Início Site Página 292

Vídeo de participante do BBB supostamente possuído viraliza nas redes sociais

Lucas Luigi, participante do BBB 24 (Foto: Reprodução)
Lucas Luigi, participante do BBB 24 (Foto: Reprodução)

Quem acompanha o programa Big Brother Brasil (BB) 2024 tem se assustado com algumas aparições do participante Lucas Luigi. Em alguns vídeos, que já circulam pela internet, o rapaz aparece acordando de madrugada, no escuro, e, como um zumbi, começa a andar pelo quarto fazendo caras e bocas.

Muita gente tem atribuído os episódios do que parece ser um sonambulismo a uma possessão demoníaca. Em outro vídeo, enquanto Luigi aparece com um olhar muito forte, como se estivesse concentrado, em pé no meio do quarto, ao ouvir a palavra ‘Jesus’, ele tem uma reação forte, o que tem reforçado as teorias sobre possessão demoníaca.

Alguns youtubers têm repercutido esses episódios. Assista aos vídeos a seguir:

Fonte: Fuxico Gospel

Criança fala “Jesus Cristo” na escola e é disciplinada por dizer “palavrão”

Esscola Hope Sullivan, nos EUA (Foto: Reprodução)
Esscola Hope Sullivan, nos EUA (Foto: Reprodução)

Uma mãe do estado americano do Mississippi diz ter recebido uma ligação do professor de primeiro ano de seu filho, informando que a criança havia dito “um palavrão”.

A criança de 7 anos foi repreendida por ter falado “Jesus Cristo” na escola.

Shonna Coleman, que mora em Southaven, compartilhou o relatório da escola em sua página no Facebook sobre o “incidente disciplinar” sofrido pelo filho.

“Por favor, ore pelas escolas, meu filho recebeu isso na escola por dizer Jesus Cristo”, escreveu ao lado da foto do relatório.

Parte do relatório da Escola Primária Hope Sullivan, intitulado “Aviso aos Pais sobre Incidente Disciplinar”. (Foto: Facebook/Shonna Coleman)

‘Incidente disciplinar’

O documento da Escola Primária Hope Sullivan é intitulado “Aviso aos Pais sobre Incidente Disciplinar”.

No formulário, as caixas estão marcadas para “Linguagem inaceitável”, “Conferência com aluno” e “Pais telefonados”.

A ofensa da criança, conforme anotado na observação escrita no formulário informa: “Ele disse ‘Jesus Cristo’ ao deixar cair as peças de Lego que estava recolhendo do recreio”.

A mãe argumentou à Fox13: “A igreja diz Jesus Cristo. O estudo bíblico diz Jesus Cristo.”

“Nunca na minha vida ouvi em uma escola pública que não se pode dizer Jesus Cristo, e ela disse que não foi ele quem disse a palavra, foi como ele disse porque deixou cair seus Legos”.

Em um comunicado enviado ao Inside Edition Digital na terça-feira, um porta-voz da escola disse: “Os alunos das escolas do condado de Desoto não seriam repreendidos por simplesmente dizerem Jesus Cristo.”

“Embora as autoridades distritais não possam comentar situações específicas de estudantes, é possível que um estudante possa ser corrigido pelo uso desrespeitoso do nome de Jesus Cristo”, concluiu a declaração.

Fonte: Guia-me com informações de Inside Edition Digital

Índia reclassificada como ‘nação restrita’ pela Voz dos Mártires

Igreja destruída na comunidade meitei, no estado Manipur, na Índia (Foto: Portas Abertas)
Igreja destruída na comunidade meitei, no estado Manipur, na Índia (Foto: Portas Abertas)

A Voz dos Mártires (VOM) reclassificou a Índia como uma “nação restrita” em seu Guia Global de Oração de 2024, citando a escalada do extremismo radical hindu e a perseguição aos cristãos sob o governo do partido nacionalista hindu Bharatiya Janata.

A designação de “nação restrita” pela VOM, uma organização interdenominacional dedicada a servir cristãos perseguidos fundada por Richard e Sabina Wurmbrand, é tipicamente reservada para países com leis federais que restringem explicitamente o culto cristão e o evangelismo. O grupo afirma que a situação da Índia é única devido à mudança ideológica sob o atual governo.

Desde a eleição do primeiro-ministro Narendra Modi em 2014 e sua subsequente reeleição em 2019, os cristãos na Índia têm enfrentado crescente oposição e ataques violentos, apesar das garantias constitucionais de liberdade religiosa, disse a VOM em um comunicado compartilhado com o The Christian Post.

O ministério cristão afirma que o governo de Modi fomentou uma ideologia conhecida como Hindutva, ou pureza hindu, que visa estabelecer uma nação hindu “pura”, explicando que essa ideologia levou ao aumento da perseguição às minorias religiosas.

Notavelmente, 12 estados indianos implementaram leis que proíbem o que alegam ser conversões religiosas “forçadas”, impondo severas penalidades para evangelistas cristãos, incluindo longas sentenças de prisão para atividades tão básicas como compartilhar uma Bíblia ou orar com alguém, disse a VOM.

As leis anticonversão afirmam que os cristãos “forçam” ou dão dinheiro ou itens materiais aos hindus para persuadi-los a se converter ao cristianismo. Eles normalmente afirmam que ninguém pode usar a “ameaça” do “desprazer divino”, o que significa que os cristãos não podem falar sobre o Céu ou o Inferno, uma vez que isso seria visto como atrair alguém para se converter.

Historicamente, a perseguição aos cristãos na Índia foi localizada principalmente em áreas de ministério ativo do Evangelho dentro de comunidades predominantemente hindus. Essa perseguição não era sancionada pelo governo, e os tribunais muitas vezes responsabilizavam os perpetradores.

