Declarações do papa Francisco e da Igreja Católica condenando a interrupção da gravidez são rechaçadas por 58% dos católicos e por mais de dois terços dos protestantes na Alemanha, segundo pesquisa de opinião realizada na Alemanha, que revelou uma grande distância entre a dos fiéis católicos e a dos líderes da Igreja Católica em relação ao aborto.
O levantamento, realizado pela INSA Consulere a pedido do jornal Die Tagespost, perguntou aos entrevistados: “É bom que o papa e a Igreja se manifestem contra o aborto?”
Somente 17% dos respondentes católicos responderam que sim. Outros 58% disseram que não. Entre os protestantes, apenas 13% eram favoráveis às declarações contra o aborto. Mais de dois terços discordaram dos posicionamentos do papa Francisco ou da Igreja Católica sobre o aborto.
Para a pesquisa foram entrevistados 2.099 cidadãos no fim de julho e início de agosto.
Igreja Católica progride, mas só até certo ponto
O papa Francisco reorientou a Igreja Católica para um caminho mais liberal desde que assumiu o cargo de pontífice, em 2013. Ele tomou posições contundentes sobre padres envolvidos no abuso sexual de crianças, condenou governos de países do Ocidente por deportarem imigrantes, pediu mais ajuda para os pobres e mais esforços para preservar o meio ambiente.
Publicamente, ele também agiu para reduzir o preconceito contra pessoas LGBTQ, afirmando que Deus “não renega nenhum de seus filhos” e endossando as uniões civis entre homossexuais.
No entanto, o papa Francisco também decepcionou alguns de seus apoiadores mais liberais ao rejeitar a benção católica para os casamentos gays. Ele também recusou-se a abandonar a posição tradicional da Igreja sobre o celibato de sacerdotes, assim como sobre o aborto, que o Vaticano vê como um ato de assassinato.
Francisco sobre o aborto: “É correto contratar um assassino?”
Em entrevista à agência de notícias Reuters em julho, Francisco reafirmou a sua opinião de que fazer um aborto seria semelhante a contratar um assassino.
“A questão moral é se é correto matar uma vida humana para resolver um problema. De fato, é correto contratar um assassino para resolver um problema?” questionou.
A questão do aborto não é a única em que o Vaticano enfrenta perda de apoio na Alemanha. Há menos de três semanas, a Igreja Católica pronunciou-se contrária ao movimento católico progressista alemão Caminho Sinodal, advertindo-o que não tem autoridade para instruir bispos sobre questões de moralidade e doutrina.
O movimento vem fazendo pressão para que os padres sejam autorizados a casar, mulheres possam tornar-se diáconos e que a Igreja dê sua benção a casais do mesmo sexo.
Todos os anos, a Portas Abertas divulga a Lista Mundial da Perseguição (LMP), uma das principais ferramentas para monitorar e medir a dimensão da perseguição aos seguidores de Cristo em todo o mundo. Para isso, um questionário com perguntas sobre as esferas de pressão e violência é feito aos cristãos perseguidos.
Países que pontuam entre 81 e 100 são caracterizados como de perseguição extrema; entre 61 e 80, perseguição severa; e 41 a 60, perseguição alta. Na Lista Mundial da Perseguição 2022, o ranking continuou apenas com os níveis de perseguição extrema e severa, ou seja, países que pontuaram acima de 61.
Como a Lista Mundial da Perseguição apresenta apenas os 50 piores países do mundo para viver como cristão, vários países não aparecem. Entretanto, isso não quer dizer que não há perseguição neles. Eles são classificados na Lista de Países em Observação (LPO) — este ano com 26 países.
Em cinco deles (Quênia, Sri Lanka, Comores, Emirados Árabes Unidos e Tanzânia), a perseguição é severa, ou seja, entre 61 e 80 pontos. Os outros 21 apresentam nível alto de perseguição, sendo que nenhum se encaixou na categoria de perseguição variável, com menos de 41 pontos.
O que mudou na Lista de Países em Observação nos últimos anos?
Nos últimos anos, a quantidade de países na LPO apresentou um aumento significativo. Em 2017, apenas sete países integravam a lista e em 2018 o número cresceu para oito. Mas, a partir de 2019 e 2020, o número quase triplicou e 23 países passaram a fazer parte da lista. Na versão de 2021, foram 24 países. Na lista de 2022, outros dois países foram acrescentados, totalizando 26. Esse aumento do número de países em observação nos últimos anos evidencia o aumento da perseguição em todo o mundo.
Comores e Quênia integravam a LMP 2021, mas, este ano, apresentaram uma queda de pontuação e já não ocupam o Top50, entrando na Lista de Países em Observação. Já Emirados Árabes Unidos, Quirguistão, Sudão do Sul e Costa do Marfim mantiveram a mesma pontuação do ano passado e permanecem entre os Países em Observação.
As nações com aumento mais significativo na pontuação foram Ruanda e Venezuela, que subiram 8 e 12 pontos respectivamente, em comparação ao ano passado. Além disso, Israel entra pela primeira vez na Lista de Países em Observação.
O que se pode ver ao reunir os países com mais de 41 pontos, tanto os da Lista de Observação quanto da Lista Mundial da Perseguição, é que se arriscar pela fé em Jesus é realidade em grande parte do mundo.
No total, são mais de 360 milhões de cristãos perseguidos globalmente. Ou seja, na maior parte dos continentes africano e asiático, no Oriente Médio, na Península Arábica e em boa parte da América Latina, os seguidores de Jesus enfrentam desafios ao viver o cristianismo.
Pastor caminha em frente a sua igreja destruída pelos fulanis, na Nigéria (Foto: Portas Abertas)
A violência continua a se espalhar por todo o país, sequestros, assassinatos, ataques a igrejas, confrontos e agora até ameaças de morte contra o presidente Muhammadu Buhari. Na entrevista à Agência Fides, o bispo católico auxiliar de Minna, Dom Luka Sylvester Gopep, traça um panorama da situação dramática vivida na Nigéria.
“A situação na Nigéria como um todo é muito complicada”, afirmou o bispo da diocese localizada no Cinturão Médio (Middel Belt), região da Nigéria que marca a fronteira entre o norte e o sul do país.
