessidade.
A carta relata que mulheres cristãs em algumas áreas ocultam sua identidade religiosa ou usam hijab “para se protegerem e serem aceitas na comunidade”.
Os especialistas afirmaram que a crise de segurança mais ampla teve consequências particularmente graves para os cristãos e outras minorias religiosas, declarando que “relatórios apontam que os cristãos na Nigéria estão sendo particularmente visados”.
Eles afirmaram que 3.490 dos 4.849 cristãos supostamente “mortos por sua fé em todo o mundo em 2025” foram mortos na Nigéria, representando cerca de 72% do total global.
A carta também expressou preocupação com a aplicação da lei islâmica (Sharia) em 12 estados do norte e seu impacto sobre os não muçulmanos e as pessoas que abandonam o Islã.
Foi dada especial atenção às disposições relacionadas à blasfêmia, tanto na legislação federal quanto na estadual, incluindo o Artigo 204 do Código Penal nigeriano e as disposições dos códigos penais estaduais.
Os especialistas alertaram que as acusações de blasfêmia, incluindo alegações falsas, contribuíram para ataques e assassinatos de multidões contra minorias religiosas, particularmente cristãos.
Especialistas da ONU afirmaram que a insegurança na Nigéria, em alguns casos, está sendo agravada pela “cumplicidade, aquiescência ou negligência da sociedade e das instituições”.
Eles afirmaram que diversas comunicações anteriores da ONU à Nigéria, entre 2020 e 2023, não foram respondidas, declarando: “Notamos com preocupação que nenhuma resposta foi recebida até o momento.”
A carta mais recente solicita ao governo nigeriano que responda a oito áreas de preocupação, incluindo o andamento das investigações sobre os casos levantados, os esforços para localizar os sequestrados, as medidas para combater a violência contra mulheres e meninas, o acesso humanitário, a situação das leis relacionadas à blasfêmia e as medidas que estão sendo tomadas para proteger as minorias religiosas.
Os especialistas instaram as autoridades a tomarem medidas provisórias para proteger as vítimas e evitar novas violações enquanto as investigações decorrem.
A comunicação citou as obrigações da Nigéria ao abrigo de uma série de acordos internacionais de direitos humanos e sublinhou a responsabilidade do Estado em prevenir, investigar e processar as violações dos direitos humanos cometidas por atores não estatais.
Giorgio Mazzoli, diretor de defesa de direitos humanos da Aliança Internacional para a Defesa da Liberdade (ADF) junto à ONU, saudou a intervenção: “Enquanto grupos armados militantes continuam a aterrorizar comunidades em grande parte da Nigéria, cristãos, minorias religiosas e, especialmente, mulheres e meninas enfrentam um risco crescente de ataques brutais e outras violações dos direitos humanos. A comunicação conjunta de cinco mecanismos da ONU traz a tão necessária atenção internacional para a dimensão das atrocidades que estão sendo perpetradas atualmente.”
Ele prosseguiu: “A carta dos especialistas da ONU observa corretamente como as falhas nas instituições estatais e a falta de ações decisivas agravaram a atual insegurança. As autoridades nigerianas devem agir com urgência com base nessas conclusões e reformar os marcos legais que permitem e exacerbam a discriminação contra cristãos e outras minorias religiosas.”
A publicação da comunicação da ONU ocorre pouco depois de uma decisão do Tribunal Superior Federal que restringe o poder da polícia religiosa islâmica no estado de Kano de agir contra uma mulher que se converteu do islamismo ao cristianismo.
O caso envolveu uma mulher de 22 anos que fugiu de casa em 2025 após alegados maus-tratos por parte de irmãos mais velhos que tentavam arranjar um casamento contra a sua vontade, de acordo com a ADF, que apoiou o seu processo judicial.
Posteriormente, a mulher passou a viver com uma família cristã e converteu-se ao cristianismo.
Posteriormente, seus irmãos envolveram a polícia religiosa Hisbah de Kano, o que resultou em sua prisão.
Durante os quatro dias em que esteve detida, ela teria sofrido abusos físicos e exigências para que concordasse com o casamento.