Mas a VOM diz que, sob o regime de Modi, a Hindutva criou um ambiente restritivo nacional para os cristãos. O presidente da VOM, Cole Richards, enfatizou a alarmante normalização do ódio e da violência contra os cristãos, com os instigadores muitas vezes sendo figuras políticas proeminentes.

“Os objetivos do nacionalismo hindu incluem a eliminação dos cristãos da chamada ‘pátria hindu'”, disse Richards. “O ódio e a violência contra os cristãos se normalizaram, e aqueles que o incentivam agora são líderes políticos proeminentes.”

A VOM fornece apoio aos cristãos na Índia, incluindo Bíblias, e assistência àqueles que sofreram perdas de emprego, destruição de casas ou danos físicos devido a ataques violentos.

A VOM também oferece encorajamento, lembrando os crentes perseguidos das orações e do apoio da comunidade cristã global.

O Guia Global de Oração 2024 da VOM oferece informações detalhadas sobre a situação dos cristãos perseguidos em todo o mundo. Desde 1997, a VOM documenta a perseguição aos cristãos, categorizando nações ou regiões como “restritas” ou “hostis” em seus recursos anuais de oração.

Este ano, a VOM introduziu uma terceira categoria, “áreas de preocupação”, para destacar regiões onde a perseguição cristã está presente e em escalada.

Os cristãos, que representam cerca de 2,3% da população da Índia, têm enfrentado cada vez mais repressão.

O Departamento de Estado dos EUA está sob escrutínio por não rotular a Índia como um país de particular preocupação por violações da liberdade religiosa, uma designação que pode acarretar a possibilidade de consequências diplomáticas. A Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos EUA, um painel bipartidário encarregado de aconselhar o governo federal, pediu uma audiência sobre a recusa do Departamento de Estado em rotular a Índia e a Nigéria como CPCs.

O Fórum Cristão Unido na Índia relatou um aumento significativo nos ataques contra cristãos desde 2014, com um aumento acentuado nos últimos anos.

No primeiro semestre de 2023, a UCF documentou um aumento na violência contra cristãos em 23 estados, com 400 incidentes relatados, um aumento em relação aos 274 no mesmo período do ano anterior. O relatório anual da UCF destaca que as multidões de justiceiros, muitas vezes compostas por extremistas religiosos, frequentemente interrompem reuniões de oração e têm como alvo indivíduos suspeitos de conversões religiosas forçadas.

A UCF atribui essa alta incidência de perseguição cristã a um sentimento predominante de “impunidade”, levando multidões a ameaçar e agredir fisicamente indivíduos em oração antes de acusá-los de conversões forçadas à polícia.

Folha Gospel com informações de The Christian Post

Conheça os 13 países com perseguição extrema a cristãos

Preso lendo a Bíblia na cadeia
Preso lendo a Bíblia na cadeia

Na semana passada, foi lançada a Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2024. O ranking mostra os países onde é mais difícil ser cristão e a principal mudança vista foi a intensificação da perseguição em alguns países. Agora, 365 milhões de cristãos são vítimas de perseguição, ou seja, um em cada sete cristãos são discriminados por seguirem a Jesus.

Isso significa que ao dizer “sim” para Jesus eles precisam dizer “sim” para uma vida cheia de riscos, com a possibilidade de perderem tudo, incluindo a própria vida. Até 2023, apenas 11 nações apresentavam perseguição extrema. Mas, na última pesquisa, outras duas nações entraram para esse grupo: Arábia Saudita e Síria.

Essa é uma tendência preocupante para a Igreja Perseguida. Os níveis de violência e pressão aumentam a tal ponto que sobreviver e preservar a presença de Cristo nessas nações é um desafio diário e, em muitos casos, fatal. Confira a seguir quais são as nações do Top13, ou seja, os 13 países mais perigosos para os cristãos.

1° Coreia do Norte

É proibido possuir Bíblias na Coreia do Norte. Qualquer expressão de fé cristã pode resultar em morte, prisão ou envio dos seguidores de Jesus a campos de trabalho forçado. O cristianismo é visto como uma ameaça ao regime norte-coreano e uma prática criminosa perigosa.

2° Somália

Os seguidores de Jesus são vistos como inimigos na Somália. Alguns grupos radicais não aceitam que as minorias deixem o islã para seguir a Cristo no país majoritariamente muçulmano. Os extremistas proíbem a existência das igrejas e realizam ataques violentos, especialmente o grupo Al-Shabaab.

3° Líbia

O evangelismo pode resultar em sentença de morte na Líbia. A lei civil segue a sharia (conjunto de leis islâmicas), por isso, qualquer ação que contradiga os preceitos muçulmanos é punida como crime. A opressão é tão grande que, aos olhos da sociedade, não existem cristãos, e os seguidores de Jesus precisam viver em completo segredo.

4° Eritreia

A prisão, sob condições sub-humanas, é o destino de muitos seguidores de Jesus na Eritreia. Os líderes cristãos são os mais procurados e, há vinte anos, a nação reconhece apenas três denominações cristãs. Todos os cristãos que pertencem a novas igrejas ou de outra denominação cristã são vistos como infratores da lei.

5° Iêmen

Identificar-se como cristão no Iêmen significa deixar de ser um cidadão. Certidão de nascimento e benefícios sociais são negados àqueles que reconhecem seguir a Jesus. Após uma década de guerra e em meio a uma grave crise humanitária, conseguir emprego e alimentar a família é quase impossível para os cristãos iemenitas.

6° Nigéria

Aproximadamente, a cada duas horas um cristão é morto na Nigéria por causa da fé em Jesus. O país mais populoso é também o mais letal para os seguidores de Jesus. Grupos extremistas, como Boko Haram e ISWAP, usam violência, com sequestros e assassinatos, para oprimir e eliminar as comunidades cristãs.