Uma situação caracterizada por uma violência crescente que atinge frequentemente as comunidades cristãs. O senhor poderia descrever a origem dessa violência?
O atual estado de violência na Nigéria começou com um movimento fundamentalista islâmico nascido em Maiduguri, capital do Estado de Borno, chamado Boko Haram que significa literalmente ‘a educação ocidental é uma abominação’. Seu principal ensinamento era o de colocar a vida social e o desenvolvimento da população na Nigéria sob a estrita autoridade e orientação da lei islâmica Sharia. O Boko Haram inicialmente atacou instituições governamentais, mas depois começou a atacar cristãos também fora do Estado de Borno. A diocese de Minna, que convivia pacificamente com seitas e grupos islâmicos no Estado do Níger, sofreu um ataque mortal em 2011. Naquele fatídico dia de Natal, 25 de dezembro de 2011, elementos do grupo terrorista Boko Haram atacaram a igreja. de Santa Teresa, Madalla. Mais de 60 pessoas foram mortas e muitas outras ficaram feridas e mutiladas permanentemente. Em seguida, as atividades homicidas do grupo se espalharam para outras comunidades no centro-norte da Nigéria, incluindo Abuja FCT. Foi então que eles foram além das igrejas cristãs e atacaram mesquitas e comunidades muçulmanas, bem como instituições e grupos sociopolíticos.
Mas agora não é só o Boko Haram que semeaia a morte e o terror…
Exatamente. Agora as coisas ficaram ainda mais complicadas porque não nos encontramos mais apenas diante dos terroristas do Boko Haram, mas de grupos de bandidos, pastores fulani armados que atacam comunidades para roubar rebanhos de gado, matar pessoas e estuprar mulheres e também gangues de sequestradores envolvidos em sequestros para a finalidade de extorsão financeira e material. Em suma, a situação atual na Nigéria ultrapassou a violência e dos confrontos de fundo religioso. É muito mais e muito complexo. Por exemplo, os sequestros não dizem respeito apenas aos cristãos, porque os muçulmanos e os tradicionalistas africanos também são vítimas de sequestros. Um por todos, o sequestro em massa de passageiros do trem Abuja-Kaduna em 28 de março. Entre os sequestrados estavam cristãos e muçulmanos.
Como está a situação na Diocese de Minna?
Na minha diocese existem 16 paróquias que são constantemente submetidas a fortes ataques de bandos de sequestradores. Os bandidos chegam também em plena luz do dia, capturam famílias inteiras, deixam apenas as crianças e levam os adultos embora. Em seguida, eles entram em contato com os parentes dos sequestrados para pedir o resgate. Em alguns casos, alguns dos sequestrados são mortos enquanto outros ficam mutilados devido à ferocidade sofrida nas mãos dos sequestradores. Durante o período em que os bandidos levam as pessoas, seus filhos são deixados sozinhos em suas casas e comunidades. Como Igreja, assumimos a tarefa e a responsabilidade de cuidar dessas crianças, fornecendo-lhes alimentação, assistência médica e psicológica.
Se o resgate for pago, os sequestrados são libertados. Mas se nada for pago, os sequestradores matam suas vítimas. Por exemplo, dois padres da Arquidiocese de Kaduna foram mortos por seus sequestradores.
Entre nossas mulheres e jovens sequestradas, algumas foram dadas em casamento aos sequestradores, algumas estupradas e outras vendidas a outras gangues para escravidão sexual. Algumas de nossas comunidades foram saqueadas por incessantes ataques dos bandidos. A situação criou campos de refugiados em diversas partes da diocese da qual sou bispo auxiliar. A Igreja da Diocese de Minna assumiu a tarefa de prestar assistência humanitária e intervenções de emergência ao nosso povo, independentemente da sua filiação religiosa.
Como é possível que os grupos criminosos não possam ser detidos?
Infelizmente, os governos, a nível nacional e estadual na Nigéria, continuaram a apoiar verbalmente a luta contra a insegurança. Continuam querendo nos fazer acreditar que nossos líderes estão combatendo a insegurança e a insurreição. Mas ainda estamos esperando o momento em que alguém será preso e acusado em tribunal por favorecimento à insegurança ou ao banditismo na Nigéria. É realmente chocante que, apesar do fato de vivermos em uma era tecnologicamente avançada, o governo da Nigéria não tenha conseguido implantar nenhum tipo de equipamento tecnológico para ajudar a encontrar os rebeldes e bandidos que estão aterrorizando praticamente todos os cantos da Nigéria. É ridículo que a maioria das vítimas do ataque ao trem ainda esteja em cativeiro depois de mais de quatro meses. Recentemente, seus captores até realizaram um ataque ao Centro Correcional da Nigéria, Kuje, para libertar alguns de seus companheiros rebeldes na prisão. Ninguém foi preso, ninguém foi chamado para responder e ninguém se demitiu por descumprimento de seu dever. Às vezes ouvimos que o governo sabe onde os bandidos estão escondidos. Se isso for verdade, por que nada foi feito para prendê-los ou dar xeque-mate em suas atividades mortais? Todos os nigerianos, exceto aqueles no governo, estão se perguntando o que nossos governos estão fazendo. Alguns até se perguntaram em alta voz se talvez alguns funcionários do governo não sejam parte dos problemas de sequestro e insegurança que nos assolam. Ninguém pode culpar os nigerianos por pensar assim, porque se alguns no governo nada sabem das situações trágicas, por que não intensificaram a luta contra a violência e prenderam os criminosos? Todos sabemos que o principal dever do governo é proteger as pessoas que o elegeram. Se nosso governo sozinho não pode garantir a segurança dos nigerianos, por que não pedir ajuda a outros países? Um paradoxo quando consideramos que nosso exército está engajado em operações de manutenção da paz e assistência em vários países. A Nigéria é boa em ajudar os países vizinhos a restaurar a estabilidade. Por que não é capaz de fazer isso em seu próprio território nacional? Estas são as perguntas que fazemos ao governo que não são respondidas.
A Nigéria é um Estado federal. Existem diferenças na abordagem do problema entre as instituições federais e as dos Estados individualmente?