Após sua libertação, a família cristã a ajudou a se mudar para Jos, devido a preocupações com sua segurança.
Posteriormente, a mulher entrou com um processo por violação de direitos fundamentais contra as autoridades. Em maio, o Tribunal Federal Superior decidiu que o Estado de Kano e a Hisbah não podiam prosseguir com sua prisão porque ela havia se convertido ao Islã ou se recusado a casar.
O tribunal descreveu o tratamento que ela recebeu como uma “violação flagrante” de seus direitos à dignidade humana e à liberdade religiosa e ordenou o pagamento de uma indenização.
No entanto, a família cristã que auxiliou a mulher continua enfrentando processos criminais após ser acusada por seus parentes de sequestro.
A família nega a acusação e permanece em liberdade sob fiança enquanto o caso prossegue.
A mulher disse à ADF: “A família Abara me acolheu em um momento em que eu não tinha para onde ir. Sou grata a eles, especialmente por me apresentarem ao Evangelho. Não é ilegal eu escolher minha fé em Jesus. Sou grata por o tribunal ter reconhecido minha liberdade de me tornar cristã e por agora estar protegida da polícia religiosa.”
Sean Nelson, conselheiro sênior para a liberdade religiosa global na ADF, comentou: “Ninguém deve ser coagido a abandonar sua fé e, certamente, nenhum cristão deve ser ameaçado pela polícia da moralidade islâmica. A decisão do tribunal no caso de Sarah confirma que a polícia Hisbah não tem jurisdição sobre cristãos ou outros não muçulmanos.”
“O Estado jamais deveria punir alguém por praticar pacificamente sua fé ou por ajudar outros a vivê-la em segurança… Esperamos que o caso de Sarah sirva para conter a expansão da jurisdição da Hisbah, ajude a libertar os Abaras, que devem ter todas as acusações contra eles retiradas imediatamente, e leve à afirmação da liberdade religiosa para todos na Nigéria, independentemente da fé que escolherem.”
A ADF esteve envolvida em vários outros casos de liberdade religiosa na Nigéria. Entre eles, o caso de Rhoda Jatau, uma mãe cristã que passou 19 meses detida após ser acusada de compartilhar material considerado blasfemo, antes de ser absolvida em dezembro de 2024.
A ADF também apoia o músico sufi Yahaya Sharif-Aminu, que foi condenado à morte após uma mensagem de WhatsApp ter sido considerada blasfema. Ele já passou mais de cinco anos na prisão, enquanto seu caso permanece em análise pelo Supremo Tribunal da Nigéria.
O tratamento dado pela Nigéria às minorias religiosas tem atraído crescente atenção internacional nos últimos anos.
Em outubro de 2025, os Estados Unidos reclassificaram o país como um “País de Preocupação Especial” em relação à liberdade religiosa, após apelos da ADF International e de outras organizações de direitos humanos. A medida foi tomada após ataques militares direcionados realizados pelos EUA em dezembro do ano anterior, em resposta à violência contínua contra cristãos.
No início deste ano, a Genocide Watch e a Aliança Contra o Genocídio instaram a ONU a investigar o que descreveram como um “genocídio por desgaste”, alegando que grupos jihadistas mataram mais de 60.000 pessoas e deslocaram mais de 2,2 milhões desde 2001.
Folha Gospel com informações de The Christian Today
Funeral de cristãos mortos na Nigéria (Foto: Reprodução)
No início de agosto de 2026, uma onda de ataques violentos realizados por pastores extremistas Fulani resultou na morte de pelo menos 31 cristãos em comunidades rurais localizadas no centro da Nigéria. As ações coordenadas atingiram vilarejos nos estados de Plateau, Nasarawa e Benue, gerando um cenário de devastação e luto na região do Cinturão Médio do país.
Entre as vítimas das incursões violentas estão crianças inocentes, incluindo bebês de apenas três meses de idade, além de importantes lideranças locais e religiosas. Os episódios reacendem o alerta internacional sobre a vulnerabilidade das minorias religiosas nigerianas frente a milícias armadas radicalizadas que atuam em áreas agrícolas rurais.