7° Paquistão

Ser um seguidor de Jesus no Paquistão significa ser discriminado em todas as esferas da vida. Quando os cristãos secretos são descobertos podem ser demitidos do emprego e excluídos da convivência com a família e amigos. Muitos deles são vítimas de abuso das leis anticonversão, as quais punem cristãos sob a alegação de forçar ou manipular financeiramente a conversão de mais pessoas ao cristianismo.

8° Sudão

Os cristãos estão em um fogo cruzado no Sudão. Uma crise militar causou a morte de nove mil pessoas e aproximadamente seis milhões de deslocados internos. Em meio à instabilidade política, 165 igrejas foram fechadas e os seguidores de Jesus ficaram ainda mais vulneráveis a abusos físicos e sexuais de grupos extremistas na região.

9° Irã

Praticar a fé cristã é considerado um “crime contra a segurança nacional” no Irã. Os cristãos de origem muçulmana se reúnem secretamente em igrejas domésticas e, quando descobertos, são interrogados com brutalidade e sentenciados a anos de prisão por cultuarem a Deus. Muitos escolhem fugir por causa das ameaças.

10° Afeganistão

Conhecido como o país onde “não existem cristãos”, no Afeganistão, a perseguição contiua extrema. De fato, com a tomada do Talibã, a maioria dos cristãos afegãos fugiram e se tornaram refugiados em nações vizinhas. Aqueles que permaneceram no país vivem sob o risco de serem mortos se descobertos e vivem a fé sozinhos, sem uma igreja com a qual possam contar para crescer na fé.

11° Índia

O aumento da perseguição aos seguidores de Jesus na Índia foi pequeno. O aumento é resultado da crise em Manipur, na qual muitas famílias cristãs se tornaram deslocados internos e centenas de igrejas foram incendiadas por grupos radicais hindus.

12° Síria

Os cristãos vivem em meio à guerra na Síria e foram abalados profundamente pelos terremotos em 2023. Em todas as esferas da vida, eles enfrentam pressão e a situação se agravou a ponto de o país passar de perseguição severa para extrema. As áreas curdas são onde os cristãos estão mais vulneráveis e grupos extremistas procuram constantemente os seguidores de Jesus, por isso, muitos fogem e a igreja local corre o risco de desaparecer.

13° Arábia Saudita

A Arábia Saudita é um dos poucos países onde todos os templos de igrejas são proibidos. O segundo novo país que apresenta perseguição extrema na LMP 2024 também teve aumento da violência física contra cristãos e do número de expulsões de recém-convertidos de casa.

Quer entender melhor esses dados? Baixe agora mesmo o mapa e o e-book da Lista Mundial da Perseguição 2024. Basta cadastrar seu e-mail para acessar esse material completo e gratuito para que você saiba como ajudar nossa família da fé perseguida.  

Fonte: Portas Abertas

Hoje é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

Intolerância religiosa
Intolerância religiosa

No próximo domingo (21) é celebrado o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A data foi instituída pela Lei Federal nº 11.635/ 2007 e tem como objetivo tentar combater um mal que cresceu 175% nos últimos três anos, segundo pesquisas do Relatório sobre Intolerância Religiosa, com base nos dados do portal Disque 100. Só em 2022, foram 1.200 ataques contra as religiões. Mas por que números tão altos em um país tão cristão?

“Temos a prática da intolerância por parte de alguns cristãos contra outras crenças, por não entender corretamente a prática da missão, do evangelismo. O cristianismo não serve como religião imposta. A ordem de Jesus não é impor a pregação. Do outro lado, também temos uma intolerância contra o próprio cristianismo, que é crescente no Brasil em função da presença do relativismo muito forte e do processo de secularismo antirreligioso”, afirma o pastor Amauri Oliveira, presidente da Igreja Presbiteriana da Penha (IPP), em São Paulo.

Na opinião do pastor Amauri, na maioria das vezes o que leva uma pessoa a cometer um ato de intolerância religiosa é o fato dela achar que apenas a sua religião é a correta, que as outras são erradas e trazem prejuízos em todos os sentidos para a sociedade.

“A partir do momento que a pessoa faz uma construção mental de que aquela outra religião é ameaçadora à sociedade, de que aquilo vai contra ao que ela entende como sendo para o bem coletivo, cria-se dentro de si uma justificativa para combater a outra maneira de pensar, então, ela pratica a intolerância religiosa”, justifica.

Para evitar uma propagação desse mal, o pastor fala que a família e a igreja têm um papel fundamental. “O papel tanto da família como da igreja é ensinar a relação correta, a discordância saudável. Ensinar o verdadeiro tom da missão, que é evangelizar, influenciar. Somos o sal e a luz do mundo para salgar, temperar, impedir o apodrecimento da sociedade, iluminar as obscuridades sociais. O cristianismo é a religião que mais sofreu intolerância religiosa na história da humanidade. Cristo respondeu perdoando aquele que o ofendia”, enfatiza.

Lei brasileira ampara a liberdade religiosa
De acordo com o professor acadêmico, pastor Geraldo Moyses Gazolli Junior, que também é mestre em Ciências da Religião e doutorando em Teologia, o problema da intolerância religiosa no Brasil é histórico e, na maioria das vezes, é ensinado aos filhos, de uma geração para outra, o que dificulta o combate.

“Uma pessoa intolerante geralmente foi alimentada por um longo prazo com ódio, seja na infância, seja no convívio de amigos e a própria mídia. Há também líderes que inspiram para o mal e a prática dessas ações”, enfatiza. Ele lembra que quem sofre esse tipo de ataque possui respaldo legal para se defender.