Os esforços do governo federal se concentraram no uso do exército nigeriano e da força policial federal nigeriana. A taxa de sucesso tem sido mínima e, em alguns casos, suspeitamos que haja militares e policiais que estejam em conluio com os bandidos enquanto alguns são simpáticos a eles. O desempenho abaixo da média das agências federais de segurança levou alguns Estados a criar instalações como a Amotekun no oeste da Nigéria. Esses grupos de vigilantes dependentes do Estado, também chamados de Civilian JTF nas partes do norte da Nigéria, tiveram um tremendo sucesso no combate a criminosos. O maior desafio que eles têm é que estão mal equipados para combater os bandidos que possuem armas de fogo superiores. Sabemos que os grupos de vigilantes são compostos por moradores que tentam proteger a si mesmos e a seus entes queridos.
Em algumas ocasiões, testemunhamos forças de segurança federais trabalhando contra grupos locais de vigilantes. Por exemplo, há casos de suspeitos de terrorismo ou bandidos que foram presos por grupos de vigilantes e entregues à Polícia Federal para julgamento, mas desapareceram sem deixar rastro. Tais ocasiões estremeceram as relações de cooperação entre a polícia e os grupos de vigilantes. Estamos agora testemunhando o fenômeno da chamada ‘justiça da selva’ que ocorre quando grupos de vigilantes locais prendem bandidos, não os entregam às autoridades locais, mas realizam execuções extrajudiciais.
Há tempos a Igreja adverte que esta situação é insustentável e que a Nigéria corre o risco de implodir. Houve algum tipo de resposta a todos esses apelos?
Como a crise atual estava em seus estágios iniciais, nós, os bispos católicos da Nigéria, sinalizamos os perigos iminentes para os governos em todos os níveis na Nigéria. Por meio de nossos comunicados anuais, dos encontros com lideranças políticas e partes interessadas, enviando delegações ao governo em diferentes momentos, continuamos alertando sobre as calamidades que se abatem sobre nosso país. Em resposta, os líderes nacionais e estaduais prometeram levar em consideração nossas advertências e sugestões, mas não cumpriram suas promessas. No final, nossos apelos caíram no vazio. Em 2020, quando a situação se tornou mais preocupante e cidadãos inocentes, incluindo sacerdotes, foram sendo assassinados continuamente, os bispos reuniram católicos e pessoas de boa vontade em toda a federação e fizemos um protesto pacífico contra os assassinatos incessantes em nossa terra. Sempre que os bispos fizeram declarações, eles continuaram a lembrar nossos governos que seu maior dever é a proteção das vidas e propriedades dos nigerianos. Insistimos não obstante a recusa de nossos apelos por parte de homens e mulheres em posições de liderança nos níveis federal e estadual de governo na Nigéria. Os bispos não podem ir além de sua missão pastoral como pastores do povo de Deus para entrar na arena política da Nigéria. Nunca nos cansaremos de cumprir nossos deveres como cidadãos de nosso país, a Nigéria, aconselhando o governo quando necessário e cumprindo nossas muitas responsabilidades cívicas. Na diocese de Minna, os bispos saem ao encontro das pessoas que sofrem e estão deslocadas de suas pátrias para consolá-las e ajudá-las.
Percebemos que muitas comunidades estão formando grupos locais de autodefesa sem recorrer às autoridades estaduais ou federais. Isso é consequência da incapacidade do governo de garantir a segurança dos cidadãos e, idealmente, é uma violação da lei. Quando as populações locais formam milícias de autodefesa, significa que o governo está perdendo a legitimidade e o controle do monopólio da força. Se isso continuar, o país está no caminho da desintegração. Mas as pessoas em diferentes comunidades são impotentes diante do aumento da violência e da destruição de vidas e propriedades em suas terras natais. Se nada for feito sobre esta situação, espero que os políticos, preocupados apenas com as próximas eleições, não tenham aldeias, vilas e cidades vazias para governar quando as eleições terminarem em 2023.
Folha Gospel com informações de Vatican News e Agência Fides
O aplicativo Glorify auxilia cristãos na rotina de adoração através de reflexões, orações e passagens bíblicas. (Foto: Glorify)
O Glorify– aplicativo que disponibiliza diariamente citações, passagens bíblicas, reflexões, meditações guiadas, orações e músicas – lança a categoria Poemas na plataforma com narração da cantora e poetisa, Marcela Taís. A nova funcionalidade tem o propósito de tornar o momento devocional dos usuários ainda mais inspirador e edificante.
“Muita gente desconhece que cerca de 30% da bíblia é composta por passagens poéticas, elas estão em Gênesis, Isaías, Salmos, Provérbios, entre outros livros. Então, entendemos que inseri-los na plataforma é contribuir para que a experiência das pessoas com o Glorify seja cada vez mais imersiva nas escrituras”, explica Ed Beccle, cofundador do aplicativo.
No Glorify, estão disponíveis até o momento oito poemas na voz de Marcela: Espírito Santo Amigo, Você Se Traiu, Enquanto Você Espera, Carta de Uma Mente Cansada, Motivos para Perdoar, Prata e Cevada, Voz de Deus e Incompreensível. Sendo que os três últimos são de autoria de Karine Deodato, Cristina Visch e Rodrigo Maranhão, os ganhadores do Concurso Cultural de Poemas do Glorify.
Sucesso
A iniciativa cultural também marca o sucesso do gênero textual no Glorify, que em três semanas recebeu mais de 1.300 poemas escritos por participantes. Já na plataforma, os poemas narrados por Marcela Taís já foram ouvidos mais de 200 mil vezes pelos usuários em pouco mais de um mês.
“Como forma de agradecimento às centenas de pessoas que participaram, decidimos escolher mais 3 ganhadores para estarem na plataforma. Em breve, os usuários poderão ler e ouvir novas poesias. É realmente incrível saber que os poemas estão no coração e mente das pessoas”, destaca Lu Alone, diretora de relacionamento com os embaixadores do app no Brasil.
Para ouvir todos os poemas e ter acesso a outros conteúdos do Glorify, baixe o aplicativo gratuitamente em dispositivos iOS ou Android.