A escalada de violência no estado de Plateau
No estado de Plateau, ao menos 16 cristãos foram assassinados desde o dia 2 de agosto. Terroristas armados invadiram cinco aldeias predominantemente cristãs na região de Riyom, ao sudoeste de Jos, disparando contra os moradores e incendiando residências enquanto as famílias dormiam em suas casas.
No dia 12 de agosto, as comunidades de Kyeng e Gwa-Wereng Rim foram atacadas à noite, resultando na morte de Bulus Mwagwong e Stephen Dachollom Kaze. Outros ataques brutais ocorreram nas aldeias de Dorong e Jol, onde casas foram incendiadas pelos invasores.
Anteriormente, em 4 de agosto, uma ação na vila de Tanjol tirou a vida de três homens: Dachung Danjuma, Victor Danjuma e Nyam Danjuma. Já no dia 2 de agosto, dez cristãos foram brutalmente mortos nas comunidades de Torok, Kum e Wereng Camp, incluindo:
Jennifer Yohanna, uma bebê de apenas 3 meses de idade;
Reto James, uma criança de 10 anos;
Endurance James, de 8 anos;
David Dachollom Danjuma, ex-parlamentar local assassinado em Torok.
O deputado federal Fom Dalyop Chollom classificou o assassinato do ex-parlamentar como um ato bárbaro de terrorismo que visa desestabilizar a região e propagar o medo entre os moradores locais, cobrando ação imediata das forças de segurança estatais.
A emboscada e morte de líder jovem em Nasarawa
A violência também fez vítimas no estado vizinho de Nasarawa. No dia 10 de agosto de 2026, líderes da igreja Evangelical Church Winning All (ECWA) conduziram o funeral de Filibus Usman Kuje, de 48 anos, na aldeia de Amaha, no condado de Kokona.
Kuje, que atuava como líder de jovens do conselho distrital de Ungwan Takwa, foi morto em uma emboscada armada por pastores Fulani em 6 de agosto, quando retornava de uma programação religiosa. A comunidade eclesiástica local expressou profundo pesar e pediu orações para a família do líder em meio a este período de dor.
Desespero e sepultamento coletivo no estado de Benue
No estado de Benue, o sofrimento se repetiu de forma devastadora. Milhares de fiéis reuniram-se em Efeyi, no distrito de Ugboju, para o sepultamento coletivo de 15 cristãos assassinados em um ataque surpresa ocorrido na madrugada de 28 de julho.
“Este não é apenas mais um funeral, mas o sepultamento de sonhos, esperanças, famílias e futuros”, desabafou Orga Stephen, morador da região que acompanhou a despedida dos corpos de vítimas como Emmanuel Agwu, Ikpe John e Ameh Fredrick.
Moradores locais relataram que o ataque ocorreu por volta das 5 horas da manhã, surpreendendo os moradores que ainda estavam dormindo. A comunidade clama por proteção estatal urgente para que os cristãos possam viver e trabalhar em suas terras sem o medo diário da violência.
O avanço do extremismo e a crise humanitária nigeriana
A crise enfrentada por essas populações reflete uma realidade estatística alarmante. De acordo com a Lista Mundial da Perseguição 2026 da organização Portas Abertas, a Nigéria ocupa a sétima posição entre os países onde é mais difícil praticar a fé cristã. Entre outubro de 2024 e setembro de 2025, o país registrou 72% de todas as mortes de cristãos por motivação religiosa no mundo inteiro, somando 3.490 vítimas fatais.
Líderes locais apontam que os ataques promovidos por pastores Fulani extremistas no Cinturão Médio nigeriano são motivados pelo avanço da desertificação, que reduz pastos disponíveis, impulsionando a tomada violenta de terras agrícolas geridas por cristãos e a imposição forçada do Islã.
O cenário é agravado pela presença de outros grupos terroristas no norte do país, como o Boko Haram, o Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP) e a nova facção jihadista Lakurawa, ligada à Al-Qaeda. Diante do enfraquecimento do controle governamental nas áreas rurais, os moradores dessas regiões permanecem sob constante ameaça de incursões armadas e sequestros.