“Pessoas que passam por isso são amparadas pelo artigo 18 da Constituição. O amparo constitucional e penal deve ser usado. É um direito. Como cristãos entendemos que há cenários em que nosso testemunho envolve sofrimento e perseguição, como Jesus já havia alertado (João 15:20). Mas caso avance ou indique violência física ou mental, o campo penal é a melhor escolha”, orienta.

Dados de 2023

Segundo o Ministério de Direitos Humanos e Cidadania, o Brasil registrou 2.124 violações de direitos humanos relacionadas à intolerância religiosa durante todo o ano de 2023. O número, divulgado pelo Disque 100 – Disque Direitos Humanos, indica um aumento de 80% na comparação com o ano anterior, quando foram compiladas 1.184 violações provenientes de diversas regiões do Brasil. As religiões de matriz africana seguem como as mais afetadas pela violência e intolerância religiosa. Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia chamam atenção pela recorrência nos casos.

Fonte: Comunhão e Ministério de Direitos Humanos e Cidadania

Igreja é incendiada duas vezes no Sudão

Igreja evangélica bombardeada no Sudão. (Foto: CSW)
Igreja evangélica bombardeada no Sudão. (Foto: CSW)

No dia 12 de janeiro, por volta das 12 horas, a Igreja Evangélica Presbiteriana na cidade de Wad Madani, no Sudão, foi incendida. O secretário-geral da igreja atacada, que fica no estado de Al-Jazira, disse em entrevista: “Fomos informados que os militantes deliberadamente incendiaram a igreja localizada em Wad Madani, causando grandes danos”.  

Essa é a segunda vez que a igreja é incendiada em um curto período de tempo. O primeiro incêndio aconteceu no dia 27 de dezembro. Pouco se sabe sobre as circunstâncias do primeiro ataque, mas é certo que ambos causaram grandes prejuízos à igrejase são resultados da onda de violência gerada pelo fogo cruzado entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF, da sigla em inglês) e o grupo paramilitar Forças Rápidas de Suporte (RSF, da sigla em inglês) que começou em 15 de abril de 2023. 

O salão de oração foi destruído, assim como o gabinete pastoral e a biblioteca da igreja, onde ficavam a escritura da igreja e documentos importantes, que registravam mais de cem anos de história da congregação. De acordo com contatos locais, como as Forças de Suporte Rápido estavam no controle do estado de Al-Jazira desde 18 de dezembro, as notícias sobre o incêndio demoraram a serem divulgadas.  

A igreja atacada tinha aproximadamente 1.500 membros, muitos deles eram deslocados internos que haviam fugido do conflito que tomou Cartum, a capital sudanesa. Um representante do sínodo presbiteriano do Sudão disse: “Nós, os presbiterianos evangélicos do sínodo do Sudão, condenamos esse crime que teve como alvo os cristãos”.  

Ele também acrescentou: “Denunciamos o incêndio e a depredação dos espaços de adoração. Expressamos nossa profunda preocupação quanto aos repetidos ataques aos cristãos no Sudão e aos discursos anticristãos em diversas plataformas; situações que geram grande repercussão na segurança”.  

Violência incessável 

O pastor Matar, um cristão local, expressou sua preocupação. Ele afirma a responsabilidade moral e criminal do RSF sobre o incidente, já que os radicais estavam no controle da região quando o ataque aconteceu e explicou que nenhum militante não autorizado poderia ter entrado na igreja sem que eles soubessem. 

“Esses incidentes aumentam a tensão para os cristãos na área e traz lembranças dolorosas da perseguição que enfrentaram durante 30 anos sob o ex-presidente Omar Al-Bashir. A violência incessante aumentou o número de cristãos que se tornaram deslocados internos e aumentou o isolamento de áreas remotas do país controladas pelos que são conhecidos por atingir com violência a comunidade cristã”, disse Fikiru (pseudônimo), líder dos parceiros locais da Portas Abertas na região.  

O Sudão é o 8° país mais perigoso para os cristãos da Lista Mundial da Perseguição 2024. A Portas Abertas ajuda a igreja no Sudão para que resista à perseguição com ajuda socioeconômica, treinamentos para enfrentar biblicamente a perseguição e projetos de discipulado. Você pode apoiar esse projeto e outros de ajuda emergencial para cristãos perseguidos através da oração ou de uma doação.  

Fonte: Portas Abertas

Conflito gerou mortes e deslocamento de cristãos em Manipur, na Índia

Pastor vê sua igreja destruída por extremistas hindus em Manipur, na Índia (Foto: Portas Abertas)
Pastor vê sua igreja destruída por extremistas hindus em Manipur, na Índia (Foto: Portas Abertas)

Cristãos no estado de Manipur, Índia, foram atacados durante conflitos étnicos religiosos entre as tribos meitei e kuki. A partir de 3 de maio de 2023, extremistas hindus aproveitaram a onda de violência para humilhar, agredir e matar ao menos 120 seguidores de Jesus das duas tribos, além de destruírem mil casas, 414 igrejas e 250 vilas. Além disso, a onda de violência obrigou mais de 60 mil cristãos a deixarem suas casas e viverem como deslocados internos em outras partes do país.

Manipur, o maior estado cristão na Índia, já foi conhecido com um estado onde cristãos estavam seguros e a perseguição era baixa. Mas durante os conflitos entre as duas etnias, o governo estadual pró-hindu priorizou a “unidade” e não protegeu nem socorreu os cristãos alvos dos ataques.