Sobre o Glorify
Fundado em 2019 pelos empreendedores britânicos Henry Costa e Ed Beccle, o Glorify é um aplicativo móvel com a missão de possibilitar que cristãos em todo o mundo se conectem com Deus diariamente através de leituras bíblicas, meditações, declarações e espaço para oração e reflexão. Tem como objetivo se tornar a principal plataforma digital cristã, reinventando como os fiéis se conectam com Deus e sua comunidade por meio da tecnologia. O aplicativo está disponível para download no Google Play Store e Apple Store. Mais informações: https://glorify-app.com/pt-br/
Rodolfo Capler, teólogo, escritor e pesquisador do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP, entrevistou para a Revista VEJA, o pastor Ed René Kivitz, líder da Igreja Batista de Água Branca em São Paulo.
Kivitz, que é pastor há 35 anos e que representa uma das mentes mais sofisticadas do segmento religioso no país, falou sobre a inconsistência da flexibilização do acesso às armas e comentou a atual conjuntura política e a escalada de violência envolvendo cristãos.
A aproximação dos evangélicos com as armas de fogo não é um fenômeno recente no Brasil, porém, tornou-se mais acentuado com a ascensão de Jair Bolsonaro ao poder.
Segundo dados do Instituto Sou da Paz, com o atual governo, a política de armas no país sofreu 31 alterações, com a emissão de 14 decretos e 14 portarias de ministérios ou órgãos do governo, proposição de dois projetos de leis ainda não aprovados e uma resolução que flexibilizou e facilitou o acesso para a compra de armas e munições.
Bolsonaro que se identifica como cristão, ostentando seu slogan de governo “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, constantemente se associa às principais lideranças evangélicas do país, intensificando a harmonização entre o discurso religioso e a política de flexibilização das armas.
A entrevista a seguir, tem, segundo Capler, o intuito de promover uma análise mais crítica sobre esse processo de incitamento ao armamento civil pelas lideranças evangélicas:
Rodolfo Capler – O crime organizado brasileiro é muito próximo dos cultos evangélicos. Existe, inclusive, uma guerra entre esses grupos e pessoas que seguem religiões afro-brasileiras tradicionais como a umbanda e o candomblé. De 2018 para cá, houve um aumento nos atos de intolerância religiosa no Brasil com ataques recorrentes as minorias religiosas. Como o senhor enxerga este fenômeno?
Ed René Kivitz – Penso que existem certas tradições cristãs – entre elas, essa protestante cristã-evangélica no Brasil – que tem uma índole maniqueísta. O que eu quero dizer com isso? É o bem contra o mal, a verdade em contraposição à mentira, as a luz em oposição às trevas… Ou seja, não há zona cinzenta. Acredito que essa índole maniqueísta está na gênese do que chamamos desta cristandade, que tem origem no século III, quando Constantino se converte a fé cristã. A suposta conversão de Constantino se dá no contexto da guerra. Ele tem uma visão de que se colocasse o símbolo da cruz nos escudos dos soldados sairia vitorioso da batalha. Então, a cruz que foi um instrumento de morte imposto pelo Império Romano, onde Jesus é morto, se torna o símbolo da vitória dos cristãos contra os chamados povos bárbaros – vitória essa, violenta e bélica. É esta índole de que “com a cruz e com o poder bélico, nós vamos conquistar o mundo”, que eventos como as cruzadas, a inquisição e a expansão colonialista cristã católica romana, são gerados. Aliás, o catolicismo romano com essa índole maniqueísta, bélica e conquistadora, abençoou e promoveu a escravidão e o esmagamento das culturas, como por exemplo, ocorreu na América Latina. Então, existe esse imaginário de que o cristianismo marcha contra as expressões de religiosidade pagã. Infelizmente, essa marcha acontece militarmente com uma cruz abençoando um exército. Isso está na gênese da cristandade e permeia a sua história, de modo que a cristandade nasce violenta, bélica e vertical. Assim, o que nós assistimos hoje é mais um exemplo de tantos fatos históricos que evidenciam essa índole maniqueísta, bélica e “abençoada” por Deus. Nada é mais distante do evangelho que isso, pois, o que o evangelho trás como revelação para a história humana é a mais revolucionária afirmação a respeito de Deus, a saber, “Deus é amor”. Assim, o Deus que se revela no evangelho de Jesus Cristo é um Deus que morre por amor. Entre matar e morrer, ele escolhe morrer. Isso é revolucionário e escandaloso. Foi escandaloso nos dias de Jesus e continua sendo escandaloso em nosso tempo. Em contrapartida, as pessoas continuam querendo um Deus que mata e não um Deus que morre. Por exemplo, quando Jesus diz: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá sua vida pelas ovelhas” (João 10.11), isso soa como um escárnio. Na verdade o que eles queriam era algo como: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor mata o lobo”. A declaração de Jesus, de que ele dá a vida pelas ovelhas, é a mais absoluta afirmação de que Deus é amor. Essa declaração se contrapõe à índole maniqueísta e bélica abraçada pelos cristãos.
Rodolfo Capler – Há algumas semanas o vídeo de um pastor orando por revólveres dispostos sobre uma mesa, viralizou na internet. Eventos como este se tornaram corriqueiros no país. Por que os evangélicos estão abraçando uma cultura bélica?
Ed René Kivitz – Porque além da índole maniqueísta que os domina, eles são influenciados por uma cultura que tem a agravante de ser fortemente influenciada por uma tradição judaizante. Ou seja, eles se escoram numa tradição cristã que ainda é orientada por uma leitura equivocada do Velho Testamento, uma espiritualidade baseada numa justiça retributiva. Esse espírito veterotestamentário, não permite a existência da misericórdia, da compaixão, do perdão e o do “virar a outra face”. Infelizmente, as igrejas evangélicas fazem a leitura da realidade por meio desta lente interpretativa. Eu não quero dizer com isso que o judaísmo é violento, pois seria um contrassenso, porquanto foram historicamente perseguidos. Inclusive o rabino Jonathan Sacks escreveu um livro extraordinário, cujo título é “Não em meu nome”, no qual afirma: “Não se pratica violência em nome de Deus”. Voltando ao raciocínio inicial, essa igreja evangélica que lê o Velho Testamento com o viés da justiça retributiva – que inclui a famosa lei de talião, do “olho por olho e dente por dente” e que apregoa benção para quem é obediente e maldição para os desobedientes – só dá duas opções aos chamados “infiéis”: ou se convertem ou são eliminados. Portanto, essa ideia de evangelho sustenta que os “infiéis” são a causa da maldição nacional. Por conseguinte, conforme o entendimento daqueles que abraçam este tipo de evangelho, o Brasil estaria na situação econômica deplorável na qual está, por causa dos “infiéis”. Exemplo disso é o atual presidente da República que afirma que as minorias sociais do Brasil devem se adaptar ao establishment ou então procurarem outro lugar para habitarem, pois, serão banidas do país. Este é um discurso religioso, maniqueísta, excludente e violento, que sustenta a ideia da luz contra as trevas e do bem contra o mal. Por essa razão, é muito próprio deste imaginário religioso evangélico, a permissão de que pessoas tenham um calibre 38 nas mãos e que unjam uma réplica duma arma de fogo na Marcha para Jesus. Há incongruência maior do que esta?
Rodolfo Capler – Armar a população resolverá o problema da segurança pública no Brasil?
Ed René Kivitz – Eu acabei de gravar mais um episódio do meu Podcast “Qohélet”, cujo título é “Pistola”. Para construir este episódio eu pesquisei muito e encontrei informações, entre as quais, a de que houve uma queda na taxa de homicídios no Brasil de 2018 para 2020, com algo em torno de 7%. Os institutos de pesquisa e os analistas sociais que se dedicam ao tema da violência urbana, dizem que a queda na taxa de homicídios não tem nada a ver com o armamento da população. Outros fatores explicam o fenômeno, como a sofisticação do crime organizado (que aprendeu que matar não é um bom negócio), a divisão territorial, a inteligência das forças policiais e as políticas públicas de segurança (excetuando-se a atual política de segurança do estado do Rio de Janeiro, que é nefasta). Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (que registram que há mais amamento na posse da sociedade civil do que das forças do Estado), as armas nas mãos dos cidadãos tem um efeito contrário, ou seja, aumenta a insegurança da população. Isso em razão das armas contribuírem para o agravamento dos conflitos do cotidiano, como por exemplo, para o acirramento duma briga de bar ou de trânsito. Vide o caso do último dia 30 de Julho, em Teresina, no qual um cunhado mata o outro cunhado e logo a seguir morre atingido por arma de fogo. Detalhe: todos eram frequentadores de uma Igreja Presbiteriana. Assim, eu afirmo enfaticamente, que os pastores promotores do armamento da população tem sangue nas mãos, porquanto a população civil não é treinada psíquica e emocionalmente para ter armamentos em casa. Os cidadãos, sequer, têm estrutura e aparato técnico-social para portar um revolver na cintura. Interessante é que com a política de segurança de Bolsonaro, com o estabelecimento do CAC (autorização para aquisição de armas para colecionador, atirador desportivo e caçador), há um clube de tiros sendo aberto por dia no Brasil, o que permite que bandidos comprem armas legalmente com registro e com preço mais barato. Diante disso, a questão que se coloca é a seguinte: quem lucra e quantos milhões ou bilhões lucra com esta política armamentista do governo Bolsonaro? Porém, “deve existir um sigilo de cem anos” para esta informação. Mas, eu gostaria de saber quem ganha com tanto incentivo para o armamento da população. Há de se dizer, também, que esse projeto de armar a sociedade revela uma pretensão golpista. A ideia seria colocar armas e munições nas mãos de um povo fanático que a qualquer momento pode querer resolver problemas político-sociais à bala. Isso é algo absolutamente inominável e intolerável, visto que as balas não colocarão ordem no Brasil, apenas colocarão sangue na desordem.
Rodolfo Capler – Nos últimos 5 anos, o Brasil teve uma média anual de 55 mil homicídios. De que modo as igrejas evangélicas podem contribuir para pacificar a nação?
Ed René Kivitz – Deveria ser óbvio que a igreja tivesse na sua boca palavras como reconciliação, perdão, compaixão, misericórdia e paz. Mas os pastores hoje estão defendendo o direito de matar, em legítima defesa. Eles estão acreditando que uma arma no coldre ou uma arma em casa é a garantia de uma família protegida. Isso no meu entendimento é um retrocesso civilizatório. Creio que a igreja deve educar para a paz. Ou seja, a igreja precisa educar para a vida e não para a morte. Eu disse outro dia num dos meus sermões dominicais que eu não imagino Jesus entrando numa festa de aniversário em Roma ou numa em Jerusalém, gritando: “Aqui é Jeová!”, e disparando tiros no ambiente. Não imagino uma coisa dessas. Penso que a igreja perdeu Jesus de vista… A igreja substituiu o Messias, que foi profetizado como “o Príncipe da paz”, pelo Messias promotor da morte, de modo que ela necessita voltar a Jesus, seu legítimo Senhor, o príncipe da paz. Somente assim a igreja se conformará à bem-aventurança de Jesus, de que “felizes são os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus”.
Rodolfo Capler – O que o senhor acha do ensino religioso nas escolas públicas? Funciona?
Ed René Kivitz – É preciso fazer uma distinção entre ensino religioso e cultura humanista baseada em tradições espirituais. A espiritualidade é uma dimensão do ser humano, assim como a racionalidade e a corporeidade. Por exemplo, virtudes como justiça, solidariedade e generosidade, não são atributos do corpo ou da mente, mas do espírito. Você pode ter um sujeito fisicamente forte e inteligente, mas que é racista, xenófobo, supremacista branco e nazista. Os grandes facínoras da humanidade foram homens inteligentíssimos, que criaram estruturas de extrema sofisticação destrutiva. Dessa forma, a espiritualidade é uma dimensão humana a ser desenvolvida. Como bem disse o Nelson Mandela: “Ninguém nasce odiando outra pessoa. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”. Por essa razão eu acredito que num Estado laico a escola não deve ensinar religião; o ensino da religião é uma prerrogativa da família. A escola por sua vez, tem a incumbência de ensinar as virtudes humanistas que são comuns a todas as tradições religiosas.