Como começaram os conflitos em Manipur?
Os conflitos começaram com um protesto pacífico da tribo minoritária kuki contra a decisão do governo federal de incluir a etnia meitei na lista de povos indígenas. O governo vistoriou o local onde o povo kuki habitava e ordenou que evacuasse a terra cedida pelo governo. O reconhecimento dos meitei como tribo deu ao povo privilégios como novas terras, cotas no serviço público e vagas em universidades.

Tanto cristãos meitei quanto kukis foram hostilizados por pessoas de suas próprias tribos. Segundo os habitantes locais, a violência faz parte de um ataque sistemático dos grupos extremistas hindu Arambai Tenggol e Meitei Leepun. Uma multidão formada entre 500 e 700 pessoas saiu por diversas comunidades cristãs atacando os seguidores de Jesus.

Como as autoridades responderam aos ataques aos cristãos em Manipur?
De acordo com a parceira local da Portas Abertas, Priya Sharma*, os governos federal e estadual não se pronunciaram a respeito de restaurar a perda das vítimas da violência em Manipur. “Os materiais de socorro nos campos de deslocados internos são de má qualidade e em quantidade limitada. Os moradores locais culpam o governo pelo fato de que, mesmo meses após o conflito inicial, a violência continuar em Manipur. Pode não ser em uma escala tão grande, mas ainda há relatos de ataques e confrontos.”

O pastor kuki T* contou que sua igreja e o seminário em que trabalha foram incendiados por uma multidão de 500 extremistas meitei. “A polícia não fez nada para interromper o fogo no campus [da universidade local], mas estava ocupada apenas vigiando para que as chamas não atingissem nossos vizinhos”, explica.

Para Priya, a situação pode piorar caso o governo não trabalhe para promover a paz em Manipur: “Haverá ataques mais violentos e continuarão visando os inocentes. As violações dos direitos humanos serão galopantes e as atrocidades contra as religiões minoritárias se agaravarão. Não haverá justiça e os perpetradores serão apoiados”.

O que a Portas Abertas faz pelos cristãos atacados em Manipur?
Após dez dias do início dos conflitos, parceiros locais da Portas Abertas enfrentaram os riscos e foram socorrer os cristãos nas comunidades atacadas. Após a primeira visita, eles avaliaram os prejuízos e prepararam relatórios sobre a situação em Manipur.

Dias depois, os parceiros retornaram ao local com alimento para os cristãos deslocados e providenciaram abrigo seguro, além de oferecerem aconselhamento pós-trauma a cem irmãos na fé afetados pela violência. Até o momento, mais de 1.600 famílias deslocadas foram alimentadas e 200 cristãos que moravam em casas com telhado de zinco também receberam o material para a reconstrução de suas moradias.

“A situação é urgente porque as pessoas que permanecem deslocadas não podem regressar para suas residências. As casas que construíram com anos de trabalho foram totalmente destruídas e queimadas. Elas fugiram da violência e tiveram que morar em diversos locais e não têm fonte de renda”, explica a parceira da Portas Abertas.

A missão de fortalecer os cristãos em Manipur continua. “Nossa visão é promover a unidade dentro da igreja, mas nosso principal objetivo é fortalecer aqueles que permanecem em Cristo. Primeiro, devemos identificar os cristãos deslocados. Queremos capacitá-los e ajudá-los a permanecer fortes apesar das adversidades. Queremos ver a igreja unida em meio a diversas culturas e etnias”, finaliza Priya.

Quem são os cristãos atacados em Manipur?
Raghav* é um dos cristãos sobreviventes dos conflitos em Manipur. Ele estava no mercado comprando comida para a família, quando o local foi atacado por extremistas hindus armados. Ele levou 17 tiros e precisou ser levado para um hospital especializado a quase 12 horas de distância.

Quando chegaram ao hospital, a família de Raghav não tinha recursos para pagar as despesas com o socorro e o tratamento. As poucas economias que possuíam foram gastas com a ambulância que o levou até o hospital especializado. Os parceiros da Portas Abertas foram contatados e conseguiram pagar as despesas hospitalares, graças às contribuições de nossos parceiros ao redor do mundo.

O cristão voltou para casa, mas demorou para andar e tem pouca força nos braços e nas pernas. No entanto, ele comemora o fato de estar vivo. A mãe de Raghav agradece: “Muito obrigado por trazer ajuda para meu filho. Sei que deve ter sido difícil para vocês virem até nós e prestarem ajuda em meio a toda a violência que está acontecendo. Achei que perderia meu filho para sempre. Mas Deus enviou vocês para nos ajudar e agora o temos de volta”.

União apesar das incertezas
Hoinu* é um dos 41.500 cristãos kuki deslocadas em Manipur. Ela vivia na capital do estado, Imphal, quando os extremistas destruíram casas e igrejas e ocuparam a região. Antes do início dos conflitos, ela recebeu um vídeo no WhatsApp em que um homem ameaçava atacar o povo kuki, juntamente com uma multidão de jovens de camisa preta e motocicletas.

A cristã viu a multidão de extremistas hindus chegar, com 200 a 300 pessoas. A única alternativa foi fugir com a roupa do corpo e os documentos dela, do marido e dos quatro filhos. Eles correram, mas não conseguiram ficar muito distantes dos conflitos e foram acolhidos em uma igreja.

Quando Hoinu viu a multidão furiosa chegar, ela reconheceu o rosto de vários vizinhos e ficou triste por isso. Hoje, ela vive separada da família em um dos campos de deslocados, seus filhos não vão mais à escola e não há possibilidade de voltar para seu vilarejo.

A cristã kuki se apega a Deus em oração e na leitura da Bíblia, juntamente com seus irmãos na fé, para permanecer firme em Jesus. Eles têm dois momentos diários de adoração e comunhão no campo de deslocados, nos quais seguidores de Jesus de diferentes denominações aprenderam a conviver em paz. “Sempre que leio a Bíblia, tenho a certeza de que Deus está planejando algo bom para nós. Confio em Deus e minha esperança é que Deus nos ajude, Deus nos guie. Então lembrem-se de nós em suas orações”, pede Hoinu.