Rodolfo Capler – À luz da fé cristã a acumulação de bens materiais é pecado?
Ed René Kivitz – Dinheiro é um assunto absolutamente espiritual. Jesus disse que o dinheiro tem um potencial idolátrico. Na Bíblia Sagrada, dinheiro elevado à categoria de Deus é um ídolo chamado Mamom. Por causa disso, por exemplo, nos Evangelhos, Jesus falou mais sobre dinheiro do que sobre fé. Depois do Reino de Deus, o segundo assunto sobre o qual Jesus mais abordou foi dinheiro. Inclusive uma das principais coisas que Jesus afirmou foi que é mais fácil um camela passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus. O apóstolo Paulo disse que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” e que muita gente querendo enriquecer acabou destruindo a própria vida e a vida de muita gente. Entretanto, você não encontrará no texto bíblico uma afirmação que afirme, categoricamente, que o acumulo de dinheiro é pecado. Não há um versículo sequer que diga que a acumulação de bens é pecado. Todavia, a lógica bíblica e do evangelho de Jesus aponta nessa direção. Num mundo onde existe fome, o acúmulo material é obsceno, imoral e maligno. O Reino de Deus é um reino de justiça e paz, onde há abundância de tudo para todos. Já o reino de Mamom é um reino de injustiça, desigualdade, acúmulo, escassez, fome e morte.
Rodolfo Capler – é possível ser cristão e ser de esquerda?
Ed René Kivitz – Nos últimos tempos, no Brasil, “esquerda” virou um palavrão – quase um xingamento. Nas minhas redes sociais, as pessoas me chamam de comunista, socialista e esquerdista, como se estivessem me ofendendo. O termo “esquerda” tornou-se uma injúria porque é associado aos regimes comunistas que perseguem cristãos, à luta pelos direitos reprodutivos da mulher (especialmente à questão do aborto), e às pautas identitárias, sobretudo àquelas relacionadas a comunidade LGBTS. Desse modo, quando alguém declara: “Eu sou de esquerda”, logo é acusado como alguém a favor do aborto e classificado como perseguidor de cristãos e como ativista das causas homoafetivas. Isso na verdade, não passa de uma caracturização pejorativa da ideia da esquerda. Eu já declarei várias vezes que eu sou contra o aborto e acredito que, inclusive, a maioria das mulheres que praticam o aborto é contra o aborto. Entretanto, o aborto é uma questão de saúde pública… Toda a questão moral envolvendo a comunidade LGBTs está envolta numa tradição religiosa cristã de dois mil anos que condena pessoas homoafetivas ao inferno. Por isso, nós precisamos de um entendimento atualizado do evangelho e de um acolhimento amoroso dessas pessoas. Dito isto, penso que caricaturar a “esquerda” com essas questões é muito limitante. Agora, quando você trata a esquerda da perspectiva duma corrente ideológica que abarca o apoio dos direitos humanos, a busca duma sociedade mais igualitária, a promoção da justiça social – promovida não apenas pelas lógicas meritocráticas do Mercado, mas também pela atuação dos governos -, e o auxílio aos pobres, eu diria (nesse sentido) que não só é possível um cristão ser de esquerda, como é uma obrigação um cristão ser de esquerda. Quando alguém me pergunta: “Você é de esquerda?”, eu respondo o seguinte: “Se você está me perguntando se eu sou a favor do aborto e dos regimes comunistas e socialistas totalitários, eu digo que não. Agora, se você está me perguntando se eu sou a favor das pautas identitárias, dos direitos das mulheres e dos LGBTs, das questões raciais, do ideário dos direitos humanos e de um Estado que priorize os pobres e o enfrentamento da pobreza, então eu declaro que sou de esquerda”.
Rodolfo Capler – O que o senhor tem a dizer a respeito do apoio irrestrito de boa parte das lideranças evangélicas ao bolsonarismo?
Ed René Kivitz – “Existe por trás deste governo uma mente intelectualmente limítrofe, cientificamente ignorante, ideologicamente totalitária, religiosamente obscurantista e moralmente perversa. É urgente que seja exorcizada!”. Eu disse isso em março de 2020, no início da pandemia. De lá para cá, eu acrescentaria adjetivos a isso que existe por trás deste governo – adjetivos sombrios e nefastos. O que este governo fez e está fazendo com o meio ambiente, com a floresta, com a cultura, com a educação e com o imaginário civilizatório do país e com as conquistas das sociedades das democracias liberais, é assombroso. De tal modo, eu penso que a adesão das lideranças religiosas evangélicas a esse governo, implica uma incompatibilidade de gênios ou deveria implicar. Lamento que não. Agora, eu fui educado numa tradição religiosa protestante evangélica batista, que me ensinou a separação entre a Igreja e o Estado. Eu fui ensinado a pensar como Martin Luther King Jr., que afirmou: “A igreja é a consciência crítica do Estado”. Uma igreja que aderiu ao bolsonarismo e ao governo de Jair Bolsonaro como a chamada igreja evangélica brasileira aderiu, na minha opinião, não apenas agride o espírito do evangelho, mas afronta a minha tradição batista. Jesus não mandou que os seus discípulos assumissem o senado romano ou elegessem um dos seus discípulos como imperador, muito menos, que convertessem o imperador. Aliás, se tem uma coisa mal entendida no cristianismo é justamente a conversão de Constantino à fé cristã. Eu tenho absoluto estranhamento com o bolsonarismo e as lideranças evangélicas que abraçaram o bolsonarismo.
Rodolfo Capler – Tudo bem misturar política e religião?
Ed René Kivitz – Desmond Tutu, que foi arcebispo da Cidade do Cabo e prêmio Nobel da Paz, afirmou: “Não existe nada mais político do que dizer que política e religião não se misturam”. Não é possível separar religião e política. Todo ato humano é um ato coletivo e todo ato coletivo é um ato político. Então, religião, por si, é uma experiência política. Por exemplo, a presença de uma comunidade religiosa dentro duma cidade é um ato político, porque a comunidade cristã implica uma lógica de existência que confronta as lógicas da cidade. A questão sobre a qual devemos refletir é: quais são os valores religiosos que orientam a ação política? São os valores da exclusão ou são os valores da comunhão? São os valores que favorecem a vida humana e especialmente a vida dos seres humanos em condição de vulnerabilidade? Toda vez que eu fizer uma escolha eu tenho que escolher a favor da vida e não a favor de algumas vidas. Prioritariamente, devo escolher a vida do órfão, do idoso e das pessoas que estão em condição de vulnerabilidade e de ameaça, a saber, o pobre, o preto, o gay e aquele que tem uma confissão de fé minoritária. Tudo isso é ato político…
Rodolfo Capler – Qual mensagem o senhor gostaria de deixar para o eleitor evangélico?
Ed René Kivitz – Que o eleitor evangélico olhe para Jesus. Porque nem tudo o que está na Bíblia está em Jesus. Nem tudo o que está na tradição da cristandade está em Jesus. Nem tudo o que está na tradição evangélica no Brasil está em Jesus. Nem tudo o que está na boca dos pastores, apóstolos e bispos evangélicos brasileiros, está em Jesus. Que o eleitor e a eleitora evangélicos olhem para Jesus, pois tudo o que é divino está em Jesus. Portanto, que o eleitor evangélico escolha fazer o caminho de Jesus, do jeito de Jesus, com Jesus.
A relação da Globo com artistas evangélicos nunca esteve tão estremecida como nos últimos tempos. Isso porque, nem mesmo as músicas de grandes nomes do gospel estão sendo liberadas para as novelas da emissora.
A coluna LeoDias, do portal de notícias Metrópoles, descobriu que muitos deles, inclusive, se uniram nesse movimento de boicote à emissora. Aline Barros e Bruna Karla estão entre os que se opõem em ter seus respectivos trabalhos ligados à dramaturgia do canal.
Vai na Fé, novela escrita por Rosane Svartman e agendada para estrear em 2023, substituindo Cara e Coragem na faixa das 19 horas, terá uma protagonista evangélica interpretada por Sheron Menezzes e dará destaque à fé cristã no enredo. Segundo apuração da reportagem com fontes do meio gospel, a trama será só mais uma chacota aos evangélicos.
Para os artistas gospel, a emissora trata os evangélicos como pessoas limitadas, além de estereotipá-las vestindo personagens de maneira visivelmente conservadora, o mais clichê possível, bem distante do atual cristão.
Xuxa critica boicote
A apresentadora Xuxa Meneghel, opinou mais uma vez em assuntos ligados aos evangélicos. Desta vez, a artista comentou sobre o boicote a Rede Globo promovido por cantores gospel.
No Instagram, Xuxa comentou a publicação do jornalista, criticando os cantores gospel pela suposta atitude contra à Globo.
“Puxa vida … quando precisavam pediam e agradeciam muito por estar la… agora com a internet e esse pensamento pequeno estão dizendo não… espero realmente que um dia eles acreditem na palavra de Deus e apenas ame o proximo como a ti mesmo”, escreveu ela.
“A coisa ta feia .. mas… quem sabe um dia eles ( elas) venham precisar … e os apresentadores deveriam dizer…. Agora não… não da. ( lembrando que eu lancei muitos na globo)”, finalizou Xuxa.
Muitos parabenizaram a apresentadora pelo comentário, mas houve quem discordasse dela.
“Com grande carinho e respeito discordo de sua posição, ainda que tenha um certa fundamentação, de fato lembro como evangélico como fiquei feliz e representado ao ver Aline cantando lindamente em um de seus programas numa época de pouquíssimo espaço para o segmento, tenha certeza que muitos de nós lhe somos gratos… contudo os tempos hoje são outros, a própria e atual sociedade ensinou esse tipo de manobra de defesa a grupos que podem sentir-se acuados, já aconteceu com vários outros segmentos, é necessário que os grandes veículos de comunicação tenham mais sensibilidade para saber dialogar e negociar com todos os públicos especialmente com este público que segundo fontes do próprio IBGE cresce consideravelmente”, escreveu um seguidor.
“E querem mais ficar aceitando passivamente ataques ou desrespeitos à sua fé e crença não dá mais pra simplesmente ficar ignorando ou achar que suas reivindicações são irrelevantes o que estes artistas gospel estão fazendo apenas é dando um amplo recado a toda mídia assim como qualquer outro movimento também pode fazer. Acho que é legítimo, faz parte do jogo democrático e todos devemos respeitar… um grande beijo, msm discordando te admiro de montão”, finalizou o internauta.
Folha Gospel com informações de Metrópoles, Fuxico Gospel e Portal do Trono
A 2ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão do juiz Luciano Siqueira de Pretto, da Vara Única de Duartina, que negou pedido de indenização por danos morais feito por igreja contra o Município.
Consta nos autos que a autora da ação, a Igreja evangélica Restaurando Corações, pede reparação por danos morais no valor de R$ 30 mil pela interrupção de suas atividades durante dois dias em abril de 2021 e pela suposta conduta abusiva de agente público.
Segundo a relatora do recurso, desembargadora Vera Angrisani, no primeiro dia de interrupção a ação do Município se limitou à fiscalização cabível durante a pandemia.
“Trata-se de medida adotada pelo gestor público com o fito de evitar a propagação da COVID-19 em seu momento mais gravoso, sendo legítima a opção feita”, afirmou. “Não se olvide que a liberação à realização de cultos, ainda que determinada em sede de tutela de urgência em ADPF (ADPF 701) foi tomada no mesmo dia do ato praticado, ocasião na qual, a despeito da liminar, esta sequer havia sido publicada e comunicada às autoridades públicas”, frisou a magistrada.
Já no segundo dia, o culto foi atrapalhado por homem que, apesar de ser funcionário do município, não estava em exercício, agindo como pessoa física, não podendo a Prefeitura ser responsabilizada.
“Inexistente, portanto, a responsabilidade da municipalidade, afastando-se o artigo 37, §6°, CF, pois o agente causador do dano, ainda que servidor público, não estava no exercício de suas funções: admitir esta tese levaria à repercussão de que caberia aos entes federativos responder pelos atos de todos os seus servidores, ainda que praticados fora de suas funções”, disse.