Como apoiar os cristãos atacados em Manipur?
Agora, a luta diária dos cristãos em Manipur é pela sobrevivência, até que os conflitos cessem e eles possam retornar para suas casas e comunidades. No campo de deslocados, eles precisam de alimentação, produtos de higiene, medicamentos, roupas, cobertores e outros itens de necessidade básica.

“Quando conheci os cristãos em Manipur, eles sentiram uma sensação de segurança sabendo que há pessoas que oram por eles. Como corpo de Cristo, devemos ouvir e apoiar a luta contra as injustiças do governo e dos extremistas. Eles não se sentem sozinhos, apesar de saber que os irmãos na fé estão longe. Sentiram o cuidado de Deus por meio da ajuda dos nossos parceiros e apoiadores, e que Deus está com eles, está atento à situação deles e envia ajuda ao seu povo”, finaliza Priya.

*Nomes alterados por segurança.

Socorra cristãos em Manipur

A realidade dos cristãos no estado de Manipur é desafiadora, como família na fé, temos a missão de socorrê-los em suas necessidades. Faça uma doação e permita que nossos irmãos e irmãs tenham acesso a comida, água e outras necessidades básicas.

Fonte: Portas Abertas

Parlamentares evangélicos dizem que governo irá recuar do fim da isenção tributária, após reunião com Haddad

Reunião entre o ministro Fernando Haddad e parlamentares da bancada evangélica (Foto: Divulgação)
Reunião entre o ministro Fernando Haddad e parlamentares da bancada evangélica (Foto: Divulgação)

Integrantes da bancada evangélica no Congresso Nacional se reuniram na manhã desta sexta-feira (19) com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). Na saída, afirmaram que o governo irá “recuar do ato que suspendeu a ampliação da isenção tributárias a pastores”.

Haddad, no entanto, declarou em seguida que o governo pretende “ouvir a AGU (Advocacia-Geral da União)” antes de qualquer decisão.

O ato pró-evangélicos foi editado pela gestão de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, um mês antes do início da campanha eleitoral. Na última quarta-feira (17), a Receita Federal suspendeu os efeitos da medida, gerando uma nova crise entre o governo Lula (PT) e os parlamentares do núcleo religioso.

O deputado Silas Câmara (Republicanos-AM), coordenador da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso, afirmou que o governo irá formar um grupo de trabalho com parlamentares evangélicos para discutir não só esse tema, mas outros de interesse do segmento religioso no âmbito da Receita Federal.

“A gente vai construir esse momento de forma que o ato seja reestabelecido com os ajustes que tenham a clareza que a gente precisa e que respeite também os indicativos que o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público da União apontam”, disse o deputado.

Ao deixar o Ministério da Fazenda, Haddad afirmou que a suspensão do ato da gestão Bolsonaro será reavaliada pelo grupo para “entender exatamente como interpretar a lei que foi aprovada pelo Congresso de maneira a não criar problemas nem para os servidores públicos da Receita, que obviamente querem cumprir a lei, nem para prejudicar, nem para beneficiar quem quer que seja”.

O ministro da Fazenda disse que já conversou de forma preliminar com o ministro da AGU, Jorge Messias, nesta quinta-feira (18). “Eu falei ontem com o ministro Jorge Messias para pôr um fim a essa discussão do que quer dizer e para evitar também interpretações de que [a suspensão] é um ato de governo”, afirmou.

Além de Haddad e de Câmara, participaram do encontro o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, e os deputados Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), David Soares (União Brasil-SP) e Marcos Soares (União Brasil-RJ) —os dois últimos são filhos do missionário R. R. Soares, fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus.

Vice-presidente da Frente Parlamentar Evangélica, o deputado Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ) afirmou que a os dirigentes da frente não foram informados sobre o encontro.

“Nada a declarar. A diretoria da FPE não foi comunicada e nem convidada. A reunião é restrita aos parlamentares que lá estiveram.”

A suspensão do ato pela Receita provocou uma reação da bancada evangélica, que acusou Lula de persegui-los politicamente.

O ato aborda a prebenda, remuneração recebida pelos pastores e líderes religiosos por serviços prestados às igrejas.

A lei isenta a prebenda do recolhimento de contribuição previdenciária, desde que ela tenha relação com a atividade religiosa e não dependa da natureza ou da quantidade de trabalho.

A Receita, porém, havia detectado que algumas igrejas usavam a prebenda para driblar a fiscalização e distribuir uma espécie de participação nos lucros aos pastores que reuniam os maiores grupos de fiéis (beneficiando lideranças de templos em grandes cidades ou bairros, por exemplo) ou as maiores arrecadações de dízimo.

A Receita suspendeu a eficácia da ampliação do benefício tributário a pastores sob pressão do TCU.

A área técnica do órgão de controle recomendou, em 14 de dezembro de 2023, expedir uma determinação ao governo para suspender o ato, editado pela Receita às vésperas da campanha eleitoral de 2022.

O relator da ação no TCU, ministro Aroldo Cedraz, ainda não se manifestou no processo, mas o governo Lula (PT) resolveu se antecipar diante do alerta dos auditores do tribunal de que a norma continuava em vigor mesmo após a própria Receita apontar problemas e indícios de improbidade administrativa.

Uma nota técnica da auditoria interna do Fisco, elaborada em 13 de março do ano passado, mostrou que o ato editado sob a gestão Bolsonaro “possivelmente não seguiu o rito estabelecido nas normas internas”, pois não foi fundamentado com exposição de motivos e cálculos de impacto. Dez meses depois, porém, a norma continuava em vigor.