O julgamento teve a participação dos Desembargadores Claudio Augusto Pedrassi e Renato Delbianco. A votação foi unânime.
Cerca de 7 milhões de ucranianos tiveram que fugir do país, desde que a Rússia colocou em prática seus planos de tomar o país da forma mais violenta. Agora, a Sociedade Bíblica da Ucrânia, se concentra em trabalhar por aqueles que permaneceram.
“Nós tentamos fazer o nosso melhor pelos que ficaram. Juntamente com as igrejas, estamos levando luz às trevas. A escuridão é muito profunda. Grandes problemas estão se tornando cada vez mais visíveis”, explicou o vice-secretário geral da Sociedade Bíblica Ucraniana, Anatoliy Raychynets.
Sobre o trabalho de doações de Bíblias, ele disse que “têm sido uma grande bênção” ter a palavra de Deus em mãos. Além disso, disse também que tem sido excelente para as pessoas que estão circulando pelo país e que não podem levar muitas coisas com elas.
“Nossa equipe no leste da Ucrânia diz que está dando Bíblias para soldados russos e muitos deles estão aceitando. O armazém agora está vazio de Bíblias russas”, ele compartilhou.
Ao descrever a situação atual do país, Anatoliy diz: “A vida diária é pesada. Você se sente tão cansado. Não durmo uma noite inteira há cinco meses. Estou falando em nome de milhões”.
“Há funerais todos os dias. Todos os dias conhecemos alguém que conhece alguém que foi morto. Com o passar das semanas, vamos nos acostumando com notícias ruins como essa, mas não percebemos o quanto isso está nos mudando, o quanto está nos prejudicando”, continuou.
“Se você sair da Sociedade Bíblica, ao virar da esquina, você encontrará pessoas de 60 ou 70 anos, ou pessoas mais jovens, que estão bêbadas ou que estão com problemas mentais, falando alto. A cada dia isso é mais comum”, relatou.
“Você não pode planejar nada. Na semana passada, viajamos para áreas urbanas problemáticas, no leste, para evacuar mulheres e crianças. Tínhamos um plano, mas tivemos que mudá-lo cinco vezes. Chegamos em Kyev 27 horas depois do planejado”, explicou.
Luz na escuridão
Segundo Anatoliy, já são quase 14 milhões de deslocados internos e todos os dias eles recebem ligações de igrejas que têm grupos de refugiados de muitas cidades. “Eles precisam de comida, cuidados médicos, entre outras coisas”, disse.
“Outros países também receberam muitos ucranianos. Nosso presidente até mencionou que os cristãos recebem o povo ucraniano com muito amor. Este é um grande testemunho — o mundo está vendo que ajudamos uns aos outros. Como eu disse antes, é luz na escuridão”, reforçou.
“Quero expressar gratidão por todo o apoio pelas doações de Bíblias de Sociedades Bíblicas ao redor do mundo”, agradeceu ao citar que ainda há uma grande necessidade de materiais cristãos na Ucrânia.
Além da distribuição de Bíblias, há também programas de cura de traumas que são feitos pelas igrejas evangélicas e católicas, para adultos que perderam parentes e crianças que ficaram sem os pais.
Os rígidos regulamentos do Partido Comunista Chinês (PCC) sobre conteúdo religioso levaram à escassez de Bíblias em Hong Kong.
Os franciscanos que dirigem o instituto de pesquisa bíblica Studium Biblicum Franciscanum (SBF) em Hong Kong relatam que as gráficas na China estão desinteressadas em imprimir sua Bíblia católica devido à pequena quantidade de cópias vendidas.
Além disso, as gráficas temem que imprimir Bíblias sem a aprovação do governo possa causar problemas com as autoridades.
Exemplares disponíveis da Bíblia da SBF já foram vendidos para livrarias, aumentando assim a pressão para encontrar rapidamente uma editora.
De acordo com um membro da SBF, Frei Yeung, as gráficas de Hong Kong não possuem a tecnologia de encadernação de grampos usada para fazer Bíblias na China continental, tornando assim mais difícil encontrar uma gráfica.
O objetivo desses tipos de regulamentos é controlar e alinhar a religião com a ideologia e os objetivos políticos do partido (um processo geralmente chamado de sinicização).
Apesar dos problemas entre a SBF e sua gráfica, outros grupos cristãos não foram afetados. O reverenciado Liao Jinyuan, diretor geral de Hong Kong do grupo protestante Sociedade Bíblica Mundial, informou que as gráficas ainda estão operando em Hong Kong e na Coréia do Sul.
Folha Gospel com informações de International Christian Concern
No Mundo ocorre uma Declarada ‘Guerra Cultural’ alusiva a ‘Comportamentos Morais Pós-Modernos’, especialmente os ligados as ‘Pautas de Costumes’, onde ‘Lideranças Sociais Progressistas’ envolvidos com ‘Movimentos Identitários’ tem Combatido o Legado Judaico-Cristão, embasado na Bíblia Sagrada, que estudiosos tem denominado de ‘‘Cristofobia’, e, no Brasil, com Expressiva Atuação junto aos Poderes da República, destacando-se, entre outros, os ‘Ativistas do Movimento LGBTQIAP+’, no afã de ‘Flexibilizar’ o Sagrado da ‘Família Cristã’, (‘Homem’ e ‘Mulher’, Gênesis 1:27), inserindo uma ‘Conceituação Humanística’ baseada na ‘Ideologia de Gênero’, e com isso Perseguindo Midiaticamente, (e especialmente junto a Órgãos Públicos),Manifestações de Líderes Religiosos, para que Adequem sua ‘Cosmovisão de Fé’ às ‘Orientações Sexuais ’oriundas da‘ Cultura Gay’, que, são, no sentido Sociológico-Jurídico, ‘Opções Existenciais’ que cada Cidadão, num Estado Democrático de Direito, tem total‘ Direito de Exercer’, à luz de suas ‘Conveniências Pessoais’, os quais devem ter sua ‘Autonomia Vivencial’ respeitada pela Sociedade, eis que, não admite o Sistema Legal a ‘Discriminação as Pessoas’ por origem, religião, idade, raça, sexo, cor, posição social, nível educacional, faixa financeira, partido político, visão filosófica etc.