Fonte: Folha de S. Paulo

Promotor recorre pela 2ª vez contra deputada cristã absolvida de “discurso de ódio”, na Finlândia

A parlamentar finlandesa Päivi Räsänen
A parlamentar finlandesa Päivi Räsänen

Apesar de ter sido inocentada das acusações de “discurso de ódio” por citar versículos bíblicos, a deputada cristã Päivi Räsänen poderá enfrentar mais um julgamento, após o promotor do governo filandês recorrer da decisão.

Agora, o processo vai para a Suprema Corte, que decidirá se ouvirá ou não o caso, de acordo com a ADF Internacional, organização cristã de advocacia que defende Räsänen.

A acusação do governo da Finlândia contra Päivi exige milhares de euros em multa e quer que as publicações da deputada sejam censuradas.

Em 14 de Novembro de 2023, a parlamentar foi inocentada de todas as acusações em uma decisão unânime dos três juízes do Tribunal de Recurso de Helsinque, durante seu segundo julgamento em uma batalha judicial de quatro anos.

“Depois da minha exoneração total em dois tribunais, não tenho medo de uma audiência na Suprema Corte. Embora eu esteja plenamente consciente de que todos os julgamentos acarretam riscos, uma absolvição da Suprema Corte estabeleceria um precedente positivo ainda mais forte para o direito de todos à liberdade de expressão e de religião”, afirmou Päivi Räsänen.

E acrescentou: “E se o Tribunal decidir anular as absolvições dos tribunais inferiores, estou pronta a defender a liberdade de expressão e de religião até ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, se necessário”.

Para Paul Coleman, diretor da ADF Internacional, o processo judicial se tornou uma forma de punição contra a deputada.

“A insistência do Estado em continuar este processo, apesar de uma decisão tão clara e unânime do Tribunal Distrital de Helsínquia e do Tribunal de Recurso, é alarmante. Arrastar pessoas pelos tribunais durante anos, submetê-las a interrogatórios policiais de uma hora de duração e desperdiçar o dinheiro dos contribuintes para policiar as crenças mais profundas das pessoas, não tem lugar numa sociedade democrática”, criticou Paul.

“Como tantas vezes acontece nos julgamentos de ‘discurso de ódio’, o processo passou a ser a punição”, avaliou.

Relembre o caso

Em 2019, a política cristã foi acusada de discurso de ódio e processada por defender o ensinamento bíblico sobre sexualidade publicamente em três momentos: em um tuíte, em um panfleto religioso em 2004 e em uma entrevista de rádio em 2019.

Paivi foi investigada pela polícia por um livreto intitulado “Homem e mulher, Ele os criou”, publicado por ela 15 anos antes, e comentários feitos em um programa de rádio.

Ela também enfrentou acusações criminais por um tweet, onde criticou a liderança da Igreja Luterana Finlandesa por apoiar o mês do orgulho LGBT.

Fonte: Guia-me com informações de ADF Internacional

Pastores e bancada evangélica se manifestam sobre fim da isenção de impostos

Pastor José Ernesto Conti, da Igreja Presbiteriana Água Viva; Teólogo Lourenço Stelio Rega, Ph.D. em Ciências da Religião; Pastor Lisânias Moura, da Igreja Batista do Morumbi, em São Paulo (Foto: reprodução/montagem)
Pastor José Ernesto Conti, da Igreja Presbiteriana Água Viva; Teólogo Lourenço Stelio Rega, Ph.D. em Ciências da Religião; Pastor Lisânias Moura, da Igreja Batista do Morumbi, em São Paulo (Foto: reprodução/montagem)

Após a decisão da Receita Federal, publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (17), em suspender uma medida que garantia a isenção tributária sobre os salários dos líderes religiosos, as redes sociais foram tomadas de debates sobre o tema. Mas qual a opinião dos pastores em relação a esse assunto?

De acordo com o pastor José Ernesto Conti, da Igreja Presbiteriana Água Viva, há uma certa confusão em relação ao “Ato Declaratório Interpretativo” RFB nº 1, de 29 de julho de 2022, o qual se refere a ação do Tribunal de Contas da União (TCU). Ele explica que muitos líderes religiosos brasileiros, além de pastorear uma igreja, possuem outras atividades inerentes a sua formação como professor, conferencista, autor, consultor, entre outras funções.

Sendo assim, quando as instituições contratavam os pastores (em regime CLT – carteira assinada), havia a dúvida se o cálculo da contribuição previdenciária desses ministros deveria levar em consideração apenas o salário pago pela empresa ou teria que incluir a remuneração recebida pela igreja no mesmo cálculo.

Segundo pastor, o Ato Declaratório emitido em Jul/22 veio exatamente para esclarecer essa dúvida. Ele cita, por exemplo, No §1º deste ato, que informa que “os valores despendidos com os ministros e membros, … da instituição religiosa, … não caracteriza esses valores como remuneração sujeita à contribuição prevista no inciso III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991”.

E ainda o No §2º deste Ato, onde esclarece que “serão consideradas remuneração somente as parcelas pagas com características e em condições que, comprovadamente, estejam relacionadas à natureza e à quantidade do trabalho executado, hipótese em que o ministro ou membro, em relação a essas parcelas, será considerado segurado contribuinte individual, prestador de serviços à entidade ou à instituição de ensino vocacional”.

“Resumindo, o salário que um pastor (ou ministro) recebe de uma igreja não deve ser adicionado ao salário que esse pastor (ou ministro) recebe quando ele é um professor, por exemplo. Cada entidade, deve recolher os tributos previdenciários independente, mesmo sendo uma única pessoa. Esse entendimento é semelhante a um profissional que trabalha em duas ou mais empresas. Cada empresa deve recolher as contribuições previdenciárias independentemente, desde que não excedam o teto imposto pela previdência”, explica.

O pastor completa e comenta a atual decisão: “Com o cancelamento do Ato pelo governo Lula, volta a interpretação pessoal da Lei nº 8.212, ou seja, de acordo com o que cada Auditor Fiscal interpreta. Por isso, as instituições (escolas e seminários) poderão voltar a receber multas, muitas vezes, com valores altíssimos que inviabiliza financeiramente muitas dessas instituições, só porque o Auditor assim entende”, lamenta Ernesto Conti.

“Igreja deveria ficar longe de benefícios eleitoreiros”

Já o teólogo Lourenço Stelio Rega, Ph.D. em Ciências da Religião, tem uma visão diferente sobre essa questão. Segundo ele, as leis e os impostos são iguais para todos, mesmo que não se colha os frutos esperados por eles, e que a igreja deveria ter cuidado ao aceitar “benefícios” que vêm da parte política, exatamente para que ela não venha a se tornar refém do sistema.

“Dentro da legislação existe o princípio da isonomia que, em palavras simples, deve haver igualdade de direitos e responsabilidades. Por que ministros religiosos deveriam ser beneficiados em relação às demais classes de trabalhadores?

E ainda há o lado político da decisão que tem sido tomada nestes casos. O que se pretende com isso? Qual objetivo? Agradar religiosos para a obtenção de apoio político e votos? Seria uma negociata, uma espécie de troca de favores? Acredito que aqui é que entra o princípio da Reforma sobre a separação entre o Estado e a Igreja, de que não podemos abrir mão. Precisamos ter a liberdade de denunciar práticas abusivas dos governantes e não ficar presos a uma espécie de ‘Lei da Mordaça’, opina Rega.

Na sua opinião, mais importante do que pedir privilégios, a comunidade evangélica deveria lutar por um governo com uma gestão mais eficiente. “O que precisamos exigir não é isenção e privilégios para os religiosos, mas sim, um governo justo e competente. Precisamos ter liberdade para isso, em vez de esperar benesses e ficarmos aprisionados sem o direito de cumprirmos o nosso papel profético que, aliás, tem praticamente desaparecido em nosso meio evangélico e de nossa liderança evangélica no Brasil”, afirma.

“Governo dará um tiro no próprio pé”

Para o pastor Josué Ebenézer de Sousa Soares, da Comunidade Batista Atos 2 de Nova Friburgo (RJ), a isenção tributária em salários dos pastores é algo garantido em lei e que não se trata de isenção, mas sim de imunidade. “Portanto, é matéria indiscutível e se o governo entrar por esse caminho só estará afirmando – o que já está muito claro para a população brasileira – seu viés ditatorial”, ressalta.

Pastor Josué lembra ainda, que esse é um privilégio que não só os pastores, mas os padres e todos os ministros e sacerdotes, de todas as confissões religiosas, são beneficiados. Ou seja, ele acha estranho a matéria do TCU só tratar dos pastores. Por outro lado, ele está entre aqueles que preferem que a igreja mantenha distância do Estado.

“Se o Estado é laico, não podemos desfrutar dessas benesses provindas dele. Por outro lado, se o Estado reconhece a atividade religiosa como fundamental para a boa ordem social e por isso concede esse benefício, é outra questão. Mas, com esse governo comunista que está aí, não creio ser essa a questão. Além disso, caso haja fundamentação para a questão levantada, todos os demais segmentos deveriam ser atingidos, não só a classe dos religiosos como militares, políticos, judiciários e demais poderes desse país”, afirma.

O pastor não acredita que essa decisão vá para frente e que, se for, será um tiro no pé do próprio governo, que nos últimos meses tem tentado se aproximar dos evangélicos. “Confesso uma certa descrença de que tal medida possa ir adiante. Sobre o impacto de tal possível medida, não creio que terá maiores consequências para as igrejas. E, para os pastores, seria uma medida disciplinar, para que eles se tornem mais éticos e passem a contribuir para o país”, acredita.

“Estamos sujeitos às autoridades”

No caso do pastor Lisânias Moura, da Igreja Batista do Morumbi, em São Paulo, caso essa decisão continue, será uma perda para algumas igrejas, mas faz parte dos deveres e obrigações de cada cidadão. “É difícil, é uma perda, vai impactar muitos que já pagam. Uns pagam muito, outros poucos, mas agora todos pagarão, sem exceção. Podemos protestar de uma forma legal, mas estamos sujeitos à autoridades”, finaliza.

“Nunca houve essa tal isenção”

A Frente Parlamentar Evangélica afirmou, nesta quarta-feira (17), que nunca houve qualquer isenção fiscal concedida a ministros de nenhum culto.

“Nunca houve essa tal isenção para nenhum ministro de culto em nenhum governo”, disse a bancada, em nota.

No comunicado, assinado pelo presidente da frente parlamentar, deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM), é dito que o grupo fez uma análise juntamente com um especialista em contabilidade eclesiástica e chegou à conclusão de que a norma suspensa foi “apenas um ato interpretativo que tratava da questão previdenciária de ministros”, cuja lei segue em vigor.

“Uma breve consulta ao Regulamento do Imposto de Renda desfaz essa falácia que visa somente puxar os evangélicos para o debate para aguçar a oposição pública contrária”, diz a nota.

Ao final do comunicado, a bancada ressaltou que “revogar um ato interpretativo deixa os ministros de qualquer culto à mercê da interpretação particular e do humor dos auditores da fazenda” e que essa seria “a velha prática de promover o caos”.

Fonte: Comunhão e Pleno News

Ads
- Publicidade -
-Publicidade-